Galeria pessoal
5 Cartas que um dia escrevi- parte 1
Notas iniciais
Oi, esse capítulo é um texto que escrevi tempos atrás, em 2017 pra ser mais exata :)
Eu sou uma pessoa normal.
Não posso dizer que sou diferentona, que não sou compreendida. Apesar da mente um pouco distorcida, eu tenho certeza que alguém no mundo me entende. Nem que essa pessoa more, sei lá, na Rússia ou algo assim. Ser diferente não poderia ser uma desculpa para minhas “limitações” também. Uma vez que muita gente diferente é bem-sucedida, enquanto eu continuo no fundo do poço. Sentimental, psicológica, física, social e economicamente falando. Olhando para trás eu posso com certeza afirmar que eu fui uma pessoa feliz. Uma criança feliz, apesar de tudo. Eu gostaria de falar que isso mudou ultimamente, mas a verdade é que a sensação de vazio e tristeza vem me acompanhando já há quase três anos. Esse sentimento de estar sempre só e nunca feliz verdadeiramente com a minha pessoa já me fez desistir de muita coisa, não é fácil dar continuidade a qualquer coisa se por dentro você vive em um estado de auto depreciação. Não sei exatamente o porquê de eu ter tomado coragem e escrito tudo isso, mas talvez seja pela quantidade absurda de pessoas que se matam todos os dias. Não, eu não espero ser alguém que vai diminuir esse número, eu apenas não quero entrar nele.Eu não sou burra realmente, eu apenas não sou um gênio ou algo parecido, mas com toda a vibe ruim que vem me cercando nos últimos anos, eu só não encontro força, ou encorajamento, pra lutar por algo melhor. Eu acabei desistindo do poder de me transformar em alguém que eu goste. O meu maior problema sempre foi que o que eu desejo ser não é o que outras pessoas desejam para mim. Com outras pessoas eu quero dizer pessoas cujo o respeito e a aceitação são necessários para que eu possa completar minha meta de ser quem eu sou e ser feliz com isso. Ou eu não sou feliz comigo mesma e ganho o orgulho de certas pessoas, ou eu sigo meu caminho e digo adeus a quem eu quero agradar. De qualquer modo não há como ser inteiramente feliz. Eu pensei que ser o que esperam que eu seja seria mais fácil que levantar minha bunda da cadeira e seguir meus sonhos, mas parece que as expectativas sobre mim são altas o suficiente pra me desacomodar de modo a me deixar mais horrível ainda.Já na linha de pensamento sobre meus objetivos frustrados e obscuros eu sempre me pego pensando em como eu não tenho exatamente um sonho. Eu nunca pude descobrir algo que realmente me deixe feliz, mas eu sei de pequenas coisas das quais eu me orgulho (sem que ninguém mais saiba obviamente) em ser ao menos razoável. A minha imaginação é algo do qual eu sem dúvida alguma me orgulho, não apenas por ser fértil, mas também por me proporcionar experiencias quase reais. E é dessa maneira que eu passo o maldito tempo, presa em realidades que só eu conheço. E é dessa forma também que eu afasto pessoas, inconscientemente. Desde pequena minha mente é minha única verdadeira amiga, aquela que não vai me abandonar. E eu sei disso porque por todo esse tempo de pensamentos ruins e desejos mórbidos, a única coisa a me por um sorriso de verdade na cara foi minha imaginação, mesmo que por poucos segundos.Não é que ninguém me compreende, não é que não dê pra conversar, mas talvez pela quantidade de tempo que eu passe dentro da minha bolha ou da falta de vontade de explicar o que eu sinto, eu nunca tenha conversado com ninguém sobre as coisas de maneira aberta e verdadeira. Isso é um outro ponto que eu também acho que não vá mudar, de qualquer maneira. A maneira como eu vou levar isso vai, eu vou sim me esforçar, mas ainda não decidi o que eu vou escolher, seja lá qual for o caminho não há ninguém pra quem contar então eu provavelmente vou guardar pra mim isso também. Pra mim e pra minha imaginação que está sempre me surpreendendo.
Notas finais
Saudações,
Nani (lembrando que ni é a silaba tônica).
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