Gemialidades Weasley
2 "Gemialidades Weasley" Dois.
Não sei mais por quanto tempo andamos, mas sabia que já tinha andado muito, pois minhas pernas já doíam e eu podia ver que os outros não estavam muito diferentes. Se nós tivéssemos que andar muito mais, eu não teria mais pernas até o jogo de quadribol.
Quando finalmente chegamos até o local e papai anunciou que era ali, nós logo começamos a procurar pela chave do portal. Segundo Arthur, não deveria ser algo grande. Era algo que os trouxas não dariam muito atenção.
- Aqui, Arthur! Aqui, filho, achamos!
Olhei para onde a voz vinha e vi dois vultos surgindo com uma bota na mão. Papai o apresentou como Amos Diggory e seu filho Cedrico Diggory, mas este eu já conhecia. Quando ele nos cumprimentou, apenas balancei a cabeça positivamente. Ainda não havia perdoado o babaca do Cedrico por conta da partida de quadribol do ano passado, na qual os dementadores atacaram Harry e ele mesmo assim pegou o pomo. Injustiça!
Todos encostaram na chave do portal e esperamos para subitamente acontecer. A sensação era pior do que viajar por pó de Flu pela primeira vez. Meu corpo girava e eu sentia os ombros de Fred colados aos meus. Quando chegamos ao outro lado do portal, senti todos os meus membros se colidindo nas folhas secas. Um braço e uma perna de meu gêmeo estava sobre mim. Éramos um emaranhado de corpos sobre o chão.
Depois de papai se embolar com o dinheiro trouxa e se complicar com a barraca, pudemos enfim nos sentar. Sentei-me no chão com minha mochila sobre o colo e fiquei batucando nela enquanto observava Fred na porta da barraca rindo de algo. Eu era bonito sorrindo, então ele era também.
- Papai está apanhando para acender a fogueira agora – Ele disse se sentando ao meu lado e apoiando a cabeça no meu ombro.
- Ele não daria um bom trouxa.
- Não mesmo! – Rimos.
Perdi a conta de quantos fósforos (é isso que os trouxas usam pra fazer fogo) papai desperdiçou. Depois de uma dezena eu decidi parar de prestar a atenção nele e passei a observar a parte do rosto de meu irmão que eu conseguia ver. Ele ainda estava com a cabeça apoiada no meu ombro.
Fred era bonito, claro, pois eu também sou bonito. Nós éramos idênticos, às vezes até mamãe confundia a gente, mas eu tinha duas pintinhas do lado direito do pescoço que ele não tinha. Acho que era nossa única diferença.
- O que você está me olhando? – Perguntou e levantou os olhos.
- Estou reparando em quanto esse seu nariz é feio.
- E o seu é lindo né?
- É mais bonito que o seu – Retruquei.
Rimos. Fred levantou a cabeça e suspirou, o que me fez olhar curioso para ele. Ele não era uma pessoa de suspiros.
- O que foi?
- Nada – Mentiu.
- Fred...
- Precisamos fazer mais caramelos. Ainda não acredito que mamãe destruiu os incha-língua, eram os nossos melhores! – Exclamou.
- É, mas a gente não vai demorar a refazê-los, Gred – Brinquei e ele riu. Sua risada alta e nada exagerada preencheu a barraca.
- Tomara, Forge.
Mordi o lábio inferior com uma pergunta na ponta da língua. Queria fazer um pequeno comentário sobre a noite anterior para ver se ele confessava o porque daquele beijo. Eu queria saber, afinal foram os meus lábios! Os nossos lábios! No entanto não pude perguntar, já que Hermione chegou junto a Rony e Harry e ajudou papai na sua tarefa de acender a fogueira.
- Vocês demoraram uma eternidade – comentei com os garotos.
- Papai estava se divertindo com os fósforos.
Arthur ficou bastante impressionado com a agilidade de Mione para manusear os fósforos. Ficou até com cara de pateta, posso dizer.
Um homem chegou para conversar com papai que logo foi apresentado como Ludo Bagman. A conversa dos dois estava demasiada chata, até o homem comentar sobre uma aposta para o jogo de quadribol. Eu vi os olhos de Fred brilharem, e eu sabia que os meus também estariam. Papai apostou um galeão na Irlanda, muito pouco. Fred e eu começamos a enfiar as mãos nos bolsos das calças e da mochila, procurando pela maior quantidade de dinheiro possível.
- Apostamos trinta e sete galeões, quinze sicles e três nuques! – Ofegou Fred enquanto eu empurrava o dinheiro – A Irlanda ganha, mas Vítor Krum pega o pomo.
Sim, essa era nossa aposta! Bagman é claro, ficou impressionado. Tanto com o dinheiro apostado e com a aposta em si. No entanto eu acreditava em Fred, e ele em mim. Nós ganharíamos!
Percy ficou insuportável quando Sr. Crouch, um homem do ministério, apareceu. “Porque Sr. Crouch fala mais de 200 línguas”. Insuportável e perdido de amores por ele. Pena que o seu chefe nem ao menos sabia seu sobrenome.
- Ah, cala a boca, Weatherby – disse Fred num momento, apenas para irritá-lo.
Saímos da barraca por conta do alvoroço que acontecia lá fora. Estava quase na hora do jogo, então todos estavam loucos. Os vendedores gritavam e vendiam seus produtos legais. Uma pena que Fred eu não pudéssemos comprar nada, já que apostamos todo nosso dinheiro com Bagman.
Seguimos papai até os camarotes, os melhores lugares no estádio. Dava pra ver tudo de lá, mas é claro que o lugar ficou mal freqüentado quando os Malfoy chegaram. Gente nojenta. Brancos azedos, não que eu fosse muito mais morenos que eles, mas pelo menos eu tinha sardinhas e eles mais pareciam leite estragado.
- As Veelas! – Exclamei quando aquelas belas mulheres entravam em campo e começavam seu belo show. Como eram lindas... Eu podia descer até lá e abraçar uma por uma.
Com certeza minha cara estava um tanto quanto idiota quando a apresentação delas acabou, pois Fred me deu um cutucão forte nas costelas me fazendo gemer enquanto ele girava os olhos.
No Jogo seguia tudo bem. Tudo bem eu dizia, a Irlanda abrindo uma grande pontuação na frente da Bulgária e o Krum cada hora mais desesperado pelo pomo. Não demorou muito até acontecer. Vítor Krum pega o pomo, mas mesmo assim a Irlanda ganha. Os gritos Irlandeses podiam ser escutados por todo estádio. Abracei Fred enquanto ele pulava desesperadamente.
- Nós conseguimos, Jorge! – Exclamou radiante.
Quando Ludo Bagman nos lembrou sobre a quantia que havíamos acabado de ganhar, Fred e eu pulamos de onde estávamos e fomos até ele, nossas mãos estendidas esperando pelo prêmio.
- Não conte à sua mãe que andou apostando – Papai implorou. É claro que não contaríamos, com certeza Molly tentaria confiscar nosso dinheiro. Chegamos na barraca e logo tratamos de escondê-lo entre nossas roupas.
Eu estava demasiado cansado, assim como todos ali. Aos poucos cada um foi seguindo até seu canto, Hermione e Gina na barraca delas. Deitei-me e puxei os cobertores até o pescoço, logo sentindo o corpo de meu irmão ao meu lado.
- Com esse dinheiro a gente vai poder fazer vários incha-língua – Sussurrou.
- Com certeza.
Seu rosto estava virando para mim, então apenas virei meu corpo para conseguir afastar alguns fios de cabelo de seu rosto.
- Eu estava mentindo – Confessei – O seu nariz não é feio.
- É, eu sei que não. O seu nariz é legal, Jorge.
Fechei os olhos quase adormecendo com uma de minhas pernas apoiadas no corpo dele, mas logo me levantei assustado com os gritos de papai.
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