Garota Ideal

6 Deus ajude a pobre garota


Notas iniciais
É, não deu semana passada porque eu estava viajando e a internet tava uma merda, mas que diferença faz? Só minha beta ao que parece ler e ela já leu esse capítula a varias semanas. :)

— Quais são os seus planos com a garota da faculdade, agora que entraram de férias? — indagou Isabella curiosa, enquanto caminhava entre os garotos, chupando uma casquinha que o irmão tinha comprado para ela.

Hugo não pôde evitar uma careta: preferia que ela tivesse dado o assunto por encerrado. Todavia, não poderia repreendê-la por lembrá-lo da garota, ela não sabia dos últimos acontecimentos, mas nada impediria Carlos de colocá-la a par.

— Seu irmão foi obrigado a abortar missão e seguir em frente. Ao que parece, a gata já é comprometida.

— Sempre houve esse risco. — argumentou categórica. — Bom, agora que terá de tirar seu time de campo, você poderia investir na Atena. — seus olhos azuis brilharam em expectativa. — Ao que parece, ela estava interessada em alguém, mas desistiu também.

— E como você sabe disso? — Carlos indagou.

— Estava presente em uma das conversas dela com a amiga, e ela mandou a Alicia ficar quieta quando começou a falar do tal garoto que Atena estava obstinada a esquecer. Como ela disse: “as férias farão milagres”. Acredito que para você também.

— Viu, Hugo, o que é melhor do que um novo amor para superar um outro não correspondido? — argumentou Carlos.

Isabella apenas deu pequenos pulinhos animados em concordância.

— Vocês são insuportáveis com esse assunto, estou de férias e não pretendo arranjar uma namorada nesse meio tempo. Minha intenção é não fazer nada. — respondeu entredentes.

— Ele já começou a ficar irritadinho. — acusou a garota.

— É que ele ainda não aceitou.

Hugo apenas revirou os olhos para os dois e andou mais rápido, deixando os alcoviteiros para trás. Se ele não ficasse de olho nos dois, eles começariam a armar planos loucos de como uni-lo com a tal Atena.

[...]

Naquela tarde, tinha prometido a mãe que seria babá e arrastou Carlos para isso também. Ares e Isabella já esperavam com Carlos em uma das quadras, enquanto Hugo fora buscar a bola. Jogariam futsal e fariam as crianças se exercitarem um pouco.

Estava no fundo do elevador quando ele parou dois andares abaixo do seu e uma garota entrou. Mas não era uma garota qualquer, era a sua. Ela estava distraída, digitando algo no celular e não o notou, apenas continuou mexendo no aparelho. Apertou o botão do térreo sem verificar se este já tinha sido apertado.

Ele nunca esperou ficar em um lugar fechado com ela — estava tão ao alcance de suas mãos. Nunca esperou também que, quando isso acontecesse, ele não faria absolutamente nada. Mas foi exatamente o que aconteceu, ele simplesmente ficou estagnado no fundo do elevador, com medo de respirar e chamar a sua atenção.

— Alô? — ela respondeu, assim que o celular tocou. — Estou no meu pai hoje... É ... Sim, posso fazer algo. — respondia e dava pausas, para que a outra pessoa também pudesse falar. — Sim, podíamos ir ao cinema... Gosto da sua linha de raciocínio. — riu.

Hugo simplesmente não pôde deixar de ficar perplexo com a sua doce risada, transtornava-o. Sua expressão fechou ao imaginar com quem ela falava, podia ser com seu namoradinho. Ela estava marcando um encontro bem na sua frente — e ele não podia fazer nada!

— Você consegue despistar o Breno? — indagou. — Sério, não sei por mais quanto tempo irei suportar o seu grude. Coitada da garota que ele namorar, já é assim com as amigas, fica abraçando a todo momento. — riu do que a outra pessoa disse. — Você acha que ele é o motivo de nós não conseguirmos um namorado? Bom, eu diria que é uma boa teoria. Vamos aproveitar da sua vontade de fazer de todas nós namoradas dele, e fazê-lo pagar nossos ingressos e lanches. Talvez isso o traumatize, ele desista de suas três namoradas falsas e arranje uma de verdade. — resmungou, atravessando as portas ao se abrirem. — Deus ajude a pobre garota.

Hugo teve uma vontade louca de segui-la e escutar o resto da conversa. Se estivesse com Carlos, talvez o bastardo curioso o obrigasse a fazer isso — sem nenhum esforço, claro. Mas sem o amigo, ele não era corajoso o suficiente.

Estava exultante. Aquele garoto não era seu namorado, era apenas um amigo. E ela estava passando as férias em seu prédio. É, talvez ele fosse um pouco sortudo.

[...]

Quando chegou até os outros, Carlos estava de costa para ele, perturbando as crianças. Cutucava Ares e abraçava Isabella, afastando-a dele. Hugo, sorrindo arteiro, tacou a bola na cabeça do amigo, que se encolheu quando ela se chocou contra a sua cabeça.

— Ai!

— O que você está fazendo?

— Nada. — fingiu inocência.

— Ele está perturbando. — reclamou Isabella, tentando se afastar de Carlos.

— Você não disse que é namorada dele? Agora aguente.

— Não sou a namorada dele.

— É sim, e mande o deus de menor ficar longe de você. — disse Carlos, empurrando levemente o garoto, que apenas revirou os olhos e pegou a bola do chão.

— Isso é ridículo. — assegurou o menino.

Hugo apenas concordou.

Ares começou a caminhar em direção a uma das quadras vazias, sendo seguido pelos outros. Não demorou muito para Isabella se soltar de Carlos e correr para o seu lado, tagarelando sobre um assunto que o menino parecia não prestar atenção, enquanto colocava a bola no chão e começava a fazer embaixadinhas.

— Nossa, você é muito bom. — elogiou a menina, o que o fez sorrir convencido.

— Não me surpreenderia se ele dissesse “eu sei”. — murmurou Carlos ao seu lado.

Hugo sorriu minimamente para o amigo e gritou para o garoto jogar a bola, o que ele logo fez. Não demorou muito para que eles começassem a correr pela quadra, animados, embora Bella constantemente reclamasse de que o jogo, para ela, estava sendo injusto.

A tarde passou voando; quando deu por si, o sol já estava se pondo e Carlos e Ares estavam largados no meio da quadra, sem fôlego, depois de uma disputa ridícula por Isabella — disputa essa, que Ares foi obrigado a participar.

— Então, quem vai ficar com os pirralhos amanhã? — indagou Carlos a Hugo, que apenas deu de ombro.

— Acho que Atena — respondeu Isabella —, ela disse que ia me ensinar a desenhar.

— Eu vou jogar vídeo game. — Ares deu de ombros. — Se quiserem, podem se juntar a mim.

— É, vem, Hugo, assim você pode conhecer a Atena. — animada, Isabella dançou em volta do irmão.

— Não sei, talvez eu tenha algo para fazer. Se eu for te buscar, posso jogar um pouco de vídeo game com Ares e conhecer a famosa Atena. — fez pouco caso.

Era fato que não fazia questão de conhecê-la, muito menos agora, que sabia que a garota da faculdade estava circulando por aí. Provavelmente, sentaria-se amanhã na portaria e ficaria esperando que ela aparecesse. Era um bom plano — isso se ela resolvesse sair.

Os quatro foram para o elevador e cada um apertou o seu andar. Ares o quinto, ele o sétimo e Carlos o oitavo. Não pôde deixar de zombar do amigo por ele ir para casa, já que o garoto faltava pouco dormir na mesma cama que Hugo.

— Tenho que tomar um banho e não quero entrar em uma fila.

— Eu sou a primeira! — gritou Isabella, antes que o irmão pudesse dizer algo.

— Viu, você já perdeu.

— Tudo bem, eu aguento esperar um pouco.

— Ele está de bom humor hoje, Bella. O que será que tá acontecendo com o seu irmãozão cabeça oca? Ele deveria estar de mau humor agora que sua amada tem um pretendente e está no conforto de sua casa, longe dele.

— Meu humor está normal, e você deveria deixar de ser um idiota. — reclamou.

— Normal? Você só conhece o humor azedo. E achei que você estaria pior depois que descobriu que a sua garota tem um namorado.

— Ela não tem um namorado. — deu de ombros.

— Não? Como você sabe?

— Simplesmente, sei. — deu um sorriso misterioso e passou pela porta quando ela abriu no seu andar, deixando Carlos e a irmã para trás.

Isabella apenas lançou um olhar desconfiado antes de segui-lo. E Carlos tinha fisgado a isca.

[...]

— Me conta tudo!

Hugo olhou sobressaltado para o amigo, que tinha acabado de invadir seu quarto.

— Cara, espera eu ao menos me vestir. — reclamou, terminando de pôr a camisa.

— Ah, cala a boca, você não está pelado nem nada, para de enrolar e me conta. Como você pode ter tanta certeza de que ela não namora o cara?

— Você parece uma velha fofoqueira. — zombou. Carlos apenas estreitou os olhos ansioso. — Você sempre será o maior dos fofoqueiros, já te disse isso?

— Pare de guardar a informação para você, me conte logo!

— Bom, hoje, quando eu fui pegar a bola, encontrei-a no elevador, e, pela sua conversa ao celular, o cara é um amigo e ela está passando as férias com o pai. — fez pouco caso, jogando-se na cama.

— Isso quer dizer que você está destruindo o sonho de cupido da sua irmãzinha?

— Não estou destruindo nada, eu nem conheço Atena para considerá-la uma opção.

— Você também não conhece essa outra. — lembrou-o.

— É, mas eu sinto algo. Acho. Ao menos poderia aprofundar se nós chegássemos a nos conhecer.

— Você soa como uma garota. — zombou.

— Falou o cara que nem deve ter tirado o shampoo do cabelo antes de correr para cá e saber qual era a fofoca.

— Acho que você devia conhecer Atena, tipo, você nem sabe se vai encontrar a garota da faculdade novamente, nem sempre damos tanta sorte assim.

— Bom, eu vou arriscar. — deu de ombros.

— Sua irmã não vai gostar desse novo capítulo da sua vida amorosa. — assegurou.

— Ela vai ter de aceitar.