Garoto Misterioso
5 Babacas e passeios
Notas iniciais
Entro na sala enquanto o professor está dando aula. Não peço licença nem desculpa. Todos ficam em silêncio com minha presença. Vou até Grace e puxo-a para fora da carteira.
– O que você está fazendo? – Ela fala baixinho.
– Faço a mesma pergunta. – O professor levanta a voz.
– Faz o seu trabalho e não me perturbe. – Quando falo essa simples frase à sala toda cai em gargalhada. Quando estamos fora da sala encaro Grace. Ela está furiosa.
– Por que fez isso? – Ela pergunta.
– Por que sim. Não quero ficar de mal com você.
– Eu também não, mas parece de você nem sabe mais que eu existo. Só vive andando com Nick. – Uma pontada de ciúmes em sua voz. Ela já não está mais furiosa. – Espera um pouco... Você não tinha que estar na sua aula?
– Bom, tenho muita coisa para te contar.
– Tenho muita coisa para ouvir. – Nós sorrimos.
x.x.x
– Ah como vocês duas são fofas. – Nick fala na mesa do refeitório. Jogo uma batata nele.
– Não enche.
– Grace, cadê Thomas? – Nick pergunta. Antes de ela responder ele aparece.
– Cheguei. – Ele fala se sentando ao lado da namorada.
– Estão sabendo da novidade? – Nick fala.
– O garoto misterioso da Aimee? – Grace fala.
– Exatamente. – Ele sorri para ela.
– Garoto misterioso? Meu Deus. Só porque não sabemos de onde ele vem que ele é misterioso. – Digo revirando os olhos.
– Quem é o felizardo? – Thomas pergunta curioso para mim.
– Um cara novo do meu prédio.
– Ele estuda aqui. Primeiro dia dele foi hoje. – Grace diz animada.
– Falando dele... – Nick resmunga.
Max entra no refeitório, ele olha tudo e logo me encara. Estamos em uma boa distância e mesmo assim eu coro. Ele está sério. Observo as mesas ao redor dele. Todas as meninas estão de olho nele.
– Ih Aimee, é melhor você correr antes daquelas galinhas ali. – Nick sussurra.
– Vai se fuder Nick.
Saio da mesa furiosa e ando para fora do refeitório. Passo por Max sem olhar para ele. Apresso meus passos no corredor e pego o cigarro na minha bolsa. Chego ao campos e sento em um dos bancos. Não passa nem dois minutos e Nick chega se sentando ao meu lado.
– Ei gata. Desculpa por ter falado aquilo. – Ele assume ter pisado na bola. Pelo menos isso.
– Está desculpado. – Falei.
– Quando estava vindo Max me perguntou por que você saiu com raiva do refeitório.
– O que você falou? – Dei uma tragada intensa. Nick pega o cigarro da minha boca e fuma. – Você é a segunda pessoa que fez isso só hoje.
– Falei que era para ele te encontrar dentro de 5 minutos.
– O QUE VOCÊ DISSE? – Olho para Nick para ver se é brincadeira. Ele está sério. Minhas mãos gelam.
– Ele já está vindo. Boa sorte. – Ele me devolve o cigarro e sai.
– Droga. – Resmungo.
Levanto e jogo o cigarro fora. Estou em pé perto de uma das árvores do campos quando sinto alguém ao lado.
– Oi. – Ele fala. Dessa vez ele está com um cigarro.
– Oi. – Digo com a voz firme.
– Dia difícil? – Ele pergunta.
– Não. Amigos babacas. – Falo.
– Está se referindo ao Nick?
– Ele mesmo.
– É um cara legal.
– Às vezes. Tem hora que ele age como o maior babaca do mundo. – Digo.
– Era por isso que estava brava?
– Não estava brava.
– Estava sim. E ainda está.
– Estou normal. Do jeito que eu deveria estar. – Coloco minhas mãos no bolso de trás da calça jeans.
– Posso fazer uma pergunta?
– Claro.
– Você gostaria de sair?
– Você já me perguntou isso. – Eu olho para ele.
– Sair agora. – Ele da um sorriso torto.
– Por que não... Já acabaram suas aulas? – Pergunto com um olhar malicioso.
– Foda-se as aulas.
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A moto de Max estava no estacionamento da escola. Ele me entregou o capacete e me ajudou a subir na moto. Antes de sairmos ele pegou minhas mãos e colocou na sua cintura, ele se virou para mim com seu olhar sedutor de sempre.
– Quantas vezes vou ter que fazer isso?
– Até eu me acostumar. – Digo com um ar desafiador.
– Se segura. – Ele avisa.
Ele arranca a máquina de matar do estacionamento e corre na pista. Depois de 30 minutos chegamos a um lugar parecido com uma trilha.
– Acho que esqueci a roupa de trilha e o repelente. – Falo ainda sentada na moto.
– Para de ser medrosa. – Ele agarra minha cintura para me descer. Esse movimento me pega de surpresa e suas mãos alcançam uma parte nua da minha barriga. Seu toque me arrepia e sou obrigada a fechar os olhos para absorver. Nós estamos cara a cara e respirando o mesmo ar. Seus olhos cinza penetram meus olhos caramelo. Um barulho nos faz recuar e olhamos ao mesmo tempo para a mata.
– Não vou entrar nisso. — digo com os olhos na mata.
– Eu venho aqui muitas vezes para refletir. É calmo e tranquilo. Acho que está precisando disso. — ele vai na frente e entra na mata. Vou atrás dele, até por que não vou ficar ali sozinha.
O sol bate nos cabelos de Max e eles brilham. O observo caminhando e meu coração acelera. Ele olha para trás e percebe que estou o encarando, ele sorri.
– O que está pensando? — ele se vira para frente novamente.
– Em como meus amigos estão certos. — estou alguns passos atrás dele.
– Sobre o que?
– Sobre como você é misterioso. — ele para e olha para mim. Se aproxima.
– Não sou misterioso. Só sou privado.
– Você disse que nós íamos nos conhecer. Por que não fala sobre você. — pergunto tentando descobrir mais sobre ele.
– Acho que podemos deixar isso para nosso encontro de mais tarde. — ele fala. O sol bate no meu rosto e Max gruda seus olhos nos meus.
– Não sabia que era um encontro. — falo dando um risinho irônico.
– Vem, ja estamos chegando. — ele oferece a mão. Eu aceito e continuamos seguindo a trilha tão misteriosa quanto o cara que estou segurando a mão.
Quando chegamos no tal lugar para refletir, ficamos conversando sobre várias coisas que acabavam com gargalhadas que faziam eco naquela floresta. Max era um cara diferente, interessante até demais, misterioso até demais.
Na volta andamos lado a lado num silêncio total. Os dois refletindo.
– Eu vou descobrir esse seu mistério Max. — Afirmo.
– Será Aimee? — Ele duvida de mim.
– Tenho certeza.
Chegamos na máquina de matar e me segurei com toda a força nele. Era isso que ele queria afinal.
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Quando eu cheguei com Max no nosso prédio Nick estava sentado na escadinha do estacionamento, provavelmente me esperando. Me despedi de Max.
– Até daqui a pouco? — Ele pergunta com um sorriso torto.
– Até daqui a pouco. — Confirmo e dou um beijo na bochecha dele. Ele sorri e me encara confiante com seu olhar sedutor. Ele segue para a entrada do prédio e eu para onde Nick estava sentado.
– Pode me agradecer. — Ele fala.
– Ainda estou puta com você. — Falo sentando ao lado dele.
– Esquece isso. Como foi? Estou horas te esperando.
– Eu sei. Nossa conversa foi boa. — Digo simplesmente.
– Deixou de ser misterioso?
– Disse que vai falar mais no nosso "encontro". — digo sorrindo.
– Ele falou "encontro"? Jura? Ah Mee ele está interessado. — Nick bate palma. — Eu já sabia ne. Até por que eu que arranjei isso.
– Para de se achar. Cadê Grace?
– Está no seu apartamento. Ela quer muito conversar com você. Eu estou atrasado. — ele se levanta.
– Atrasado para que?
– Não é só você que tem encontros.
Ele saiu desfilando do estacionamento.
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