Gatah em Chamas
2 Novos Amigos
Notas iniciais
*Fomos caminhando pelo pátio.
- Obrigada por não me deixar no vácuo... — agradeci, sorrindo. — Eu realmente não gosto daquela garota. Ela parece ser a rainha da escola! Não que eu tenha inveja, não me entenda mal... Ela só não é o que parece ser, entende?
Ele deu uma risada melodiosa, simplesmente perfeita.
- Eu conheço bem esse tipo de garota. Acredite, sou expert nesse assunto.
Eu sorri para ele. Como era fofo!
- Então, você já sabe em qual classe vai ficar?
- 9 ano E. E você?
- Ah, graças a Deus! Eu também — consultei meu relógio de pulso; faltavam cinco minutos pra aula começar. — Vamos, se não vamos acabar atrasados!
Fui levando-o para o prédio, explicando o esquema das aulas. Ouvimos o sinal tocar, então sentamos um atrás do outro.
- Boa aula! Espero que goste — falei para ele.
Finalmente, um amigo. Um amigo muito gostoso, na verdade. Espero que não seja tão cedo para considerá-lo. Olhei ao meu redor. Inferno, as traíras das Brunna, Victoria e Letícia estavam na minha sala. Que sorte a sua, hein Agatah? Minhas ex-melhores amigas tinham passado pro lado das lacraias peruas, o grupinho da Erika. Só de lembrar o quanto nós quatro falávamos mal da Erika, eu lembro de quanto elas são falsas comigo e com a Erika. Elas só ficam com ela para serem populares, e como eu não aceitei passar pro outro lado, agora elas me detestam. Porque, claro, ser amiga de uma nerd como eu não faz bem pra imagem.
- Olá, gata pulguenta — cumprimentou-me Victoria, me desprezando. E depois sussurrou: — Aproveite seus últimos momentos com um amigo. A Erika está disposta a fazer tudo por esse gatinho aí! E acho que você não vai conseguir competir com ela, sarnenta.
Ela fez uma cara de desprezo e começou a rir com as outras duas, cochichando. Como-eu-odeio. Quase estrangulei aquele pescoço de bonequinha no meio da sala mesmo.
Ah, então quer dizer que a Erika ficou bravinha por causa do meu novo amiguinho. Vamos ver quem ganha, mocreia! Esse eu não vou deixar pular pro seu lado não, você pode ter certeza.
Me dei conta que estava dando um sorriso maligno, então parei antes que alguém percebesse.
- O que elas estavam falando? — perguntou Tom, preocupado. — Elas são suas amigas?
Antes que eu pudesse responder, a professora passou pela porta dando bom dia.
- Depois — sussurrei para ele.
- Bem vindos ao Kington! Eu sou a professora Shaunne, e vou dar aula de Ciências. Serei a professora representante da sala. Primeiro, vamos... — ela foi interrompida por Erika, que abriu a porta.
- Desculpe-me, Shaunne! Eu me atrasei reunindo as garotas novas — ela fez um gesto com a mão, convidando as novatas para entrar. Elas foram passando pela porta, aparentemente nervosas.
- Tudo bem, Erika! Que bom que você chegou. Preciso apresentá-la para o grupo. E bem vindas, garotas! Sentem-se, vamos...
Elas foram sentando, aparentemente perto das lacraias. Como já estava lotado, três garotas sentaram-se ao meu lado. Estavam muito nervosas e tímidas.
- Oi! Bem vindas! Se vocês quiserem que eu mostre a escola pra vocês no recreio... — sussurrei para elas, sorrindo. — Ele vai nos acompanhar — completei, indicando com a cabeça o Tom e dando um sorriso malicioso.
- Com ele? — perguntou a mais baixinha. — Hum, quem sabe — avaliou Tom de cima a baixo.
- Poderíamos nos apresentar? — indagou uma loira para Tom. Ele, por sua vez, ameaçou estender a mão, mas foi interrompido pela professora.
- Pelo jeito percebi que vocês gostariam de se apresentar. Gostaria de começar? — perguntou a Tom, sorrindo.
- Está bem! — respondeu. Limpou a garganta e disse com sua voz grave: — Sou Thomas Eagle. Vim da Alemanha recentemente, como tenho pais brasileiros. Fui criado lá, mas falo português tanto como vocês.
Fiquei realmente surpresa em saber que ele era alemão. Não tinha nenhuma característica tradicional! É, sim, ele tinha um levíssimo e quase imperceptível sotaque, mas eu achei que era costume dele mesmo. Ele me surpreendia! É, até que minha mãe iria gostar de um genro europeu. Nossa, eu acabei de conhecê-lo e já estou pensando em casar! Vamos com calma, Agatah.
Fui interrompida do meu blá-blá-blá mental pela professora.
- Muito interessante! E você, querida?
A garota loira de olhos azuis, uma das que estavam ao meu lado, tomou um susto. Aparentemente, estava concentradíssima no discurso do Tom.
- Ah! É, bom... Eu sou Rosalie Hale, e estudava na mesma escola delas — apontou para as outras duas ao meu lado.
- É. Eu sou Alice Cullen — apresentou-se a mais baixinha de cabelos pretos e curtos. Tinha uma voz tintilante.
- Meu nome é Isabella Swan — disse a ruivinha. Ela tinha sardas espalhadas pelo rosto, e tinha uma aparência frágil e delicada.
As outras novatas foram se apresentando, a maioria eram piriguetes. Já os meninos eram, na maioria, bobões ou nerds. Pelo menos esse ano eu teria verdadeiros amigos. Tomara.
*- Agora que vocês já se conhecem, gostaria de apresentá-los a nossa representante de classe. Erika, por favor! — chamou Shaunne, aparentemente orgulhosa.
- Olá! Eu representarei o desejo do nono ano. Qualquer critica, dúvida ou sugestão sobre a escola, as aulas, etc, é só me procurar — explicou Erika, dócil e gentilmente. Tão falsa!
Dirigiu-se de volta a sua carteira em meio de aplausos, principalmente masculinos. Deu um sorriso inocente para o Tom, que retribuiu falsamente (espero).
Tivemos aula de história e português. Me impressionei; Tom sabia toda a matéria! Português, história do Brasil... Legal.
O sinal para o intervalo foi um alivio! Saí com o Tom, enquanto a Alice, a Rosalie e a Isabella iam comprar lanche. Encontramos um banco na sombra de uma árvore e sentamos.
- Então quer dizer que você é alemão? Impressionante! Nem percebi — confessei para Tom. Ele riu gostosamente antes de responder. Tão lindo!
- A maioria das pessoas ficam chocadas quando eu conto! É que eu falava português em casa com os meus pais, desde pequeno. Então cresci com as duas línguas!
-Nossa, é muito bom lá na Europa. Minha mãe é britânica!
-Jura? Adoro a Inglaterra!
Avistamos as três. Acenei para elas, chamando-as.
- Que caras são essas? — perguntei, reparando na cara de chocada delas.
- A Erika. Ela parecia tão legal — disse Alice, desiludida.
- Aquela vaca! O que ela aprontou dessa vez?
- Bom, estávamos comprando lanche quando ela puxou um gatinho da fila — explicou Isabella. Ela olhou para Rosalie, pedindo ajuda.
- O garoto sorriu para ela e tal, chamou-a de amor, mas ela estava irritada. Ele ameaçou dar um beijo nela, mas ela empurrou-o com toda a força e gritou com ele, dizendo que tudo estava acabado.
- Gritou é gentil da sua parte, Rose. Foi horrível! Ela fez um escândalo e tanto. Coitado do garoto! — lamentou Alice.
- Ela acabou com o Damon? Tem certeza? Não acredito... Não, não pode ser — eu parei subitamente. Mas é claro! Ela acabou com o garoto mais lindo da escola pra fisgar o Tom! Maldita dos infernos... Ah, agora que eu não deixo!
- Quem é esse Damon? — perguntou Isabella, curiosa.
- É o garoto mais gostoso da escola, agora ex-namorado da Erika — expliquei. — Não sei por que ela poderia ter acabado com ele! — menti.
- Essa Erika é meio pirada, né? — perguntou Tom.
- Ela não desiste até conseguir o que quer — afirmei. E o pior é que isso era a mais pura verdade. — E ela é uma vagabunda, como as suas "seguidoras".
- Aquelas meninas que estavam falando com você são da turma também? — perguntou Tom.
- Infelizmente, sim. Antes, elas eram as minhas melhores amigas. Mas isso é passado — disse inflexível.
- Sinto muito — disse Rosalie, com um sorriso torto.
- Não, tudo bem, sério mesmo. Elas viraram umas vadias — disse, dando uma risadinha nervosa.
- Gente, vou comprar o livro de inglês. Alguém vem? — perguntou Isabella.
- Ah, nós também temos que comprar — falou Rosalie, puxando Alice. — Tchau, até mais!
- Tchau — murmurei. Inconscientemente, eu apoiei a cabeça no ombro de Tom, cansada.
- Agora você tem novos amigos — sussurrou ele em meu ouvido, com seu hálito frio.
- Obrigada — agradeci, sorrindo. "E quem sabe um namorado", acrescentei mentalmente.
*Tivemos mais três aulas antes da saída. A Erika estava perfeitamente normal, como se nada tivesse acontecido. Percebi que algumas novatas olharam torto para ela durante a aula, aparentemente assustadas ou amedrontadas.
Eu, sinceramente, não sei como aquela vadia consegue ser tão falsa. Ela é a queridinha de todos os professores. Nossa, parece que só as mais excluídas percebem a sua maldade e vadiagem. Acho que ninguém quer realmente enxergá-la do jeito que ela é, só porque ela é popular e bonita. Ou percebe, mas é preocupado demais com a imagem para dizer isso.
Outras pessoas totalmente falsas: a Victoria, a Letícia e a Brunna. Tudo o que a Erika falava ou fazia, elas riam ou apoiavam. Traíras!
Logo que o sinal bateu, às seis horas, eu me aprontei rapidamente para acompanhar as três novatas. Levei-as até a saída, junto com o Tom.
- Gente, acho que minha mãe chegou. Vou indo!
Ele foi se despedindo com um beijo. Logo que ele chegou perto de mim, percebi, pela primeira vez, como ele cheirava bem. Estranha, eu. Quando ele roçou seus lábios na minha bochecha, eu senti um estranho calafrio. Não foi de frio, muito menos de medo. Era uma sensação totalmente diferente, que eu jamais senti. Fui tomada por um desejo de ficar com ele, a eternidade inteira, se fosse preciso. Quase agarrei-o quando afastou-se em direção ao carro. Me controlei, tentando entender o que acabara de acontecer.
- Nossa, esse Tom é muito gato! — comentou Isabella, fitando o lugar em que o carro da mãe dele acabara de sair.
- Eu pegava, com certeza! — afirmou Alice, sonhadora.
Me deu um estranho impulso de agarrar o pescoço dela, mas eu me controlei. Fica quieta, Agatah! Você vai acabar matando alguém ainda. Não estava me reconhecendo. Ela era minha amiga, tinha o mesmo direito que eu ou qualquer pessoa de gostar dele. Esquisito.
- Hum, parece que está rolando algum clima entre ele e você, Agatah! — comentou Rosalie, com um sorriso malicioso nos lábios.
- Eu e ele? Quem sabe? — respondi. Na verdade, eu estava rezando para o que a Rosalie falou ser verdade.
- Hum, está bem então. Você também não está a fim dele? — perguntou Isa.
- Ainda nem o conheço direito! Por que, você está? — perguntei, revertendo o jogo.
- Eu pegava! — respondeu, com certeza.
- Qualquer uma pegava — disse Alice, como se isso fosse óbvio.
Graças a Deus, eu avistei o Dodge da minha mãe vindo.
- Acho que minha mãe chegou. Tchau, meninas! Beijos.
Me despedi delas e entrei no carro da minha mãe, sorrindo.
- Oi mãe! Como foi de trabalho?
- Oi linda! Normal. E que sorriso é esse? Arranjou novas amigas?
- Você não vai acreditar! Três amigas e o melhor: um amigo lindo! Mãe, muito muito muito lindo! Ele é gentil, legal, cavalheiro e muito gostoso. E você não sabe o melhor: ele é europeu. Alemão, mãe!
- Tá brincando? Filha, me apresente ele! Ah, qualquer coisa, fique sabendo que eu apoio o namoro, caso algo acontecer — disse ela, com um tom de voz inocente.
- Mãe! Eu conheci ele hoje!
- All right! — respondeu ela, rendendo-se.
- Mas, do mesmo jeito, obrigado — agradeci, meio sem jeito.
Minha mãe sorriu sozinha e ligou o rádio.
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