Garota quase perfeita.
3 Baile de Aniversário.
P.O.V. José Armando.
Estava esperando ela chegar e quando chegou fiquei pasmo. Ela estava linda, todos os presentes pararam para olhar pra ela tamanha era sua beleza.
O povo deu espaço para que eu passasse e chegasse até ela.
—Esmeralda?
—Oi José Armando. Feliz aniversário. Aqui, trouxe pra você.
Ela me entregou um embrulho. Era lindo de se ver um laço de fita bem grande e bem vermelho estava segurando tudo.
—Ficou bom? Minha mãe que fez o embrulho.
—Ficou lindo.
—Não é nada muito caro. Na verdade eu que fiz, soube que você estava precisando de um peso de papel pra sua mesa e fiz um.
—Obrigado. Me poupou de um gasto.
Ela riu.
—Ora, ora José Armando. Está de namorada nova.
—Doroteia Campos Sales! A quanto tempo!
—Sim, mas não vai me apresentar a sua acompanhante?
—Claro. Esmeralda essa é a Doroteia, Doroteia essa é a Esmeralda.
Doroteia lhe estendeu a mão e eu coloquei a mão de Esmeralda na dela.
—Prazer senhora.
—O prazer é todo meu. Mas, qual é o seu sobrenome querida?
—Alvares Real.
—O que?! Como Camila Alvares Real?
—Era a minha mãe verdadeira. Só que ela morreu dando a luz a mim, daí a Rosário cuidou de mim.
—Então Dona Rosário não é sua mãe biológica?
—Não.
—Você é a copia fiel da sua mãe. Só que tem olhos verdes e não azuis.
—A senhora conheceu minha mãe?
—Conheci. Ela ficou grávida de um peão da fazenda e por acaso a mãe do tal peão se chamava Rosário Campo Bello.
—É o nome da minha mãe que agora eu descubro que na verdade é minha avó. A Rosário é minha avó! E o meu pai? A senhora sabe o nome dele?
—Claro. Adriano Paiva. Ele foi demitido depois que o seu avô materno descobriu sobre o casinho dele com a filha, e alguns meses depois ela descobriu que estava grávida e o seu avô deu um pé na bunda dela.
—Como assim?
—Ele a expulsou menina. Daí a sua avó a abrigou e fez o parto dela. E agora ela cuida de você.
—Não acredito que ele foi capaz de fazer isso! É mentira sua!
—A sua mãe definhou até morrer. De tristeza.
—Não. Não! Ela morreu porque perdeu muito sangue!
—O seu avô matou a própria filha como faz um bom Alvares Real. Eles tem o orgulho maior que tudo.
—Com licença.
Ela andava apressadamente.
—Porque você fez isso Doroteia?!
—Ela merecia saber.
Fui atrás dela e a encontrei chorando sentada num dos bancos do jardim.
—Não chora Esmeralda.
—Minha mãe morreu de tristeza porque o meu avô tirou dela o homem que ela amava. Daí ela num guento.
—Calma.
—Você tem que... voltar. É a..sua.. festa.
—Vem comigo. Eu não vou se você não for.
—O meu olho tá ardendo. A maquiagem tá entrando lá dentro.
—Vem. Vou te levar pra minha mãe.
—Nem precisa. Já cheguei. Soube do que houve. Desculpe querida, a Doroteia fala demais, mas ela não fez por mal.
—Eu sei. Me desculpem pela confusão.
—Não foi culpa sua. Acontece nas melhores famílias.
—Você consegue tomar conta dela mãe?
—Claro. Vamos meu bem, eu vou te deixar linda.
P.O.V. Esmeralda.
Eu lavei o meu rosto sozinha e a Dona Branca fez a maquiagem.
—Você se maquia sozinha Esmeralda?
—Não. É a minha... vó que faz. Ela diz que eu sou a bonequinha dela.
—Bonequinha?
—Porque ela diz que eu pareço uma boneca de porcelana. O que a senhora acha?
—Você tem mesmo rosto de boneca. Se te colocassem asas, você seria uma fada.
Dei um sorriso. Voltei pra festa e o José Armando dançou comigo a noite toda até o sol nascer. Eu até toquei piano para os convidados.
P.O.V. Gilberto.
O meu amigo se deu bem. A mina que ele trouxe como acompanhante é uma gata. E ela sabe dançar, tocar piano e tem uma voz de anjo.
A quem eu quero enganar, ela é um anjo. O cabelo loirinho e cheio de cachinhos, a pele de porcelana, as bochechas levemente coradas, os lábios com aquele vermelho natural e que lábios cara. Parecem duas metades de um pêssego maduro. E o brilho labial faz eles brilharem, lhes dá um aspecto molhado.
—Com licença, não vai me apresentar a linda moça?
—Esmeralda, esse é o Gilberto Soares da Costa meu melhor amigo. E ai cara? Beleza?
—Beleza? Acho que morri e fui pro céu.
—Porque?
A voz dela era doce.
—Porque eu tenho um anjo parado na minha frente.
—O senhor está falando de mim?
—Senhor não por favor. Mas, sim estou falando de você.
—Porque acha que sou um anjo?
—Porque você é linda, bondosa, frágil que nem cristal e tem uma voz que consegue afundar um navio. Talvez estejamos diante de uma das lendárias sereias.
Ela riu. A linda Esmeralda tinha uma risada que parecia se com o badalar de pequenos sinos.
—José Armando?
—Fala.
—Onde fica o banheiro?
—Sobe as escadas, segunda porta a direita.
—Obrigado.
Notei que ela ia tocando nas coisas e nas pessoas até que chegou a escada.
—O que que há com a anjinha?
—Ela nasceu cega.
—Caramba! Que dó.
—Não tenha dó. Ela se vira super bem sozinha.
Na hora de descer ela se enrolou e caiu.
—Esmeralda!
—O que aconteceu meu filho?
—Ela caiu mãe.
—Aquilo é sangue?!
—Tá vindo da cabeça! Vamos chamar a ambulância!
P.O.V. José Armando.
Ela caiu da escada e a festa foi pro buraco. Mas, eu não ligo, eu só dei essa festa por causa dela. Pra poder ver ela sorrir, vê-la com aquele lindo vestido valeu muito á pena.
—Seu José Armando? Cadê ela? Ela tá onde?
—Está operando a cabeça.
—Operando a cabeça? Meu Deus protege a minha fia.
—Ela sabe Dona Rosário. Ela sabe que a senhora é avó dela, a Dona Doroteia deu com a língua nos dentes.
—Como ela ficou sabendo?
—Ela disse que viu. Que estava lá.
—Bando de gente desocupada!
O médico veio falar com a gente.
—Vocês são da família de Esmeralda Alvares Real?
—Sim senhor.
—Bom, parece que esse tombo salvou a vida da sua neta.
—Como assim?
—Ela tinha um tumor no cérebro que vinha crescendo lá dentro desde que ela nasceu.
—Jesus! E o que acontece agora doutor?
—Ela vai ficar bem. Removemos completamente o tumor e recomendo que a senhora tenha mais cuidado e traga sua filha sempre para fazer exames.
—Eu vou Doutor. Depois dessa eu vou.
—E tem mais.
—O que Doutor?
—Quando ela acordar vai poder enxergar.
—Ai que benção! Obrigado doutor. Que Deus lhe pague.
—É o meu trabalho senhora.
—Nós podemos vê-la?
—Infelizmente como ela passou por uma cirurgia extensa, longa e complexa ela está na U.T.I. mas, assim que for transferida para o quarto poderá receber visitas.
—Ótimo. Mais uma vez obrigado.
—Ela vai precisar de um acompanhante.
—Eu fico.
—Não filho, deixa a Dona Rosário. Elas são da família.
—Por favor, mande notícias. Qualquer coisinha, se ela espirrar me ligue.
—Claro fio, pode deixar. Agora vai pra casa e descansa. Desculpe pelo problema que causamos, mas ela não fez de propósito.
—Relaxa Dona Rosário. Sabemos que foi um acidente.

Fale com o autor