Gabrielle

4 Amaciando a carne


- Oi Gabi, achei que não ia mais falar comigo hoje.

- Desculpa, eu estava prestando atenção na aula. — menti, até porque eu nunca presto atenção na aula.

- Tudo, bem. Me diga, o que aconteceu? — foi parando de andar

- É que... ãn... depois eu falo. — enrolei

- Fala, menina. Eu sei que nem somos tão amigas ainda, mais pra isso acontecer, tu vai ter que falar.

- Eutoafimdoteuirmão. — falei com uma rapidez inacreditavel, ela me olhou com uma cara espantada, temi que dissesse algo que eu não gostaria de ouvir.

- O que tu falou? Eu só entendi o 'eu'. — suspirei, aliviada.

- Eu... to afim... de uma pessoa.

- Posso saber quem é?

Se fez de salame só pra ser comida em rodelinha, em? Pra mim que tu desconfia. -pensei-

- Tu ta te fazendo. Ja sabe quem é.

- É o Diego, não é?

- É. — corei.

- Te ferro.

- O que? — não acredito que ela disse isso. Se ao menos me ajudasse.

- Ele é muito galinha. Se ele mudasse radicalmente aquele cérebro de grilo, tu poderia ter esperança.

- Ta dizendo que é pra mim esquecer?

- To.

Putz. Eu sempre me ferro mesmo. Eu tava até tendo esperanças de que ele gostasse de mim, que sempre dizem que se a pessoa incomoda, como ele fez outro dia, gosta. Mas parece que as coisas não são bem assim. Ainda bem que eu não gosto de verdade dele, mas se eu não esquecer logo, eu sei que eu vou sofrer depois.

- Mas olha só. — falou, me acordando — ele já até mudou um pouco. Tu pode te arrisca, sabendo que tem a possibilidade de sofrer, ou, esquecer de vez.

- Eu não sou de esquecer, por isso significa desistir. Não é?

- É. Tu vai arriscar?

- Vou.

- Quer que eu fale com ele?

- Sim, sim. Vai amaciando a carne.

E depois de falar isso pra ela, eu saí. O resto do dia foi completamente e enjoativamente normal. Mas eu ainda tava decidindo se ia arriscar ou não, mesmo assim, acho que não tenho nada a perder. Fico pensando o que se passa na cabeça de uma pessoa como ele, o "galinha", como diz a Deise. Sera que uma pessoa assim não tem sentimentos? Bem que dizem que meninas amadurecem mais rápido, e se ferram mais rápido.

Quando olhei no relógio, eram 23h. Passou bem rápido hoje. Tomei um banho e fui dormir, tive sonhos bem turbulentos.

**Sonho on**

Eu estava caindo num penhasco, e lá de cima a Deise gritava:

- Ele mudou, mudou. Não precisa mais sofrer. Tu vai sobreviver. Volta menina, VOLTAAAAAAAA.

**Sonho off**

Nesse 'volta' eu acordei. Eu suava e minha respiração estava ofegante. Olhei o relógio e ainda estava noite. Tentei voltar a dormir, mas eu só me revirava na cama. Depois de uma hora mais ou menos eu peguei no sono.

Acordei com aquela musiquinha do despertador. Com muita dificuldade eu me levantei. Me maquiei sonolentamente e desci pra tomar café. Meus pais novamente aviam saído, então peguei o ônibus. Quando eu entrei, o cobrador me olhava de um jeito estranho, querendo rir. Ignorei e me sentei, mas as outras pessoas também me lançavam olhares estranhos.

Quando entrei pelo portão da escola, encontrei o Diego, com uma garota do lado, meu coração deu uma aceleradinha, pequeninha.

- Nossa, ta com vergonha, fósforo?

- Não to não, seu idiota. — a menina começou a rir.

- É? Mas parece.

**POV Diego**

Depois que eu falei isso, ela saiu correndo, imagino que em direção ao banheiro. O rosto dela estava tapado de blush rosa. Como que até parecendo um pimentão, ela consegue ser tão linda?

- Diegooo. — A Dai, veio correndo.

- O que maninha?

- Porque ela saiu correndo? Tampando o rosto? Tu falou alguma coisa pra ela?

- Não, só disse que ela parecia um pimentão. Ela tava com a cara completamente rosa.

- O que? Como assim?

- Ela passou blush na cara inteira.

- Não fala nada dela viu? Agora que eu me lembrei que eu tenho que falar um assunto sério contigo. E essa tia ai do teu lado...

- A Mari. — interrompi

- É, a Mari, vai ter que dar licensa.

- Dou licensa nada, — rebateu — ele é meu namorado, e não tem segredos comigo.

- Da uma licensinha, Rafa? — ela me olhou espantada — Minha irmã ta antes né?

- Ta gatinho, eu vou, mas só porque tu pediu. — e saiu rebolando o bundão.

- Tu ja gostou de alguém de verdade, Diego? — essa pegou o tio Diego desprevenido.

- Mas é claro que sim.

- Tem certeza? — olhar ameaçador.

- Não.

- Não acha que já ta na hora de muda essa cabeçinha?

- Mas porque tu ta falando sobre isso comigo?

- Por quê a Gabi ta gostando de ti. — a cabeça de fósforo? Com tanta gente pra ela gostar, e ela me escolhe.

- Como tu quer que eu mude? Acha que é de um dia pro outro? Se eu não gostei de verdade de ninguém, é porque não serviu, não deu aquele estalo, sabe?

- Estalo?

- O encanto, o clima, a química, seja lá como tu quer falar.

- Olha só, Diego. É bom não dar mancada com ela, e nem piadinhas, ouviu?

- Ta certo, ta certo.

A cabeça de fósf... quer dizer, a Gabi. Nossa, sinto que vai dar o estalo.

Notas finais
reviews?
desculpem os erros de portugues