Gabrielle

5 A garota do estalo


**POV Gabreielle**

Sai correndo em direção ao banheiro.

Quando me olhei no espelho eu levei um verdadeiro susto: eu bassei blush ao invés de pó. Comecei a rir de mim mesma.

– Como eu posso ser tão tonta? — pensei

Me lavei e sai. Eu estava indo para a minha sala, pois o sinal havia tocado.

– Gabi, espera! — me virei

– Oi Deise, tudo bom?

– Eu que te pergunto. Por que saiu correndo daquele jeito? O Diego falou alguma coisa? A errada? — deu ênfase a ultima palavra.

– Ele perguntou porque eu estava com vergonha. Eu disse que não, dau que eu me toquei que era com o meu rosto. — expliquei

– Mas só isso?

– Só.

– Eu falei com ele.

– O que? Falou tipo, que eu sou afim dele? — perguntei espantada

– Sim. — só uma palavrinha... ferrou

– Tu ta louca, Dai? — surtei — Sabe que dizem que os meninos despresam quem gosta deles.

– Alguns... Mas o MEU irmão não é assim. — deu ênfase ao 'meu'

Fiquei pensando o que poderia acontecer de pior, mas cheguei a conclusão que eu não tenho nada a perder mesmo. Eu não precisava ter surtado, mas agora ja foi...

– O Dai.

– O que? — estava pegando alguma coisa na mochila.

– Quem era aquela guria — definição de guria: filha de carroceiro — que estava com o Diego?

– Uma menina que ele achou la perto de casa. Mas fica tranquila, amanha ou depois ele ja despacha.

Nesse momento estava passando uma menina louca, gritando, no corredor. E atrás o Diego.

– Mari, espera. — ele gritou.

– Porque tu não vai com essa do estalo. — estalo? eu ri com essa

– Quer saber? Eu vou mesmo. — a garota ficou espantada

– Não... volta aqui, Dieguinho. — desesperou agora, fia?

Diego saiu andando, mas em nossa direção.

– Dai, eu preciso falar contigo. Vem aqui. — foi puxando ela.

– Ei. — chamei a atenção — Por que eu não posso ouvir?

A Dai só se virou com uma cara de 'depois eu te falo'. Esperei um tempo. Primeiro o Diego saiu do canto em que eles estavam, passou por mim e mandou o olhar 'mortal'. Ui. Dai veio em seguida, com um sorrisinho no rosto.

– O que houve, Dai?

– Ele contou pra Mari o que eu tinha falado com ele. Ela ficou pasma depois que ele disse um negócio sobre o estralo, e que te acha linda, gostosa, maravilhosa. — Uhuul, sou tudo isso mesmo, viu?

– Linda, gostosa, maravilhosa? E o estalo? — cara de duvida

– Na verdade, linda mesmo, o resto eu inventei.- olhar de morte- Estalo, na lingua ' Diegana' é... sei lá... quimica, mágica.

Fiz cara de quem não entendeu nada.

– Tem que sentir, entendeu?

– Acho que sim. — mentira, não entendi mesmo.

Olhei para o relógio e percebi que nós tinhamos perdido o primeiro periodo. Subimos as escadas correndo, literalmente, e chegamos. A Deise foi a primeira a botar a cara na porta.

– Saiam daqui, as duas. — falou.

– Mas, sora...

– Nada de 'mais'. Vão para a casa agora!

– Pelo menos não vou precisar ficar nessa prisão. — pensei.

Descemos as escadas e encontramos a garota do Diego subindo. Ela me olhou de um jeito que se tivesse laizer nos olhos eu já estaria morta. Ela percebeu, concerteza, que eu sou a do 'estalo'.

Passamos pelo portão de entrada e ficamos sentadas na calçada jogando conversa fora.

– Não era para o Diego estar aqui? — perguntei.

– Humm, ta interessada é?

– Não, é que a sora já iria ter mandado ele para fora.

– Ele nem entrou na sala. — falou.- conheço ele. Quando chegava-mos atrasados na escola antiga, a gente ficava zanzando pelos corredores. Relaxa. E a Mari não vai assediar ele, fica tranquila.

– Não estou preocupada com isso. — rimos.

Mais ou menos na hora do recreio, aparece a Luana.

– Não era para vocês estarem em casa?

– É muita mão ir para casa. — a Dai falou, tampando o rosto do sol.

– Gabi, nem sabe.

– O que? — preocupei agora.

– A professora de matemática falou as notas do trimestre... e tu tirou 3,2

– Que droga! — gritei, isso realmente me preoucupa.

– E tu, Deise. Tirou 8,6.

– Beleza. — falou sem animação.

Agora eu estou ferrada mesmo. Talvez se eu pedisse ajuda para a Dai? Teria que ser na minha casa, eu nunca me concentraria com o Diego por lá.