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3 Wolverine, o R.A. do CO Tech


Notas iniciais
Próximo capítulo na segunda, e bom fim de semana fellas (:

Atravessando o campo experimental, tudo que se via a frente era um prédio de arquitetura impressionante, tão impressionante que me pareceu um amontoado branco de paredes e vidros escuros, ou ao menos foi a visão que eu tive a partir do ponto onde estava. As luzes fixadas no chão apontavam para a parede e davam um aspecto sombrio ao lugar, havia luzinhas vermelhas piscando pelos cantos, então, claro, o museu estava repleto de alarmes. Como Sheldon e Yu-Gi-Oh entraram? Mistério.

– Tente a lateral esquerda – Disse uma voz do além.

Talvez não fosse exatamente uma voz do além, porque de repente me vi parada em frente ao Wolverine. Isso me fez pensar que das duas uma: ou eu tinha uma mente muito perturbada, ou todas as pessoas dessa universidade se pareciam com alguém da TV, dos games ou das HQ’s. A primeira opção era a mais provável. Quer dizer, Loki, Chace Crawford, Sheldon, quem será o próximo, Capitão América? Só torço para não ser o Hulk.

– Eu sei que não deveria me intrometer, mas seus outros companheiros terminaram a prova há algum tempo. E a tarefa deles era um tanto mais complicada que a sua.

– Eles não entraram aqui? – Perguntei confusa. Então o conselho número um de mamãe começou a apitar em minha mente “Não fale com estranhos, a menos que queira morrer” – Aliás, você seria...?

O homem de jaleco branco estendeu a mão. Olhei desconfiada e esperei as garras surgirem, mas isso não aconteceu. Wolverine esboçou um sorriso torto e agitou a cabeça, me incentivando cumprimentá-lo. Ele não parecia um aluno, talvez um físico já formado, um professor ou algo assim.

– Não, cada um de vocês foi mandado a um lugar especifico, o pessoal da Shield é muito criativo nesse aspecto, admiro isso. E eu sou Avery Higgs, R.A. do CO Tech.

Ok, se com criativo ele quis dizer “tendência a fazer futuros membros serem presos no primeiro dia por invasão”, ele estava completamente certo. Entretanto, Wolverine tinha um aperto de mão forte, mesmo com suas mãos macias que obviamente o máximo que fazem é agitar frascos de química.

– Desculpe, R.A.?

– Ah, sim, resident advicer, um conselheiro do CO Tech. Então, vá em frente, complete a tarefa. Sabe, Daniel Dell não é exatamente uma pessoa paciente – Ele me deu as costas, algo que eu simplesmente detesto, e começou a caminhar – Ah, Leonardo de Pisa pode ajudar lá dentro.

Dito isso, desapareceu em fumaça laranja. Mentira. Ele apenas seguiu seu caminho por entre as poucas árvores do campo, de um jeito tão impossivelmente Logan Howlett que quase me fez pedir um autografo.

Dando de ombros, segui para a lateral esquerda conforme a instrução. Aquilo poderia ser uma pegadinha, isso é certo, mas no momento eu não tinha mais opções a não ser seguir. Havia pouca luz ali então eu devo ter tropeçado mais ou menos umas quatro vezes até estar perto de uma porta. Havia – sim, havia, não há mais – uma corrente segurando as duas hastes da porta dupla, agora só existiam sinais do que um dia foi uma corrente. Se tivéssemos sido mandados para o mesmo lugar eu diria que um dos meus colegas de teste é o ciclope de X-men disfarçado. Ou que eles andam por aí carregando um maçarico. Ou ácido, isso não teria sido tão impossível de conseguir, o laboratório da Shield era bem completo e estivemos lá mais cedo. Ou talvez Wolverine ou algum Shield abriu. Talvez o desafio maior não fosse entrar, mas sim se manter lá dentro, ou mesmo sair depois, com todos aqueles alarmes soando caso algo desse errado.

Sentindo as mãos tremerem levemente, empurrei a porta com extremo cuidado. Não seria legal ser presa por invasão logo no primeiro dia na Valley. Saí em um espaço amplo e cheio de coisas velhas, “claro Liv”, você poderia dizer “você está em uma droga de museu”. Sim, eu sei, o caso é que esse era exatamente o tipo de coisa velha que ninguém quer, nem mesmo um museu, basicamente é lixo. Não havia alarmes ali, para minha sorte. Então atravessei a sala, parando pouco antes de atravessar um feixe de luz vermelha. A sala, repleta de placas e computadores antigos, tinha o estranho formato triangular. Em uma das pontas eu podia ver uma bandeira azul e cinza, com o emblema da Shield gravado. Eu precisava chegar lá.

O único problema era que me parecia um tanto impossível atravessar toda aquela quantidade de feixes de luz, que, de certa forma, pareciam concentrar-se exatamente daquele lado da sala e eu, desastrada como sempre, acabaria disparando um logo que pisasse na sala. Na outra ponta, mais perto do que o emblema da Shield, brilhando como se de ouro fosse feito, estava o painel para desligar o alarme. Havia um papel cinza e azul com o emblema e um algo mais escrito colado sobre ele, mas eu não podia dizer o que era. Tentei calcular qual era a freqüência com que as luzes se moviam pela sala. Eu podia dizer que tinha mais ou menos um intervalo de cinco segundos para dar três passos pelo chão. Claro que Yugi, sendo asiático e muito provavelmente ninja, não teria problema nenhum em passar. Sheldon todo magrelo e esquisitão daquele jeito, muito provavelmente rastejaria pelo chão, fugindo dos feixes como um a serpente e eu? Bem, eu terei que ser esperta e cuidadosa, fazer cálculos precisos. Depois de analisar o tempo de cada luz, saltei para a sala quando o feixe principal estava no meio, varrendo a área da metade para frente, iluminando o painel da senha. Isso me deu alguma vantagem, segui saltitando e desviando, provavelmente parecendo uma estúpida, e torcendo para não estar sendo filmada.

Faltava pouco mais de dois metros, quando percebi uma falha em meu não tão brilhante plano. Eu não teria mais de meio minuto para digitar a senha, antes do feixe principal atingir o painel outra vez. Eu não tinha a senha. Desespero. Tentei focar no papel pregado sobre o painel, deveria haver uma dica ou algo do tipo ali. Menos de um metro e o feixe se aproximando. Pulei mais um ou dois feixes menores, que não passavam da altura do meu joelho e então pude ler o papel claramente.

No painel havia onze espaços para números. Sobre ele, impressos no papel, uma seta apontada para baixo, para o painel, e um sinal de igual apontando para Phi*.

↓ = 1,6180033989 = Φ

Isso somado a dica de Avery Higgs fez tudo ficar bem simples. Sem medo, digitei a senha, me sentindo uma espiã daquelas de filmes de ação.

01123581321

– A sequência Fibonacci*. Muito engenhoso senhor Dell, mas não tão engenhoso assim.

Cliquei enter, no exato momento em que o feixe principal incidiu sobre o mim. Congelei no lugar, mas o alarme não disparou, eu já o tinha desativado. Respirando aliviada, segui para a outra ponta da sala. Debaixo da bandeira, havia uma mesa contendo uma carta, um cofre, um copo, um fio de cobre desencapado e um pequeno frasco contendo a etiqueta “AgNO3(aq) — corrosivo” – nem posso dizer como isso me deixou animada – e por ultimo, mas não menos importante, um par de luvas.

Abri a carta que estava endereçada a mim, sentindo vontade de voltar correndo para a casa.

Lívian McDowell,

Primeiramente, parabéns por ter chegado até aqui. Este é o ultimo desafio, simples, a sua maneira, mas mesmo assim, exige um pouco de atenção. A experiência de oxiredução a seguir tem um procedimento fácil, apenas construa, com o fio, uma forma decorativa em um tamanho compatível com o do copo. Após ter introduzido o modelo no copo, coloque a solução de nitrato de prata até cobri-lo. O que queremos saber é: Qual é a cor da solução?

P.S.: O cofre funciona de forma similar ao criptex, exceto que a senha precisa ser digitada, mas só pode ser tentada APENAS UMA VEZ. Se não acertar de primeira, o conteúdo do cofre se perde, assim como sua chance de adentrar a Shield.

Boa sorte,

Daniel Dell.

“Boa sorte, Daniel Dell”. Blá, blá. Como já estava atrasada, vesti as luvas e fiz o mais depressa que pude. Moldei o que me pareceu uma estrela com o fio de cobre, e depois de colocar o nitrato de prata, vi o início da deposição da prata sólida sobre o fio. Ramificações apareceram, e a cor começava a se formar. A solução incolor começava a ficar azulada.

– Azul – Falei sorrindo, já indo digitar quando algo me ocorreu: Fácil demais. Deveria haver uma pegadinha ali.

Aquilo poderia não ser classificado como azul. Alias, existem tantos tipos de azul. Azul por azul me pareceu meio vago demais, a resposta não poderia ser aquela. Ou talvez fosse só para confundir. Debrucei-me sobre a mesa, não acreditando em como as coisas se complicam de uma hora para a outra, e como eu aparentemente havia feito tanto por nada. Então recebi um sinal que só pode ter vindo do poderoso Odin: A bandeira da Shield caiu sobre minha cabeça.

Ela era azul. Azul e cinza. Mas não exatamente azul e cinza, eram variações dessas cores, tinham nomes específicos para elas, eram dark Gray e

– Steel Blue – Gritei para o nada, já levando a mão ao cofre.

Ameaçando perder tudo, digitei as letras no painel do cofre e apertei confirmar. Me coração parou de bater por alguns segundos enquanto um barulho de travas zumbia dentro do cofre. Segundos depois, ele se abriu, revelando um pedestal com um pequeno cartão cor azul aço, com meu nome gravado nele e o símbolo da Shield. Abaixo dele apenas um bilhete:


Bem vinda a S.H.I.E.L.D.

A primeira coisa que fiz foi discar o número de papai. Ele não atendeu, obvio, mas mesmo assim deixei um recado dizendo que eu havia conseguido. O segundo passo foi religar o alarme e sair, e ainda não sei como em meio a tanta euforia, consegui sair sem disparar nada. Atravessei o campo saltitante, apenas para encontrar um furioso grupo de Shield’s, aparentes sobreviventes de uma sessão de “acerte o nerd com tinta”.

– Nem consigo imaginar o que aconteceu – Falei séria, parando em frente a Daniel e exibindo meu cartão.

– Você demorou – Disse irritado, tirando tinta do cabelo e virando as costas para mim. Ah, como eu odeio isso – Bem, Daniels, O’Hara e McDowell, bem vindos a Shield, vocês mereceram. O cartão que receberam é também a chave para os dormitórios, e para outras informações que Sieghart vai lhes passar depois.

Tentei localizar Sieghart, mas ele devia estar tão cheio de tinta que eu não pude encontrá-lo. Dell saiu andando, e todos nós o seguimos.

– Ei, Yugi, o que eu perdi? – Perguntei ao asiático, apontando para seu cabelo cheio de tinta.

– A fraternidade Lambda, Lambda, Lambda veio nos dar boas vindas – Proferiu desanimado.

Lambda, Lambda, Lambda? Acho que os nomes legais já tinham acabado quando criaram essa fraternidade. De qualquer modo, estou grata por não ter estado aqui para compartilhar dessa recepção.

– Que bom que eu me atrasei – Não pude conter o riso, e isso só deixou Daniels mais desanimado.

As festas ainda rolavam nas ruas e fraternidades, mas eu podia jurar com toda certeza não haveria nada na Shield. Primeiro porque todos estavam cobertos de tinta e completamente desanimados, segundo, todos estavam cobertos de tinta e desanimados.

Ao entrar em casa, na luz da sala, pude notar como realmente eles estavam. Visão perturbadora, agora eu pergunto, por que eles não correram?

– Certo, porque vocês não correram? – Verbalizei meu pensamento – Quer dizer, nem tentaram pará-los?

– Sabe lindinha, com o tempo você vai aprender que algumas coisas nunca mudam – Xbox sorriu, azul como um smurf.

– Na lambda, lambda, lambda estão os mais babacas de todo o campus, quero dizer, a ΔΩΔ tem idiotas, mas a Lambda, cara, é em escala executiva – Peter, coberto de tinta vermelha e verde, falou – E estávamos esperando por você, se a deixássemos sozinha lá, ser coberta de tinta seria o melhor que poderia lhe acontecer.

Eu devo ter feito uma cara ótima, porque ele riu. Esperando por mim? Que lindo.

– Se tivesse sido um pouco mais rápida, talvez tivéssemos escapado – Dell, rabugento como sempre, jogou a culpa par cima de mim, o que bem podia ser verdade.

Ele me manda jogar nitrato de prata em fio de cobre e quer que eu seja rápida? Vem e me dá números sem sentido e quer que eu seja rápida? Propõe um enigma de chapéus e quer rapidez? Eu tive que revirar os olhos. Daniel subiu as escadas, desaparecendo a esquerda.

– Ele é sempre rabugento assim? – Perguntei aos outros.

– Só quando está coberto de tinta – Um baixinho respondeu, provavelmente Big John. O riso tomou conta da sala – Aliás, vocês não acham que essa ruivinha está limpa demais?

Depois disso, tudo que eu me lembro é de um ataque de zumbis coloridos.


Notas finais
*Sequência Fibonacci: Na matemática, os números de Fibonacci são que compõe a seguinte sucessão de números inteiros:0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144..., pelo soma dos dois anteriores se obtem o terceiro.
*Phi: É um número extraído da sequência de Fibonacci, por isso a seta e o sinal de igualdade no teste de Liv.
(: