Galhos Secos
1 Novo lar
Notas iniciais
Corre. Corre. Corre.
A barra da saia de seu vestido já havia se tornado de uma cor amarronzada, seus sapatinhos brancos eram puro barro e sua trança havia se desfeito, deixado o cabelo solto bater em seu rosto avermelhado.
Respirava ofegante, mas não tinha coragem de parar.
Nem de olhar para trás.
Olhos fixos ao chão á sua frente, coberto da grama verde para se transformar lentamente em pedras até chegar a uma parte em que as folhas secas dominavam o plano.
Já havia alcançado a floresta, mas mesmo assim não parou.
Continuou a correr até que bateu com a cabeça em um galho e caiu para trás.
Ficou deitada sem se mover, apenas escutando os ruídos da floresta e o de sua própria respiração.
Quando os primeiros raios de sol começaram a se infiltrar pelo emaranhado de árvores, tomou força e se levantou.
Olhou a sua volta e se sentiu mais segura ao perceber que havia adentrado muito a floresta, tendo o horizonte como uma infinidade de árvores.
Começou a andar pela mata observando os detalhes de cada planta, pedra e animal que via. Não demorou muito até encontrar uma árvore com o tronco e os galhos mais espessos do que a de qualquer outra que tivesse visto até aquele momento.
Tentou agarrar-se á alguma fenda na casca do tronco para poder subir, mas por mais que se esticasse ainda era pequena demais para conseguir alcançar até o galho mais baixo. Olhou a sua volta a procura de algo que pudesse fazer de apoio para lhe dar altura suficiente, mas as pedras que encontrava eram muito pesadas para que pudesse as pudesse carregar e muito menos empurrar.
Não querendo desistir da árvore gigante tirou do bolso de seu casaco uma adaga pequena que trazia no bolso e escreveu seu nome no ponto mais alto do tronco que conseguia chegar: DIANA. Não conseguiria subir nela agora, mas assim que tomasse altura suficiente voltaria e subiria.
Voltou a caminhar. Não sabia ao certo o que procurava e muito menos o que pretendia fazer.
Não poderia voltar para casa.
Não. Isso nuca.
Mas também não sabia de nenhum outro lugar aonde poderia pedir abrigo. Conhecia muitas poucas pessoas e nenhuma delas havia mostrado interesse maior nela do que uma planta comum receberia.
Olhou para a adaga que ainda carregava na mão, passando o dedo pelo punhal de prata forjado com relevos em linhas que se contorciam e envergavam de maneira descontinua pelo cabo assemelhando-se com galhos. Por mais que fosse antiga a lâmina ainda estava afiada, pois fora usada pouquíssimas vezes. Na ponta oposta, presa por fios ainda menores e mais delicados pendia uma pedra azul, com tons arroxeados e ao mesmo tempo reflexos translúcidos.
Além das roupas do corpo esse era o seu único pertence e não estava apta a correr até o vilarejo em busca de alguém que o comprasse.
E se passasse a morar na floresta?
Nunca mais precisaria obedecer a ordens ou baixar a cabeça diante ofensas. Não precisaria escutar tutores ou fazer provas e nunca mais teria que se importar com conversas que julgavam o tipo de donzela que se tornaria no futuro.
Que ideia genial!
Mas pensando melhor... Como arranjaria alimento? Onde dormiria? O que vestiria?
Será que conseguiria achar soluções como alguns dos personagens dos livros que gostava de ler faziam?
Não tinha escolha. Era se virar na floresta ou voltar.
E já havia decidido: Nunca voltaria.
Mesmo que isso significasse morrer de fome.
Notas finais
Já tenho os próximos capítulos prontos, mas quero saber o que acharam!!
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