Garota Big Bang
2 5 Meses
Notas iniciais
Estava voltando para casa, depois de aulas entediantes na faculdade. Morar sozinho era uma vantagem. Poder me isolar de tudo e todos. Meus amigos ainda continuavam tentando me animar, me convidavam para festas, mas eu ainda não conseguia.
Cheguei ao apartamento pequeno, passei pela cozinha estreita, pela sala minúscula e enfim no quarto grande, porém bagunçado. Depois do acidente, eu havia ganhado o apartamento. Tudo bem que era um prédio de frente para o dos meus pais, mas ainda assim era privacidade, e eu precisava de privacidade.
– Oi. – ela me disse sorrindo. – Vamos, me conte as coisas normais e entediantes do seu dia.
– Normais? Ahn, tive aquelas aulas chatas, e, hm, eu estou conversando com o fantasma da minha namorada. Essas são coisas normais, coisas que todo cara de 19 anos passa. Muito normal. – respondi a ela. Alice sempre estava lá. Eu não sabia se era real, se era minha imaginação, mas eu ainda a amava. Vê-la era bom, mas lembrar que eu não podia mais toca-la, ou beija-la.. Era tudo muito doloroso.
Ela continuava como estava no dia de sua morte. A calça jeans, a camisa fearless, um par de tênis surrados e um colar que dei para ela, o cabelo exatamente igual. Na altura dos ombros, loiro, repicado. As bochechas coradas, como se ainda estivesse viva, os olhos ainda brilhantes. Ela parecia viva, parecia totalmente bem. Parecia a mesma garota que eu tinha conhecido aos 17 anos e me encantado completamente.
– Alguém... te chamou pra alguma festa? Teve algo de novo? – ela perguntou.
– Uma aluna nova. Camila. Ela ficou amiga das meninas. – respondi.
– Isso é ótimo! Então as meninas já estão bem? Mariana, Stela, e Juliana estão bem?
– Você morreu há 5 meses. Elas não vão melhorar tão rápido.
– Eu sei. – ela responde um pouco triste. – E então, a garota nova, como ela é? É bonita? De onde ela é?
– Ela é bonita sim.. veio de.. de Santos – disse, lembrando que se eu não tivesse inventado o fim de semana romântico, Alice ainda estaria viva.
– Descreva-a.
– Ela tem cabelo castanho claro, liso, olhos castanhos também, e só.
– Homens! Claro que não é só, ela é alta ou baixa? Magra ou gorda? Usa óculos? Veste-se bem? Tem um papo legal?
– Eu não ligo pra nada disso, eu só consigo olhar pra você. Somente você tem tanta atenção assim. Só com você eu noto que seus olhos tem um anel cor de mel no centro, só com você eu noto que você tem sardas no nariz, poucas, mas bonitas. Só contigo eu noto que você tem exatamente 1,65 de altura, e coxas que matariam qualquer gringo louco por uma brasileira.
Ela me olha. Seu olhar diz o que ela tem me dito desde a primeira aparição.
– Lucas – ela diz. -, amor, agora que eu..
– Quê? Como você.. como você tá falando comigo? Eles me disseram que você..
– Morri? Eu morri, meu amor. Eu vim te dizer, para seguir em frente.
– Como eu posso seguir em frente? Como? Era para sempre, para todo o sempre, lembra?
– Meu amor, eu não vou voltar. De jeito nenhum. Siga em frente.
– Alice...
– Eu não posso ver você sofrendo por mim. Por favor, se esqueça de mim. Conheça outras meninas.
– Não! Eu não posso.
– Você precisa.
Ela me olhava com o mesmo pedido no olhar.
– Você sabe que eu não consigo.
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Acordei cedo, me encarei na frente do espelho do banheiro por uns minutos. Cabelos castanhos despenteados, olhos também castanhos, um garoto alto e magro, porém forte.
– Chame aquela garota para sair. – Alice disse.
– Eu nem a conheço direito. Ela é amiga das suas amigas, nem sei quantos anos ela tem. – respondo.
– Ela é nova na cidade, ofereça ajuda, a chame para almoçar. – ela me olha com o olhar suplicante novamente.
– Não, Lice. Você sabe que eu não consigo.
E então ela sumiu.
.
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Eu estava saindo do prédio de aulas, seguindo em direção ao metrô.
– Ei, licença. Lucas né? – virei-me e vi Camila sorrindo. – Você pode me dizer pra onde eu pego o metrô? Ainda estou tentando me acostumar a andar por aqui.
– Eu to indo pra lá agora.
– Posso te acompanhar? – perguntou e eu assenti. Tentei notar nos detalhes dela, como Alice havia sugerido. A pele era morena clara, e os olhos eram castanhos esverdeados. A garota também tinha sardas, mas eram mais espalhadas pelas bochechas. Ela usava calça jeans e uma blusa do Green Day.
Nós caminhamos em silêncio e chegamos na estação.
– As meninas me disseram que.. – ela começou. – esquece.
– Pode falar. É sobre a Alice né?
– Sinto muito. Ela parecia ser incrível. Ouvi tantas histórias sobre ela desde que cheguei..
– Ela era realmente incrível. O sorriso dela parava o mundo.
Ficamos em silêncio quando o metrô chegou e embarcamos logo depois de esperar as pessoas saírem.
Sentamo-nos e ouvi Alice em minha cabeça.
Chame-a para sair.
Não!
CHAME-A!
– Quer almoçar lá em casa? – perguntei desajeitado para Camila.
– Eu adoraria – ela sorriu, que sorriso. Ficamos sem conversar o resto do caminho.
– Estação Brigadeiro. – a mulher anunciou.
– É aqui que descemos. – falei e nos levantamos. Conversamos sobre música até chegar ao prédio. Ela gosta de Rock antigo, mas também de Pop e música eletrônica, exatamente como Alice.
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