Gelo e Cinzas
21 Reencontro
Youko abriu os olhos, vendo pela primeira vez a escuridão. Não havia mais o brilho impiedoso das lâmpadas enquanto ela era arrastada entre o sono e o despertar. Não estava mais na maca de metal na cela branca. Os pulsos ainda doíam, os tornozelos ainda queimavam, mas não havia mais as abraçadeiras que a prendiam imóvel.
Estava deitada em algo macio. Ela moveu os dedos lentamente, tateando a superfície abaixo de si. Um futon. Seus braços se moveram livremente. Suas pernas também. O simples ato de esticar os membros, de senti-los respondendo ao comando do seu corpo. Os músculos gritaram com o movimento, atrofiados pelos dias de imobilidade, mas era uma dor boa. Uma dor de retorno.
Mas sua felicidade durou pouco. As braçadeiras não saíram totalmente, só mudaram para algemas convencionais com correntes longas.
— Claro… — Murmurou, a voz saindo irreconhecível até para ela mesma.
Sentou-se com esforço, o corpo protestando a cada movimento. Os músculos das costas estavam duros, os ombros doíam, o rosto pulsava no ritmo do coração. Ela ergueu as mãos algemadas até o rosto, tocando a própria face com os dedos trêmulos. A maçã do rosto direita estava inchada. O lábio inferior tinha um corte e havia crostas de sangue seco no canto da boca. Shiro não pegará leve.
Youko baixou as mãos, apoiando-as sobre os joelhos e soltou o ar devagar.
Você está fraca, pensou. Muito fraca.
Youko deitou-se novamente, os olhos fixos no teto invisível. O futon era macio. Pela primeira vez, ela não estava sendo vigiada por uma luz que nunca apagava. Descanse, ordenou a si mesma. Enquanto puder, descanse.
Mas sua mente já estava em outro lugar. Em uma floresta congelada, em olhos escuros que a observavam até a alma e em uma voz grave dizendo: "Errado seria fingir que não sente."
Onde você está, Itachi?
O pensamento veio antes que pudesse contê-lo, e ela o deixou ficar. Não havia ninguém ali para ver e ninguém para julgar. Ninguém precisava saber que sentia falta dele. Ela fechou os olhos, e no escuro, permitiu-se imaginar que ele estava a caminho. Que Kisame estava com ele. Que Yamato estava lá fora, lutando, gritando seu nome, procurando por ela.
Devia ter dormido, pois ao abrir os olhos novamente a sala estava iluminada. As paredes eram brancas tal como a qual ficará presa, a diferença era que o homem ajoelhado ao seu lado não era Shiro. Youko franziu o cenho. Ele lhe era familiar, mas não sabia por quê.
— Acordou — A voz do homem era monótona, desprovida de emoção.
Youko o observou levar a mão uma vasilha no chão e retirar um pano molhado. Torceu o pano e o aproximou do rosto de Youko. Antes que tocasse sua pele, antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, Youko agiu. As mãos algemadas se ergueram num movimento brusco, golpeando o braço dele para o lado. O pano voou, caindo no chão com um som úmido.
—- Quem é você?! — Exigiu saber, levantando-se com rapidez para ficar de pé. Seu corpo protestou. — Já nos vimos antes.
O homem não se moveu. Permaneceu ajoelhado onde estava com as mãos agora apoiadas nos joelhos.
— Já nos enfrentamos uma vez.
— E te deixei vivo? — Youko franziu o cenho. — Impossível.
Ele deu de ombros.
— Eu que te deixei viva, mulher. — Retrucou. — E me arrependo… Não se lembra?
Youko buscou em sua memória, mas nada vinha à cabeça além da sensação de que aquele rosto era familiar. Notando a falta de memória da kunoichi, o ninja apoiou-se em um dos joelhos para ficar de pé.
— Em Hyoumura. Lembra? Você e seu amiguinho amarrados nas cadeiras. A velha implorou por sua vida e você, pela liberdade do seu amigo.
Youko não pôde conter a reação espontânea de surpresa, mas tratou de logo a oblitera, tornando seu semblante sério, ameaçador, ao lembrar-se de seu primeiro confronto em Yukigakure.
— Iida — Sussurrou o nome, o reconhecendo. — Veio terminar o que começou?
Ele negaceou com a cabeça, lentamente.
— Vim garantir que não morra por causa dos ferimentos. — Olhou-a de cima a baixo. — Mas vejo que se recuperou rápido.
— Shiro o mandou aqui?
— Ele só mandou que alguém a verificasse, então vim. — Fez uma pausa, os olhos escuros fixos nela. — Estava curioso para saber se lembraria de mim.
Youko respirou fundo, e empertigou as costas.
— Então se arrepede por me deixar viva? — Perguntou com provocação. — Que bom. Quer dizer que estou fazendo um ótimo trabalho.
Iida ficou quieto, mergulhando o local no silêncio. Seus olhos percorreram o estado dela, com o rosto machucado, o corpo marcado, as algemas que a mantinham presa e deu um sorriso triste.
— Sim — disse, a voz baixa, quase suave. — Um ótimo trabalho. Amigos meus morreram na sua mão. Homens que só queriam o país livre da tirania e você roubou esse sonho deles. Mas fico feliz que seu trabalho será encerrado hoje.
— O que quer dizer? — Youko franziu o cenho. – Devo lhe lembrar que sou justa, se ataquei foi porque tentaram me matar primeiro. Tentaram matar Yamato. Sabe que também tentaram matar Arisa? E não vejo como sonho a sede de poder de vocês.
Iida soltou um som descrente com as palavras de Youko. Algo entre um riso e um suspiro.
— É uma pena — disse, balançando a cabeça lentamente. — É uma pena que seja uma Yukiryuu e não lute pelo que seus antepassados tanto queriam. Se trocasse de lado, tenho certeza que Nedzu lhe daria tudo que quisesse. Yukigakure seria temida. Você poderia buscar vingança pelo que Konoha fez.
— Vingança? — repetiu, a voz saindo mais calma do que ela esperava. — Vingança por uma época que não vivi? Vingança por pessoas que causaram a própria ruína? O que Konoha fez foi um favor.
— Assim fala o cachorro adestrado. — Disse Iida. Então deu um suspiro, pondo-se de pé. — É uma pena que não tenha se despedido de seus amigos. Vou avisar que está pronta.
Youko abriu a boca para protestar, mas Iida continuou:
— Nedzu está ansioso para te conhecer e usar a arma como deveria. — Ele caminhou até a porta, os passos lentos, pesados, como se cada passo custasse algo. — Será levada para a capital.
**
Kisame estava curioso com o que Itachi vira lá embaixo. O Uchiha que já era pálido, voltou mais branco e os lábios arroxeados pelo frio. A tosse dele piorou, viu-o tossir sangue duas vezes e as duas vezes recusou ajuda.
A criança, de nome Haru, o encheu de perguntas quando o viu subir as escadas, mas o Uchiha permaneceu mudo. Kisame duvidava que existisse algo que pudesse causar medo do amigo, mas seu silêncio o perturbava.
— O que tinha lá embaixo? — Voltou a perguntar, ajudando-o a sentar na raiz de uma árvore. — Hein?
— Você viu Tomoe lá?? — Haru pulava, excitado. — Responde! Por favor, responde.
Kisame queria mandar o garoto calar a boca, mas ele também estava curioso com que havia naquele buraco. Entretanto, Itachi parecia preso em si mesmo para responder qualquer tipo de pergunta.
Haru olhou para o nukenin da Névoa com o cenho franzido.
— Ele tá bem? — sua voz saiu fina, preocupada.
Kisame não respondeu.
— ahn… — Haru arrastou o pé no chão. — Acho que vou embora, então…
Antes que desse as costas e saísse correndo, Kisame pôs a mão sobre o ombro do menino.
— Vamos com você, pirralho. — Voltou-se para Uchiha. — Ei, cara, levanta! Se continuar desse jeito vai morrer de hipotermia.
— Não. — Para sua surpresa, Itachi pôs-se de pé. — Tenho que encontrá-lá.
— Ah sim, com certeza. — disse, sarcástico. — Mas vamos fazer isso antes ou depois de você morrer?
Itachi lançou um olhar cruel ao amigo.
— Vamos agora.
**
Youko foi levada para fora escoltada por dois ninjas com espadas nas bainhas. Eles a empurravam no menor sinal de lentidão. Youko soltou um alto suspiro ao sentir o vento frio no rosto e os pequenos e preguiçosos flocos de neve caírem. Como sentiu falta disso!
— Andar logo! — Esbravejou um, empurrando-a com força.
A sua frente havia uma carroça puxada por dois cavalos. Sem muito cuidado, foi jogada para dentro. Para a separar do mundo exterior, desceram uma lona na entrada.
— Tentem ir o mais rápido possível — Pôde ouvir a voz de Shiro. Seu estômago de repente doeu com a menor possibilidade dele entrar ali. — Nedzu deve estar sem paciência.E cuidado com ela.
A carroça deu um solavanco e passou a balançar para infelicidade de Youko. Suas feridas e hematomas doíam a cada encontro que dava contra a parede da carroça. Shiro não iria acompanhá-la e isso, de certa forma, era um alívio e um desespero.
Foi contra sua vontade que as lágrimas caíram. Sua mente misturava as imagens do rosto dele, dos dedos apertando sua mandíbula. Assim como criava cenários de Yamato gritando seu nome em algum lugar da floresta, de Itachi a procurando e de Kisame rindo com os dentes afiados.
As lágrimas escorriam quentes por seu rosto machucado, e ela não se importou. Não tinha ninguém ali para vê-las. O condutor e seus comparsas estavam do lado de fora. Não havia testemunhas para sua fraqueza.
Só desta vez, pensou, enquanto as lágrimas continuavam caindo. Estava decidida que aquela seria a última vez que choraria. A raiva e o ódio por Shiro se tornariam combustível para sua vingança por cada golpe.
Shiro vai pagar, prometeu a si mesma. Nedzu vai pagar. Todos eles.
Fungou, a respiração irregular, e levou a mão ao rosto para secar as lágrimas. E então notou que seu rosto não estava molhado. Onde deveria haver lágrimas escorrendo por suas bochechas, havia pequenos cristais de gelo presos à pele. Ela tocou uma delas com a ponta dos dedos e estava fria e dura.
Seus olhos se arregalaram, percorrendo o interior da carroça. O ar ao redor estava diferente. A madeira das paredes tinha um tom pálido, uma camada fina de gelo a cobrindo. A cortina de lona estava rígida pelo gelo. Como?
Youko olhou para as próprias mãos algemadas. Havia gelo nos dedos, nas algemas, na corrente. Estou congelando a carroça, notou, surpresa.
A carroça desacelerou. Do interior escuro, Youko ouviu o ranger da madeira misturar-se a vozes abafadas dos homens em tom ríspido entre o condutor e a escolta. Reclamavam do frio que parecia morder através das roupas. Com um solavanco final e o protesto dos cavalos impacientes, o veículo parou completamente.
— Cacete! Olha isso — a voz de um dos ninjas soou logo atrás, junto à lona da carroça. Havia surpresa em seu tom de voz, então logo mudou para um tom mais cauteloso: — Vou precisar de ajuda aqui. A coisa tá feia.
Youko prendeu a respiração, cada músculo tenso, observando a silhueta pairando do lado de fora.
— Abre isso de uma vez — ordenou outra voz, autoritária.
— Com o quê? Tá tudo congelado. A corda virou uma barra de gelo. Olha.
— Então corta! Usa a maldita espada.
O som metálico e seco de uma lâmina sendo desembainhada ecoou, seguido imediatamente pelo impacto brutal contra a lona endurecida. O tecido, transformado em vidro pelo frio gerado por Youko, estilhaçou. Fragmentos de gelo e lona caíram para o interior da carroça.
Antes que o ninja pudesse processar o que via, Youko agiu. Usando o resto de energia que restava, ela se lançou contra a abertura. O impacto de seu ombro no peito do homem foi como um aríete. Ele soltou um grunhido sufocado e foi arremessado para trás, despencando na neve funda com Youko sobre ele.
A kunoichi rolou para o lado instantaneamente, lutando para se pôr de pé. Ou quase. Seus joelhos tremiam violentamente, os músculos das pernas ameaçando traí-la a qualquer segundo.
À sua volta, os três ninjas da escolta e o condutor estavam paralisados, em choque. Youko os encarou com surpresa também, mas logo o ódio ardeu em seus olhos.
— A prisioneira! — gritou um deles.
Youko agiu rápido e correu. Não para a floresta onde poderia despistá-los, mas em direção a eles.
O primeiro estava mais próximo, a espada ainda travada na bainha quando ela o alcançou. Youko não tentou um golpe físico, aproveitou a corrente longa de seus pulsos e num movimento fluido e desesperado, ela laçou o pescoço do ninja. Ele engasgou, as mãos subindo instintivamente para agarrar a corrente. Youko girou, tracionando a corrente sobre seu próprio ombro, puxando com todo o peso de seu corpo. A respiração do homem veio em espasmos roucos, os olhos arregalados de terror.
— Jogue a espada no chão — sussurrou Youko, a voz falhando pelo esforço.
Ele obedeceu. O metal caiu na neve com um som abafado. O segundo homem já avançava, a espada desembainhada. Ele hesitou, no entanto, a lâmina tremendo no ar, temendo ferir o aliado que Youko usava como escudo.
— Larga ele! — gritou, desesperado.
Youko ignorou o comando. Em vez disso, usou o homem em seus braços como um escudo vivo, empurrando-o ligeiramente para a frente para manter o segundo agressor à distância. O frio ao redor deles parecia intensificar-se, a neve começando a girar mais rápido.
— Espada no chão — ela ordenou novamente, os olhos fixos no segundo homem, brilhando com uma intensidade que o fez vacilar. — AGORA!
A hesitação durou apenas um segundo. Ele olhou para o companheiro quase desmaiado, olhou para Youko e viu a promessa de morte em seu semblante. Ele largou a espada.
Com um movimento brusco, Youko soltou o primeiro homem, que desabou na neve, tossindo e arquejando, a marca roxa da corrente já visível em seu pescoço. O segundo estava imóvel, desarmado e aterrorizado.
A kunoichi não perdeu tempo. Com uma velocidade que desafiava sua exaustão, ela se abaixou, pegou a espada caída do primeiro homem e, num movimento rápido, lançou-se contra o segundo. A lâmina encontrou o espaço vulnerável entre o uniforme e o pescoço. O homem caiu de joelhos, as mãos pressionando o ferimento, os olhos fixos nela com uma mistura de medo e incredulidade enquanto a neve se tingia de vermelho ao seu redor.
O terceiro homem tentou atacá-la pelas costas. Youko sentiu sua aproximação e se agachou abruptamente. A lâmina do inimigo passou zunindo a milímetros de sua cabeça. Aproveitando o corte amplo e desequilibrado do ninja, Youko impulsionou-se para cima com o resto de suas forças, atingindo o flanco dele com um corte brutal. Ele caiu com um gemido abafado, a arma escapando de suas mãos.
O quarto homem, o condutor da carroça, não esperou para ver o desfecho. Ao ver o terceiro ninja cair, ele já corria em pânico na direção da floresta, os passos desordenados e desesperados afundando na neve. Youko o viu sumir entre as árvores.
A kunoichi fincou a espada na neve para se apoiar, o corpo inteiro tremendo, a respiração saindo em nuvens espessas e irregulares. A visão turvava, mas ela estava de pé. No meio do caminho nevado, cercada pelos corpos de seus captores, ela parecia, de fato, uma lenda esquecida que se recusava a morrer.
Capengou até a carroça. Os cavalos batiam os pés e relinchavam nervosos pelo frio e pelo cheiro de sangue e morte. Youko conseguiu desamarrar um que saiu em debandada, o segundo, ela o segurou antes de soltá-lo.
— Calma — sussurrou, a voz tão fraca que quase se perdeu no vento. — Calma.
O cavalo recuou, puxando as rédeas, os cascos escavando a neve.
— Por favor — ela sussurrou, os dedos finalmente tocando o pescoço do animal. Ele estremeceu sob seu toque, mas não recuou. — Calma…
Com um esforço que parecia arrancar dela tudo o que ainda restava, Youko conseguiu se erguer no lombo do cavalo. Os dedos se enroscaram na crina áspera, e ela se acomodou de lado, limitada pelas correntes que prendiam seus tornozelos.
A nevasca caiu sobre eles repentinamente. O mundo se tornou branco e violento. O vento uivava como uma lâmina viva, cortando sua pele já ferida. O cavalo se agitou sob ela, inquieto, as patas escavando a neve, o corpo tremendo e girando, tentando fugir de algo que nem ele compreendia.
Youko tentava segurar as rédeas e acalmar o cavalo. Tentava manter a lucidez, mas sua mente era um campo de batalha tormentoso. O rosto sádico de Shiro, o estalo do soco, a agonia do choque elétrico, tudo se misturava ao grito de Yamato na floresta e à lembrança de Shisui.
— Youko!
Ela congelou. O som veio junto com os sussurros do vento.. Lentamente, ergueu o rosto contra a tempestade. A neve era densa demais, o mundo indistinto demais, mas havia uma figura se movendo contra o vento. Vindo até ela.
— Itachi...? — O nome escapou em um sopro quebrado, frágil demais.
Por um momento achou ser uma alucinação, mas a figura não desapareceu. Se aproximava mais e mais. Os lábios dela tremeram em um sorriso pequeno e dolorido e, naquele instante, seu corpo cedeu à exaustão. Ela escorregou do cavalo, mas não chegou a cair. Braços firmes e quentes a envolveram antes que tocasse o chão.
— Youko. — a voz dele estava em seu ouvido, e ela sentiu as palavras vibrarem no peito dele, contra o rosto dela
Os dedos dela se fecharam no manto negro, agarrando-o com a pouca força que ainda possuía.
— Senti sua falta... — sussurrou, a voz tão fraca que mal existia.
Mas ele ouviu. Os braços de Itachi se fecharam mais ao redor dela, puxando-a contra o peito, protegendo-a do vento e da neve.
— Achei... que não ia te ver de novo...
Itachi afastou-se apenas o suficiente para olhar seu rosto. Os hematomas, os cortes e o sangue seco no canto dos lábios. A mandíbula dele travou, e a pressão de seus dedos no braço dela aumentou sutilmente, um sinal de sua fúria. Youko sentiu os olhos se encherem de lágrimas, e desta vez não as conteve. Escorriam quentes por seu rosto gelado.
— Eu senti sua falta... — repetiu, agora com mais força. — Senti tanta sua falta, Itachi.
Ele a olhou por um longo segundo e, levando a mão aos cabelos dela, ele a puxou para perto, deitando a cabeça dela em seu ombro.
— Eu também.
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