Garotas de vidro
1 Broken Hearts
Notas iniciais
Prologo.
Como havia chegado a esse ponto? Tentara me matar por um cara. Por mais que eu o amasse. Eu estava demente. Não era droga de Julieta. Ele não era Romeu. Eu precisava de cuidar dos meus filhos. Eu tinha seis crianças pra cuidar e fazendo essa idiotice? Isso não tinha sentido. Não tinha porque. Fora uma atitude demente. Eu lhe dera milhões de oportunidades para fazer nosso casamento durar. Mas ele não quisera. Ele me deixara ir. Aos poucos ele me fizera me afastar. Com suas atitudes mesquinhas e desamorosas. Ele pouco se lixava para minha presença. Estavamos vivendo na mesma casa como dois estranhos. Eramos dois estranhos, que haviam se amado muito. Eu o amava com toda alma. Mas ele não demonstrava isso. Me perguntava onde eu havia errado. Em que momento eu deixara de ser a esposa ideal.
Me perguntava o que havia feito de errado. Era verdade, depois de tantas brigas e confusões. Tantas separações e choros. Eu sempre aceitara ele de volta. Nos eramos como agua e vinho. Não eramos misturáveis. Não poderia dar certo isso.
Eu imaginava... como seria se Romeu e Julieta estivessem vivos? Ela seria uma típica esposa americana, que faz cookies para as visitas. Estaria na faixa dos “enta”, usando se avental surrado e fazendo mil e um experimentos na cozinha. Enquanto Romeu seria um marido calvo, barrigudo, grosseiro e viciado em cerveja. Ficaria no sofá nos dias de domingo vendo jogos do campeonato. Ambos teriam doze filhos, todos eles casados. Esses filhos teriam filhos. Pirralhos pequenos para correr na casa dos avós e pedir que sua avó lhes contassem a sua aventura. A avó priorizaria o romance, e o avô a parte heroíca dele. Ambos estariam perto de um divorcio. Só não teriam feito por causa dos seus filhos, que iriam fazer um drama enlouquecedor para que ficassem juntos. Estariam mal se falando. Ela sendo a empregada do lar e ele o porco que fazia ela de escrava. A noite ele deitaria do seu lado da cama e desligaria sua lâmpada. Ela tentaria se aproximar dele e toca-lo, pois a tempos não se beijavam nem trocavam carinhos. Mas ele já estaria dormindo. Ela dormiria frustrada mais uma noite de coração partido. Pensando o que acontecera com o cara que ela conhecera. Aquele Romeu cheio de vida e amor para dar. Aquele que enfrentara sua família, pedira ela em casamento e enfrentara tudo por eles. Aquele que a amava de forma incondicional. Que havia dito a ela que enfrentaria o mundo por ela. Havia feito os mais lindos votos de amor. Aquele que dizia “Eu te amo demais” a cada vez que nascia um filho. Aquele que lhe dava flores todos os dias. Onde ele estaria?
É o que eu me perguntava. Onde ele estava? Porque ele me deixara ir embora? Já sem folego tentava lutar contra as ondas do mar que tentavam me carregar. Eu precisava sobreviver, apesar de ter levado um caldo enorme e estar sem forças. Precisava sobreviver. Meus filhos precisavam de mim. Era tudo o que tinha em mente. Sobreviver por meus anjos. Tentava manter os olhos abertos mas não conseguia. Lutava sem forças contra a maré. Até que apaguei.
Acordei tossindo agua, parecia que havia engolido muita agua. Meus olhos doíam mas conseguira abrir os mesmos. Quando o fiz encontrei a pessoa que cuidara de mim. Ela se parecia comigo, imensamente. A fitava sem voz e tentava entender nossa semelhança. Como ela poderá parecer-se tanto comigo? Por zeus! Ela era minha irmã? Seria isso possível?
Capítulo 1
Estava de volta a casa. Finalmente. Eu Bianca DanverAmbers Phoenix estava em casa. Após pegar a chave de dentro da bolsa, abrira o portão e entrara.
Olhava ao redor observando tudo. Como era diferente aquele lugar. Pelo menos do que me lembrava. Não espere... eu não lembrava. Não tinha ninguém ao redor, então poderia ser eu mesma. Spencer GreyAmbers. Ela conseguira, estava na casa alheia. Vivendo a vida alheia. Parecia um sonho estranho. Mas eu também precisava de socorro. Sair do caos da minha vida. Eu não queria me casar. Eu não amava aquele homem. Ele era digno de todo o amor do mundo. Mas não seria eu a pessoa certa pra isso. Eu tinha medo de casamentos. Isso me dava arrepios. Eu não fora feita para isso. Ele me amava de corpo e alma. Mas eu não. Eu era o tipo da adolescente sem juízo. Desde que perdera o único homem que eu amara, meu coração não existia mais. Eu namorava muitos caras. Todos me lembravam ele. Mas nenhum era ele. Ele era uma mistura de Romeu e Robin Wood. Ele era uma mistura perfeita do romântico mas errado. Politicamente incorreto. Todos diziam que eu não deveria me casar com ele. Mas eu casaria... se não fosse aquele dia. Ele morrera em meus braços. Sentia seu sangue escorrer em meu peito enquanto misturava-se com minhas lagrimas. Naquele dia eu pretendia contar do bebe. Estava gravida de dois meses. Íamos ser felizes e formar uma família. Nos casar e dar fim em tudo isso. Mas ele morrera. Junto dele morrera um mês depois morrera meu filho. E com ele eu morrera. Um pedaço de mim não existia mais. Eu era fria como gelo. Não tinha muitos “sentimentos”. Ninguém despertava nada em mim. Mal sabia porque a Bia conseguira me convencer. Agora estava no castelo Danver. Um verdadeiro castelo. Era herança de família. Ainda vagando em pensamentos não notara a pequena garotinha que vinha em minha direção. Ela devia ter no máximo nove anos. Cabelos loiros e olhos azuis como céu. Seus cabelos eram longos e batiam nas costas. Ela veio correndo até mim e largou seu ursinho no chão, ainda tinha jeito de sono. – Mamãe- ela dissera e abraçara minha perna. Meu coração cortara ao ver a cena. Não sabia o que fazer ou o que dizer. Logo depois uma mulher de no máximo trinta anos apareceu descendo as escadas. – Filha?- ela me chamara. Não sabia como. Mas sabia que fora comigo. Ela me fitava com olhos cheios de lágrimas e me envolvera em um abraço afetivo e cheio de amor. Ela lembrava muito a Bia. Era como sua cópia. Seu estilo era meio gótico, suas roupas pretas demonstravam seu gosto meio exótico. Sorrira fraco e olhara para ela.
-Olá- dissera eu sem voz ou cor. Estava completamente estática. Sem saber o que fazer.
Ela veio até mim e me abraçou afetivamente. Eu não sabia o que fazer. Ou o que dizer. Apenas a abracei desajeitada. Eu odiava abraços. Mas o fizera porque...nem eu mesma sabia. Eu so sabia que a abraçara. Não sabia de onde vinham essas emoções. Eu sentia algo familiar ao abraça-la. Algo que sentia apenas com minha mãe Ariana.
Eu sabia que era adotada, meus pais sempre foram sinceros comigo. Infelizmente eles foram outros que eu perdi. Parecia que eu era radioativa. Só conseguia trazer a desgraça a quem eu mais amava. Isso me machucava. Me cortava em pedaços. Eu queria tanto mas tanto... não ter conhecido eles. Eu fui a desgraça naquela família. Meu pai Gustavo Grey, era um homem bom. Ele amava minha mãe com todas as forças. Mas infelizmente ela era estéril. De forma que daí veio a ideia de adotar uma criança. Eles me acharam em um orfanato ainda pequena. Eu deveria ter uns três meses de vida quando eles me adotaram. Eles cuidaram de mim como uma verdadeira filha. Mas eu sempre fui teimosa e nunca deixei que mandassem em mim. Por isso... eu comecei o inferno que se tornou os últimos dias de vida deles. Eu era tão burra e idiota, e me deixara levar pelo meu primeiro namorado. Ele me seduzira e me levara para o caminho das drogas. Eu em menos de três meses era uma dependente química. Em outras palavras uma fracassada. Uma viciada. Uma idiota. Ele me fez começar a roubar meus próprios pais. Eu os roubava de forma secreta. Eles não sabiam. Usava isso para comprar minhas drogas e ser “feliz”. Mas mal sabia eu, que ele procurava apenas uma forma de fazer um grande assalto a minha família. Em uma noite que estávamos em mais um furto, ele me forçou a abrir o cofre secreto. Meu pai acordou pelo alarme e foi averiguar. Quando saiu... já era tarde demais, nem respirei e meu pai estava caído no chão. Morto. Imóvel. Eu chorava de forma inconsolável. Não sabia o que fazer ao ver papai sangrando. Depois ele foi embora e me deixou segurando o corpo sem vida do meu próprio pai. Horas depois minha mãe chegou em casa e viu a cena. Ela ficou desolada, e aos poucos foi morrendo. Morreu de tristeza. E a culpa era minha. Ela não vivia sem ele. Era um amor enorme e verdadeiro... que eu destruí.
Enquanto estava imersa em pensamentos nem notei que haviam chegado mais pessoas. Uma garota loira de olhos azuis, alta e bonita se aproximou com os olhos cheios de lágrimas, e me abraçou. – Bia? Oh Deus Bia... Senti tanta sua falta – ela falava enquanto chorava sem parar. Outras pessoas começaram a aparecer. Nem sabia de onde vinham. Mas elas vinham.
Mais três garotas apareceram. Uma era ruiva de olhos bem verdes com sardinhas no rosto. Ela parecia ter uns quinze anos. Outra loira de olhos azuis, e cabelos cacheados se aproximou e me abraçou. E por fim apareceu a ultima garota ela tinha cabelos castanhos, olhos castanhos esverdeados. Parecia ter quatorze anos. Uma carinha de inocência pairava sobre seu estilo meio gótico. Ela parecia ser uma doce garota que havia provado as piores coisas da vida.
Eu senti uma conexão estranha com ela. Não sabia explicar. Muito menos podia dizer o que era. Só sabia que a conhecia de algum lugar. Ela se aproximou de mim e deu um sorriso muito fraco. Coisa do tipo, que você só percebe se olhar muito atentamente. Ela ficou de longe me observando enquanto as outras me enchiam de perguntas. Pegara a pequenina no colo e ela estava dormindo em meus braços. Como eu nem sabia. A mulher mais velha estava longe observando tudo. Enquanto eu era morta por cada pergunta das garotas. Elas eram 3 garotas eufóricas. Eu não sabia nada sobre elas, a não ser os nomes. Antes de sair Bia, me fizera decorar os nomes das irmãs mais importantes. “Sophia, Isabelle, Bruna, Ketherine”. Ela dizia isso todos os dias. Até que enfim gravei os nomes. Mas eu ainda estava tonta e não sabia diferencia-las. As olhava e tentava descobrir o que faltava ali. Depois de um certo tempo elas se acalmaram e finalmente pararam a investigação. Eu contara a historia como Bia pedira.
Havia pulado do precipício logo após perder o marido. O homem que amava. Depois acabou caindo no mar, mas o choque fora grande e acabara perdendo parte da memória antiga,toda memória recente. Ou seja: Não sabia sobre nada delas, ou quem eram.
Ela me fizera jurar que ao encontrar a filha dela Zoey eu faria algo. Entregaria uma carta. O tempo passou e a tarde caiu. Nenhuma garota chegara se apresentando como Zoey. Duas horas antes do jantar eu havia encontrado finalmente o quarto que era “meu”. Estava na banheira quando me lembrara. Eu tinha de procurar os cinco filhos dela que não conhecia, e ver ser estavam bem. Tinha também que cuidar dos mesmos. Soltei um suspiro profundo e acabara adormecendo.
Fale com o autor