Garotas bonitas sempre são solitárias
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Um ano atrás. 01/05/2015
"Se descreva em um mínimo de ** linhas" É uma questão que eu sempre vejo em algum ponto da minha vida, é uma pergunta que entra indagações muitas questões, posso dizer que sou comum fisicamente, mas mentalmente falando sou bem confusa, tenho 22 anos morando com minha mãe e meus irmãos, todas as vezes que eu estou em uma entrevista de emprego essa pequena questão acima está lá, para me fazer lembrar da confusão interna que eu costumo empurrar para o canto mais escuro da minha cabeça, eu sempre dou a mesmo resposta automática que nós ensinam a responder, "Laura F. Bishop é organizada, determinada, profissional, inteligente e blá, blá, blá..." o cliché de sempre.
Ultimamente tenho pensado na minha vida depois dos eventos que me levaram ao desespero e, um ataque de pânico dentro de um elevador na empresa onde trabalho a alguns meses, tiveram que chamar os paramédicos por que eu hiperventilei tanto que pensaram que eu estava tendo um ataque de asma acabei desmaiando. E agora estou aqui deitada olhando para o teto do hospital para onde me trouxeram, minha mãe uma senhora de 56 anos está falando com o médico sobre meu desmaio, ele diz que não tem nada a haver com minha diabetes, pelo que eu disse a ele ao acordar que estava sofrendo pressão no trabalho, ele disse que possivelmente é estresse e agora está repetindo o mesmo para a minha mãe, vou ficar em observação até domingo, acho que Deus me ama mesmo, odeio mentiras, principalmente mentir para meu melhor amigo/vizinho João Paulo, mais carinhosamente chamado JP por que não vou poder ir para o jantar de bodas dos pais dele.
Olha eu não odeio o Tio Jonas ou a Tia Sandra eu os amo muito, o problema é o que vai acontecer nesse jantar, meu coração dramático não aguentaria o que vai acontecer, eu só com a notícia tive uma síncope acho que não aguentaria vê-lo pedir a mão da Natalia bem na minha frente, ainda mais ser madrinha deles, quero me enfiar em um buraco e nunca mais sair ou pelo menos até eu achar uma nova obsessão, por que esse amor de quinze anos que eu sinto por ele não pode ser normal, ou saudável.
—Filha? O médico disse que não tem mesmo como você ir para casa hoje, é uma pena você perder o jantar de sábado, o médico disse que você está bem, mas seu açúcar está alto, junto com o estresse não é bom ainda que saia daqui. Agora tenho certeza que esse amor não é saudável, nos últimos seis meses tenho caído em tentação comendo alguns doces por causa da ansiedade. –Filha é só o trabalho que está te deixando assim?
—É mãe, o que mais séria? Tudo bem ... O JP me disse que hoje vai pedir a mão da Nate em casamento, não aguanto mais fingir todos os dias que meus sentimentos são de irmã.
—Filha... –Ela respira com peso, acho que queria tomar coragem para dizer o que eu já sei. –Filha ele é um bom rapaz, mas é um menino... pode ter a mesma idade que você mais é um idiota por não se dar conta do que todos estão cansados de saber, sabe eu sempre soube dos seus sentimentos por ele, mas você não pode esperar para sempre, não pode esperar que ele perceba, está mais que na hora de você se permitir estar com outras pessoas ser vista como merece ser vista e, não pode fugir deles para sempre, ele me ligou a poucos minutos disse que vinha te visitar seria uma ótima oportunidade de dizer.
Vocês já viram um acidente de carros? Tipo um engavetamento? É uma cena horrível, bom era esse sentimento que martelava na minha cabeça quando ela disse aquilo para mim, eu nunca fui do tipo que chora ou demonstra os sentimentos, desde de a morte do meu pai não costumo ser muito sentimental na frente das outras pessoas, só na frente da minha mãe e irmãos, ou na frente do JP, como eu contaria para ele como eu me sinto? Sendo que ele é a pessoa que eu correria se levasse um pé na bunda, que é o que eu vou levar quando contar. –Mãe, eu não tenho coragem de dizer para ele, como eu vou dizer para ele "olha JP, eu te amo tipo a uns quinze anos pelo menos é desde que você apareceu na minha vida, eu tive até um ataque de pânico ao saber das suas intenções no jantar de amanhã" tipo eu não se.... –Meus olhos estavam vidrados na porta entre aberta, era ele ali com tulipas nas mãos, minhas flores favoritas. –João... eu, eu posso explicar, tipo eu, mãe? –Meus olhos estavam molhados já, não era para ser assim. –Não era para ser assim...
—Tia Maria poderia enrolar a Nate que está na recepção falando com uma amiga dela que trabalha aqui, acho que eu vou ter uma conversa difícil. Ele disse de forma distraída enquanto me fitava incrédulo. –Por favor...
—Claro querido, filha mais tarde eu volto, ok? –Ela me beija e, sai logo em seguida.
—Você está bem? Digo, se sente melhor? –Ele está envergonhado, a última vez que ele se sentiu assim na minha frente foi quando tínhamos treze anos e eu menstruei e vazou enquanto estávamos jogando videogame no quarto dele, ele achou que eu estava morrendo. –Me sinto como se tivesse visto você nua... Lu eu gosto de você, você é ótima, inteligente, lida tem um ótimo senso de humor ... mas você é minha melhor amiga, eu conto tudo a você, está presente em todas minhas lembranças felizes e tristes...
—Mas você não pode retribuir aos meus sentimentos, eu sei, não precisa fazer rodeios. –Digo olhando para um ponto fixo, eu sei que se olhar para ele, eu vou chorar, é um drama eu sei. –Eu não queria te contar, não queria que soubesse, não queria sentir, mas está aqui, aqui enterrado a muito tempo, mas foi bom você ter ouvido tudo aquilo, agora eu não preciso mais fingir ou esconder. –Respiro fundo e olho naqueles lindos olhos castanhos. –Está tudo bem, não precisa me olhar com essa culpa toda estampada em sua testa, agora finalmente posso me livrar desse sentimento e, me mudar sem culpa.
—Opa, como assim se mudar? Não é por que não posso retribuir os seus sentimentos que você tem que se mudar. –Agora era ele que estava com cara de chocado.
—Não, não é por sua causa, não inteiramente a empresa quer que eu me mude para São Paulo, eu recebi uma promoção a alguns meses, mas existem algumas coisas que só posso resolver na matriz, então meu chefe quer que vá para lá. –Cocei meus olhos para ver se melhorava a ardência por tentar evitar chorar, mas lá estavam elas, escorrendo pelo meu rosto. –Olha João, eu só não fui ainda por que não queria deixar você, mas agora eu não consigo mais, dói muito ... então para voltar a ser só sua amiga eu preciso de espaço e tempo para respirar.
—Mas tem mesmo que ir embora? Eu não quero perder você...
—Você não está me perdendo, não estou morrendo, estou apenas indo para outro lugar, não me peça para ficar... –Agora definitivamente quero chorar, mas vou segurar.
Ele me olhava atentamente, acho que afixa estava caindo, aporta se abri repentinamente, é a Nate ela vem arrastando minha mãe pelo braço, ela sempre foi assim, éramos amigas intimas, mas depois deles ficarem juntos nunca mais consegui ver ela como uma amiga.
—Hey linda, que susto deu na gente, esse aí quis lagar tudo no nosso apartamento para vim te ver, quando chego aqui descubro que foi só estresse, nossa por que estão chorando, Lu você não está morrendo ne? –Ela vem mais para frente me abraçar, ela sempre foi assim, dada, talvez seja isso que o JP gosta nela.
—Não, só disse a ele que vou me mudar, talvez eu não volte mais. –Essa parte eu não queria dizer a ele, mas já que ela está aqui para evitar suas reações achei melhor dizer, minha mãe me olha um pouco preocupada, mas faço uma expressão de suplica a ela.
Bom, depois de soltar a bomba ele não diz mais nada, pega mão da noiva dele e arrasta para fora, acho que ele me odeia, mas é melhor assim, agora eu acho que posso chorar tudo que eu tenho para chorar, minha mãe me dá colo até eu dormir. Acordo com uma enfermeira checando meu soro, ela sorri para mim, depois ela sorri para outra pessoa, olho para o lado e meu irmão está sentado no sofá do meu quarto. –Achei que ia dormir a manhã toda, mamãe disse o que aconteceu, como se sente?
—Como se eu tivesse sido atropelada por caminhão, tirado isso me sinto muito bem, você deveria ir ajudar o Tio Jonas, eu devi estar enlouquecendo com os gritos das irmãs da Tia Sandra. –Digo quando me ajeitava na cama, ele tinha um olhar meio triste, tentou sorrir para mim, acho que a notícia da minha mudança devi ter afetado ele mais do que eu previ. –Não me olhe assim, você sabia que uma hora ou outra eu ia sair de casa.
—Eu sei, mas você toda distraída como é vai conseguir lembrar de tomar a insulina? Ou comer na hora certa? Puxa não me olha assim, sou seu irmão mais velho, você é minha caçulinha.
—Own que fofo Vini, você é a Sibele e o Jordan são muitos importantes para mim também, apesar de eu não ver o Jordan com tanta frequência. – Digo prendendo meus cachos rebeldes neles mesmos. –Olha não queria ir, mas agora tenho mais motivos para ir do que para ficar, tenho que mudar de ares, viver um pouco por minha própria conta, terminar minha faculdade que está parada no meio, talvez mudar de emprego, sei lá dá um jeito na minha vida.
Com algumas batidas na porta meus outros dois irmãos entram junto com a minha mãe e amigos, o meu vira uma zona, muitas pessoas falando ao mesmo tempo, eu sei que vou morrer de saudades de todos que eu não sei nem mesmo cozinhar direito, mas eu tenho que sair da minha bola e finalmente viver.
Depois de uma tarde agradável entre família e amigos, todos foram expulsos pelo médico ele meio que ajudou, eu estava cansada sabia que todos tinham aquele olhar de que "Ela finalmente surtou depois de tanto tempo de amor não correspondido". JP não veio, acho que ele está mesmo muito bravo comigo por ir embora, mas ele sempre foi cruel comigo, as vezes sem perceber o que tornava muito mais cruel, por que se ele usasse meu coração meus sentimentos abertamente, eu não o amaria por muito tempo. Seu jeito gentil, doce e educado de tratar todos, acorrentou meus pés aos dele de tal forma que nem mesmo Houdini* (magico, que tinha técnica do escapismo) conseguiria fugir, me apaixonei por ele sendo somente uma menina namorei poucos caras, mas todos terminavam pelo mesmo motivo sempre, JP.
O médico me receitou algo para dormir que fez efeito em questão de segundos, quando eu vi era sol na janela, então o pior já passou, era domingo, eu sairia daqui, saberia que meu amor vai se casar, eu tenho malas para fazer, mesa para arrumar, despedidas para fazer. Estava sentada em minha cama de hospital esperando minha mãe assinar os papeis da minha alta, eu batia meus pés suspensos em forma de brincadeira para ver se o tempo passava, mas não, não era o tempo que eu queria de passasse, eu queria que esse sentimento que me esmagava o peito passasse, queria que poder ficar e lutar por mais uma chance que fosse, mas era uma batalha perdida.
Minha manhã foi sem diálogos minha mãe entendia que qualquer frase dita hoje não ia vir com um par de questões com respostas, eu não conseguia me comunicar com ninguém, minha volta para casa no sedan da minha mãe foi um silencio completo, a mesma coisa em casa, falar doía, olhar pela minha janela e ver o quarto de JP doía, então fiz o que qualquer pessoa com vinte dois anos faz quando está triste, liguei o X-box e fui jogar qualquer jogo violento que meu irmão tinha disponível, todos respeitavam a minha distância até que a porta da minha casa se abriu olhei para o lado e ele estava ali, com lanches gorduroso e um sorriso matador nos lábios, Covardia! Queria gritar, mas apenas fiz um sinal com a cabeça, ele entrou sentou do meu lado, pegou o outro controle, coloquei o jogo para dois e assim foi meu final de dia.
Segunda foi interessante, Nate mostrava sua aliança para Deus e o mundo, todos mesmo, entre padeiro, o cabelereiro dela, o ginecologista até o sorveteiro da praça, eu mesmo fugindo não tive como escapar, mesmo com uma cara de culpa JP não conseguia conter sua felicidade, mas eu coloquei meu melhor sorriso e disse a única coisa que eu poderia dizer, mesmo doendo muito por dentro. –Estou feliz por vocês, espero sobrinhos no futuro.
Sobrinhos? Sim, era isso que eu era, uma irmã, melhor amiga, e não por opção infelizmente madrinha, sim JP teve essa ousadia de me pedir essa morte, eu como suicida aceitei, mas vamos lá meninas, não chorem por mim, deixa que essas lagrimas eu choro sozinha, eu tenho um plano para isso, e ele se chama Sibele, minha linda irmã que tem o mesmo corpo que eu.
Vou embora na quarta, sem dizer ninguém fora da minha família, deixo uma carta explicado mais uma vez o motivo e, nunca mais volto para cá.
***
Quarta, sei que estou apressando as coisas, vocês querem saber como foi minha terça, mas não tem nada nela de bom, foi uma merda completa foi tanta coisa para fazer, foi tana coisa para fazer que estou morta, mas vamos a carta que eu tenho que por meu coração sem vida para JP poder emoldurar, falta quatro horas para eu ir e estou no terceiro rascunho.
O que tiver que ser será, né? Certo?
Talvez, mas só talvez eu devesse ir lá e entregar a ele? Sim, ser uma mulher sem arrependimentos.
Assim eu saio de casa, fui até a porta do Tio Jonas e dizer o que sentia de verdade a JP, assim batendo a porta em poucos segundos ele abri. –Oi!
—Oi... –Ele olha para minha mala de rodinhas ao meu lado, minha carta na mão esquerda e sua expressão neutra morre. –Não me diga que está indo hoje, agora? –Sua voz é um sussurro.
—É sim, isso é para você, mas só pode ler quando eu for embora, me prometa que vai ler sozinho, não vai deixar ninguém mais ler?! –Apertei a carta com força, ele me olhava com olhos agora vermelhos, o que por algum mistério eu não me sentia assim, eu na verdade não sentia nada.
—Sim.. Quer que eu te deixe no aeroporto? Quer algum CD, ou discos, livros... sim seus livros ainda estão no meu quarto... –Ele sempre divagava quando estava nervoso, apenas o puxei para um abraço caloroso, como eu sempre fiz antes de alguma coisa importante que lhe dava medo. –Não vai Lu...
—Desculpa... Eu te amo viu, me ligue, me escreva, que seu casamento seja feliz João Paulo.... –Sempre que falávamos sério demais, nomes completos eram a nossa regra.
—Boa viajem Laura.. –Ele me beijou a testa por alguns segundos e, finalmente as lagrimas venceram a minha força de vontade e consciência.
Deixando um amigo de anos para trás devi doer, deixar o suposto amor de sua vida para trás era devastador, quando fui embora pela janela do carro olhei seu rosto lindo se perder pela distância, então fechei mesmo olhos para poder memorizar suas feições, seus traços e nuances. Ele era perdidamente harmônico, olhos doces, lábios macios, pele translucida, mão e braços acolhedores.
O caminho para o aeroporto foi um martírio, um chute na bunda por assim dizer, mas vamos lá, é vida nova, João Paulo era agora meu amiguinho do passado, eu agora era gerente de logística, futura aluna de faculdade de direito da USP, futura namorada de algum cara perfeito de algum livro que eu costumo ler nas horas vagas.
***
*Querido João.
Sei que está com raiva de mim por partir, estamos juntos desde sempre, você nunca se separou de mim por mais de uma semana, fomos amigos uma vida inteira, conheço mais a você do que a mim mesma, mas não dá... Meus sentimentos deixaram de ser puros por você desde que começou a ser meu modelo de homem perfeito... Eu sei que disse que o Homem perfeito dos meus sonhos é o Stiles de Teenwolf,(rs) , mas não, não é.
Entenda que preciso me desligar de você, me libertar de você, por que meu amor era como uma mordaça nos lábios, sempre calando os meus verdadeiros sentimentos por você, sempre morrendo mil mortes para cada garota que lhe punha os olhos, sou humana João, morro sim, sinto ciúmes sim. Te amo, por aqui posso dizer que te amo loucamente, desesperadamente, e incondicionalmente por mil e um motivos, poderia descrever os motivos em mais páginas que ao Best Seller de Game Of Thrones, mas agora não é a hora de amar você, eu tenho que amar a mim agora, por isso não vou ser sua madrinha obviamente, seria suicídio e eu sei que por mais que esteja com raiva de mim não quer minha morte. Eu acho...
Enfim meu bem, eu vou voltar um dia.... mas não hoje, ou na semana que vem, então apenas se lembre que é meu melhor amigo também, então querido é um Adeus que eu nunca pode dizer pessoalmente, espero que entenda minha ausência no seu casamento meu querido, beijos!
Ps: Meus livros, cuide bem deles ... amo mais a eles do que a você.... Mentirinha.
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