Garota Ideal

3 007 – Um bom dia para se esconder


Notas iniciais
Não sei o que ta acontecendo com o nyah, mas ele está tirando meus parágrafos e nem adianta coloca-los novamente diretamente aqui. Só estou postando porque tinha dito que postaria no dia primeiro (embora hoje já seja 2 de fevereiro), estava perdida nos dias, para mim ainda faltava muito, quando disse a Beta: "leve o tempo que quiser." De qualquer forma, só ela ler. Naty, mas Hugo algodão doce para você.

Na outra semana passou a evitá-la, estava extremamente envergonhado. Para impedir mais momentos constrangedores, ele tinha resolvido não encontra-lá mais. Esgueiraria-se pelos cantos, mas não a queria fitando-o diferente, como se ele fosse um idiota.

Carlos começou a notar a diferença em um dos intervalos. Hugo estava sentado na mesa mais isolada da cantina, ela era oculta por um grande vaso de planta e só era possível vê-lo se você realmente estivesse prestando a devida atenção.

— O que você está fazendo? — indagou Carlos, colocando o lanche na mesa e sentando de frente para o amigo.

— Nada.

— Está em algum tipo de proteção à testemunha? — indagou, fingindo confusão. — Devo chamá-lo por outro nome?

— Fique quieto, não estou me escondendo. — sibilou.

— Está usando boné, acho que só falta os óculos escuros. — debochou.

— Não posso ficar com vontade de usar boné?

— Se fosse comum a você, até poderia. Em todos esses anos que estudamos juntos, não te vi de boné nenhuma vez, nem nos finais de semana. Nem sabia que você tinha um.

Hugo já não prestava mais tanta atenção.

Ela tinha aparecido, linda como sempre. Parecia distraída enquanto ouvia o tagarelar das amigas — elas se dariam bem com Carlos, tinham a mesma língua solta.

Um rapaz se juntou às meninas e agarrou as duas tagarelas, enquanto ela continuava a liderá-los, procurando algum lugar para ficar. Quando a tal adição masculina ao grupo sorriu para a sua garota, algo em seu estômago embrulhou e um gosto amargo ficou na boca. Ele queria estar lá com ela, ter coragem de conversar e sorrir.

Entretanto, a vergonha falava mais alto, e ele sempre se encolhia mais em sua mesa quando ela chegava perto o suficiente para notá-lo.

— É impressão minha ou o fato de você estar dando uma de “007 – Um bom dia para se esconder” tem alguma coisa a ver com aquela garota? — perguntou excitado.

— Não.

— É sim. Agora que estou olhando bem, reconheço-a daquele dia na barca, quando você perguntou a ela as horas. Eu estranhei no dia, você!, falando com uma garota e apenas para saber as horas, mas agora tudo faz sentido. Ela é a sua garota perfeita. — animou-se.

— É garota ideal, e não, não é. — respondeu arisco.
— Agora entendo todo esse jogo de esconde-esconde. Você está interessado! — acusou.

Hugo preferiu não responder: sabia que não adiantaria negar ou afirmar, Carlos já tinha tirados suas conclusões. Em sua cabeça, eles já eram um casal. Por mais que o amigo não estivesse tão longe assim da verdade, ele estava dançando break em cima dela! No entanto, ele nunca confessaria, isso só daria armas a mais para Carlos, e ele não era o tipo de amigo que se dá munição para mais tarde. Ele sempre sabe como usar algo contra você, mesmo que não no momento.

Carlos apenas permaneceu com seu sorriso maroto, enquanto continuava com os olhos fixo na garota.

É, agora ele não seria o único a observá-la.

[...]

No final daquela tarde, Hugo tinha optado por voltar de ônibus. Estava exausto e achava que uma soneca durante a volta para casa ajudaria-o. Despreocupado, ajeitou a mochila nas costas e caminhou tranquilamente para o ponto de ônibus, sabendo que, naquele horário, por ser fim de expediente da grande maioria das pessoas, as barcas provavelmente estariam mais lotadas e não estava com vontade de enfrentar o empurra-empurra.

Hoje tinha conseguido chegar tranquilamente ao lugar onde pegaria o ônibus. Olhava ao seu redor distraidamente, querendo passar um pouco do tempo, quando a viu.

Ela parecia distraída, mas Hugo sabia que não levaria muito tempo até notá-lo e, quem sabe, milagre dos milagres, falar com ele. Entretanto, ele não estava pronto para isso e, como um covarde, entrou no primeiro beco que viu, torcendo para que ela não tivesse notado a sua fuga. Se antes ela não dava importância a sua existência, agora, se o pegasse em fuga, provavelmente nunca teria a chance de se aproximar.

Chateado, não demorou muito para chegar à bilheteria, comprou a sua passagem e resolveu esperar a próxima barca atracar, com sorte ele poderia ir sentado.

Todavia, sorte não é algo que lhe pertence no momento, além de pegar a barca velha e com cadeiras desconfortáveis, passou o caminho todo pensando nela e qual seria a sua reação se tivesse notado a sua saída estratégica pela tangente.

Ele só esperava que isso não tivesse acontecido.

Ele não podia ser tão azarado!

[...]

Quando chegou em casa naquela noite, sentia-se miserável. Estava agindo como um covarde, desmotivando-o um pouco. Arrastou-se para o banho. Quando passou pelo corredor, ouviu um som alto vindo do quarto da irmã — ela era uns bons anos mais nova do que ele.

Tomou um banho rápido e jogou-se na cama com a toalha ainda enrolada na cintura, enquanto tentava parar de pensar nela. Mas era uma tarefa difícil, principalmente quando a viu há poucos horas. Virou para o lado e fechou os olhos, soltando um grunhido com o rosto no travesseiro. Estava frustrado com toda aquela situação.

Na manhã seguinte, enquanto se aprontava para a faculdade, tentou pensar positivo. Já não se enganava mais, ele sentia alguma coisa por ela. Caramba!, pensava nela o tempo todo, não importava se tinha sol ou lua no céu. Devia parar com a bobeira de se esconder, nada podia ser mais embaraçoso do que o dia na barca, certo?

Continuou tentando pensar positivo quando encontrou Carlos no pátio do prédio, durante o percurso para a faculdade e mais um pouco durante as aulas.

Entretanto, ainda estava um pouco receoso, ela provavelmente o achava um idiota. Não sabia exatamente de onde vinha todo aquele medo, nunca fora do tipo medroso, porém, aquela garota o deixava apavorado. O simples pensamento de que ela pudesse não corresponder a suas expectativas era capaz de enlouquecê-lo!

No intervalo, sentou no mesmo lugar de sempre, esperando vê-la. Bonita e sorridente. Alegre, conversando com os amigos, iluminando o seu dia. Estava perdido!, foi no que pensou quando percebeu que precisava dela para fazer seus dias melhores. Quando tinha se tornado tão sentimental? Não sabia exatamente, talvez tenha sido naquela tarde chuvosa, quando olhou diretamente em seus olhos e se perguntou onde ela tinha andado durante toda a sua vida?

Se Carlos fosse capaz de ler mentes, estaria troçando loucamente dele.

Frustrado, passou a mão pelo rosto. Seus próprios pensamentos estavam confusos! Por mais que estivesse tão na dela, não conseguia aceitar. Era bastante surreal, há alguns meses ele estava bem, sem nenhuma garota confundindo e dominando a sua mente.

— E a sua garota ideal? — provocou o amigo. Hugo limitou-se a fazer apenas uma careta desgostosa. — Será que ela descobriu sobre os seus disfarces e, agora, é ela quem está se escondendo?

— Claro que não. — grunhiu, Carlos ultimamente estava conseguindo penetrar em sua pele. O que antes ele apenas ignorava, agora o incomodava a ponto de retrucar irritado. — E não estou me escondendo.

— H, vamos ser sinceros, você está interessado e sendo um idiota por ficar fugindo dessa maneira! Uma hora, ela vai notar e pensar que você nunca esteve interessado. — aconselhou. Hugo apenas arqueou a sobrancelha para o amigo, que o olhava sério, totalmente cético quanto o comportamente de Carlos. O garoto parecia até sensato. — E então, você terá perdido chances valiosas com ela.

— Você acha que ela notou?

— Bom, ela sumiu.

— Ela pode estar ocupada.

— Ou se escondendo de você.

Hugo fez uma leve careta, sabia que não adiantaria nada continuar discutindo com Carlos, só o tempo diria se ela estava ou não se escondendo dele.

[...]

Quando caminharam até as barcas mais tarde, Hugo não pôde evitar procurá-la com os olhos. Porém, como suspeitava, não a viu. Ele devia aquietar um pouco a obsessão que desenvolvia por ela. Sentou-se no banco e sacou o celular, jogando um joguinho que andava viciado ultimamente.

Quando a barca finalmente atracou, ele desgrudou os olhos do aparelho e observou a sua volta enquanto seguia o amigo. Estava um pouco distraído, mas não o suficiente para não perceber a sua garota vindo pelas escadas do segundo andar.

Ela não o viu a princípio, estava olhando para os próprios pés, mas ele não pôde evitar manter os olhos grudados em sua bela forma.

Assim que colocou os pés no primeiro piso, ela olhou para cima e seus olhos se conectaram. Ele viu surpresa e mágoa misturadas neles. Ela tinha notado, agora ele tinha certeza! Não se viam mais, não porque ela andava ocupada ou em conflito de horários, mas, sim, porque ela não queria. Agora quem estava evitando era ela.

Algo lá no fundo lhe dizia que ela era boa em passar despercebida.

— Acho que alguém notou que estava sendo evitada. — Carlos parou ao seu lado e comentou após observar atentamente a saída rápida dela.

Em duas piscadas, eles não podiam mais identificá-la naquele mar de pessoas.

Notas finais
Blábláblá.... tanto faz =)