Garota Ideal

5 Como Afrodite


Notas iniciais
Fase dos ciúmes e decepção. Fico emocionada em como estão gostando da história ~ironic~ porque sabe, sou vidente. :3

Segunda de manhã, e Hugo se perguntava o que estava fazendo tão cedo na faculdade. Faltava tão pouco para as férias que, como dizia Carlos, podia-se sentir o cheiro da liberdade.

— Sabe, estou curioso sobre a garota de quem sua irmã estava falando. — disse, sentando-se de frente para Hugo, que mastigava desanimado seu hambúrguer de forno e olhava o ambiente. — Talvez ela te ajude a esquecer a sua garota mistério. Já que é como Afrodite.

— Atena. E não preciso esquecer de ninguém. — murmurou.

— Claro que precisa! Estamos entrando de férias e, agora que sua garota sumiu, talvez você devesse se divertir com a sua nova pretendente. Quem melhor do que uma deusa? — disse malicioso.

— Por mais que minha irmã e, aparentemente, você queiram que eu saia com essa garota, acho que os dois têm ideias diferentes. Bella quer que eu viva um conto de fada e você, quer que eu “use” e depois “largue”. Ou a use para superar àquela garota que você acha que estou interessado.

Carlos apenas o olhou descrente, não acreditava nem um pouco no que o amigo dizia, principalmente, porque ele ficava olhando a todo momento por cima de seu ombro, esperando que ela aparecesse do nada.

Ele notou quando Hugo se eriçou todo, ficando ereto e olhando fixamente para o nada. Virou o corpo e olhou por cima do ombro, tentando achar o que tinha prendido a atenção do amigo.

A garota caminhava descontraída com mais duas meninas. Elas riam e cutucavam-na, enquanto ela apenas sorria minimamente e balançava a cabeça.

Carlos olhou para Hugo e sorriu para a cara de paspalho que ele fez enquanto a fitava.

No entanto, de súbito, a expressão dele fechou.

Curioso, virou novamente e entendeu a cara fechada: outra pessoa tinha se juntado as meninas, colocou um dos braços bem sobre o ombro da morena. Hugo, pelo visto, não gostou de ter um concorrente.

[...]

Hugo andava meio mal humorado, mais que o normal. Por mais que Carlos soubesse o motivo do humor do amigo, preferia deixar quieto, não queria cutucar o cara e fazer a ira dele se voltar toda para si.

Ele não se escondia, mas também evitava todos os lugares que era possível encontrá-la. Carlos achava que ele estava tentando extraí-la de sua vida como a um dente, na marra. Nunca achou que veria Hugo tão fora de órbita como ele tinha ficado pela garota, mas para tudo tem sua primeira vez. E, por mais que ele tenha dito que também viu o tal namorado agarrado as outras duas amigas, para Hugo, tudo tinha tido seu fim, e Carlos tratou de desistir de tentar.

Passou a semana de provas, e Hugo pareceu voltar ao normal — ao seu normal. Parecia aliviado pelas férias estarem chegando. Entretanto, era possível que boa parte de seu alívio se devesse ao fato de que passaria um tempo longe da garota. Ainda estava chateado por ela ter um namorado —embora a achasse linda o suficiente para encantar o cara que quisesse, nunca passou por sua cabeça que ela já estivesse em um relacionamento.

Carlos andava animado, nem bombar em duas matérias o deixou menos empolgado para as férias. Hugo, como o bom aluno de sempre, mesmo distraído, conseguiu notas excelentes.

— Então, nerd, o que temos para essas férias de fim de ano? — Carlos indagou, enquanto os dois caminhavam para os portões da faculdade. Hugo podia se considerar de férias, Carlos, no entanto, teria ainda que voltar para tentar recuperar suas notas.

— Não pensei em nada, só em dormir o dia todo.

— Uma boa perspectiva.

Hugo ia fazer um comentário quando a viu. Ela vinha na direção contrária ao pátio, como eles. Mexia distraída no celular, usava um vestido azul escuro e uma jaqueta jeans larga — estava linda, como ele sempre achava. Ele simplesmente não conseguiu evitar olhá-la caminhar, e ela levantou os olhos.

Quando seus olhares se encontraram, ele de novo ficou na dúvida sobre os reais sentimentos dos dois. Ela o olhava como se estivesse interessada. Porém, ele achava totalmente confusa suas mensagens quando lembrava daquele outro garoto abraçando-a. Podiam ser apenas amigos, entretanto, ele não queria se iludir achando algo e sendo outra coisa. Ela piscou seus grandes olhos, parecendo querer colocar os pensamentos no lugar e, simplesmente, passou por ele, como se não tivesse acabado de fitá-lo de forma intensa.