Notas iniciais
Desculpem a demora galera, estou começando outra fanfic que em breve postarei pra vocês! :)
Eu, dirigindo? Na verdade... Eu dirigindo uma Porsche? Por acaso eu estava

sonhando ou algo do gênero?

Mas soube que não era um sonho no mesmo instante em que o Tom me abraçou

e eu me senti envolta de seu perfume maravilhoso e seu toque único e real, que

me deixava tonta.

— Você quer dirigir? — sussurrou ele com uma voz idêntica a do pai. Deus, como

eles são sexy!

— P-pode ser — consegui gaguejar. Que beleza, como eu sou idiota.

O Tom abriu um sorriso enorme e depois olhou maliciosamente para o pai.

— Podemos ir até a festa com a Agatah dirigindo?

— Com certeza, meu filho.

— Mas... E se a polícia nos parar? — perguntei receosa. Eu sabia que a pergunta

era imbecil, mas eu tinha de perguntar para ficar mais segura.

— Ah, a polícia é esperta e sabe com quem se mete, minha cara. Então... Pronta?

Ainda não tinha caído a minha ficha até eu entrar pela porta que o Jason abrira

gentilmente para mim.

O interior daquela Porsche era diferente; muito mais luxuoso do que a outra. E eu

tinha certeza de que iria atrair muitas atenções pelo fato de uma garota estar dirigindo

uma Porsche amarela.

— E a Marcela? — forcei-me a perguntar para o Tom (eu não queria de jeito nenhum

fazer aquela pergunta, queria mais era deixá-la lá mesmo. Seria ótimo. Mas eu sabia

que me sentiria culpada mais tarde então fiz logo a maldita pergunta).

— Ela vai com uma amiga, nos encontraremos na festa — respondeu o Tom. Eu

desejava que não, mas...

— E as minhas roupas?

— Já providenciei. Sua mãe vai levar hoje à noite para a escola.

— Que namorado eficiente — cometei sorrindo e dando um selinho nele. Isso sim

era um namorado.

Suspirei algumas vezes até eu tomar coragem e enfim colocar e virar a chave. Dei

partida num carro pela primeira vez na minha vida. A sensação era maravilhosa,

principalmente pelo fato do carro ser um Porsche. Mas, ao mesmo tempo, me dava

a sensação de responsabilidade e insegurança. Tentei ignorar e coloquei em prática

o pouco que aprendera sobre dirigir com o meu pai. Tudo parecia ser simples e fácil.

É isso, sem pestanejar.

— Vamos então — falei agarrando o volante com uma força desnecessária. Engoli em

seco e enfim pisei no acelerador. Meu Deus do céu! Já disse que era uma sensação

maravilhosa?

Dirigi devagar e com cautela até o portão aberto, ignorando pensamentos como "não

morra hoje, Agatah" ou "você vai fuder com uma Porsche e matar o seu namorado".

Apesar da escola ser a aproximadamente um quilômetro de distância da casa do Tom,

eu demorei absurdamente para chegar lá. Sabe, é meio difícil dirigir pela primeira vez,

principalmente com um cara totalmente gostoso ao seu lado te ensinando as marchas.

Ele me explicava, mas... Com aquele jeito e voz sexy, era complicado prestar atenção

e entender o que ele falava.

Ao chegar na escola... Meu Deus, você tem ideia de como eu fiquei com vergonha?

Primeiro: era uma Porsche amarela. Segundo: eu que estava dirigindo. Terceiro: o

menino mais gostoso do universo estava ao meu lado. Inferno.

Eu sei que era idiota eu estar com vergonha, mas... Entenda a minha situação, e

eu sou super tímida!

O Tom abriu a porta dele e, quando ele saiu, eu fechei os meus com força e me

veio um friozinho na barriga. Não, agora eu ia ir e mostrar para todo mundo que

eu não sou uma "gata sarnenta". Era a hora. Suspirei e, quando o Tom abriu a

porta para mim sorrindo daquele jeito que me deixava tonta, saí confiante do

Porsche que eu dirigira.

Sim, meus receios estavam certos. A escola inteira virou-se para ver quem saíra

daquele carro com aquele garoto e não puderam esconder a surpresa nitidamente

estampada em seus rostos.

— É a Agatah?

— Céus, aquilo era uma Porsche?

— O que o Tom está fazendo lá?

Pude ouvi-los cochichando, excitados.

Inferno.

Andei decidida com o Tom ao meu lado até o portão e entrei igualmente segura.

Avistei a Rose ao longe, conversando e rindo com outras garotas. Não pude deixar

de sorrir e ficar feliz por ela ter feito tantas amizades; ela merecia. Ao me aproximar,

percebi ela lançando olhares diferentes para um garoto na roda. Estaria ela a fim dele...?

Observei o garoto e ele era gostoso, tinha de admitir, mesmo namorando. Mas

nada comparável ao Tom, é claro. Ele era alto, loiro e de olhos azuis. Perfeito,

mas não para mim.

Cedo demais, eles perceberam a nossa presença.

— Agatah! — exclamou Rosalie, me abraçando tão forte que me deixou sem

fôlego. — Tom! Ah, estou tão feliz por vocês!

— Por quê? — perguntou curiosa uma garota.

— Vocês estão juntos? — indagou outra menina, sem fazer esforço para esconder

a irritação em sua voz.

— Estamos namorando — disse Tom, sorrindo para mim. Retribuí receosa o sorriso,

com medo da reação das meninas.

As garotas levantaram as sobrancelhas e falaram tipo "hum" ou no máximo "ahm".

— Ah, tão lindos! — escutei uma voz atrás de mim que me causou calafrios na espinha.

— Erika — sussurrou Rose, com desprezo.

— Então toda a escola já está sabendo?

— Por acaso é da sua conta? — rosnei, irritada.

— Tá brava, gatinha pulguenta?

— Vamos embora daqui — sibilei para o Tom enquanto o puxava.

— Por que a pressa? — perguntou Victoria.

— Só por que cheguei? — falou Marcela.

Fiquei paralisada. Agora havia muita gente na roda. Muitas que eu não gostava

nem um pouco.

— Já voltamos para a festa — disse e puxei nova e decididamente o Tom.

Ele cedeu e me acompanhou até o prédio da escola.

— Como você atura essa menina? — perguntei balançando minha cabeça, que já

estava fervendo à essa altura.

— Não fale assim dela. É a minha prima — ele me reprimiu.

— Agora você está pra defendê-las? Ah, poupe-me, Tom!

— Estou falando que ela não age normalmente daquele modo, é o ciúme dela com

você!

— Ciúme ou não ela me trata mal.

— Dê a ela uma chance.

Eu parei e me virei para encará-lo.

— Uma chance? Chance de quê? Ela deixou mais claro do que nunca que me odeia,

e, pelo visto, não vai mudar de atitude por um bom tempo. Na minha opinião, nunca.

E, ainda por cima, ela fica dando em cima de você toda a hora. Não vou conseguir

aturá-la pacificamente por muito tempo. Você viu, eu tentei tratá-la bem no começo,

fazer amizade, ficar na paz... Mas logo quando me viu partiu pro ataque e pra me odiar.

O que eu posso fazer?

Ele deu uma risadinha que me deixou mais irritada ainda.

— O que foi? — perguntei, ranzinza.

— É engraçado como você dá tanta bola pra ela. — Ele tentou me abraçar mas eu

o empurrei, de bico. — Eu já não te disse que nunca vou ligar pra ela? Que você é a

única a quem eu amo? Então, meu amor, por que a preocupação?

Realmente ele não merecia todo o meu desabafo e preocupação. Eu sabia de tudo

o que ele dissera. Eu estava sendo uma boba mesmo, dando tanta bola para aquela

coitada da prima dele. Estava me preocupando desnecessariamente.

— Desculpe — murmurei. Enterrei minha cabeça em seu peito macio e cheiroso,

deixando-o me envolver com os braços. — Fui uma tola te enchendo desse papo,

agora sem pé nem cabeça.

— Não se desculpe, eu te entendo perfeitamente — respondeu ele. — Foi melhor

pra esclarecer algumas coisas na sua cabeça.

— Ah, Tom, eu não te mereço... — E, de repente e sem motivo algum, eu comecei

a chorar.

— Eu que não te mereço. Ei, não chore, minha linda.

Ele limpou delicadamente uma lágrima do meu rosto, o que me fez chorar ainda

mais.

— Desculpe por tudo e obrigado por tudo — consegui dizer entre lágrimas. Abracei-o

mais forte ainda antes de soltá-lo e limpar o meu rosto. — Vamos para o quarto —

falei com a voz embargada.

— Claro, Gatah.

Sorri e continuamos andando, com seu braço envolto na minha cintura. Já nem

ligava mais para as pessoas nos olhando com surpresa e inveja, não estava nem aí.