Notas iniciais
Galerinha, essa é minha primeira fic! Estou na expectativa... Espero que gostem!

Acordei com a porra do meu despertador tocando as nove da manhã. Desativei-o, amaldiçoando quem inventou acordar cedo.
Me espreguicei longamente e sorri como uma idiota: hoje era o primeiro dia de aula. Era a minha única chance de encontrar algum garoto prestável, o que estava em falta na minha escola, a Kington.
Fui andando devagar para o banho, pensando em como abordar um garoto antes das populares da escola. Chegar cedo, é claro. Esperá-lo na portaria, talvez. Mas aí eu vou falar o quê? "Oi, eu sou a Agatah e serei sua tutora hoje!". Não, não... Alguma coisa menos formal. "Oi, sou a Agatah. Você já sabe a sua classe? Quer que eu te leve?" Hum, serve.

Me despi e fiquei observando-me no espelho. Fiz cara feia e murmurei comigo mesma:

- Está vendo por que você nunca teve um namorado, Agatah? Tudo o que os homens querem é mulheres esbeltas e peitudas. Alguns quilos a menos poderiam resolver, já que você tem peitos pelo menos! Inferno de vida...

Avaliei demoradamente meus cabelos castanhos, lisos e opacos, meus olhos claros brilhantes, meu nariz levemente empinado, minha boca sem graça... Tudo poderia ser melhorado!

Bufei e fui tomar banho, ainda emburrada. Mulheres pensam com o cérebro, não com a bunda! O problema é que os meninos ainda não perceberam isso. Todas nós poderíamos ter um corpaço, como a maldita da Erika, a garota mais popular do colégio.

Acabei o banho e me aprontei demoradamente: batom, rímel, colar, brinco, perfume...

Quando estava vendo se não faltava nada, ouvi minha mãe me chamando.
- Gatah! Vem, o almoço está pronto! Você vai perder a hora, filha!
Revirei os olhos. Como minha mãe é preocupada! Fui pra cozinha, pois acabara de perceber que estava com fome.
-E você poderia me dizer aonde a senhorita vai? — perguntou minha mãe, olhando-me de cima a baixo.
- Para a escola, é claro, senhora Katheryn! — disse, rindo com ela. Dei uma voltinha e mandei um beijo e uma piscadela pra ela. — Como estou?
- Amazing! — disse ela com seu estilo britânico. Ela viveu em Londres desde pequena, até conhecer meu pai, Paulo, durante uma viagem aqui no Brasil. Ela se engravidou de mim e eles são casados e felizes até hoje.

Sentei-me ao seu lado, apreciando o cheiro do Sunday Roast inglês que só minha mãe sabe fazer. Apesar dela nunca fazer em dias de semana, hoje eu fiz um pedido especial.
- Parece estar delicioso! Hum...
Coloquei uma quantidade generosa no meu prato, e devorei até a última migalha.
- Isso sim está incrível! — disse. Olhei meu relógio; já era meio dia e meia! — Vamos mãe! Vou me atrasar...
- Não disse? — retrucou ela. — Vamos, antes que eu fique mais deprimida ainda por estar tão velha! Como eu sinto falta da adolescência...
- Pelo menos você não tem espinhas!
- Mas ganhei rugas em troca.
- Ah, para com isso mãe! Você ainda é jovem! E eu só tenho treze!
- Quarentão? Jovem?
- Mãe!
- Ok, ok, let's go sweet.
- Hum... — respondi brava.
Fomos dirigindo e cantando pra escola. Chegando lá, já era quinze pra uma.
- Tchau, mãe! Te amo!
- Tchau linda! Eu também!
- Beijos!
Acenei pra minha mãe enquanto ela ia embora. Ela era a melhor mãe do mundo!
Virei-me para a portaria e dei de cara com o garoto perfeito!

Uau! Ele era simplesmente... Uau!
Eu poderia passar horas aqui descrevendo-o, mas prefiro ressaltar apenas as partes principais. Tinha uma pele branca como flocos de neve caindo no inverno, que constratava com seu cabelo negros e sedosos. Olhos verdes penetrantes tão lindos que um dia inteiro encarando-os não seria suficiente. Lábios macios que davam muita vontade de provar. Tinha um aspecto elegante, de deixar qualquer uma atraída.

Fui interrompida da minha descrição mental quando ele chamou minha atenção.
- Ahm...
Inferno, que vergonha! Eu fiquei encarando-o um tempão!
- Er, desculpa, eu estava pensando... — disse meio sem jeito. Aaahhh! Sua imbecil, fala alguma coisa prestável! Inferno.
- Hahaha, não, tudo bem. Prazer, sou Tom — disse, estendendo a mão. — Eu sou novo aqui na escola. E você é a...?
Meu mundo inteiro parou e se concentrou apenas naquele simples garoto. Todas as conversas ensaiadas durante o banho, cenas montadas antes de dormir, tudo, eu esqueci. Apenas vivi aquele momento, sem a preocupação de ser idiota ou imbecil.
- Sou Agatah, prazer! — respondi apertando sua mão. — Posso te mostrar a escola, se você quiser — disse, dando de ombros. Paralisei-me por um momento, ao meu dar conta de que não gaguejei ou falei merda enquanto falava com um garoto. Acho que pela primeira vez em anos.
- Claro! — respondeu. Fomos caminhando em direção a portaria, e eu ainda orgulhosa de ter cumprido meu plano com sucesso.

Meu sorriso se desmanchou quando vi a Erika, rodeada de garotos na portaria. Ela era a menina mais popular (e, aparentemente, a mais bonita de acordo com os meninos) da escola, e todos os garotos se curvavam a ela. Dava raiva! Seus cabelos negros pareciam um ímã de garotos!
Foi aí que meu coração disparou. Meu único amigo (se que posso dizer assim) iria se curvar a ela também?
- Oi, Agatah! — Erika cumprimentou-me falsa e friamente. — Poderia me dar um instantinho com o amigo aí? Sabe, assuntos particulares. Acho que ele vai se interessar em saber com quem andar — disse ela, dando seu sorriso que sempre desmancha os meninos. Vadia.
- Quem sabe depois? Agatah vai me mostrar a escola — respondeu Tom, sorrindo. Como ele é demais!
Erika levantou as sombrancelhas, chocada. Não era normal um garoto recusar-se a falar com ela.
- Ah. Agatah vai te mostrar a escola. Você não quer que eu mostre? Conheço há muito tempo, e sou a representante do nono ano!
- Quem sabe outro dia! — respondeu ele, gentilmente.
- A escolha foi sua — Erika disse suavemente. Lançou-me um olhar fuzilante antes de virar-se, e desfilou classicamente em direção ao seu grupo, balançando os cabelos. Me segurei para não meter a mão na cara dela. Ela devia estar furiosa por dentro. Ela nunca havia falhado com garotos. Não até aquele ano.

Notas finais
Será que alguém lê a minha fic? O que você achou? Deixe uma review!