Garotos

27 Capítulo 22 . O Garoto com Saúde Frágil


Notas iniciais
YOYOYOYO Então, eu sei que demorei um pouco, por isso eu me desculpo. Espero seriamente que gostem desse capítulo, então :3
GUYS esse capítulo faz menção a um ship de um filme de que eu gosto muito *-* Será que vocês sabem qual é? *---* Kufufufu, podem deixar suas sugestões no comentário!
Ah, e digam que não é minha imaginação! Quando um personagem fala: "Na toca de trocas, tem que ter dois pares de olhos, um na frente e outro atrás" e o outro diz: "Talvez eu possa ser o outro par de olhos" e ele responde: "É, talvez você possa", eles são shippáveis, né? Eternamente shippáveis, né? *----* //socorro. Por que Wyrmeweald faz isso comigo? DDD:
Então, boa leitura!
Tema: Romance com o enfermeiro.

Jamie estava deitado mais uma vez na maca da enfermaria do segundo ano. Era uma rotina já para o garoto passar a maior parte de suas horas naquela sala completamente branca. No mínimo duas horas, já contara uma vez, era sempre quanto tempo, pelo menos, passava naquele lugar. Mas não reclamava tanto nos últimos dias, e o mínimo aumentava a cada semana.

Ele estava encantado pelo enfermeiro.

O cabelo alourado, claríssimo, quase branco, caindo em ondas ao lado de seu rosto até os ombros, os olhos brilhantes e azulados, escondidos atrás das lentes dos óculos de hastes prateadas e delicadas, a pele clara, macia, perfeita, à mostra nas mãos e no rosto, tudo chamava a atenção de Jamie ao homem. Desde o primeiro dia, o menino sussurrava para si mesmo: “ele é lindo, parece um anjo” e sonhava à noite com ele. Nada impróprio, porém. Eram sonhos lindos e puros, como o próprio coração do garoto, o qual era tão imaculado quanto ele.

Naquele dia, fingia uma tosse mais forte. Não entendam mal: ele foi à enfermaria porque estava com pressão baixa. Mas, naquele momento, em que estava melhor deste problema, fingiu ter outro para não ter que ir embora.

O enfermeiro chamava-se Jack e estava sentado à sua mesa, mexendo no computador. Ele dera um remédio a Jamie e esperava que este, quando se sentisse melhor, agradecesse e fosse embora. Mas ouvir a tosse constante e forte dele o preocupou. Então, levantou-se de sua cadeira e abriu a cortina que separava o leito do resto da enfermaria.

- Jamie, está tudo bem?

“Jamie, está tudo bem?” As palavras ecoaram pela cabeça de Jamie, rodopiando em seu cérebro, atingindo seu coração apaixonado. Jack era tão lindo, com seu cabelo claríssimo, seus olhos azuis, suas bochechas eternamente avermelhadas. Jamie teve que tentar acalmar seu coração com todas as suas forças para conseguir proferir uma frase decente a Jack.

- Está tudo bem, Jack – admitiu. Então, percebeu que deveria ter dito a ele que não se sentia bem para ficar mais tempo. – Na verdade, minha garganta está incomodando um pouco.

- Oh, isso é terrível!

Jack voltou para sua mesa, pegou uma das pequenas caixas brancas, tirou um comprimido de dentro e entregou-o a Jamie. Era um anti-inflamatório. O garoto empurrou-o garganta abaixo, esperando que tomar um remédio sem estar doente não lhe desse mais problemas que já tinha. Jack sorriu.

- Espero que possa melhorar agora, Jamie – disse.

Um barulho no computador chamou a atenção de Jack, que se voltou para sua mesa, deixando Jamie sozinho na cama. Ele ouviu o enfermeiro digitar alguma coisa e, então, a cortina abriu-se mais uma vez.

- Desculpe, Jamie, eu tenho que ir à sala do diretor – ele disse. – Pode ficar descansando aqui quanto tempo quiser e, se sentir qualquer coisa, me espere. Não vou demorar muito.

O enfermeiro saiu então, deixando a porta bater atrás dele.

Jamie estava sozinho pela primeira vez na enfermaria. Aquilo encheu seu peito de nervosismo por algum motivo. Ele sentou-se sobre o colchão e mirou a cortina branca, mas ainda com certa transparência. Jack sentava-se ali todos os dias e digitava naquele computador, ou ficava próximo à estante e checava os remédios com atenção, ou simplesmente apoiava-se no batente da janela e observava o pátio do lado de fora. Jamie sabia porque ele sempre estava ali, naquela cama, vendo seu enfermeiro passar o dia.

Quando era mais novo, odiava sua saúde. Ela o impedia de brincar com as crianças, de praticar algum esporte, de sair na neve, de viver com uma criança vive. Odiava aquele corpo frágil com todas as suas forças. Quando foi que ele mudou?

Talvez quando entrou na enfermaria do segundo ano e pousou seus olhos sobre a figura esbelta de Jack, sentado na batente da janela. Talvez quando o enfermeiro sorriu-lhe pela primeira vez com suas pérolas brancas. Talvez que ele perguntou pela primeira vez o que ele tinha. Talvez quando ele se preocupou legitimamente consigo.

Talvez quando ele se apaixonou pelo enfermeiro.

Era aquele jeito de Jack ser. Aquela preocupação legítima que tinha com seus alunos, aquele olhar gentil que mostrava a eles, aquele amor com que tratava de suas crianças.

Jack amava seu emprego e, principalmente, amava cada um daqueles garotos que vinham pedir seus cuidados. Todos eles eram como filhos ou irmãos mais novos para Jack, os quais precisavam de sua ajuda, de seus cuidados.

Sim, eram como membros da família. Jamie era exatamente assim, uma criança, um filho, um irmão mais novo. Nunca seria mais do que isso para Jack. Nunca teria o amor sincero deste.

Suspirou. Aqueles pensamentos estavam deixando-o cada vez mais triste. Era a verdade, e ela, de fato, doía. Seu coração estava apertado, temeroso de que nunca seria correspondido e viveria toda sua vida colegial, sofrendo de um amor impossível. Uma típica crise de adolescentes.

Levantou-se da cama. O jaleco de Jack estava sobre a cadeira. Ele o havia deixado para ir à sala do diretor. Devia ser alguma força maior ou o subconsciente de Jamie, mas, de alguma forma, o garoto agarrou o tecido e pôs contra o nariz, aspirando o cheiro doce do alvo de sua paixão.

Era excitante, estonteante, entorpecente.

Jamie ofegou, sentindo seu corpo reagir ao cheiro. Era deliciosamente tentador estar sentindo o odor natural do enfermeiro. O corpo tornava-se quente, necessitado. Então, desistiu da ideia de ir embora e voltou para o leito.

O enfermeiro não estava ali; estava muito longe, na sala do diretor. Não precisava de muito tempo. E, se tivesse sorte, não seria pego. Era um adolescente, por que não arriscar?

Deixou que o cheiro o embriagasse e levou sua mão à sua calça. Ele conseguia sentir sua excitação, um volume debaixo do tecido. Abriu o zíper lentamente, seu coração acelerado. Sua mão estava ligeiramente fria, devido à brisa gelada que adentrava a sala da enfermaria, e fez um arrepio gostoso subir-lhe a espinha assim que ela tocou em seu membro desperto.

Jamie gemeu abafado. Seu corpo contraiu-se ligeiramente, quando ele começou a movimentar sua mão para cima e para baixo, ao mesmo tempo em que o cheiro de Jack invadia-lhe o corpo intensamente. Era tão bom! Tão deliciosamente bom! Jamie estava perdido em todas as sensações indescritíveis que lhe invadiam o corpo.

Estava, de fato, apaixonado. Era impossível retirar o enfermeiro de sua cabeça enquanto se tocava. Sentia mais prazer dessa forma. Seu corpo reagia à imagem que se formava em sua mente. Nela, Jack gemia prazerosamente seu nome enquanto masturbava-o, penetrava-o, fazia amor com ele.

Demasiadamente bom.

Jamie gemeu mais longamente, sentindo suas pernas estremecerem, seu corpo tremer.

- Aaah... Jack-aah! – então, gozou, sujando sua mão de sêmen.

O garoto jogou seu braço sobre o colchão, ofegando, o peito a subir e descer rapidamente. Fora demasiadamente bom aquele momento. O prazer do orgasmo ainda fazia efeitos em seu corpo.

Até que ele viu a cortina se mexer.

- Jamie? – Jack chamou-o, os olhos arregalados.

O garoto ajeitou-se na cama, mirando o enfermeiro com uma expressão de assombro em seu rosto. Ele fora visto? O alvo de sua paixão vira-o em naquele momento tão constrangedor? Jamie sentiu seu rosto queimar naquela possibilidade.

- Jamie, me desculpe... Eu não sabia que você... – Jack começou, mas não pôde terminar, pois o garoto fechou a calça, jogou o lençol que o cobria no chão e saiu em disparada da enfermaria, sentindo as lágrimas queimar seus olhos.

Como fora estúpido! Por que fizera aquilo na sala dele? Era óbvio que seria descoberto, não importava a sorte que tinha. O que fizera fora idiota, burro e provavelmente a pior ideia que já tivera. Não imaginava que sua mente poderia chegar a tamanha burrice.

Ele corria pelos corredores desesperadamente. Ignorava as aulas que aconteciam nas aulas, os professores que o mandavam parar de correr. Estava envergonhado, com raiva, triste. O homem de que gostava o havia visto em um momento constrangedor, impuro, maculado. Queria tanto manter a imagem que Jack tinha de si e, no final, destruíra-la por besteira.

Culpava-se profundamente pela ação suja que fizera na sala do enfermeiro, com o jaleco que ele vestia. Ainda ficara tão ocupado com o ato impuro que não ouvira Jack entrar na sala! Era terrível. Temia que o homem houvesse ouvido seus gemidos maculados. Devia estar enojado. Afinal, Jamie parecera um pervertido, cheirando sua roupa e se masturbando enquanto o fazia.

Nojento. Maculado. Sujo. Horrível.

Ele abriu a porta de entrada com força e correu pelo pátio do prédio. As lágrimas já caíam de seus olhos em desespero, sua boca deixava soluços insistentes escaparem. Merecia tudo aquilo, toda aquela dor, porque agira de maneira errada com Jack. Devia ter tido, pelo menos, a decência de ir ao banheiro para se tocar. Por que, em sã consciência, fizera aquilo na sala dele?

Jamie acabou por desabar em um banco de pedra. Seu corpo tremia fortemente por causa do choro e do frio. A época fria da ilha onde ficava a Academia Saint John aproximava-se, e Jamie, logo, sucumbiria aos tempos difíceis em que mal ia para as aulas e recebia reforço no dormitório.

Mas não importava o frio que fazia. Na verdade, queria que aquele frio o tornasse dormente. Queria esquecer a dor, a vergonha e tudo o que sentia naquele dia. Levantou o rosto, abriu os braços, deixou que o vento gelado tocasse-lhe a pele. Espirrou, tossiu, sentiu sua cabeça rodar. Sentiu seu corpo ficar ligeiramente fraco. Por quanto estivera ali? Havia, por acaso, perdido a noção de tempo?

Lentamente, sentiu os olhos fecharem e caiu sobre o banco, o rosto batendo contra a pedra.

Deixe-me dormir em suas mãos, até meu coração se acalmar e eu não sentir mais dor.

Ele sentia um calor sobre sua mão fria. Era gostoso e aconchegante. Remexeu-se na superfície macia até abrir os olhos e encontrar fios de cabelo quase branco. Então, tudo veio à sua mente em um turbilhão de pensamentos. Ele se masturbara na enfermaria, com o jaleco de Jack, depois correra e desmaiara no banco.

Sentou-se na cama abruptamente, percebendo que estava na enfermaria. Jack, ao seu lado, remexeu-se e apertou a mão de Jamie com força. Seria possível que o enfermeiro ficara ali o tempo inteiro com ele? Enrubesceu àquele pensamento.

Jack coçou os olhos com a mão livre, não deixando a mão de Jamie soltar-se da sua um instante qualquer. Quando os orbes azuis encontraram o rosto do garoto, sorriu belissimamente.

- Jamie, você acordou! – ele exclamou, soltando a mão do menino e jogando-se em seu pescoço para apertá-lo contra seu corpo. – Que bom! Eu estava tão preocupado!

- Jack... – Jamie murmurou, sem saber o que falar.

- O que pensa que estava fazendo lá fora? Sabe que não pode sair nesse frio! Sua saúde é frágil e, nessa época, você deve ficar no dormitório e descansar!

- Desculpe, eu... – mas interrompeu-se. Primeiro, soltou-se do abraço do homem a ajeitou-se na cama, mirando o enfermeiro nos olhos. – Eu quero me desculpar primeiro, Jack. Não acredito no que fiz! Eu... Não sei o que estava pensando. Era como se algo mais forte ou meu subconsciente tivesse me controlado! Desculpe... Eu... Posso pedir ao diretor que outra pessoa cuide de mim já que você deve estar enojado com meus sentimentos e com o que eu fiz...

Jack mostrou uma expressão emburrava ao garoto. Então, puxou-o de volta para um abraço.

- Não acredito que está dizendo isso – sussurrou. – Fico feliz em saber de seus sentimentos por mim, apesar de você não os ter dito claramente – afastou-se ligeiramente, o suficiente para ver seus olhos. – Se eu sussurrar que gosto de você, você fará o mesmo?

O coração de Jamie falhou uma batida, sem acreditar no que ouvia.

- Eu o faria mesmo se você não o fizesse – admitiu, com um sorriso. – Eu gosto de você, Jack.

- Eu também, Jamie – ele sorriu. – Agora, prometa que não sairá mais no frio.

- Claro – o garoto sorriu da expressão de raiva que se formou no rosto do homem.

Os dois corações batiam forte quando eles se aproximaram e beijaram-se pela primeira vez. Era algo muito melhor do que Jamie poderia imaginar e tinha certeza de que, na cama, seria melhor ainda. Mas era inverno, e ele não poderia confirmar naquela época. Uma pena, muita pena. Contudo, ainda estava feliz porque era inverno. Nunca pensara que diria isso.

Jamie estava feliz no inverno!

Porque seu enfermeiro, seu namorado, seu amante, seu Jack cuidaria dele o dia inteiro porque estava frio lá fora, porque seu corpo era frágil, porque era inverno, porque Jack Frost criava cristais na janela de seu quarto.

Notas finais
Então, o que acharam?
Espero que tenham gostado!
Para quem não souber, Jack Frost é o espírito do gelo que traz neve para as crianças e cria cristais de gelo na janela. Acho que ele odeia o Brasil, só pode e-e
O próximo vai ser um pedido que eu recebi há MUITO TEMPO, mas nunca fiz! Mil desculpas, mas eu queria pegar mais experiência para fazer! //WAT?
Então, acho que era isso! Até a próxima!
Takoyaki.
Próximo: O Garoto com Olhar Vermelho