Gemialidades Weasley
1 "Gemialidades Weasley" Um.
Notas iniciais
– Vamos, vamos. Acordem meninos – Mamãe sussurrava com a voz doce. Quando olhei pela janela do quarto de Rony o céu ainda se mostrava escuro. Que horas eram afinal?
– Já está na hora? – Fred exclamou tonto de sono.
Levantei-me a contragosto. Se ao menos pudéssemos aparatar... O emaranhado de cobertas onde eu e Fred dormíamos há pouco ainda parecia tão atrativo...
Minha cabeça rodava um pouco ainda por conta do sono, mas pude ver mamãe indo acordar Harry e Rony. Esperei que Molly saísse do quarto para então trocar de roupa. Meus cabelos ruivos estavam desarrumados e apontavam para todos os lados, até pareciam os cabelos de Harry. Procurei pela escova de Rony e a passei pelos meus fios enquanto assistia Fred tentar colocar a calça. Era uma cena engraçada. Ele estava apoiado na parede com os olhos fechados e tentava enfiar as pernas nos buracos certos da calça, sem sucesso é claro.
Joguei a escova onde Rony ainda estava deitado e fui até a porta do quarto, passando por Fred e batendo rapidamente em sua cabeça, fazendo-o quase cair no chão por conta do susto. Antes de sair pela porta pisquei para meu irmão e coloquei a mão no bolso, mostrando-o alguns de nossos caramelos. Ele sorriu largamente, logo entendendo.
Não demorou muito para descermos os quatro até onde mamãe e papai estavam. Fred ficou mal-humorado ao constatar que Gui, Carlinhos e Percy poderiam dormir até mais tarde, já que eles eram maior de idade e poderiam aparatar. Só foi recuperar seu animado humor quando contou ao Harry sobre a experiência de Carlinhos no seu primeiro exame para poder aparatar.
Depois de tomarmos nosso delicioso café da manhã estávamos prontos para sair em direção ao portal que nos levaria até o acampamento.
– Jorge! – Mamãe gritou assustando todos.
– Quê? – Perguntei forçando ao máximo o tom de inocência em minha voz.
– Que é isso no seu bolso?
– Nada! – Oh não...
– Não minta para mim!
Molly pegou sua varinha e com um simples feitiço convocatório “Accio! Accio!” fez todos os caramelos incha-língua voarem até sua mão. Os caramelos voavam de todos os lugares possíveis! Fiquei impressionado ao ver alguns deles saírem voando da barra da calça de Fred.
Nenhum de nossos protestos adiantou enquanto mamãe pegava nossos caramelos e jogavam no lixo. Gastamos seis meses neles!
Peguei minha mochila, a coloquei nos ombros e saí pela porta de casa sendo acompanhado por Fred. Eu não estava satisfeito com o que acabara de acontecer. Mamãe nunca nos entendia!
– Eu não acredito... Todos os nossos caramelos... – Fred lamentou ao meu lado. – A gente conseguiria alguns galeões com eles em Hogwarts esse ano.
– Pelo menos ainda temos os formulários, graças a você.
– É, claro – Sorriu.
Quando toquei no assunto dos formulários que supostamente estavam destruídos por mamãe as imagens da noite passada sacudiram minha mente.
“Eu queria tentar... uma coisa”
“O que?” Perguntei, mas Fred não me deu uma resposta. Ele apenas riu de um modo estranho e se aproximou ainda mais de mim. Franzi o cenho ainda não entendendo o que estava acontecendo ali. Eu já sentia a respiração de Fred batendo em meu rosto quando ele juntou seus lábios aos meus. Meu irmão apenas juntou seus lábios aos meus, não forçou nenhum tipo de movimento. Apenas os juntou.
Nunca imaginaria que Fred faria isso, preciso confessar que na hora que ele o fez eu fiquei demasiado confuso, mas resolvi ignorar.
“Por que...” Tentei perguntar em uma fina voz. Meu corpo ainda estava estático.
“É como beijar um espelho. Só que você não é duro nem gelado” Disse simplesmente e riu. Acabei por rir também, mas ainda estava meio constrangido e confuso com a situação. Resolvi não fazer perguntas. Se Fred precisava daquilo naquele momento, eu não negaria, afinal ele é meu irmão gêmeo.
Nessa altura papai e os outros já haviam nos alcançado e andavam na nossa frente.
O olhei pelo canto dos olhos. Fred andava calmamente e às vezes soprava o ar, parecendo cansado.
– Quem você acha que vai ganhar? Irlanda ou Bulgária? – perguntou rapidamente.
– Irlanda talvez.
– Também acho. O time da Bulgária não é tão bom assim – Concordou. – A Irlanda vai começar ganhando e aquele bundão do Krum vai ficar desesperado e então...
– Ele pega o pomo – Falamos ao mesmo tempo. Era tão óbvio!
– Mas a Irlanda vai estar na frente e ganha – Terminou sua narração.
Sorri concordando. Era bem provável que aquilo acontecesse mesmo. O time da Bulgária não era muito bom, mas o da Irlanda com certeza era. Era mais rápido e mais eficiente, porém a Bulgária tinha Krum. Não que isso fizesse tanta diferença no final.
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