Garras e Presas
6 Capítulo 6
Notas iniciais
O vilarejo dos elfos estava morbidamente silencioso quando Dawn pousou em frente a residência de Sunny. Por um instante acreditou ter chegado em péssima hora. Era mais um dos ataques? Teriam os elfos fugido para procurarem por abrigo? Mas ela não ouvira o alarme sendo soado.
Bateu na porta com os nós dos dedos e chamou por seu namorado, mas não obteve resposta. Sunny nunca a deixava esperando se pudesse evitar, então o mais provável era que não estivesse em casa. Temeu momentaneamente pela segurança dele, procurando impedir sua mente de conjurar imagens envolvendo ataques de animais selvagens, correria, gritos, sangue manchando o gramado...
— Princesa Dawn?
A vozinha fina a fez se sobressaltar. Virando-se, se deparou com um elfo pequenino que não deveria ter mais de oito anos de idade. Não parecia assustado, apenas confuso, e com alívio ela descartou a possibilidade de um ataque estar acontecendo.
— Olá! – Cumprimentou-o o mais calorosamente que pôde – Poderia me dizer se sabe onde está o-
— ‘Tá procurando o Sunny? – O menino adivinhou, dando um meio sorriso – Ele saiu. Na verdade todo mundo saiu.
— É mesmo? – Franziu as sobrancelhas, confusa – E para onde foram?
— Pra praça no centro da vila. Os adultos estão fazendo uma reunião. – Ele então fitou o chão, fazendo um beicinho – ‘Tá todo mundo agindo estranho. Com medo. Não posso nem mais ficar brincando com meus amigos até tarde. Falam que pode aparecer algum bicho e que pode ser perigoso... – A expressão dele tornou-se amuada, e Dawn foi tomada por uma súbita onda de pena.
— É... Eu também não posso mais andar por aí como costumava... – Murmurou. Então abriu um sorriso que esperava ser tranqüilizador – Mas não se preocupe, é por pouco tempo. Logo tudo voltará ao normal, você vai ver.
— É o que a minha mãe me diz, mas não é o que o Breno diz. – Ele protestou, fazendo uma careta ao mencionar o patriarca do vilarejo. Então ergueu a cabeça, fitando a princesa com uma expressão desconfiada – Ele diz que tudo isso é culpa do Rei do Pântano e do Sunny.
— C-Como assim? – Dawn balbuciou, sentindo o estômago despencar. Passara três semanas seguidas ouvindo queixas e mais queixas a respeito de Bog, o suficiente para cansá-la e fazê-la desistir de continuar saindo em sua defesa, e o desânimo de Marianne tampouco ajudava. Mas o que Sunny tinha a ver com aquilo?
— Eu não entendi direito, mas parece que ele ser seu namorado não é algo bom para nós. – Ele deu de ombros – Disseram que é isso o que está fazendo os animais da floresta nos atacarem, os peixes no riacho morrerem...
— Não, não é nada disso! – Ela exclamou, balançando a cabeça vigorosamente. Não queria acreditar que Breno e os outros elfos poderiam ter inventando uma história tão ridícula para justificar aqueles infortúnios, e mais ainda que estivessem jogando parte da culpa em Sunny. Era por causa do fiasco do festival? Seriam todos tão injustos a ponto de execrarem Sunny por algo que ele jamais poderia ter previsto?
— Se é ou não é eu não sei. Só sei que o Breno disse que é melhor que a senhorita não apareça mais por aqui.
Dawn congelou, sentindo as lágrimas traiçoeiras queimarem nos cantos de seus olhos. Ela sempre fora uma pessoa ponderada e graciosa, o oposto de Marianne, que resolvia conflitos na base do grito e da lâmina de sua espada, enquanto ela procurava oferecer um sorriso indulgente, um debate amigável e quem sabe uma xícara de chá de hortelã para acalmar os nervos. Mas naquele momento, sentiu-se dominada por uma raiva e indignação que facilmente rivalizariam o humor tempestuoso de sua irmã.
— Com licença. – Murmurou entre dentes antes de voltar a alçar vôo. Enxugou as lágrimas para que não obstruíssem seu campo de visão e disparou para a praça no centro do vilarejo, onde de fato se podia ver um enorme grupo de elfos reunidos, aparentemente engajados em uma acalorada discussão. Era difícil distinguir o tópico da conversa, considerando que todos falavam ao mesmo tempo e em tons alterados. Dawn estivera prestes a se manifestar quando uma voz envelhecida se elevou sobre as demais:
— Você sabe muito bem o porquê de tomarmos essa decisão, Sunny!
A princesa mais jovem imediatamente reconheceu a voz de Breno. Ele estava no centro da praça, flanqueado por outros membros idosos da comunidade, os braços firmemente cruzados enquanto encarava severamente um Sunny nervoso e totalmente encurralado em uma espécie de círculo. O único que permanecia ao seu lado era Pareh; os demais elfos mantinham-se afastados como se ele possuísse alguma doença contagiosa.
— O que não me impede de discordar, Breno! Deuses, vocês estão sendo ridículos! – Ele exclamou, olhando em volta com indignação – Não podem proibir Dawn de aparecer por aqui, ela tem o direito de ir e vir como bem entender, assim como eu tenho o direito de recebê-la em minha casa sempre que quiser.
— Os seus direitos terminam onde os dos outros começam. – Breno foi sucinto – E estamos certos de que Princesa Dawn concordará. Quando Sua Alteza compreender que fazemos isso pelo bem de nossa comunidade, acatará a decisão sem pensar duas vezes.
— ‘Tá brincando? Ela vai achar isso tão ridículo quanto eu! – Sunny precisou ser segurado por Pareh para que não avançasse contra o grupo de anciãos – Isso é um absurdo, vocês estão se escorando em superstições ridículas sem nem questionarem se isso vai mesmo resolver alguma coisa! No quê impedir que eu veja minha namorada vai ajudar com os ataques de animais selvagens e com essa escassez repentina de comida?
— Acompanharemos os resultados à medida que forem surgindo, o que não vai acontecer enquanto você não aceitar colaborar. – Adair, outro dos elfos idosos avisou com um balançar do dedo indicador – Todos esses problemas começaram depois que o Rei do Pântano enlouqueceu durante o Festival da Colheita. Isso foi um aviso dos deuses, um aviso de que os estamos desafiando e que eles não estão gostando nada disso.
— Exato. Estamos sofrendo ataques em uma base quase semanal, os peixes nos riachos estão morrendo e estamos tendo que correr com a colheita porque os alimentos deixados por tempo demais no solo acabam se envenenando! – Alanis, uma dos trabalhadores da lavoura se manifestou – Isso é um castigo que a Mãe Natureza está nos impondo por irmos contra seus princípios! E é você quem está rogando essa praga para cima de nós!
As exclamações revoltadas de Sunny foram abafadas por uma onda de insultos e acusações vinda de todos os lados. O cerco se fechou mais envolta dele e de Pareh. Dawn ofegou, as mãos trêmulas.
— Quando você e a Princesa Dawn eram apenas amigos, era uma coisa. Mas um casal? Isso não poderia ter acontecido!
— Isso vai contra as leis da natureza, bem como as leis sociais. Fadas e elfos, princesas e plebeus, dois seres diferentes não foram feitos para se misturarem.
— Nós não somos o primeiro casal composto por uma fada e um elfo! – Sunny os lembrou, sua pele escura empalidecendo ao se ver ainda mais encurralado.
— Mas são o primeiro com um dos componentes pertencendo à realeza! A Princesa Dawn deve se unir a alguém de sua casta social, uma fada nobre e que possa gerar possíveis herdeiros para o trono!
— Nós dois podemos ter filhos! – A informação foi recebida com mais uma onda de protestos. Sunny balançou os braços freneticamente e alteou a voz, quase gritando: — Não, me escutem! Estamos cansados e assustados, por isso não estamos conseguindo pensar racionalmente! Se me deixarem, eu irei agora mesmo até o palácio me oferecer ao rei Dagda para liderar uma busca. Vamos entrar na Floresta Sombria e, juntos, tentar descobrir o que realmente está causando esses problemas.
Por um segundo, a praça foi tomada por um silêncio estupefato. E em seguida, a multidão estourou num coro de gargalhadas incrédulas.
— Isso é sério! – Sunny gritou, seu rosto, pescoço e orelhas enrubescendo furiosamente – Já se esqueceram de que fui quem entrou na Floresta Sombria para recuperar a Poção do Amor na primavera? Pareh inclusive me ajudou, não foi? – Ele virou-se para o amigo em busca de apoio. Pareh gaguejou uma resposta inaudível, claramente constrangido ante a reação dos conterrâneos. Breno pigarreou, pedindo calma antes de se voltar para Sunny com uma expressão que beirava a piedade.
— E você, Sunny? Já se esqueceu que foi você quem roubou a tal poção e causou toda aquela confusão, para começo de conversa? Não me leve a mal, mas você é a pessoa menos adequada para liderar uma expedição ou o que quer que seja.
— Ainda mais depois do que aconteceu com o Festival da Colheita, estando sob sua responsabilidade!
— E como se tudo isso não bastasse, você não pode proteger a Princesa Dawn quando ela precisou! Você também falhou nas suas obrigações de homem!
A expressão de Sunny era a de alguém que tinha sido atingido no estômago com um bastão. Ele deu dois passos para trás até trombar com Pareh, que precisou segurá-lo para que ele não caísse. Os olhos esbugalhados, ele encarava os conterrâneos com um misto de choque e culpa que partiu o coração de Dawn.
— Chega dessas bobagens de promover uma busca, caçar o problema real ou o que quer que seja. Certas coisas simplesmente não foram feitas para dar certo, como plebeus se relacionando com princesas, ou fadas com goblins. A Princesa Marianne parece já ter compreendido isso. Está na hora de a Princesa Dawn e você fazerem o mesmo.
— Breno, por favor-
— Eu disse que já chega! E é bom que você ouça bem o que vou lhe dizer. – Breno apontou o dedo para o rosto do rapaz, quase lhe cutucando o nariz – Ou você faz exatamente como decidimos ou o expulsamos do vilarejo. Fui claro?
— Não podem fazer isso!
Dawn nem percebera que seus pensamentos haviam se transformado em um grito. Como se fossem uma única entidade, todos os elfos se viraram e ergueram as cabeças para o alto, encarando com os queixos caídos a fada que mal parecia ter forças para se sustentar no ar, trêmula como vara-verde e lutando contra uma torrente traiçoeira de lágrimas. Naquele momento, com os dentes trincados e os olhos chamejando em cólera, ela se parecia mais do que nunca com a irmã mais velha. Talvez tenha sido por isso que os elfos tenham decidido que o melhor curso de ação era não enfrentá-la.
— Bem, Sunny, você sabe o que é preciso ser feito. – Breno decretou num tom ameaçador. O rapaz não respondeu, tendo a aparição repentina de Dawn quase o colocado numa espécie de transe. A multidão imediatamente se dispersou, resmungando e lançando olhares aborrecidos para Sunny e preocupados para a princesa que pousava no chão ao seu lado, as pernas bambas quase cedendo. Ela imediatamente agarrou as mãos do namorado que ainda se encontrava num estado de estupor.
— Sunny, o que está acontecendo aqui? Que história é essa de aviso dos deuses, castigo da Mãe Natureza e praga? Por que eles não querem que eu volte a aparecer por aqui? – Ela o sacudiu quando ele não respondeu – Sunny, diga alguma coisa!
Sunny abriu a boca. Fechou-a. Abriu-a novamente. Tudo sem produzir um único som. Pareh decidiu então que aquela era a hora de tomar a dianteira, tanto por pena do amigo quanto pelo senso de dever para com sua princesa.
— Não se ofenda, Alteza... – Ele pediu baixinho, torcendo as mãos nervosamente – É só que estão todos exaustos e assustadíssimos com tudo o que tem acontecido. Esses ataques, os peixes e outros animais morrendo, a colheita tendo que ser adiantada para que os alimentos não se contaminem... Isso nunca aconteceu antes. Ninguém consegue encontrar uma explicação decente, então...
— Então inventaram uma história ridícula sobre um castigo divino? E que os culpados são não apenas nós dois, mas também Marianne e Bog?! – Dawn quase guinchou, ao que Pareh se encolheu. Ela imediatamente se voltou para o elfo menor, os olhos muito azuis soltando faíscas – Nós não podemos deixar que isso continue! É um preconceito e uma mentira deslavada que só serve para incriminar ainda mais ao Bog e a você!
— Eles não fazem por mal, Alteza. A situação está ficando a cada dia pior e estão todos desesperados por uma solução. – Pareh murmurou – Depois da maneira como o Rei do Pântano se portou no festival e com a história de que esse problema todo começou na Floresta Sombria se espalhando, todo mundo imediatamente o apontou como culpado. Apontaram todos os goblins como culpados, na verdade.
— Não é justo! Eles também estão passando fome, também estão sofrendo! – Ela começou a andar de um lado para o outro, agitada demais para se manter num só lugar – Nós deveríamos estar ajudando uns aos outros, não apontando culpados e apelando para superstições sem fundamento! A sua sugestão foi ótima, inclusive, deveríamos estar agora mesmo marchando para a Floresta Sombria para falar com o Bog, oferecer nossa assistência, e eu deveria atirar alguma coisa na cabeça dele por não ter aparecido por todas essas semanas, por ter deixado Marianne sozinha, ou melhor, eu deveria deixar que ela atirasse alguma coisa na cabeça dele-
— Dawn...
Absorvida como estava em sua tagarelice, Dawn demorara a perceber que Sunny a chamava. Ele arrastava os pés na terra batida e encarava o chão, decidido a não olhá-la nos olhos.
— É melhor... É melhor esquecermos isso... Foi uma ideia idiota...
— Não foi não! – Ela protestou indignada – Foi ótima, Sunny, tudo o que precisamos é reunir os voluntários certos, enviar uma mensagem para que os goblins saibam que estamos a caminho e-
— Ninguém vai querer se voluntariar, Dawn, todo mundo está acreditando nessa história de praga e castigo divino. Você ouviu o que eles disseram, depois de tudo o que aconteceu ninguém confia em mim para coordenar uma expedição ou o que quer que seja. E... Eles estão certos. Eu falhei. Falhei com todo mundo, principalmente com você.
O queixo de Dawn caiu. Aquilo era absolutamente surreal. Em que momento o Sunny alegre, otimista e sempre disposto a animar o dia de todos ao seu redor, o seu Sunny, abrira espaço para a entrada daquela criatura macambúzia, deprimida e completamente propensa a desistir sem nem ao menos tentar lutar? Não deveria ser assim! Era ele quem sempre a animava, a fazia rir, a fazia se sentir melhor mesmo nos piores dias possíveis! Era como se seu sol particular tivesse se escondido permanentemente atrás de enormes nuvens de chuva.
— Sunny... – Ela chamou em um tom baixo e estrangulado, querendo ao menos tentar fazer aparecer um raiozinho de sol que fosse entre o céu tempestuoso, mas os olhos de Sunny, geralmente brilhantes, quentes e doces como chocolate derretido, estavam agora opacos e sem vida.
— Dawn... Talvez seja melhor que você não apareça mais por aqui. Para o seu próprio bem. Não quero que você tenha que pagar por meus erros. E eu não valho à pena o risco.
— Sou eu quem decide isso-
— E os ataques estão ficando mais frequentes também. Você precisa de uma escolta, guerreiros fortes e confiáveis que não vão falhar em cuidar de você, em te proteger. Não como eu falhei.
— Pare de falar assim!
— É apenas a verdade, amor. Agora eu quero... Eu preciso ir para casa. Quer... – Ele pausou de repente, parecendo incerto. Engoliu em seco, finalmente voltando-se para olhá-la – Quer que eu te acompanhe até a entrada do palácio?
— Não! Eu sei o caminho muito bem! – Ela quase gritou, batendo o pé no chão antes de abrir as asas e disparar para o ar. Ela não se lembrava quando fora a última vez em que ficara frustrada e zangada com Sunny o suficiente para partir daquela maneira, sem despedidas, sem abraços, beijos e promessas do que os aguardava no dia seguinte. Até porque, naquele momento, não parecia que haveria um dia seguinte.
Ela só conseguiu plainar até estar fora das dependências do vilarejo dos elfos, pousando atabalhoada assim que se viu fora das vistas de possíveis curiosos. Seu estado emocional estava dificultando consideravelmente sua capacidade de vôo, e ela preferia chegar tarde ao palácio por estar caminhando a sofrer um acidente em pleno ar. Ponde-se em marcha lenta, Dawn deixou que as lágrimas que vinha segurando durante todo aquele tempo finalmente rolassem livres por seu rosto. Não conseguia entender o que estava acontecendo com Sunny e o que o estava tornando tão frio e distante consigo. A relação deles sempre tinha sido muito aberta e transparente, tanto na época quando ainda eram só melhores amigos quanto agora, quando também eram um casal. Conversavam sobre absolutamente tudo e sempre podiam confiar seus desejos e segredos mais íntimos um para o outro, sem reservas. O que é que havia mudado no espaço ínfimo de três semanas? Por que Sunny estava deixando que preconceitos ridículos e superstições sem embasamento o afetassem daquela maneira?
O pior de tudo era que ela não havia sido capaz de ajudá-lo quando ele precisou. Supunha que essas eram as consequências de se escorar por muito tempo num ombro amigo e não se fortalecer o bastante para oferecer o mesmo apoio. Havia se habituado a sempre receber, raramente oferecendo. Talvez ela também tivesse uma parcela de culpa naquilo tudo. Soluçou, colocando uma mão sobre a boca. Se ele falhara com ela, ela também falhara com ele. Sunny, seu Sunny, a quem ela conhecia desde antes de suas asas serem fortes o bastante para erguerem-na do solo, seu amigo mais querido e o homem com quem ela ficaria feliz de passar o resto de seus dias, mas que agora parecia tão inalcançável...
Um movimento em sua visão periférica a fez estancar, seu sangue gelando nas veias ante a possibilidade de um ataque justo no momento em que ela não estava capacitada para voar. Virando a cabeça lentamente, ela deparou-se com uma criatura que lembrava um camundongo albino saltando da folhagem, a cauda comprida e fina erguida no ar e as longas orelhas em pé em um sinal de alerta. Ela virou-se de um salto ao notar a presença de Dawn, os olhinhos negros encarando-a com desconfiança. Ela simplesmente o encarou, fungando, virando a cabeça um pouco de lado.
— Está perdido? – Ela perguntou se sentindo mais tranquila, ou tão tranquila quanto alguém com os olhos vermelhos e ranho escorrendo pelo nariz poderia aparentar – É perigoso andar em campo aberto assim. Você pode ser atacado.
O focinho da criatura remexeu-se como o de um coelho. Ela olhou para os lados em súbito desconforto.
— De onde você saiu? Precisa de alguma ajuda? – Dawn ofereceu o mais gentilmente que pode, estendendo uma mão. A criatura pulou para fora de seu alcance, sobressaltando a princesa, e correu a toda velocidade em direção à mata. Oh, então ela havia saído da Floresta Sombria. Procurando pelo alimento que já não era mais capaz de encontrar em seu próprio habitat, provavelmente.
Dawn sacudiu a cabeça para dispersar mais aquele pensamento depressivo. Ela teria que conversar bem seriamente com Marianne se quisesse que os problemas com Bog fossem definitivamente resolvidos. Só assim poderia se concentrar devidamente nos seus. Fungou uma última vez e retomou seu caminho, sem perceber que a criatura de minutos antes continuava a observá-la atentamente em meio à folhagem que circundava a fronteira.
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