Gatah em Chamas
12 Paraíso
Notas iniciais
Antes que vocês cortem meu pescoço...
— Eles estão namorando! Não é maravilhoso? — Stephanie deu a notícia. Pude ver a Marcela erguendo suas sobrancelhas louras para nós.— Claro. Meus parabéns — disse a Fernanda, não achando nem um pouco maravilhoso e sorrindo falsamente (um dom que, pelo jeito, foi herdado pela filha). — Eu vou indo, então. Boa festa, filha! E então uma das infernais foi embora. Mas ainda faltava a pior, e eu teria que aturá-la por mais alguns dias. Merda.Eu estava realmente disposta a não deixar ninguém estragar a festa com o meu Tom. E eu ia usar todas as minhas forças para que isso acontecesse.Houve um breve e desconfortável silêncio após a piranha mãe ir embora. Eu fiquei observando a beleza da mãe do Tom. Ela era uma deusa! Pelo amor! Não era à toa que o meu namorado era tão gostoso... Olhei para o Tom e vi ele sorrindo para mim. Por um instante, eu esqueci da loira vadia que estava do meu lado para estragar tudo e apenas pude pensar naquele sorriso perfeito, que fazia meu coração fraquejar. Eu comecei a ficar tonta com a intensidade daquele simples sorriso. Deuses, como eu sou estranha.Meu celular começou a tocar estridentemente do nada. Senti meu sangue fluindo para as minhas bochechas ao me lembrar de que eu o guardara na lateral da minha calcinha.— Er, com licença... — disse meio sem jeito e saindo correndo igualmente desajeitada. Ao entrar na sala de cinema de novo, peguei rapidamente meu celular quando não estava mais no campo de visão deles.— Alô? — atendi falando baixo.— Agatah! Onde é que você está? Eu liguei pra sua casa e nada! — disse uma voz preocupada. Era a Alice.— Bom, é que eu estou... Sabe... — Merda, eu não sabia o que falar. Ela ia me achar uma puta! Suspirei e então disse a verdade. — Eu estou na casa do Tom.— O QUÊ? Ahmeudeus, como assim?! Agatah, você precisa me contar tudo! Tu-di-nho!Revirei os olhos e tentei arranjar uma maneira de encurtar toda aquela história.— O Tom me pediu em namoro...— Eu sabia! Eu sabia! — gritou ela histericamente. Pude ouvir cochichos excitados ao fundo. — A Rose e a Bella estão aqui... Ai, para! Tá, eu vou falar! Elas estão mandando beijos pra você e pro Tom! Ah, eu sabia... Vocês são tão lindos juntos! Mas... Espera aí! Você ~dormiu~ aí com ele?— Bem, ele me convidou então, sabe, eu aceitei.— E vocês dormiram juntinhos? — Escutei risadinhas ao fundo.— Tecnicamente, sim. — Eu agradeci por elas não estarem cara a cara comigo, porque eu estava vermelha como um pimentão.— E, por favor, não me diga que vocês fizeram... Aquilo.Agora eu estava mais vermelha do que nunca estivera na vida. Caralho, o que eu ia responder? "Ah, claro, porque eu sou uma puta!". Eu não podia mentir! Emiti um som incompreensível que nem mesmo eu entendi. Praguejei em silêncio ainda muito vermelha.— Deuses, Agatah! Eu não acredito! Agatah! — Houve um murmúrio excitado no fundo enquanto eu roía furiosamente as minhas unhas. — Ag, aqui é a Rose! Quero que você saiba que vai me contar tudo para mim, sem exceções! Escutou?— Está bem — murmurei com uma voz que nem eu reconheci.— E vê se vai logo pra festa! Nos encontramos no portão às 16h, tá bom pra você? Agora são... 14h.— Aham — concordei ainda corada.— A gente se vê então! Tchauzinho!Desliguei o telefone praguejando e muito, muito vermelha.— Você fica linda quando está envergonhada, sabia? — falou Tom me abraçando enquanto eu estava de costas. Senti seu perfume delicioso na hora em que ele me tocou.— Hum — resmunguei. — E cadê a Marcela?Senti ele ficando tenso ao perceber o desprazer na minha voz.— Eu disse que você precisaria ter paciência. E, senhorita, está lembrada da promessa?— Droga. É verdade. — Me lembrei quando dissera que não iria me preocupar com a Marcela. — Mas ela dando em cima de você toda a hora com aquela beleza sensacionalé meio difícil ignorar, entende?— É claro que eu entendo, mas você sabe que eu sou apenas seu!— Eu sei — respondi, mesmo ele não tendo feito pergunta nenhuma. E, sim, felizmente eu sabia. E como era bom saber que ele pertencia apenas à mim. Mesmo assim continuava difícil ver a Marcela jogando seu charme em cima dele... Inferno.
— Quando a gente vai para a festa? — perguntou a Marcela. O Tom nem se preocupou em se desgrudar de mim, e continuamos abraçados. Vi seus olhos faiscando ao nos ver.— Daqui a pouco, Mah — respondeu Tom calmamente. Não sei porquê, mas isso me tranquilizou um pouco. Pela primeira vez desde que aquela piranha invadira a casa eu me senti segura e sem ciúmes, e sim com pena.— Preciso ir logo. Conheço uma garota lá na sua escola e combinamos de estar lá de tarde.— E quem seria essa garota?— Ah, não sei se você sabe quem é... Nós nos conhecemos numa viagem aí, pra Paris, acho... O nome dela é Erika.Fiquei tensa no momento em que ela pronuciou aquele nome, que trazia lembranças nada agradáveis à minha mente.— É claro que nós conhecemos — me intrometi na conversa. — Ela se acha e é uma piranha?~Como você~, completei mentalmente. Mas é claro que elas eram amigas! Igualzinhas, não? Como combinavam!— Não sei — respondeu ela com desdém.Ah, é claro que ela não sabia! — Já volto — anunciou ela saindo de nariz empinado e rebolando. Segurei meu impulso de fazer uma careta para ela no instante em que ela se virou. Nojenta.— Tom, a gente precisa passar depois na minha casa para eu fazer a minha mala! — lembrei-o.— Ah, então é melhor nós sairmos logo!— Mas eu queria conhecer o seu pai! Onde está ele?— É verdade, nem te apresentei ainda... Ele deve estar lá embaixo, vamos — disse ele me puxando pelo braço.Desci uma pequena escada branca de mármore linda (como toda a casa) e perdi meu fôlego. Eu dei de cara com o lugar dos meus sonhos.Deuses.Era um espaço amplo, completamente fechado, totalmente branco e limpo. O lugar parecia abranger todo o espaço subterrâneo da casa. Ele abrigava inúmeros carros, um mais bonito e potente do que o outro. Tinha Ferrari, Lamborghini, Volvo, Mercedes, e algumas Porsches.— Meu Deus — ofeguei maravilhada.— Não é muito, mas...— O quê? Como isso não é muito?! Você tem um paraíso na sua própria casa! — Balancei a cabeça olhando para aquelas maravilhas, surpreendida. Se aquilo era pouco, meu Deus, o que era muito? E... Cara, quanto deve ter custado todos aqueles carros? Uma enorme fortuna; muito mais do que eu poderia imaginar em ter um dia, com certeza. — Pelo jeito seu pai gosta de carros. E ele tem muito bom gosto, pelo visto.— Você acha mesmo? É, eu tenho uma certa quedinha por carros — disse uma voz estranhamente conhecida e totalmente sexy. Um homem apareceu detrás de um Volvo, limpando as mãos num pano encardido e dando um sorriso deslumbrante. Ele parecia estar mexendo no motor do carro, porque estava um pouco sujo de graxa. Usava uma blusa regata branca, exibindo seus músculos. Seu cabelo preto estava bagunçado como o do filho, mas tinha olhos de um azul puríssimo, ao invés de verdes. Reconheci ele no mesmo instante em que ele apareceu. Era o famoso ator gostoso Jason Mars, o sonho de toda a garota, suspiro apaixonado, sonho de consumo... Enfim. Ele era realmente gostoso, e vendo-o ao vivo e em cores era mais ainda. Era dele a gostosura que o Tom puxara. Sorte a minha.— Sou o pai do Tom — apresentou-se ele com sua voz grossa e sedutora.— Prazer, sou a Agatah...— Namorada do Tom, fiquei sabendo — completou ele dando uma piscadela para o filho. E a pergunta era: como?Soltei um estúpido e típico "ah".— A propósito, amei seus carros — falei sinceramente. — É o meu sonho de consumo uma Porsche.— Hum... Você tem um ótimo gosto, Agatah. — Ele lançou um olhar malicioso à uma Porsche turbo amarela (e perfeita) antes de falar uma coisa que parou meu coração por um instante e roubou todo o meu fôlego. — Quer experimentar dirigir o seu sonho?
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