Garota quase perfeita.
4 O Dom de ver.
P.O.V. Esmeralda.
Minha cabeça estava doendo.
—Olha ai, ela tá acordando.
—Ai.
Quando abri os meus olhos não pude acreditar.
—Ai Meu Deus! Eu posso ver! Eu posso ver!
—Dona Rosário? Como ela tá?
—Nossa! Você é tão diferente do que eu imaginava José Armando, mas um diferente bom.
—Você tá me vendo Esmeralda?
—Sim. Estou.
—Isso é ótimo!
—Dona Branca? Nossa! A senhora é linda.
—Obrigado. Mas, você já se viu no espelho Esmeralda?
—Não.
—Espera ai um pouquinho.
Daí eu me vi pela primeira vez e eu era bonita.
—Essa sou eu?
—É. Linda não acha?
—Eu sou mesmo bonita.
—Você é linda filha.
—E a minha mãe? Ela era parecida comigo?
—Veja.
Não éramos parecidas éramos idênticas. A única diferença era que eu tinha olhos verdes e ela tinha olhos azuis.
—Linda.
—Você é mil vezes mais linda.
Tive que sorrir.
—Obrigado.
O médico me examinou e depois de um montão de exames eu pude ir pra casa.
—Onde você mora?
—Longe. Bem longe.
—Onde?
—No alto da montanha. Minha avó e eu moramos só nós duas.
—Sei e você podia me mostrar a sua casa.
—Eu mostro.
P.O.V. José Armando.
Fui pra casa e peguei o meu cavalo.
Eu a ajudei a montar e a levei até sua casa. A casa era tão pequena, não passava de uma cabana de argila com teto de sapê.
—Chegamos. Bom, obrigado. Você quer entrar?
—Sim. Seria ótimo.
Por dentro a casa era menor ainda. Super simples.
Não havia paredes dividindo os cômodos. Na cozinha havia uma pia, um fogão á lenha e uma mesinha de madeira com duas cadeiras.
—Você quer café?
—Não. Obrigado.
—De nada. Agora vou poder ajudar a Rosário.
—Isso é ótimo.

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