Garotas bonitas sempre são solitárias
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Garotas bonitas são sempre solitárias.
O trajeto até São Paulo foi interessante, foi uma tentativa quase inútil de não chamar atenção enquanto eu choro, eu não podia ouvir música no meu celular, então peguei o único livro que ninguém me julgaria por estar chorando, A culpa é das estrelas, é eu fiz isso, não me julguem, depois de tudo que eu passei para escrever aquilo tudo... Nossa ele devi estar me odiando, mas deixa para lá, eu não pretendo voltar mesmo. Depois de algumas horas olhando a vista do céu, eu me sentia melhor, percebi que longe de todos eu poderia me soltar sem medo de julgamentos, ou ser a boa garota que todos sempre esperavam que eu seria sempre, agora eu poderia colocar um lado meu para fora que sempre esteve preso ao medo de julgamentos, sei que pode parecer cliché, entretanto.... Quem nunca quer poder recomeçar?
Eu poderia parar de ser a doce e altruísta Laura, deveria também para de ter ilusões românticas com um amor, deveria me focar em me tornar uma mulher e deixar de ser a menina, mas eu ainda me pego pensando nos meus irmãos amigos, minha linda e adorável mãe e é claro no JP, tudo bem... não achei que seria fácil esquecer de quase o que era 80% minha vida, agora eu só tenho que descobrir como preencher esse grande espaço que era eles na minha vida.
Bom eu cochilei pensando na minha antiga vida miserável, quando fui delicadamente acordada pela aeromoça loira estranha da classe econômica. –Senhorita? Senhorita? Já pousamos... acorda moça, só tem a senhorita aqui...
—Oh mãe só mais cinco minutos... –Sim, eu fiz isso, mas em minha defesa eu estava com muitas saudades de casa. –Ah desculpe moça, eu... eu, sinto muito.
—Sem problemas não é a primeira vez que isso acontece, mas poderia sair logo?
Agora eu entendia que a vida de ninguém era fácil, quantas pessoas inconvenientes ela tem que aquentar por voo? Enfim, era noite, mas não tarde da noite de quarta, era mais ou menos eu saio de casa era umas três horas da tarde cheguei umas seis horas, pareceu uma eternidade, eu não sabia o que fazer então fui pegar minhas malas, depois de localizar a única mala do homem de ferro que tinha na esteira... sim gente eu amo heróis tá?! Querem me julgar? Fiquem à-vontade!
Então segui para a saída do aeroporto, bom não era a primeira vez que eu vinha a SP sozinha, sei andar bem aqui, mas existe sempre aquela sensação de solidão quando você sabe que não tem ninguém em quem se apegar, ligo meu celular chamo o Uber, cinco minutos depois ele está próximo a calçada me esperando, peço que me leve ao endereço que a empresa deixou para mim pelo E-mail. No carro ligo para casa para avisar que já cheguei bem, minha mãe quer saber como foi meu voo, minha irmã quer que eu mande roupas e sapatos, meu irmão quer apenas... o mesmo que minha irmã, eu tenho um bando de interesseiros.
Paro em frente a um prédio muito grande, várias luzes já acesas cedendo do carro, chego a portaria. –Olá boa noite, sou Laura Bishop, eu acho que tem uma chave aqui para mim, junto com alguns documentos.
O porteiro que tem o nome de Pedro no crachá me olha um pouco surpreso, talvez pensasse que eu era uma mulher de uns trinta anos, ou uma velha gorda com um gato a tiracolo. –Poderia me dar seu RG senhorita, é as normas.
—Ah claro, perdão. –Entrego minha identidade, ele sorri para mim, me entrega os meus pertences, depois me guia até o elevador.
—Senhorita, seu apartamento é o de 105 no sétimo andar, seja vem vinda.
Senhor simpático, me limito a sorrir e apertar o meu andar, arrastando meus pertentes até a porta com o número 105 na porta, abro e ganho uma linda surpresa, o apartamento já era mobilhado, me jogo no sofá aconchegante, acabo sendo vencida pelo sono e apago ali. Depois de algumas horas eu acho de sono gostoso no sofá sinto um cheiro de café, só pode ser minha imaginação, mas não olho para frente onde um tinha o outro sofá de couro preto, em cima dele tinha uma mulher, na verdade uma garota uns anos mais velha que eu sentada com uma xicara de café quente na mão, eu respiro com profundidade e ela sorri, ela me entrega a xicara. –Olá você devi ser a Laura né? Eu sou Andreia, sou sua colega de apartamento, para poupar gastos a empresa sempre nos coloca em pares, cheguei algumas horas mais cedo que você, passei no supermercado, quando cheguei você estava aí jogada, então você é de onde?
—Eu, humm, eu sou de Salvador, me transferiram antes do prazo, mas lugar legal né... –A garota era curiosa, notei que minha mala não estava mais na sala.
—Suas malas estão no seu quarto, como eu cheguei primeiro eu já tinha escolhido meu quarto, então você ficou com o que sobrou. –Ok... não gosto oficialmente dela, mas vou engolir.
—Sem problemas, obrigado pelo café, eu vou desfazer minhas malas...
Sei que devi ser estranho mais não me dou muito bem com meninas, elas geralmente são muito falsas, sempre tirando proveito da minha boa vontade, por isso JP se tornou meu amigo... outra vez ele na minha mente. Seguindo pelo corredor a segunda porta a esquerda lá estava meu quarto, até que não era ruim, era grande com uma cama de casal, uma janela de frente para rua, cortinas pretas, uma escrivaninha, uma televisão de tela plana, chequei meu celular tinha WiFi, estava ótimo, liguei o Skepy para falar com meus irmãos e mostrar o quarto, mas ninguém estava online. Me joguei na cama depois de arrumar minhas roupas, abri o meu Notebook para checar meus E-mails, mas só tinha um comunicado do RH dizendo que eu deveria aparecer as oito da manhã no escritório para falar com meu superior.
Liguei meu som, uma coisa bem ambiente, queria ficar ali absorvendo tudo o que aconteceu em seis dias da minha vida, não pude deixar de sentir o nó finalmente me estrangulando, sabia que tirando meus amigos de infância e meus irmãos eu sempre me sente sozinha, nunca sendo chamada para festas, nunca sendo cortejada pelos meninos, sempre ignorada pelas meninas, então aprendi que ser sozinha as vezes não era uma questão de escolha, as pessoas que escolhiam por você. Nunca ouvir coisa diferente sobre mim além de me acharam arrogante, mas nunca fui assim.
Durmo ouvindo Tee shirt de Bardy* (cantora, música tema de A culpa é das estrelas) ouço ao fundo o som do meu despertador as seis da manhã, quero continuar dormindo mais isso é impossível, me levanto e vou ao banheiro que é muito legal por sinal, lavo meu cabelo hidrato bem ele, cabelos cacheados é o tipo que exige muito cuidado, depois uso o difusor para os cachos ficarem bem definidos, depois de hidratar minha pele, escovo os dentes, e vou para meu quarto, checo as horas e são sete horas, acho que demorei demais, porém não faz mal o ar de SP é muito seco, vou ao meu armário e escolho uma blusa morcego de um tecido grosso, uma saia lápis, um salto preto de couro envernizado de dez centímetros, faço uma maquiagem fria, em tons escuros, pego meus papes documentos e meu crachá que estava dentro do pacote com a chave, atravessando a sala me deparo com Andreia fazendo uma vitamina, ela coloca dois copo e me oferece dois, eu sorrio para ela, acho que depois eu tenho que ir ao supermercado comprar minha comida, por que eu tenho uma dieta muito rígida.
—Obrigada Andreia, desculpe pelo meu comportamento de ontem, eu estava com saudades de casa já, sabe? Você vai comigo ou seu horário é outro? –Ok estou tentando ser legal, prometi que não ia me fechar que seria outra.
—Ah sim, eu vou sair as nove, por que tenho que passar em um CD em Ribeirão preto, vou passar o dia fora.
—Ah, ok, você sabe onde fica alguma farmácia por aqui? Eu tenho que comprar meu remédio, os que eu trouce vão acabar logo.
—Remédio? Esta gripada ou vai tomar anticoncepcional? –Ela perguntava tomando sua vitamina, acho melhor eu dizer que sou diabética assim ela não acha que estou sendo enjoada com a comida.
—Eu tenho diabetes tipo dois, não posso comer açúcar... Não gosto de dizer isso pra ninguém, mas já que vamos dividir o apartamento acho que seria bom você saber. –Digo coçando minha nuca meio sem graça, ela me olha um pouco.
—Ah era isso? Bom para sua sorte eu não como açúcar refinado faz uns seis anos, eu era tipo muito gorda, então entrei em uma dieta rígida perde trinta Kl do dos noventa que tinha. –Ela faz uma cara de bunda, tipo to nem ai ligando, bom não teríamos problemas em relação a comida pelo menos.
—Bom eu vou indo, gostei da vitamina, o carro devi estar me esperando lá em baixo. –Saio meio que correndo dali, passando pelo corredor vejo um rapaz de calça Jeans, uma camisa social de marca, cabeça raspada, barba por fazer, e incríveis olhos coloridos, sim ele tinha um olho azul e outro verde, eu espero o elevador abrir ao seu lado, ele fala com alguém ao telefone, mal nota a minha presença.
Nós entramos no elevador e ele desliga o telefone e vira para mim como se notasse finalmente minha existência, ele sussurra um bom-dia e eu retribuo, pelo o meu celular para checar as mensagens e tem uma de JP, ela é longa acho que a mais longa que ele já escreveu.
“Lu, já estou morto de saudades, todos nós estamos, sabe o parque no fim da rua? Então vão finalmente reformar, lembro quando a gente ia lá bater papo, comer um lanche, a Nate ainda não se conforma da Sibele te substituir como madrinha, diz que ela não colabora, eu espero que quando isso acabar venha ao meu casamento...”
“Isso passar? ” Meu amor por ele se tornou “isso”, sinto uma pontada aguda no meu peito, acho que nenhum dos acidentes que tive na minha vida me causou mais dor do que essa pequena palavra, pensei em não ler mais, porém me obriguei a ver a verdade e aceitar de vez.
“Quero você ao meu lado nesse dia tão importante Lu, espero que sua partida não seja para sempre. Bjus”
—Se sente bem? Está doendo em algum lugar? –Voz grosso vinha do meu lado, o lindo rapaz com olhos de gato. –Desculpe notei que chora, notícia ruim?
—Oh, é... Não.. apenas minha alergia, desculpe o susto, acabei de me mudar, me chamo Laura.. –Limpo meus olhos, ainda bem que minha maquiagem é a prova de água, ele sorri de lado, acho que percebeu que não quero falar sobre o assunto.
—Claro... Eu sou Roberto, moro no 106, você trabalha na Solomon’s em que departamento? –Como ele sabe que eu trabalho lá?
—Há.... Como? AH claro esse prédio é da empresa né?! Eu sou do departamento de logística e mais fui transferida, vou conversar com meu novo chefe hoje.
—Ah a Ana é uma Chefe legal, eu sou secretário pessoal dela, você vai trabalha diretamente com ela como eu, vamos nos ver muito Laura. –Ok... é estranho alguém me chamar assim, sempre me chamaram de Lu, desde criança. –Falei alguma coisa errada?
—Não! É que todos me chamavam de Lu, você me chamou de Laura foi meio estranho. –Digo coçando meu nariz com o polegar.
—Lu? Mas por que Lu? –Ele franze a sobrancelha de forma engraçada, o que me faz sorrir. –Lindo... quero dizer seu sorriso é lindo.
Ok, linguem para emergência, meu coração acabou de parar.
—Oh chegou, o Taxi devi estar me esperando aqui... na frente do prédio. –Se for possível uma mulher negra corar, então eu devo estar corada.
—Por que você vai de taxi se vamos para o mesmo lugar? Eu te dou uma carona, vem. –Roberto pega minha mão e me puxa pelo braço, eu nunca soube dizer não as pessoas é por isso me deixei ser guiada por ela até um Audi A5 preto, no estacionamento. –Coloca o cinto por favor senhorita.
—Oh claro, quando a gente passar ali na frente do taxi você pode parar? –Tadinho do homem, teve que sair de onde estava, perdeu a corrida, quero pelo menos pagar a corrida.
—Você tem que avisar que não vai mais né, ok então.
Ele tira o carro do estacionamento e liga o som Tiago Iork* (cantor, música do rádio é Coisa linda) começa a tocar, o som não está muito alto, está no volume que me agrada, ele para ao lado do taxi, e o moço olha para mim, faço sinal para ele abaixar o vidro. –Oi! Eu que liguei para o senhor, não vou precisar mais que me leve, mas ta aqui pelo incomodo, tenho um bom dia.
Ele não diz nada, parece surpreso apenas sorri e Roberto arrasta com o carro com um sorriso enigmático nos lábios, vou olhando a paisagem cantarolando Tee shirt, acho que essa música me persegue, depois de uma conversa amistosa sobre minha família na Bahia, sobre meus poucos amigos, mas deixei de fora o motivo de ter ido embora. Ele fazia piada de tudo, até mesmo do meu sotaque, mas sei lá ele imitava o jeito que eu dizia mainha.
Quando chegamos ao prédio enorme no centro de SP, era muita gente andando de um lado para o outro, eu amo essa agitação, Roberto colocou a mão nas minhas costas me guiando por aquele mar de gente, pegamos um elevador cheio de gente era muito apertado, chegamos a o vigésimo andar estava uma correria, e pessoas super concentradas, parece que Roberto é meio popular entre as mulheres daqui algumas sorriem quando ele passa, outras tiram os olhos dos computadores mas voltam a olhar para as telas, ele me lava até uma porta de vidro com o nome CIO escrito na porta, acho que vou conhecer a Ana.
Ele bate três vezes e logo ouvi uma voz pedindo que entre, ao abrir a porta existem três homens em frente a uma mesa, um segura o quadro com gráfico, outro uma pilha de pastas, e outro um tablet, eles falam todos ao mesmo tempo.
—Ok chega! Pedro leva esse gráfico para nova garota da logística ela está familiarizada com esse método, parece que foi ela que desenvolveu esse sistema, Victor eu já vi os resultados desse trimestre, vá fazer o se trabalho, o Gustavo leve esses documentos para ser registrado em cartório, ah até que enfim você apareceu Roberto, quero que veja comigo esses documentos aqui e.... quem é você? –Diz a mulher com o cabelo preso perfeitamente, com um terninho azul escuro risca de giz, sentada atrás da mesa de vidro.
—Esta é Laura Bishop, ela veio se apresentar a senhora. –Roberto diz de forma sóbria, parece que todo aquele ar de mais cedo se esvaziou assim que ele atravessou a porta de vidro.
—Bom dia, hum.. O senhor calculou errado.. é –Disse sussurrando, todos franzem a testa, acho que comecei errado.
—O que disse minha menina? –Pedro diz de maneira ofendida, acho que pisei no calo dele, ele era um homem de aproximadamente trinta anos, cabelos pretos com alguns fios grisalhos, forte, alto, olhos pretos como ônix, cara limpa, camisa social azul marinho com as mangas esgarçadas até metade do antebraço, de fato é muito atraente. –Está dizendo que fiz meu trabalho errado?
—É... Então não disse isso, só que devi ter algum tipo de coisa equivoco, olha tem dois números em lugares errados, a saída dos carros do centro de distribuição de SP está no lugar do RJ, por isso o tempo da entrega está confuso, os cálculos depois disso estão errados como em um efeito domino. –Digo olhando somente para o quadro, memorizei todas as rotas desse sistema, não era preciso olhar as planilhas.
—Ouviu a moça Pedro, foi muito bom o Matheus te mandar para cá mocinha, você planejou uma rota muito mais rápida, ganhamos alguns dias a mais no mês por sua causa, Pedro ela será uma mão na roda para você.
—Oh .. é.... é um prazer conhecer os senhores... –agora sim comecei do jeito errado, Pedro parece que quer me jogar pela janela.
—Ok menina prodígio, vamos para nossa sala, tem muita coisa que você tem que me explicar, estamos atrasados com o transporte de algumas cargas.
Ele não dá tempo de falar nada, ele sai pela porta levando o gráfico, eu o sigo, nós atravessamos os cubículos dos funcionários até chegar a sala de logística.
—Ok, me explica isso aqui, depois vamos organizar essa bagunça do novo sistema.
Ele não queria mesmo conversar, fiz meu possível para ser pratica, e clara sobre o meu sistema, ele ficou calado até eu terminar. –Então é isso... alguma dúvida senhor...
—Pedro, me chame de Pedro, não, não tenho dúvidas acho que foi muito inteligente da sua parte, creio que podemos até mesmo melhorar ainda mais, vamos começar a trabalhar logo, aquela ali é sua mesa, as doze horas você pode comer, saímos as três horas da tarde, eu e você somos os primeiros a chegar e o primeiro a sair.
Depois disso não trocamos mais palavras que o necessário, ele as vezes me olhava, mas não dizia nada, então sente a necessidade de café, então fui a copa fazer um, trouce uma bandeja com café açúcar e adoçante para a sala coloquei em um canto vazio e servi duas xicaras, quando olhei para trás vi Pedro me olhando. –Você toma com açúcar ou puro?
—Eu.. Tomo com duas colheres de açúcar, mas por que fez isso? –Perguntou se levantando.
—Eu sou da Bahia, tomar café é uma necessidade, não me custava nada preparar um para você também, fiz mau? –Falei olhando para minha Xicara, ele soltou uma risada baixa, pegou o copo e foi sentar
—Obrigado, está ótimo.. –Que sorriso bonito ele tinha, acho que minha primeira impressão dele estava errada, me sento na minha mesa.
***
Na hora do almoço procuro na internet um lugar onde comer, fico com receio, não sei onde posso fazer isso aqui no centro da cidade, leves batidas na porta me tiram a atenção do computador. –Olá moça? Vamos comer ou Pedro esta te escravizado?
Era roberto, Pedro meio que rosna para ele, mas logo depois sorri. –Ela não sabe que aqui tem um refeitório, estou vendo a cara de aflita dela, me diverte um pouco. –Pedro é um sádico!
—Vem moça, Pedro hoje tem lasanha, se demorar mais nem mesmo a Maria vai poder te ajudar. –Roberto diz de forma amistosa, mas Pedro logo se levanta pegando seu celular e o cartão do refeitório.
Seguimos pelos corredores chegamos ao elevador novamente lotado, Roberto continua me contando sobre o trabalho, a comida boa, depois eles começam a falar de uma que eu sei muito, Games Of Thrones, ao que parece eles são realmente fãs, nós começamos a falar de teorias sobre a mãe de John Snow entre outras teorias, quando saímos do elevador já estamos no refeitório lotado, estamos passando pelas opções de comida na esteira e eu já sei o que eu tenho que comer, apesar de ter muita coisa que eu sinto saúde de comer, e lá esta minha comida de sempre macarrão integral, peito de frango grelhado, salada verde, só. Olho o prato dos meninos e está um amultuado de comida, sinto um pouco de inveja, pego um suco natural sem açúcar, nos sentamos os três juntos em uma mesa no fundo.
Estávamos em uma conversa acalorada sobre um assunto qualquer então olhei para o lado e notei que todos estavam olhando para mim, então foi automático me retrai, puxei meu celular para olhar as mensagens, meu celular tinha chamadas perdidas da minha irmã, dos meus irmãos, até da minha sobrinha, e de JP também, tinha três mensagens dele.
“Você recebeu minha mensagem? ”
“Você devi estar muito ocupada né?!”
“Lu onde você comprou aquela torta que comemos no seu aniversário? ”
“Lu ... você está com raiva de mim? ”
Acho que ele estranhou eu não responder a primeira mensagem, eu sempre estive ali, sempre com braços abertos para dar colo, sempre sendo um porto, sempre dando apoio, mas agora nesse momento... eu tive uma epifania, eu tinha que fazer ele entender que meus braços já não estavam mais abertos, que eu não estava mais lá e que agora, Lu não existia mais, agora quem estava aqui era...
—Laura? Tudo bem? –Diz Roberto sorridente ao meu lado.
—Sim, está tudo bem! –Disse digitando alguma coisa antes de bloquear a tela do celular.
“Desculpa João, mas estou muito ocupada agora bjus até depois! ”
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