Garoto Misterioso
6 Encontro #1
Notas iniciais
Abro a porta do meu apartamento e encontro Grace sentada no sofá vendo Tv.
– Até que fim você chegou.
– Eu estava com...
– Max. Eu sei. – Ela sorri. – Também estou sabendo que vai ter um encontro.
– Nick te contou né?
– Sim, gostaria de ter ouvido por você, mas... Vou parar de ser chata. Você precisa se arrumar. O que vai vestir?
– Surpresa! – Digo indo para meu quarto.
– Ah Aimee, como assim? Você não vai me contar?
– Não. – Digo rindo.
Algum celular toca.
– É o seu? – Pergunto.
– É o Thomas! – Ela atende. – Oi amor.
– Ai que nojo. – Resmungo e entro no banheiro.
Ligo a torneira da banheira. Fecho a janela e caminho para o espelho. Prendo meu cabelo em um coque e tiro a roupa. Entro na banheira e fecho os olhos.
– AMIGA! ESTOU DE SAÍDA!
– OKAY. TCHAU! – Grito para Grace.
– BOA SORTE! TCHAU! – a porta se abre e fecha.
Volto a relaxar. Depois de alguns minutos de banho, sinto uma onda fria. Olho para janela que está aberta. Lembro-me de ter fechado. Fecho a janela. Ainda confusa, fechos os olhos. A onda fria foi substituída por uma onda de calor. A água está morna. Começo a suar. Ligo a torneira de água fria, e a água sai morna. Muito estranho. Decido sair da banheira. Enxugo-me e vou para o quarto. Ligo o ar condicionado. Abro o guarda-roupa e procuro meu vestido e o par de sapatos que vou usar.
Visto a roupa e me olho no espelho. Meu vestido é preto e rodado, as costas são abertas e ele caiu super bem em mim. Coloco os brincos que ganhei de Grace que super combinam com o visual. Faço um coque bagunçado e perfeito que Nick me ensinou. Passo a maquiagem e finalmente estou pronta. Desligo o ar condicionado do quarto e caminho até o banheiro procurando meu salto alto. Pensei que tinha deixado no quarto. Vou até a cozinha e o encontro em cima do balcão. Muito estranho. Os saltos são roxo matte e combinam com meu batom que é da mesma cor. Um onda de calor invade a cozinha, olho para as janelas da casa. Todas abertas.
A companhia toca.
Levo um susto, mas me recupero rápido. Vou até a sala e pego minha bolsa. Olho-me no espelho de novo e abro a porta. Max está com um buquê de flores e um sorriso de matar.
– Você está linda Aimee. – Ele me entrega o buquê. Coro.
– Obrigada. Entra, vou procurar um vaso para por as flores.
Abro a porta e ele entra. Vou até a cozinha e procuro um vaso. Coloco as flores. Uma onda de calor penetra dentro de mim. Agora não é nada bizarro, é porque estou com um homem maravilhoso sentado na minha sala.
– Belo apartamento. – Ele fala.
– Ah obrigada. Eu adoro esse lugar, comecei a morar aqui há pouco tempo, mas já amo.
– Sei como é.
– Bom, já estou pronta. Vamos?
– Vamos. – Ele fala e sorri para mim.
x.x.x
Quando entramos no elevador o clima ficou pesado. Por algum motivo desconhecido estávamos na mesma posição que na noite em que ele me ofereceu carona. Ele está encostado na parte com espelho, e eu estou virada para porta tentando demonstrar que estou firme, mas não estou. Eu não consigo respirar, e minha cabeça está doendo e estou me sentindo desconfortável com Max dentro desse elevador comigo.
– Tá tudo bem? – Ele pergunta. É claro que ele percebeu meu nervosismo.
– Aham. – É a única coisa que sou capaz de falar.
– Não é o que parece. – Ele fala. Viro-me para ele e vejo seus olhos semicerrados.
– Não gosto de elevadores.
– Não gosta do elevador ou da companhia? – Ele chega um pouco mais perto. Fico parada no mesmo lugar.
– Um pouco dos dois. – Eu confesso. Ele chega para trás de novo e se encosta-se ao espelho.
– Não gosta do que vê? – Ele diz escondendo um sorriso e entortando a cabeça. Ai merda.
– Gosto, gosto muito. – Falo imediatamente. Bom, acho que corei na hora que percebi. – Mas, estar em um local que eu não gosto com você, me sinto totalmente desconfortável.
Ele ri e gira a chave do elevador, fazendo o parar.
– Eu te deixo desconfortável? – Ele pergunta. Ai caralho.
– Um pouco. Você me intimida e tem ar misterioso. – Falo. Fico mais a vontade, porque preciso mostrar que não estou com medo. Por que eu sou assim. Não tenho medo de nada.
– Muitas pessoas falam isso. Não te culpo por não me conhecer.
– Ainda acho que se eu te conhecer um pouco melhor ainda vai ter coisa que você não vai dizer. – Digo tentando descobrir alguma coisa pela sua expressão. Ele não está mais rindo.
– Todos nós temos segredos.
– E sempre alguém descobre. – Digo de imediato. Ele dá um mini-sorriso.
– Você quer descobrir? – Ele pergunta.
– Com certeza. Adoro desvendar mistérios e o seu será um prazer. – Ele continua me encarando quando gira a chave do elevador. Uma onda de calor toma conta do ar, a mesma que estava no meu quarto. Franzo a testa e olho em volta do elevador. A onda passa e eu fico mais tranqüila.
Piso no saguão e respiro fundo.
– Se sentindo melhor? – Max pergunta.
– Bem melhor.
Ando ao lado de Max e nossas mãos se tocam. Levo um choque enorme quando percebo a sensação estranha do meu corpo. Max parece ter sentido o mesmo, mas ainda não mudou sua expressão. Olhando para frente ele pega minha mão e andamos até o estacionamento.
Procuro sua máquina de matar e não a encontro. Percebo que ele está me levando para um carro preto, belíssimo.
– Cadê a moto mortífera? – Pergunto quando paramos perto do carro.
– Moto mortífera? – Ele começa a rir. – Vou adicionar á lista de nomes para minha moto.
– Você tem uma lista? Quanta falta do que fazer. – Eu falo rindo.
– Acho que para essa noite a moto não ia servir.
Do que ele está falando? Para onde ele vai me levar?
– Para onde vamos? – Pergunto.
– É surpresa. – Ele fala com seus olhos brilhando.
x.x.x
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