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13 O feitiço Virou Contra o Feiticeiro!!


Notas iniciais
Boa leitura!!

Estava frustrado e entrei na grande tenda para o almoço. Procurei por Kevin que já devia ter se acomodado e encontrei os lugares aos seus lados ocupados. Elizabeth não estava no salão como era de se esperar, pois estava fugindo de mim como nos primeiros dias. A diferença é que agora eu sabia por que e nem ficava muito na expectativa de vê-la sozinha por aí..

Minha vida que estava começando a tomar um direcionamento dois dias atrás se transformou novamente numa bagunça. Elizabeth estava com medo de ficar próxima a mim, temendo minha morte. Meu pai estava desaparecido esperando que eu o encontrasse. E eu não conseguia qualquer progresso em ambos os assuntos.

Sentia-me atado, não conseguia fazer nada se não tivesse as respostas. Precisava descobrir o chantageador e a localização de meu pai.

Procurei por um lugar vago a mesa e me decepcionei quando encontrei apenas um ao lado de Laila. Como não tinha outra escolha, sentei-me ao seu lado com um “oi” sem grande entusiasmo. Tinha decidido não entrar na conversa dela e todo aquele joguinho de sedução que ela gostava de fazer, mas para minha surpresa ela ficou calada durante toda a refeição. Mal olhava em minha direção, do meu outro lado havia outra fada que conversava com outra fada ao seu lado.

Fiquei curioso com o silêncio de Laila, será que o feitiço ainda estava funcionando? Mas ela me disse vinte e quatro horas. Portanto isto não era possível. Quando havia acabado de comer, percebi que ela não tinha comido quase nada, só empurrava a comida de um lado a outro no prato. Não agüentei sua agonia e questionei seu silencio repentino.

“-Não que eu tenha nada a ver com isto ou que esteja interessado, mas qual seria o motivo deste silencio todo? Espero que não seja nenhum joguinho! Já tenho problemas demais.”

Ela não respondeu levando um bocado de comida na boca, me ignorando, foi como se nem tivesse me escutado.

“-O que houve Laila?” Estava tão acostumado a ter que pedir para ela se afastar e me deixar em paz que foi frustrante vê-la calada daquele jeito sem saber o motivo. Parecia realmente estar sofrendo. Será que sofria? Será que era efeito colateral do feitiço? Será que era minha culpa? Estava ficando preocupado.

Ela suspirou e pela primeira vez ergueu olhar em minha direção. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, ela tinha chorado.

“-Por que se interessa agora?”

Não sei. Pensei mentalmente, mas eu queria saber.

“-Foi alguma coisa que te fiz?”

Seus olhos ficaram agressivos e eu passei mentalmente se tinha feito qualquer coisa errada a ela. Bem, nada que ela não merecesse.

Ela baixou o olhar novamente para as próprias mãos.

“-Não foi você” Disse meio a um suspiro pesaroso com algumas lágrimas caindo pela face. Levantou-se da mesa e foi em direção a saída. Continuei onde estava enquanto ela saía da tenda.

Estava começando a ficar preocupado com ela, mas nada a ponto de interferir. Eu ainda tinha juízo, não iria acreditar neste drama todo. Amanhã ela já estaria melhor. Deve ter aprontado com alguém que lhe retribuiu a altura.

Esqueci de Laila e fui para a árvore fora da tenda. Quando cheguei, lá estava ela de novo.

Precisava mudar meu lugar de encontro com Elizabeth, pois Laila o estava visitando com mais freqüência do que eu gostaria.

Antes de ela perceber minha presença, me aproximei e notei que ela estava chorando novamente. Isto derrubou minha máscara de indiferença por Laila e acabei pergunte com pesar em meu tom de voz:

“-O que aconteceu? Posso de ajudar de alguma maneira?”

Ela ergueu o olhar e sorriu sem humor, enxugando as lágrimas com as costas das mãos.

“-Quem diria, a pessoa que eu achava que mais me odiava está tentando me ajudar!”

“-Não te odeio! Não gosto quando você faz jogos ou se aproxima com segundas intenções, mas não te odeio.”

Quando declarei não odiá-la, ela desabou no choro tudo de novo. Eu perdi o juízo e num instinto de proteção mais forte do que eu a puxei para meus braços pousando sua cabeça em meu peito:

“-Me conte! Quem sabe posso ajudar.”

“-Não poderia te contar, mas já que você é a única pessoa preocupada comigo, acho que merece saber.” Disse ainda com a cabeça pousada em meu peito. Minhas mãos estavam em seu longo cabelo loiro tentando passar uma sensação de conforto. O que haveria de errado com ela? Não conseguia ver nenhuma mulher chorar e não me afetar com isto. Afastou-se de meu abraço, sentou no galho da árvore e continuou.

“-Antes de vir para este alojamento, eu tinha um namorado. E estava completamente apaixonada por ele. Ele me convenceu a vir para cá mesmo sem ter o maldito gene, como Kevin jogou em minha cara alguns dias atrás. Tenho dezoito anos, mas fui gerada um pouco antes da descoberta da falha dos portais.”

“Quando viemos para cá ele disse que era para o bem de todos, e que eu precisava ajudá-lo em uma missão importante. Ele nunca me contou qual era.... Mas mesmo assim vim, estava apaixonada. Quando chegamos aqui, tudo mudou. Isto foi há algumas semanas e percebi que não me tratava mais como antes. O carinho, as promessas, tudo que estávamos habituado não existia mais. Ele estava ausente, fugia de mim e percebia que estava muito apaixonado, pois vivia pensativo e sorrindo a toa e isto estava piorando a cada dia. O problema é que não era por mim.”

“- Quando você chegou, ele ficou mais distante e me evitava ao máximo que podia. Quando eu perguntava se havia algum problema a resposta era negativa. Começou a me empurrar pra você discretamente, mas eu percebia, é claro. Vivia falando que você estava interessado em mim, que valeria a pena investir, mas o que me matava é que não havia uma pontada qualquer de ciúme. Era como se me entregasse na bandeja pra você. Resolvi testá-lo. Entrei no jogo e comecei a falar o quanto você era bonito, forte e investi em você para quem quisesse ver, como ele sugeriu.” Ela disse a última parte em voz baixa baixando a cabeça novamente como se arrependida e continuou.

“-Desconfiava que ele estivesse me trocando por outra, mas não entendi a parte que me jogava pra você. Há alguns dias comecei a desconfiar que fosse Elizabeth que ele estava apaixonado e hoje de manhã, quando fui ao seu encontro na barraca dos Elfos escutei-o conversando com um amigo. Ramon dizia estar apaixonado por Elizabeth desde a infância e que não agüentava mais dar desculpas a fada imbecil aqui....” Ela recomeçou o choro.

Embora eu estivesse com muita raiva de Ramon, não disse nada e ficamos em silencio.

Já havia passado mais do que os trinta minutos de descanso e tínhamos que voltar a área de treinamentos antes que sentissem nossa falta e mandassem alguém nos procurar. Elizabeth iria me odiar se me pegasse com Laila sob a árvore.

Preocupei-me tarde demais. Elizabeth estava virando a lateral da barraca vindo em direção a árvore pegando a cena de meus braços envolvendo Laila com o rosto pousado em meu peito. A distância que estava com certeza não via as lágrimas de Laila e não me deixaria explicar nada para me defender.

Afastei Laila delicadamente para não ferir mais seus sentimentos e olhei em direção a Elizabeth que já não estava mais presente. Laila que não tinha percebido que havíamos sido flagrados, me olhou dando um suspiro:

“-Realmente estou interessada em você. Sou apaixonada por Ramon ainda, mas não vejo problema nenhum em ficar com você, Davi. Tenho certeza que me apaixonarei por você rapidamente.”

Meus ouvidos não acreditaram no que ouviam. Como aquela fada era volúvel e instável. Passou do olhar de dor e sofrimento ao sedutor em questão de segundos e ainda tentou me beijar. Empurrei-a para trás de volta ao banco e me virei para ir atrás de Elizabeth.

Laila gritou meu nome num som agudo e me virei levemente para sua direção por instinto. Foi o que bastou para ela soprar o pó dourado em minha direção, era o pó da obediência novamente. Ao contrário da primeira vez, eu não esperava e foi certeiro.

Paralisei numa estatua e me virei em sua direção. Sem ser dono de minhas ações. Ela deu a volta em torno de mim me tocando na altura do peito com as pontas dos dedos dizendo:

“-O que farei com você agora?” Perguntava mais a si mesma do que pra mim, mas mesmo assim respondi sem ter vontade de falar.

“-O que desejar.” Me sentia um robô estúpido. Que droga! Como aquilo era horrível. Ser obediente como um cachorro... Na verdade, era pior que isto, pois o cachorro tinha vontade própria, eu não. Quando meu transe acabasse eu iria matá-la. Maldita fada! Será que ela acabara de fazer uma encenação para me atrair em mais uma de suas emboscadas? Fui enganado tão facilmente apenas por algumas lágrimas?

Ela continuou parada a minha frente e disse com o sorriso diabólico no rosto novamente:

“-Beije-me”

Ah! Não. Não estava acreditando naquilo. O que será que ela faria comigo? Então involuntariamente, dei um beijo de selinho em Laila.

Ela ficou imóvel e ergueu uma sobrancelha dizendo com uma voz manhosa.

“-Pode fazer melhor que isto Davi, quero um beijo de verdade.”

E foi o que fiz. Aproximei-me, passei uma mão em sua cintura, outra na nuca e a beijei ferozmente. Foi o beijo mais raivoso que tive na vida, foi até mais forte do que o que tive com Elizabeth. Mas o sentimento era raiva e não amor. O pior de tudo isto era que meu corpo reagia. Maldito instinto masculino. Queria ficar longe dela o quanto antes, mas não conseguia.

Ela parou o beijo, sem sair de meus braços e com um sorriso triunfal disse:

“-Agora sim, este será nosso primeiro beijo, entendeu?”

“-Sim” Respondi.

“-Agora vá” Ela disse.

Estava saindo apressadamente antes que Elizabeth me pegasse no flagra novamente e desta vez com razão. Na verdade eu não teria uma explicação em menos de vinte e quatro horas e as coisas poderiam ficar ainda piores. Como se pudesse!

Precisava sair fora dali e falar com alguém sobre como quebrar o feitiço, mas ela percebendo que esquecera algo importante, me chamou:

“-Davi”

Virei o corpo e voltei alguns passos em sua direção.

“-Apenas mais um detalhe!” Ela disse com um sorriso no rosto. “-Você agirá normalmente na presença de todos, como se nada tivesse acontecido.” Ela fazia o que eu temia, mas continuei olhando e escutando suas orientações. “Não poderá contar a ninguém sobre o feitiço. Evitará Elizabeth. Se ela falar com você vai rejeitá-la, não irá tocá-la. E por último, depois do jantar, vá direto para seu quarto, irei ser sua acompanhante esta noite... Agora pode ir.”

Virei em direção à área de treinamento para o segundo dia de treinamento com fadas. Será que teria um antídoto para este feitiço. Acho que isto poderia perguntar, não estaria descumprindo nenhuma regra imposta por Laila, pois não contaria nada sobre estar enfeitiçado.

E assim segui com esta esperança.

Naquela tarde aprendemos como eliminar o mal depois de abatido com armas. Na verdade, não tinha nada de complicado. Tínhamos que jogar um pó negro ao vento e pedir que envolvesse todos os corpos inanimados do inimigo que estavam ao alcance. Proferia algumas palavras mágicas “sevalemyviraspo” e todos os corpos atingidos pelo pó evaporava no ar para nunca mais se materializar.

A aula era ministrada pela fada Geovana, linda como todas as jovens daquele lugar, cabelos castanhos com um leve ondulado sobre o ombro, pele branca como a neve e olhos cor de avelã, eram da mesma cor dos cabelos. Muito simpática, devia ter minha idade. Ela era a princesa das fadas. Já tinha visto algumas vezes, mas nunca fui apresentado pessoalmente.

Aproximei-me e pensei em falar sobre o antídoto do feitiço da obediência, mas enquanto me apresentava desnecessariamente, pois era claro que ela já me conhecia, eu tinha me esquecido o que queria lhe perguntar. Fiquei olhando-a tentando me lembrar e acabei perguntando sobre a esfera azul que estava em minha bolsa. Percebi que ela achou estranho meu comportamento e respondeu como funcionava detalhadamente. Claro que eu já sabia e ela também sabia que eu sabia, mas mesmo assim me explicou e eu fiquei tentando me lembrar o que queria perguntar.

Afastei-me de Geovana e rapidamente lembrei-me da pergunta, confirmando que o feitiço realmente funcionava. Provavelmente estaria nas mãos de Laila por vinte e quatro horas. Teria que ter a sorte de não encontrar com Elizabeth, pois iria me doer ter que rejeitá-la. Agora eu sentia raiva de Laila, nem acredito que fui tão inocente. É claro que depois de eu enfeitiçá-la tentaria se vingar. Como não percebi isto?

Pensei mais um pouco no paradeiro de meu pai, mas não conseguia qualquer sinal. Onde será que ele estava? Precisava arrumar um jeito de me comunicar com ele. Mas até agora, os problemas só pioravam. Aumentava mais um na minha lista. Ser enfeitiçado por Laila. O que mais teria por vir?

Aprendemos vários pequenos feitiços durante a tarde e o melhor naquele dia foi a magia de bloquear nossa mente de ser invadida pelo mal, como aconteceu comigo depois da luta com o dragão no dia anterior. E embora fosse uma magia importantíssima, era simples. Apenas falar uma palavra mágica antes de expor a mente. O feitiço durava vinte e quatro horas e as palavras eram “ekissame”.

Tomei banho mais cedo e decidi ter o jantar o quanto antes. Pois embora Elizabeth estivesse ressentida comigo e provavelmente não estivesse no salão no momento do jantar, não queria correr o risco de encontrá-la e muito menos ter que olhar a cara de Laila mais do que era preciso. Quem sabe até eu poderia escapar de suas garras?

E assim, cheguei à tenda principal, notei que poucos seres estavam à mesa. Olhei em todo o redor e senti um alívio por não encontrar Elizabeth. Quanto aos conhecidos, era quase impossível não encontrá-los. De cara encontrei a humana Tati. Depois a amiga de Elizabeth, Caroline e Jake com um segundo tralho que ainda não conhecia. Apenas metade das cadeiras estava vazia, mas percebia que as pessoas chegavam. O jantar iniciava às sete horas, mas todos chegavam por volta das sete e meia. Então tinha meia hora pra comer e dar o fora antes de todos estarem lá.

Sentei-me com Jake.

“-Oi Davi”

“-Oi” Respondi. Tinha a sensação de que precisava me lembrar de alguma coisa, mas não sabia o que era.

Ele me apresentou o tralho que estava ao seu lado como Will. Lembrei-me que era o tralho que acompanhou Jake quando cheguei a Colina há alguns dias.

Tivemos um jantar agradável, conversamos sobre os seres das trevas que destruímos, sobre meu novo traje de guerreiro, a couraça e as vantagens de ter duas espadas. Eu me sentia estranho, sabia que tinha que comer e sair logo dali, mas não me lembrava por que, tinha a sensação que estava deixando passar alguma coisa, mas também não tinha a menor idéia do que poderia ser.

Acabei meu jantar e segui meu instinto de ir em direção a meu quarto. Despedi-me dos tralhos e na saída da tenda dei de cara com Kevin.

“-Estava te esperando Davi, por onde andou?

“-Estava jantando” Respondi.

“-Por que você não me esperou como nos outros dias? Há algo errado?”

Não sabia a resposta, mas improvisei:

“-Estou cansado e preciso me concentrar em procurar meu pai o maior tempo possível. Alguma novidade?”

Minha resposta pareceu ser suficiente e ele apenas respondeu sem questionamento. Ainda bem. Eu não sabia o que eu devia conversar com ele.

“-Ainda não. Caso você tenha novidade, me avise mesmo que seja de madrugada, tudo bem?”

Assenti e sai para o dormitório. Assim que me afastei de Kevin, me lembrei o que me esperava aquela noite.

O estranho era que as pessoas não percebiam que eu estava estranho, pelo menos me sentia muito...

Cheguei a meu quarto as sete e meia e provavelmente teria mais uma hora sozinho antes de minha companhia indesejada chegar. Já que não tinha como fugir, deitei em minha cama e me concentrei em meu pai. Exatamente como as tentativas anteriores, não sentia nada. Nem um mínimo sinal de sua presença.

Meus problemas estavam aumentando. Meu pai desaparecido, não tinha nada a fazer além de esperar. Elizabeth, com o problema da chantagem e ainda me pegou no flagra com Laila, meio que com razão, devido a minha inocência. E Laila por sua vez me enfeitiçou e provavelmente passaria a noite me torturando.

Fiquei pensando por mais alguns minutos sobre o que poderia fazer em relação à Laila e decidi fugir até passar o horário do feitiço, mas assim que tomei a decisão meu corpo se enrijeceu e não conseguia me mexer um milímetro sequer. E ali fiquei lutando comigo mesmo em minha cama, perdendo a briga, é claro!

Ouvi passos no corredor, a porta se abriu e Laila entrou, com o característico sorriso diabólico no rosto. Para meu espanto, meu corpo relaxou com sua presença. Acho que o feitiço entendeu que não conseguiria fugir mais e relaxou meus músculos que estavam tensos por aproximadamente uns vinte minutos.

“-Vejo que me obedeceu...” Ela disse ironicamente.

E eu respondi como um idiota.

“-Sim”.

“-E agora? O que farei com você?”

“-O que quiser fazer” Respondi involuntariamente.

“-Não vou gostar de me lembrar que você está enfeitiçado o tempo todo. Então vamos fazer o seguinte, você só responde se eu falar a palavra.....” ela pensou um pouco erguendo um dedo tentando se lembrar “noite. Sabe o que meu nome quer dizer? Laila significa noite. Sabia? Adoro a noite e vamos começar a nossa agora.”

Disse vindo em minha direção. Ainda estava na cama deitado, minha expressão deveria ser de pavor, pois ela fez uma careta puxando a boca para um lado.

“-Você vai ter que fazer uma cara melhor. Quero que você pareça feliz em estar comigo e que expresse isto.” Após suas palavras senti um sorriso estampado em meu rosto. Que feitiço ridículo! Depois que isto passasse precisava falar com alguém para não cair na armadilha duas vezes. Devia ter algum antídoto ou magia para desfazer.

“-Assim está bem melhor” Ela disse deitando-se em cima de mim.

Percebi que meu corpo estava me traindo novamente.

Ela se levantou e se despiu pedindo que eu fizesse o mesmo. Enquanto eu tirava as roupas, perdi olhar em seu corpo e por mais que eu não quisesse estar com ela, era impossível não desejá-la. Sua pele era clara, macia e as curvas de seu corpo eram perfeitas. Subi em direção aos seus olhos e quase me perdi no verde que era um mar de desejo. Respirei fundo tentando me convencer que eu não a queria, não a desejava. Mas estava falhando.

Já tinha tido algumas garotas em minha vida, não era tão inexperiente, mas nunca as tive contra minha vontade. Das outras vezes, meu corpo entrava em sintonia com meu pensamento e sempre era uma sensação boa. Mas naquela noite, provavelmente seria uma tortura me entregar a Laila, pelo menos era do que eu tentava me convencer com ela nua a minha frente. Ela se aproximou de mim, ainda sem me tocar:

“-Não disse que você seria meu? Agora me beije” Disse parando bem perto de mim.

Não era só meu corpo que estava me traindo entregando-se a Laila, meu instinto masculino também o fazia. Uma pequena parte da minha cabeça gritava para eu afastá-la, acredito que a razão, mas conforme nos aproximávamos pude perceber que isto era esquecido. Eu estava gostando da idéia de ter uma mulher novamente.

Eu a beijei com a mesma ferocidade que tinha beijado antes, mas não havia raiva, havia desejo.

Laila ergueu o olhar como se enxergasse dentro de mim.

“Assim está bem melhor, não acha? Vejo desejo aí dentro. Você me deseja Davi?”

Como ela não acrescentou “noite” no final da frase, não respondi.

Ela pousou as mãos em meu peito sem deixar meu olhar e me puxou com ela na cama bem devagar. Eu toquei seu cabelo sentindo o perfume doce de flor de laranjeira. Dei um beijo suave subindo de seu pescoço até o lóbulo de sua orelha o que a fez estremecer um pouco. Olhei em seus olhos e pulei em outro beijo feroz.

Depois de algumas horas, Laila cansou-se de brincar Gostaria de dizer que foi somente culpa dela, que eu não senti nada, que tinha sido usado. Mas seria uma mentira, eu senti, eu aproveitei e estava com raiva.

Não só dela, mas de mim ta,bem, tinha nojo de mim mesmo, como pude gostar de ser manipulado como uma marionete e reagir positivamente em relação a isto? Queria que o mundo acabasse e eu fosse soterrado num buraco escuro e sozinho. Não queria nunca mais ver ninguém. E Elizabeth? Como poderia explicar? Não poderia explicar nada, jogar toda a culpa em Laila como? Eu havia gostado, desejado depois de um momento. Não teria me entregado se tivesse controle de meus atos, mas nada me explica o que eu fiz naquela noite. Enquanto a minha razão estava me matando, Laila para meu espanto começou a chorar:

“-Não queria fazer isto com você, mas você não me deu escolha... Eu precisava me sentir amada, desejada, nem que fosse sobre o efeito de um feitiço.” Laila enxugou as lágrimas com as costas das mãos.

Se ela soubesse que foi desejada e que naquele momento o feitiço não estava me influenciando, pois eu estava realmente sentindo.... mas isto ela não nunca iria saber.

Uma coisa eu tinha certeza, as lágrimas não me afetavam mais e Laila realmente era uma maluca completa, linda e desejável, mas maluca.

Ela falou sozinha durante mais alguns minutos lamentando em eu não estar apaixonado por ela até que ficou em silencio fitando o vazio. Não falava, nem chorava mais. Parecia uma estatua com o corpo nu encostado ao meu. De repente se levantou com um pulo, vestiu-se e olhou-me nos olhos dizendo.

“-Você não vai querer se vingar de mim, não é? Tivemos uma noite incrível que vou me lembrar pelo resto de minha vida, foi ótima.” Ainda com um sorriso irônico disse: “- Você é realmente incrível. Muito Obrigada.... Vou embora agora, pois já passou do toque de recolher. E....Daqui à uma hora...” disse indo em direção a porta e com a mão na maçaneta acrescentou “-Uma não, vinte minutos depois que eu sair, você estará liberto do feitiço e não se esqueça de não se vingar.”

Não sabia se aquela ordem de evitar a vingança iria funcionar, pois achava que as ordens só funcionassem enquanto estivesse sobre efeito do feitiço. Mas não estava pretendendo fazer isto. Queria ficar o mais longe possível dela. Depois da minha reação só queria que ela evaporasse e se afastasse de mim, a razão tinha tomado conta de mim completamente, sabia que o que havia sentido era irracional e que não aconteceria se não fosse o feitiço, pelo menos era o que eu queria acreditar. Mas também não sentia mais raiva, agora somente pena de um ser tão descontrolado e sozinho.

Ela ainda voltou e me deu mais um beijo de despedida, que nem tentei não retribuir. Só depois disto que partiu.

Este episódio com Laila me fez aprender uma lição, não iria ser mais inocente com ela nem com Ramon, pelo menos. Parei de culpar a mim mesmo e comecei a pensar que sentido teria a história destes dois. Quais eram seus objetivos? Por que ele empurrava Laila para mim? Será que estava apaixonado por Elizabeth mesmo? Ou tinha outra razão que eu não estava conseguindo ver?

Como Laila disse, depois dos vinte minutos estava liberto de seu feitiço. Senti-me exausto e depois de refletir mais um pouco caí num sono profundo.