Gemialidades Weasley
10 "Mudanças e Detenções" Três.
Notas iniciais
“Não, não...” Escutava alguns murmúrios baixos “Não! Cadê? Deveria estar aqui em algum lugar...” Agora os murmúrios estavam virando apelos cada vez mais altos. Após alguns longos segundos em silêncio, senti um par de mãos me balançando levemente, mas ainda de um modo urgente. “Jorge, Jorge. Acorda! Preciso falar com você... Aconteceu algo. Jorge, acorda!”
- O que foi Fred? – Perguntei a contragosto. Vamos lá, eu estava com sono ainda. Olhei para a janela e vi que o céu estava escuro. Por que Fred estava me acordando? Ainda era de noite?
- Nós fomos enganados, ou melhor, roubados! – Ele exclamava. Abri meus olhos lentamente e ergui meu corpo, espreguiçando-me.
- Do que você está falando? Está de noite! Como você acorda assim e-
- Eu não dormi, deitei aquela hora, mas pouco depois de você dormir eu me levantei. Mas isso não importa. Lembra daquela aposta que fizemos com o Ludo Bagman, na Copa Mundial de Quadribol? – Começou e quando eu concordei com cabeça Fred voltou a falar – Então, o dinheiro sumiu! Todo aquele dinheiro.
- Como... Como assim aquele dinheiro sumiu? Alguém entrou aqui ou...
- ... Bagman nos pagou com dinheiro de duende. Ouro que some em algum tempo – Esclareceu-me.
- Filho da mãe! – Exclamei – A gente precisa fazer alguma coisa Fred! Nós fomos enganados!
- Então levanta daí.
Empurrei os grossos cobertores para longe de mim e levantei rápido da cama. O babaca do Bagman havia nos enganado, mas isso não ficaria assim. Antes de deixar o quarto dei uma olhada nas malas para conferir se de fato o dinheiro havia sumido. Fred andava de um lado para o outro impaciente e quase me arrastou para fora do dormitório.
- O que a gente vai fazer? – Perguntou.
- Talvez o Ludo não saiba que o dinheiro dos duendes desapareça... – Observei – Vamos mandar um coruja e ver no que vai dar.
- É. Hm. Tudo bem, vamos lá.
Descemos para o salão comunal e nos sentamos ao final da mesa. Puxei um pergaminho e Fred uma pena com um tinteiro. Suspiramos e nos curvamos para que ninguém espiasse o que estávamos fazemos. Nossas cabeças estavam apoiadas uma na outra quando começamos a escrever.
“Caro Ludo Bagman,
Talvez você não saiba, o que eu duvido, pois tenho certeza que você tinha conhecimento sobre o ouro de duendes, mas esse ouro desaparece depois de um tempo. Acho melhor você nos dar o que nos deve, Bagman.”
Fred rabiscou o pergaminho me fazendo franzir o cenho. O que ele escrevera estava muito agressivo.
- Hm, não... Desse jeito parece que estamos o acusando. Temos que ter cuidado – Sussurrei, mas como o salão estava deserto minha voz acabou ecoando pelo local.
Ergui a cabeça e deixei meus olhos rolarem pelo salão da grifinóra. Ao longe vi Rony e Harry, este que estava olhando para minha direção. Quando Harry viu que eu também o olhava, desviou o olhar e voltou a conversar com meu outro irmão.
- Fred... A gente acaba isso amanhã. Eu realmente estou com sono.
- ‘Tá, tudo bem. Eu... amanhã a gente acaba.
Peguei o pergaminho onde algumas linhas já estavam escritas e muitas outras rabiscadas. Enrolei e o guardei em um dos bolsos do pijama.
- Boa noite – Fred e eu dissemos ao mesmo tempo. Rony e Harry retribuíram com um aceno de cabeça.
Subimos devolta para o dormitório e me joguei na cama, o sono acertando-me com mais intensidade ainda.
- Desculpa ter te acorado – Fred sussurrou.
- Nah, tudo bem. Amanhã eu penso melhor no que fazer... Esse Ludo Bagman filho da mãe! Isso é quase... roubo! – Exclamei. – Bom, até, Fred – E bocejei, deixando meu corpo afundar no colchão.
Ao acordar percebi que meu irmão ainda estava adormecido na cama ao lado. Sentei-me na cama de pernas cruzadas e comecei a observá-lo sem lembrar da pequena confusão da noite passada.
Fred era lindo, e eu não estava dizendo isso só por que ele era meu gêmeo. Eu conseguia perceber algumas diferenças sutis em seu rosto e era isso que me fazia o achar tão bonito. Seu rosto era menos comprido, seus lábios tinham uma curvatura diferente nos cantos e eu sabia que ele era poucos centímetros mais baixo que eu.
Fred tinha a respiração calma e seus dedos mexiam às vezes, mas ele não estava acordado. Quando ele dormia às vezes seus dedos mexiam involuntariamente.
Ficar assim, observando-o, fez o sonho que tive na aula de História da Magia voltar a minha mente. Minha boca estava seca ao lembrar daquele beijo. Fred era meu irmão e um beijo daquele que eu havia fantasiado era no mínimo errado. Como ele próprio havia dito, era como beijar um espelho.
- Eu sinto falta de voar – Sua voz rouca acordou-me de meus pensamentos.
- Voar?
- É, quadribol – Explicou-se.
- Ah, sim. Eu também.
Mesmo com ele acordado, decidi observá-lo por mais alguns segundos. Fred agora me encarava também, seus olhos de coloração tão bonita focados nos meus.
- Temos que escrever a carta pro Bagman – Lembrei-o.
- Podemos comer primeiro? – Perguntou em tom distraído.
- Claro.
Três dias se passaram sem muitas mudanças. Fred eu continuamos a detenção com Filch e também mandamos a carta para Ludo Bagman, no entanto, ainda não havíamos recebido uma resposta. Eu realmente estava começando a ficar preocupado em relação ao ouro desaparecido, era o que iria financiar as gemialidades!
As escadas estavam mudando bastante quando Fred e eu subíamos por elas em direção às masmorras, onde ficava a sala de Filch. Hoje seria o último de detenção. Finalmente! Não agüentava mais ficar limpando os corredores como um trouxa, doía o corpo inteiro.
- Acho que ‘tô começando a entender o porquê de papai admirar tanto os trouxas... – Fred murmurou enquanto esfregava o chão. Apenas ri e concordei com a cabeça.
Peguei um balde que continha uma mistura estranha feita por Filch e levei até onde Fred esfregava. Coloquei-o com força sobre o chão fazendo algumas gotas espirrarem em meu rosto.
- Oh, merda! – Xinguei. Escutei meu irmão rir e então sua voz veio logo em seguida: “Deixe-me te ajudar com isso”. Com a manga das vestes Fred limpou o meu rosto cuidadosamente.
- Bem melhor – Sussurrou.
Quando abri meus olhos percebi a grande proximidade entre nossos rostos, podia sentir a respiração quente de meu irmão batendo em meus lábios. Com seu rosto assim tão perto do meu, um rosto tão comum para mim, era difícil decidir quem ali era Fred e quem era Jorge. Eu não saberia dizer.
“Eu queria tentar... uma coisa”
- Eu quero tentar uma coisa – Imitei suas palavras.
Não sei o que estava me motivando a fazer aquilo, quando dei por mim eu já estava acabando com a pouca distância que separava nossos lábios. Quando os juntei uma corrente elétrica passou pelo meu corpo e eu percebi que Fred a sentiu também. Ele suspirou e então separou o beijo.
- Devo perguntar porquê? Ou seria melhor não? – Sua voz estava baixa e calma.
- Melhor não.
- Então ‘tá – Riu baixinho e num ato surpreso voltou a juntar nossos lábios mais uma vez. Mais um selinho, só que dessa vez acompanhado de uma carícia em meu rosto.
Escutamos um barulho alto vindo de algum canto do corredor e nos separamos rapidamente. Estava um pouco ofegante por conta do susto, após olhar para os lados me certificando que não havia ninguém ali olhei para Fred e percebi que ele estava assustado também.
Depois de conseguirmos limpar o que Filch nos havia mandado, voltamos até o salão comunal da grifinória e então subimos até o dormitório. Troquei de roupa e me joguei na cama, quando arrisquei um olhar na direção de Fred percebi que ele me olhava. Sorriu-me e então fechou os olhos suspirando.
Queria poder saber o que ele estava pensando. Confesso, estava curioso.
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