Galhos Suicidas
11 Jade

Assinou a reabertura das viagens interplanetárias. Um pouco mais de suspensão e a população clamaria por sua cabeça em uma bandeja. Ismália e Brianna, acompanhadas por Lenora, puderam embarcar tranquilamente em Plutão.
Para a sua infelicidade, a medida teria de ser seguida por um intenso aumento no controle do fluxo migratório em direção à Terra.
Em toda a véspera de Nodos, era a mesma história. Milhões de pessoas de outros planetas tentavam se aventurar a ingressar no Nodos de forma ilegal — o direito à participação no Nodos era exclusiva para terráqueos.
E para seu incômodo, Olga frequentaria o Parlamento com muito mais frequência nas próximas semanas. Teria que dar entrevistas ao seu lado. Redes de fofoca adoravam deleitar-se em Jade e em seus relacionamentos mal acabados…
O Nodos tinha um prédio próprio — este tinha uma gigantesca extensão, capaz de comportar bilhões de pessoas confortavelmente. Este era inteiramente equipado com tecnologia de ponta — sensores, simuladores, câmeras e microfones ligados 24 horas por dia. Todos os participantes tinham que se submeter a passar o tempo necessário no interior do Nodos até desistir ou o novo monarca ser apontado. Normalmente, era questão de semanas.
Cada participante ao entrar ganhava uma pulseira impossível de se tirar sem as ferramentas corretas. Esta pulseira era responsável por medir a temperatura, os aceleramentos cardíacos e o estado emocional de cada participante — se algum corresse risco de vida, era automaticamente desclassificado e retirado do prédio. Esta pulseira também era responsável por mostrar ao participante seu nível na “competição”; que no total eram quatro níveis: comum, quando 100% a 61% dos participantes ainda permaneciam no Nodos; sobressalente, quando a porcentagem diminuía para 60% a 31%; semifinalista de 30% a 11% e finalista, quando fazia parte dos últimos 10%.
Era comum no Nodos que todos os participantes se tornassem sobressalentes na primeira semana do evento.
A pulseira também tinha acesso direto à corrente sanguínea de cada participante, sendo responsável por mantê-lo alimentado e supri-lo da necessidade de dormir. No Nodos, não se tem pausa para comer ou dormir. Vive-se sempre os desafios.
A mídia tinha acesso direto às câmeras e microfones no interior do Nodos. Vendiam o que capturavam do desempenho dos participantes que tivessem interesse de comprar as imagens para guardar de lembrança. Nos grandes meios de comunicação, entretanto, mostrava-se predominantemente as personalidades mais famosas — e os que ficavam famosos lá dentro, viralizando entre a população que assistia o Nodos ansiosamente.
O Nodos também era transmitido aos outros planetas do Sistema Solar. Era um evento que, definitivamente, tinha ampla visibilidade e grande arrecadação financeira.
Glaura, Poliana, Driano, Flora e Graco já haviam confirmado participação. Jade estava receoso em fazê-lo.
Ainda tinha certeza de que Victriz estava planejando alguma coisa, só não sabia exatamente dizer o quê. Conhecia-a melhor do que ninguém, sabia disso. Conseguia sentir. Se ela havia sido pega de propósito, sabendo que seria destronada e que então convocariam o Nodos… Provavelmente, ela pretendia concluir seu plano durante a realização do Nodos. Quando a atenção de todos nos planetas estivesse focada no evento.
Talvez aquele Nodos fosse apenas um bode expiatório. Talvez Victriz realmente tivesse a intenção de voltar ao poder…
… Mas qual era a necessidade daquilo tudo? Que tipo de inimigos a assustariam a ponto de tentar uma manobra tão arriscada?
Não sabia, mas estava disposto a descobrir. E não conseguiria fazer isto dentro do Nodos.
Portanto, decidiu que não participaria. Preferiu, entretanto, não anunciar a sua decisão publicamente até o último segundo.
Não queria que Victriz duvidasse de suas intenções.
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Kai ergueu a sobrancelha, abrindo o cartão-confirmação de inscrição no Nodos em sua tela.
“Você vai mesmo tentar isso, pequena?” Crystal enrugou o nariz. Não gostava de ser chamada assim.
“Claro! Sou uma terráquea oficialmente, não sou?” Crystal cerrou os olhos, intimidando Kai. “Ou vai me dizer que o seu trabalho vai ser descoberto e eu vou ser deportada?”
Kai revirou os olhos. “Faz-me rir. A minha falsificação é perfeita, nunca vão desconfiar de nada. Você arrumou o melhor cara no Sistema Solar pra fazer isso.”
“Hm, que sorte a minha.” Ironizou. “E você, não vai tentar?”
Kai negou com a cabeça. “Não. Tenho trabalhos inadiáveis pra fazer. E eu não tenho certeza de que seria uma boa ideia me expor pra absolutamente todas as pessoas do Sistema Solar... Inclusive, não é uma boa ideia pra você também. E se for um negócio que exponha os segredos dos participantes, que nem na última vez?”
“Acho que vou correr o risco. Meu pai não assiste nada da mídia terráquea... E o Nodos nunca faz o que se é esperado, não é mesmo? Sorte a minha.”
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