Gênios Fortes
4 Você esqueceu uma coisa.
Notas iniciais
_Claraíde, meus filhos estão aí? -Perguntava a madame do outro lado da linha.
_Estão sim, dona Marta! -Respondeu-a.
_Deixe eu falar com eles, por favor. -Pediu.
Claraíde retira o telefone do ouvido e estende o braço para que um dos herdeiros pudessem pegá-lo.
_Deixa eu falar com ela! -Se manifestou José Pedro retirando o aparelho das mãos da empregada. -Mãe?!
_Oi meu filho!
_Mãe, a senhora chegou bem? Está tudo certo? -Ele perguntava preocupado.
_Está sim, Pedro, fique tranquilo. E por aí, está tudo bem?
Ela ouve respirações ofegantes e risadas pelo telefone e estranha.
_Zé Pedro?! -Ela o chamou.
Continuava sem obter resposta.
_Sai Pedro, deixa eu falar com a mãe! -Gritava Clara empurrando o irmão e dando uma risada em seguida.
_Ah não Clara! Eu também quero falar com a coroa, da aqui esse telefone! -Dizia Lucas tomando o telefone da irmã.
Marta ouvia todo o "auê" dos filhos e sorria.
_Alô, coroa?! Cê ta aí?
_Coroa é a sua avó, garoto! -Respondeu-o rindo logo em seguida e arrancando um sorriso do filho também.
_Tu não perdoa né dona Marta?! -Ele sorri. -Ow mãe, pera aí que a Clara quer falar com você! -Disse entregando o telefone para a designer de jóias.
_Oi mãe!
_Oi filha! -Respondeu a imperatriz.
_Como foi a viagem mãe? Chegou bem? -Perguntou.
_Cheguei sim, filha!
Amanda e Du se manifestam e pede para que Clara mande um beijo para a madame por elas e assim ela faz.
_Mãe, a Amanda e a Du mandaram um beijo!
Continuaram conversando por mais alguns minutos e depois de encerrada a chamada todos vão para seus respectivos quartos.
Passam-se dois meses desde a volta da imperatriz para Petrópolis. Já era rotina depois de um dia de trabalho, a ligação para a madame logo após o jantar. Todos se reuniam na sala de estar, e pelo skype matavam a saudade da aristocrata, que não havia retornado ao Rio durante esses meses.
Marta havia tirado esse tempo para ela. Precisava pensar e foi isso o que fez. Pensou e repensou em toda a sua vida e chegou a conclusão de que o divórcio seria a melhor opção. Apesar de ainda amar o marido, ela sabia que assinando o divórcio ela teria a chance de tentar ser feliz outra vez.
Zé Alfredo por sua vez, presenciava todas as conversas dos filhos e noras com Marta. Não se juntava a eles naqueles momentos, não por não querer, mas sim porque seguia o conselho do filho e dava o tempo necessário para a imperatriz. Ele sentia a falta dela. Esses meses foram completamente diferentes. Sentia falta de todos os momentos que tinha com ela, inclusive as brigas, aquelas explosões de paixão que tinham constantemente.
Era mais um dia de trabalho para os Medeiros e todos já se encontravam na Império das Jóias. José Pedro que ia ao encontro do pai acaba esbarrando com o irmão no corredor.
_Calma aí maninho! -Brincou Lucas.
_Foi mal! Lucas o pai ta na sala dele?
_Deve estar sim, mas aconteceu alguma coisa?
_Mais ou menos. -Pedro explicou a situação para o irmão e o mesmo se manifestou.
_Da aqui esses papéis eu dou o recado pro pai, tava mesmo querendo falar com o velho! -Disse ele pegando os documentos das mãos do irmão e indo para a sala da presidência.
_Posso entrar? -Perguntava João Lucas batendo na porta.
_Entra! -Respondeu o comendador.
_Coroa, temos um probleminha!
_O que é?
_O Pedro ta precisando que você assine esses documentos aqui! -Ele disse entregando os papéis para o pai.
_E qual é o problema? -Perguntou Zé Alfredo.
_O problema é que os documentos pedem a assinatura da imperatriz também! -Afirmou.
_Mas e agora? Sua mãe não ta pretendendo voltar, pelo menos não tão cedo. -Indagou.
_Liga pra ela ué!
_Joao Lucas, se eu ligar, ela me mata pelo telefone. Isso se ela atender!
_Ah, qual é coroa? Eu sei que cê ta com saudade da dona Marta. Ta aí a desculpa perfeita pra falar com ela! -Disse se retirando.
O comendador viu a sua oportunidade de falar com a imperatriz. Ouvir sua voz. Resolveu ligar.
Maria Marta estava sentada no sofá da sala de estar da mansão lendo um de seus livros quando seu celular começou a tocar.
Ela se aproxima e pega o aparelho sobre a mesinha de centro. Quando viu de quem se tratava, relutou, mas resolveu atender.
_Alô.
_Marta!
Eles ficam alguns segundos em silêncio.
_O que você precisa comendador?
_Marta, eu preciso que você venha para cá assinar alguns papéis da empresa.
_Isso é mesmo necessário? -Perguntou.
_Mas é claro...
_Bom, já que é assim, amanhã eu estarei por aí.
_Amanhã? Venha hoje, Marta!
_Até parece Zé Alfredo! Olha que horas são! Se eu sair agora, quando der o horário de voltar, já vai estar anoitecendo e eu não vou pegar estrada no escuro!
_Mas Maria Marta... -Ela o interrompeu.
_Mas nada. Amanhã! -Disse e encerrou a chamada.
José Alfredo, apesar de estar contrariado, sorria com a atitude da mulher.
_Essa daí não muda mesmo... -Sorriu.
Marta ficou por mais algumas horas, ali mesmo na sala, lendo seu livro, porém ficou entediada. Desistiu do livro, o deixou na mesa perto do abajur e foi andar ao redor da casa.
Daniel, o jardineiro, cuidava das lindas flores do jardim quando a madame se aproximou.
_Boa tarde, dona Marta! -Cumprimentou.
_Boa tarde, seu Daniel! -Cumprimentou sorrindo.
Os dois conversaram por algum tempo até que foram interrompidos pelo som da campainha.
_Com licença, dona Marta, vou ab... -A imperatriz o interrompe.
_Não, pode deixar seu Daniel, eu vou ver quem é! -Afirmou seguindo em direção a entrada da mansão.
Marta se aproximou do portão e não acreditou em quem via ali, parado na frente de sua casa.
_Ah, mas não é possível! O que você está fazendo aqui Zé Alfredo?! -Falava tentando fingir uma irritação, quando na verdade, estava surpresa e feliz em ver o homem de preto.
_Boa tarde pra você também, Marta! -Ele sorria.
_Eu disse que iria para a empresa amanhã, não disse? -Ela perguntou abrindo o portão da mansão e permitindo a aproximação do comendador.
_Disse! Mas você esqueceu uma coisa no Rio! -Afirmou deixando a imperatriz surpresa.
_Posso saber o que? Os papéis? -Perguntou confusa.
_Não. -Ele sorriu. -Eu!
Disse se aproximando da imperatriz, à segurando pela cintura e lhe puxando para um beijo.
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