Game Of Secrets
7 Bran - +18
Notas iniciais
Que os Deuses sempre foram irônicos, isso qualquer pessoa em Westeros sabia. Mas com Brandon Stark, parecia que eles eram o dobro.
Quando estava na sexta série, Bran conheceu Jojen Reed. Ele era bonito, e todas as meninas da sala amavam ele, mas Jojen sempre foi muito quieto e muito frio. Bran se lembra até hoje de quando uma garota entregou um bilhetinho de amor a Jojen, e ele rasgou na frente de Bran, depois voltando a conversar com ele, como se nada tivesse acontecido.
Mas Bran nunca teve muitos amigos, e em Winterfell sempre foi pior. Além do mais, Jojen nunca fez nada de errado contra Bran, então eles ficaram amigos rápido.
O pai de Jojen era Howland Reed, um dos amigos mais fieis de seu pai. Isso só aproximou a relação dos dois. Com a permissão de ambas as famílias, os dois brincavam de bruxos e feiticeiros felizes da vida. Eram meninos, e nada tinha muita importância para eles.
Ai a irmã mais velha de Jojen voltou de seu intercâmbio.
Meera Reed era a menina mais linda que Bran já tinha visto em toda a sua vida. Ela era seis anos mais velha que Bran, alta, esbelta, com os cabelos curtos cacheados e profundo olhos verdes como a escama de um jacaré. Esse, na verdade, era o animal preferido de Meera. Bran sabia disso porque tinha ganhado um em forma de pelúcia em um parque de diversões e tinha dado para Meera. Ela beijou sua bochecha e lhe agradeceu.
Bran soube que a amava naquele dia.
A jovem criança de verão, como sua avó, a Velha Ama, o chamava, nunca soube de fato o que era o amor. O amor pra ele era o que seu pai Ned demostrava por sua mãe, Cat, e era isso que ele demostrava para Meera. Ele sorria pra ela, lhe dava presentes feitos à mão e sonhava com o casamento deles. Ok, essa parte era bem gay, mas ele gostava dela de verdade, e a cada ano mais.
Ao longo de tempo, a companhia de Jojen virou era apenas um pretexto para ver Meera. A amizade dos dois ficou ainda mais abalada quando Jojen falou que Meera jamais iria olhar pra ele, e o Stark lhe lançou um soco no olho. Estranhamente, Jojen riu quando Bran isso.
— Você deve estar muito apaixonado por ela. — diss dele, esfregando o olho inchado.
— Então... Estamos de bem? — perguntou Bran, arrependido.
— Não, cai fora da minha casa.
E, por mais que a amizade de Jojen estivesse por um fio e Meera nem olhasse para ele, Bran ainda amava a garota.
Até que os Reed se mudaram para Porto Real.
Howland era professor de história, e um dos melhores que Bran já tinha visto. Com a proposta de ensinar no Instituto Harrenhal de Educação, Howland não precisou pensar muito em levar toda a família para Porto Real junto com ele. Isso quebrou Bran inteiro.
Mas Meera já era maior de idade, ela podia ficar em Winterfell se quisesse.
Hoje, olhando pro passado, Bran sabia o quão ingênuo e quão burro ele foi em ainda se agarrar a aquela medíocre esperança. Mas ele era novo de mais e, como Velha Ama dizia, não conhecia a dor dos cacos de seu coração quebrados perfurando sua pele. Bran dizia que aquilo era poético, e a poesia nunca era de verdade. A Velha Ama sorria, e dizia que cada poema era uma linha do passado contada de forma dolorosa. Bran dizia que aquilo também era poético.
E, como uma criança besta, ele se ajoelhou na frente dela e implorou que ela ficasse. Disse que a amava, seu primeiro e mais puro amor, e que a faria feliz. Chegou a tentar beijá-la, chegaram até a encostar os lábios. Os melhores cinco milésimos da vida de Bran.
Mas ela o afastou e, supresa, apenas riu. Riu. Riu, e disse que também ia sentir a falta de um amigo como ele, mas que tinha um namorado que conseguiu no intercâmbio a separando, lá em Porto Real.
O som do riso dela ainda assombrava seus pesadelos.
Finalmente, o coração de Bran se quebrou e o cortou por inteiro. Ele pensou em fazer uma poesia com aquilo é mostrar a Velha Ama, mas doía demais escrever. Dois demais respirar, ele percebeu nas semanas seguintes. Só agora ele tinha percebido que, além de perder a paixão, tinha perdido o amigo também. Bran nunca teve muitos amigos, e ficou sozinho em Winterfell.
Mas, se apaixonar pela irmã do seu melhor amigo e perder os dois ao mesmo tempo, não era o mais irônico.
Bran continuou sem amigos, durante quatro anos. E, mesmo quando acostumado com aquilo, ele não conseguiu evitar o coração batendo forte e as mãos suadas quando seu pai falou que eles iam se mudar para Porto Real, atrás de tratamento para Sansa.
E, após cinco horas de vôo ao lado de um saltitante Rickon, atrás de uma emburrada Arya, de um adormecido Robb é uma chorosa Sansa, eles chegaram em Porto Real. A casa deles eram extremamente — Bran não brincava quando dizia isso — grande. Bem, com uma família de sete pessoas, não se poderia esperar nada menor.
Eles conheceram as famílias que seu pai tanto falava, como os Baratheons, alguns Targaryens, seu primo Robin Arryn e alguns Martells e Lannisters. Bran tinha até feito amizade com um deles, Tommen. E, em menos de três semanas, eles iriam para uma nova escola: Instituto Harrenhal de Educação.
Bran procurou em todas as suas caixas o número de Jojen, e rezou para todos os deuses que ele ainda estivesse com aquele número.
Jojen ainda estava.
As visitas a casa dos Reed voltaram, junto com as partidas de O Corvo de Três Olhos e RPGs online. As mensagens já estavam quilométricas em pouquíssimos dias e, mais estranhamente, Bran nem estava pensando tanto em Meera assim.
Mas ela aparentava estar.
Em alguns poucos momentos em que eles não estavam jogando ou conversando sobre o jogo, Jojen tinha deixado escapar que Meera tinha terminado com seu atual namorado. Bran pensou que fosse explodir de felicidade. Mas não foi isso. Ele simplesmente deu de ombros, e voltou a jogar.
Seu coração estava começando a se juntar.
Mas Bran ainda ficava receoso de ir a casa de Jojen. Meera sempre estava lá, sem exceção. Sempre no quarto de Jojen, sorrindo para Bran, sendo mais gentil do que o normal, falando coisas provocantes. Bran já era um adolescente, e Meera, já como uma mulher, sabia o efeito que fazia nele. E aprecia, misteriosamente, adorar.
Até que Jojen lhe mandou uma mensagem um dia.
"Oi Bran, aqui é Meera. Sei que pode parecer estranho e tudo mais, mas quer ir tomar um sorvete amanhã? Preciso falar com você. MR."
O Stark não tinha muito o que fazer.
A sorveteria era grande e bonita, com cadeiras coloridas de várias cores. As mesas e cadeiras eram coloridas mas, em um canto mais escuro, ele viu Meera sentada em uma cadeira verde, em uma mesa preta, com uma cadeira azul na sua frente. Verde era cor preferida de Meera.
Ela sorriu para ele quando ele se sentou na cadeira azul.
— Estou feliz que veio. — ela disse, e Bran a observou. Não mudou nada. Ainda tinha seus belos cabelos cacheados, e ainda era incrivelmente bela. Seus olhos ainda eram incrivelmente verdes. — Peguei a cadeira de sua cor preferida. Azul, não?
— Não. — ele disse, meio desconfortável. — Na verdade, é cinza.
Ela fechou os olhos com força, envergonhada, e corou. O tom vermelho em sãs bochechas podia ter feito Bran suspirar a anos atrás mas, agora, apenas o fazia dar um leve sorriso adorável.
— Sim, sim claro, Jojen me falou. — ela disse, murmurando. — Azul era a cor preferida de Bryen. Azul e branco.
Bran não sabia quem era Bryen. Suspeitava que fossem Bryden o ex-namorado dela. Ignorou aquele pensamento.
— Não tem cadeira cinza de qualquer jeito. — ele disse, e ela sorriu, quando como se o agradecendo.
— Você é sempre muito gentil, Bran. — ela tinha dito, pegando na mão de Bran, o que o fez corar. — Principalmente comigo. Sabe, nunca achei ninguém que tivesse sido um quarto do gentil de como você foi em Winterfell.
Bran sorriu tímido, e tirou sua mão debaixo da de Meera. Estava incomodado.
— Doçura de criança. — ela falou, e teve certeza que sua avó que teria falado isso.
— Mas você continua gentil, Bran, e não é mais criança. Definitivamente não é. — ela sorriu mais, e seus olhos brilharam. — Você cresceu Bran, está quase do meu tamanho. E ficou bonito também.
Bran sorriu e Meera tentou se aproximar. Àquela altura, Bran já tinha percebido tudo.
— Meera, não. — ele sussurrou, a afastando.
— Bran, sei que fui horrível com você naquela época, e peço desculpas. Mas eu era muito nova, estava apaixonada por outro, e você mais novo ainda. — ela disse, e arrastou a cadeira para ao lado dele. — Agora... Agora...
Ela continuava se aproximando, e Bran estava em pânico. Bran nunca tinha visto essa parte de Meera Reed, atirada. Uma parte dizia "vai, vai, ela é o seu primeiro amor!" enquanto a outra parte dizia que era muito, muito mais velha que ele.
Então Bran recuou pra trás, recuou tanto que caiu da cadeira, sentado no chão. Todos na sorveteria se viraram para encará-lo e ele se levantou, depressa.
— Bran! — ela disse, alarmada.
— Eu preciso ir. — ele disse, apressado, e depois correu para longe dela
O irônico ainda não era o fato de que ele era apaixonado por ela e ela o rejeitou, enquanto agora era o contrário. Não. O irônico mesmo era ela ter se declarado para ele, três dias depois que seu irmão o tinha beijado.
[X]
— Você vai acabar se perdendo nessa jornada, Brandon Stark. — disse Jojen, sentado na sua frente, do outro lado da mesa de vidro. — Abra o seu terceiro olho, Brandon, vôe.
— Eu não consigo! — alegou Bran, jogando os dados. — Se tentar abrir o olho, meus pontos vão acabar!
— Mas se abri-lo direito, eles irão triplicar. — disse o loiro, na sua frente, calmo. — Você é Brandon Stark, o Aleijado, o último se sua linhagem. Seus irmãos mais velhos ou estão mortos ou muito distante, suas irmãs estão todas presas, e seu irmão mais novo, desaparecido. Você é o último Stark, e não consegue sequer mover as pernas. A única coisa que tem é um diferente tipo de chofer e seu lobo. Abra seu terceiro olho, Bran.
— E você é Jojen Reed, o herdeiro e mais novo filho de Howland Reed, o último dos filhos de seu avô e o último da linhagem. Não tem terras, pois todas foram mergulhadas no rio, e a única coisa que tem é a irmã para protegê-lo. — rebateu Bran, irritado. — Como consegue abrir seu olho e eu não?
Jojen sorriu misterioso, de novo. Jojen era estiloso, com suas calças jeans, suas blusas brancas e seus casacos verdes. Seu cabelo loiro era bagunçado de uma forma que encantava as meninas, e seus olhos também. Jojen raramente sorria por estar feliz ou algo do tipo, mas era considerado o mais bonito da sala.
Bran jogou os de forma apreensiva. E perdeu.
— Você perdeu. — disse Jojen, sem emoção na voz. — Sabe o que isso quer dizer.
E Bran sabia muito bem. Mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa, Jojen se aproximou e selou os lábios deles. Esse era o trato, que perdesse fazia o que quisesse com o outro. Bran já esperasse que chegasse algo desse nível, então já tinha trancado a porta.
Era normal de Jojen fazer isso, beijá-lo a qualquer momento quando estavam sozinhos e, logo depois, fingir que nada aconteceu. Bran já estava acostumado com aquilo. Além do mais, já era a quarta vez que ele perdia — Jojen já tinha pegado sua camiseta de lobo preferida, seus dados, uma de suas edições especiais da HQ de The Walking Dead é a bateria do antigo celular de Bran. — e não tinha mais nada para fazer. Jojen ficava entediado fácil.
Bran estranhou a demora do beijo, normalmente era rápido e, se fossem pra ser demorados, eram mais que um, até que saciasse Jojen. Ninguém sabia sobre eles só, misteriosamente, Quentyn Martell, que tinha pegados os dois na aula de ciências. O moreno não disse nada e, mesmo não sendo amigos, ele mantém segredo. Quentyn dizia que Bran era quase como um submisso de Jojen, e que ele jamais faria algo desse tipo. "Insubmisso, Não Curvado, Não Quebrado." ele tinha dito, e Bran tinha revirado os olhos.
Abriu os olhos pra ver o que estava acontecendo, e viu que Joejn tirava o casaco verde jeans quanto o beijava. Depois, se separou dele por alguns segundos, tão ofegante quanto Bran, é tirado a blusa branca, depois voltado a beijá-lo. Ele era forte, Bran tinha que falar aquilo, e era bem mais musculoso que Bran. Não que fosse grande coisa, já que Bran era extremamente magro, mas ele teve que passar as mãos por ali enquanto o loiro o beijava.
O Reed o colocou deitado no chão, e começou a beijar seu pescoço. Bran arfou. Jojen nunca tinha feito aquilo, nunca tinha chegado naquele nível, e parecia insaciável hoje. Bran estava com vergonha, se sentia uma garota sempre que Jojen começava a beijá-lo, e agora estava pior, gemendo baixo e rezando para que seu pai não chegasse ali.
Jojen tirou a blusa de Bran antes que ele falasse qualquer coisa, e o levantou, como se ele fosse algum tipo de deficiente, o colocou em seu colo e começou a chupar seu pescoço. Bran corou como uma garota ao ver sinais de vida embaixo dele, e entrou em pânico. Bran tentava sair, mas não conseguia, e de alguma forma nem queria. Mas, quando Jojen começou a beijá-lo e a descer os dedos até seu calção, Bran ficou apavorado.
Pelo que ouvia pelos murmúrios de Robb com Theon Greyjoy, Bran que deveria estar no lugar de Jojen, e uma garota no lugar de Bran. Ele sempre sonhou que fosse Meera. Agora seria a hora da "penetração" e, na flor da idade como Bran estava, ele já tinha pesquisado sobre aquilo. Mas com garotas. Parte dele estava pavoroso, sem saber o que fazer, e a outra mandava tudo pro espaço.
Mas, quando Jojen começou a descê-lo, Bran colocou a mão no peito dele e o parou.
— Para, já deu. — ele disse, arfando, e já tinha dado mesmo.
Jojen o ignorou, voltando a beijá-lo.
— Estou entediado. — ele disse, distribuindo beijos entre seu pescoço e lábios.
Bran franziu a testa, e a raiva o tomou. Empurrou Jojen pra longe, que fez o loiro bater violentamente em uma mesinha de canto.
— E você vai tirar minha virgindade porque está "entediado"? Sério!? — ele perguntou, revoltado.
Encarou Jojen, com fervor, mas o mesmo já tinha se levantado, e ido pegar um caramelo que tinha em cima de outra mesa. Bran continuou a encará-lo. Jojen parecia desfilar para irritá-lo ou provocá-lo. A calça preta ficava perfeita nele, e a visão de suas costas fez Bran corar. Droga Stark, concentre-se.
Então, Jojen riu.
— Cara, você parece uma garota. — ele disse, simplesmente, pegando o caramelo.
Bran evitou corar. Mas era verdade, ele estava sendo uma garota. Em, tipo, tudo. Na vida, com Meera, com Jojen... Em tudo. Ele se amaldiçoou, pensando seriamente em fazer uma cirugia de sexo e mudar seu nome para Brianna Stark quando rebateu:
— E você parece um idiota. Ah, não, esqueci, você já é. — ele disse, revoltado, se levantando e se abaixando para pegar a blusa. Já estava com a blusa na mão quando Jojen chegou por trás, o abraçando.
Bran conseguia sentir o calor e suor do corpo do loiro contra o seu, e os braços deles em sua cintura, o puxando pra ele. Ainda havia sinal de vida em Jojen, mas não era tanta quanto era antes. Bran respirava com dificuldade, quando Jojen abaixou sua cabeça e a encaixou no ombro de Bran.
— Desculpe. — ele disse, beijando o ombro de Bran. — Desculpe, sério, sou um idiota. Isso é importante pra você, então deixa pra lá.
As vezes Jojen o deixava tão prepotente, que Bran tinha vontade de chorar.
Bran ouviu uma batida na porta, e se desesperou. Seu coração batia forte e ele foi correr para vestir a blusa, mas Jojen o impediu, o deixando naquela posição.
— Meninos? — disse sua mãe, Cat, do outro lado da porta. — Está tudo bem? Ouvi ruídos dai.
Bran engoliu a seco, mas Jojen respondeu calmo, com a cabeça ainda em seu ombro:
— Não, Senhora Stark, está tudo bem. — ele disse, e sua mãe concordou, indo embora. Ele sorri. — Viu? É só ter calma.
O celular de Bran tocou, e o de Jojen também. Jojen tirou o dele do bolso, e Bran teve que se esticar para pegar o dele. No final, era uma mensagem de Meera, o chamando para sair.
— Meera. — disse Bran, por fim, suspirando.
— Alys Karstark. — disse Jojen, guardando o seu celular. — Deveria atender sua namorada.
— E você a sua.
— É. — ele concordou, mas de última hora virou Bran para encará-lo, e o empurrou contra a parede. — Mas ainda temos alguns segundos. Então, quietinha, me deixe fazer o resto.
— Jojen...
— Não se preocupe. — ele disse, e sorriu. — Não vou passar da segunda base.
E, enquanto Jojen o beijava e descia até onde queria, Bran percebeu entre os gemidos como ele era uma garota, e quanto todos percebiam isso. Atá Jojen, que o mandou ficar "quietinha". Mas, quando Bran chegou em seu máximo e Jojen se afastou um tanto surpreso, Bran segurou sua cabeça forte e o obrigou a continuar. E ele soube que Jojen gostou. Foda-se se ele era uma garota, se isso significava ter Jojen ali, entre suas pernas, ele estava feliz em ser Brianna Stark.
E, enquanto ele se controlava para não gritar o nome de Jojen, Bran percebeu o quanto queria tirar Jojen de lá e o beijá-lo de verdade antes de obrigá-lo a voltar a fazer o que fazia.
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