Garotas de vidro
2 Novos ares. Novos lugares. Novas pessoas. Novas lembranças
Capítulo 2
(Spencer como Bianca)
Acordara em uma banheira em uma casa estranha. Minha nossa... isso era muito estranho. Eu sabia onde estava mas ainda parecia um sonho. Eu mal podia crer que estava em uma casa cheia de amor e carinho. Minha nossa... não sentia isso a quantos anos? Desde que meus pais morreram, nada na minha vida fora igual. Me levantei da banheira e terminei meu banho. Depois me sequei e me vesti. Um novo dia. Hoje iria conhecer os seis filhos da Bianca, suas primas, irmãs, e melhores amigas. Terminei de me arrumar e sai. Desci as escadas e fui até a sala de jantar. – Bom dia- murmurei sem voz-.
Varias cabeças se viraram para mim,sem saber o que fazer, dei um sorriso tímido e fraco. Haviam muitas pessoas na mesa, mas algo me dizia que ainda faltavam pessoas. Melhor...algo não. A mesa mesmo. Haviam trinta lugares na mesa. Mas nem todos estavam vagos. Percebendo meu desconforto uma das irmãs da Bia que conhecera ontem, se aproximou e me puxou para seu lado. Era Sophia. Ela tinha um jeito amigável e fofo de ser. Todas tinham uma aura boa. Mas a Sophia tinha um jeito inocente. Ela sorriu para mim e falou – Bom dia Bibi-. Sorri de forma simples e tímida e retribuí o bom dia.
Sem saber muito o que fazer eu apenas me deliciava com a refeição, que por um mero acaso era deliciosa. Parecia feita pela mão dos deuses. Mesmo sem saber como dizer acabei soltando para Sophia: “Hm... isso é muito bom” *murmurei enquanto comia*. Ela sorriu largo e me disse:
– Foi a mãe Renee que o fez – sorriu largo-. Parece que você não se lembra de nós Bibi. Perdeu a memória não é mesmo? –sussurrou-. Arregalei os olhos para ela com medo de que falasse. Ela me deu um sorriso confortante e amigável, dizendo que não contaria. Sorri de volta para ela. Aos poucos as pessoas foram chegando. Uma a uma. E enfim estavam todos na mesa. Sorria a todos e continuava a minha refeição. Depois de uns minutos um homem aparentando uns quarenta e seis anos chegou. Se sentou ao lado de Renee e sorriu a todos. Reconheci ele como o pai da Bia. Ele cumprimentou a todos presentes. Mas quando chegoua mim, ele me fitou e se levantou. Começou a andar e chegou até mim. Possuía uma expressão seria. Eu estava congelada de medo, não sabia o que fazer ou dizer, apenas apertei a mão de Sophia que sorria largamente para mim.
Ele se aproximou mais e me mandou levantar, quando oofiz ele me abraçou fortemente.
–Filha – murmurou e me abraçou- Você está viva querida, me abraçava com lágrimas nos olhos. – Que susto grande princesa – Ele me girou no ar.-
E naquele momento eu compreendi pela primeira vez em tantos anos, o que era ter uma família de verdade. O que era ser amada por alguém. Eu finalmente entendera o que era amor.
Eu havia passado o dia todo sem saber o que fazer e onde fazer. Por fim decidi pegar o carro dela e andar pela cidade. Era cerca de19:00 da noite. O céu estava estrelado e a praia super convidativa. Parei o carro e desci. Tirei a bolsa do carro e o tranquei, comecei a andar pela areia e tirei os sapatos. A sensação da areia nosmeus pés enquanto andava era algo incomparável. Senti uma paz imensa. Coisa que não sentia a tantos anos. Eu não tinha isso desde perder meus pais. A brisa batia em meus cabelos levando-os para longe. O mar estava revolto e o clima super agradável. Me sentei no chão e fechei os olhos pensando em tudo que acontecera. Como uma vida mudava tanto? Ouvia o barulho do mar e cantarolava “Waves. MrProbz”, quando ouvi barulho de passos. Olhei para trás e vi um homem. Ele deveria ter no máximo vinte anos. Seus cabelos pretos estavam despenteados. Mas não de uma forma errada. Aquilo deixava ele completamente sexy. Oh pelos deuses o que eu pensava?
Nem conhecia aquele cara e achava ele sexy. Algo nele..me atraia. Sem nota eu fitava-o sem parar. Ele notou e se aproximou. Ele era alto bem alto. Mas não aquele alto excessivo. Alto de uma forma bonita. Seus olhos um castanho escuro mas com alguns reflexos de verde. Ele era o que se diz por aí... Um bofe escândalo. Eu ria de mim mesma em pensamentos por ficar tão abalada, parecendo uma completa idiota. Corada e ainda sem tirar os olhos dele, vi que sua expressão de calma e serena mudou para triste e angustiada logo que me viu mais de perto. Sem compreender nada desviei o olhar e voltei a fitar o mar.
Uns minutos depois ele se aproximou e perguntou: “ Posso?’ Sua voz era algo que nunca saberia explicar... Era algo que tocava dentro de mim. Parecia que eu o conhecia a tempos. Parecia que tinha algo ligado... mas não. Não me lembrava de tê-lo conhecido nunca.
Assenti com a cabeça sem tirar os olhos da agua. Ele se sentou ao meu lado e ficou alguns minutos em silêncio. Eu estava desconfortável. Não sabia porque... mas a presença dele me causava um conforto enorme dentro do peito. Passamos uns dez minutos em silêncio até que enfim ele disse:
– Então... você voltou? – perguntou hesitante olhando a agua. Antes que eu respondesse, ele fitou-me e disse: — Porque diabos você fez isso Bia? – Mesmo no escuro podia ver as lágrimas em seus olhos. Sem entender muito eu fitei-o e suspirei.-
– Eu... não sou o que você pensa – murmurei-
Ele me fitou por mais uns minutos e saiu. Sem notar lagrimas começaram a cair dos meus olhos. Eu não entendia o porque. Mas passei mais meia hora sentada olhando o mar e chorando. Ele mexia comigo como ninguém nunca fizera. Sentia uma dor no peito. Algo que me cortava até a alma. Aquilo doía demais, não entendia porque.
Depois de uns minutos meu celular tocou. Era Sophia, atendi.
–Oii – falei tentando disfarçar a voz de choro, mas ela notara. –
– O que houve Bibi? – ela perguntou carinhosa.- Eu não sabia o que dizer ou fazer, apenas inspirei e depois disse:
– Não se preocupe comigo... Hoje não vou dormir em casa okay? – antes que ela dissesse algo desliguei. Se ficasse mais tempo ali... eu não sabia o que seria de mim.
Peguei o carro e saí pela noite sem saber o que fazer ou onde ir.
( Bianca como Spencer)
Peguei minhas coisas e subi na moto, andava sem rumo até que vi um bar. Parecia familiar. Resolvi parar. Desci e entrei. O lugar era muito aconchegante. Tinha algo de familiar no mesmo. Parecia que eu já havia estado nele. Olhava ao redor, a decoração era rustica. Havia um balcão na lateral do bar, feito e madeira com tampo de vidro. Atrás ficavam os barman. Mais a frente haviam mesas de madeira redonda, cada uma delas já estava ocupada. Era noite de karaokê. O Palco já tinha seus artistas. Havia o apresentador e uma pessoa que iria cantar apostos.
Me sentei no bar e pedi um Whisky. A garçonete que estava perto me deu um olhar de deboche e se afastou com um sorriso irônico. Passei uns minutos sem entender aquilo, ate que um cara chegou. Ele era alto, musculoso e tinha um olhar penetrante, daqueles derretem-te de calcinhas como diria, minha irmã Brubs. Seu cabelo era curto mas com um movimento meio sexy. Ele emanava sensualidade. Seus olhos de cor verde esmeralda me cativaram. Não conseguia não olha-lo. Sua imagem era como a de um deus grego. Depois de uns segundos em transe. Ele sorriu para mim e perguntou o que beberia aquela noite. A forma com que ele falou, parecia que nos conhecíamos a tempos. Não soube explicar aquilo. Mas ignorei e pedi novamente meu Whisky. Ele sorriu largo e uns segundos depois voltou com minha bebida. Passou alguns segundos me observando e então me beijou.
Seus lábios eram macios como um veludo. No começo fiquei assustada, mas ele continuou o beijo passando as mãos por cima do balcão e alcançando meu rosto. Me rendi aos seus lábios e correspondi o beijo. Sua boca tinha gosto de menta, enquanto saboreava sua boca, sua íngua procurava a minha de forma frenética. Quando encontrou sugou a mesma, e mordeu meu lábio inferior. Suas mãos avidamente passaram do meu rosto a meus peitos. Imediatamente me afastei. Não sabia o que havia dado em mim. Aquele cara tinha algo..
Me afastei sem ar. Meu folego não existia mais, mas ainda tinha algum juízo em minha cabeça. O fitei com raiva. E depois de uns segundos consegui por fim dizer:
– Mas que diabos?! – Esbravejava com raiva, apesar de ainda sentir o gosto dos seus lábios. Ele me fitava com um sorriso maroto de canto. Seu olhar era devorador, mas tinha algo brincalhão naquilo tudo. Ficamos nos encarando um bom tempo até que outra garçonete se aproximou. Ela era loira de olhos verdes, sua aparência era de adolescente. Ela era baixinha com algumas sardinhas na bochecha. Mas ,seu sorriso era grande e contagiante. Imediatamente ela se aproximou e me abraçou.
–Speeeeeeeen –ela gritou enquanto me enforcava sob o balcão. Meio sem jeito retribuí o abraço. – Não a conhecia, mas sentia algo familiar. Será que Spencer tinha namorado e não havia me contado? Eu mataria ela quando nos conectássemos via web can. daqui a uma semana.
Depois de me soltar ela me fitou e olhou para o cara que me beijara. Ele estava atendendo uma mesa, depois de alguns segundos entendeu.
– Ele te beijou? – perguntou com meio sorriso no rosto-
Fiz que sim com a cabeça enquanto bebia meu Whisky. – Sim... – murmurei sem voz-.
Ela riu e me olhou novamente. – Ele nunca vai desistir Spen. Ele quer você de volta. Apesar de... ser quem é... ele te ama. – sorriu meio sonhadora-. Eu adoraria que fosse comigo. Mas ele só olha para mim como uma irmã disse meio cabisbaixa. – Mas... ele te ama e sabe que nunca tentaria nada com o cara que minha melhor amiga ama. – Ela sorriu grande-Entãaaaaaaaaaao – disse dando ênfase no “ão”.- Como vão as coisas?- Pela primeira vez em minutos desde que ela começara a falar finalmente eu conseguira dizer algo. Mas era algo que não sabia responder. Suspirei fundo e pensei. Depois respondi com cara de desinteressada.
– Estão... normais – dei um sorriso fraco. Torcia para que ela não insistisse, mas ela o fez. Por Alá, porque ela queria saber? – Pensava eu enquanto ela falava sem parar. Depois de alguns segundos viajando ela me olhou e disse:
– Você não é a Spen. – Sorriu grande ao dizer-. Arregalei os olhos ao ouvir tal coisa. Como ela descobrira? E agora? Como eu faria isso? O que eu faria? Seria presa por falsidade ideológica? Minhas mãos suavam sem parar enquanto eu morria de medo. Depois de cinco minutos ela disse:
– Fique tranquila. Quem quer que seja você... se a Spenc te colocou no lugar dela, ela sabe que você fará seu melhor – sorriu grande- Mas... porque ela fez isso? Sem ao menos avisar a melhor amiga?!. — Ela fez cara ofendida. – Dei um sorriso fraco e logo ela me fitou como se entendesse.-
– Okok – disse sorrindo- Me conta isso depois –piscou-. Desculpe se o Raph te assustou –sorriu largo. Ele é o ex namorado da Spencer. Eles terminaram porque... bem ele pediu ela em noivado. Ela aceitou e no dia do casamento fugiu. E aí... eles tem esse caso mal resolvido. As vezes se pegam, mas nunca assumem nada sério. Ela tem medo de compromisso, e ele de ser deixado no altar. Mas se amam demais –sorriu grande, saindo de trás do balcão e enlaçando nossos braços. – Vem comigo –sorriu grande me puxando com ela. Entramos em um escritório e ela se sentou atrás de uma mesa. – pode se sentar querida –sorriu grande.-
Me sentei meio sem jeito olhando tudo em volta. Depois de alguns segundos lembrei que não havia perguntado. – Como você sabia que eu não era ela? – fitei-a-. Com um sorriso gigantesco ela me olhou e disse:
– Simples! Spenc nunca toma whisky. Nunca mesmo. Desde que os pais dela morreram ela nunca mais colocou uma gota de whisky na boca. Vez ou outra ela bebe. Ela usa uma pulseira da amizade igual a essa, ela disse estendendo o braço. Vi uma pulseira de couro meio rustica com a letra S como pingente. E outra coisa super importante: Ela virou o dedo mindinho em minha direção e vi uma tatuagem de coração pequena em seu dedo. Fizemos isso quando tínhamos quinze anos. E essa pulseira compramos juntas quando ela fez seis anos. Prometemos nunca tirar. E realmente nunca tiramos. Então foi fácil descobrirque não era ela. – disse sorrindo- Ah... e outra coisa sobre a Spen, ela tem uma fênix nas costas, mas ninguém nunca viu. Apenas eu, porque estava no dia que ela fez.
A fitava assustada e sem reação. – Como tem certeza que não sou Spencer? – fitava ela com um olhar desafiador. Ela me olhou por uns minutos e enfim disse:
– Spencer nunca abraça ninguém. Ela odeia isso. – sorriu grande.-
Fiquei sem reação ou palavras apenas fitava aquela garota com cara de inocente, que estava sentada na cadeira a minha frente.
– Quem é você? – murmurei sem voz.-
– Sou Jenny Madson e você? – Ela estendeu a mão-
Meio sem jeito ou palavras apertei a mão dela.
– Bianca Danver – Sorri largo-Mas me chame apenas de Bia. –
– Pois bem Bia. – Ela sorriu ao pronunciar meu nome.- Bem vinda a Londres.
Passei o resto da noite ali conversando com Jenny. Sua companhia era muito agradável, mas minha mente ainda vagava longe. Eu so conseguia lembrar dele. Meu coração estava em ruínas. Como será que a Spencer estava se saindo? – fiquei flutuando em pensamentos até tarde. Depois de muito Jenny finalmente pode sair do trabalho, deixando o bar nas mãos de Raphael. Ela disse que poderia estacionar minha moto ao lado do estabelecimento e ninguém pegaria. O fiz e ela me levou para casa. Eu ainda não sabia muito como chegar ali, mas não estava bêbada, ela havia exagerado com a proteção – pensara-. Mas deixei que fizesse. Não demorou muito e cai no sono. Em meus sonos só se passavam meus filhos. Théo, Thomas, Zoey, Maria Eduarda, Miguel e Amora. Onde será que eles estavam?
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