Gênios Fortes
5 Gênios Fortes.
Notas iniciais
Com uma pegada firme, típica do Homem de Preto, mas ao mesmo tempo com doçura, ele a beijou. Marta apesar de surpresa, não resistiu e cedeu ao beijo. Um beijo calmo, sem pressa, intenso. Um beijo de saudade; beijo de amor. Ambos precisavam daquele beijo. Precisavam sentir um ao outro. Seus lábios colados. Os batimentos acelerados.
Os dois exploravam cada centímetro da boca um do outro. Estavam entregues ao momento. A saudade que sentiam um do outro fez com que se desligassem de tudo, aproveitando cada segundo daquele beijo.
A imperatriz por sua vez, se deu conta do que estava acontecendo. Não queria se desestabilizar novamente. Não queria que esses dois meses em que ela havia "se recuperado", fossem perdidos. E então em um curto momento de lucidez, ela se afastou; não completamente, afastou seus lábios dos lábios do Comendador, continuando "presa" a ele, pois o mesmo ainda à segurava pela cintura.
Daquele beijo só restou intensos olhares e um enorme silêncio. Nenhum dos dois diziam uma palavra, apenas se olhavam; como não se olhavam a tempos.
Ele se sentia completo, como só se sentia perto dela. Tinha uma sensação de segurança, que só ela podia transmitir. Se sentia outro homem; um homem melhor, só pelo fato de tê-la por perto. Esses dois meses foram o suficiente para que o Comendador percebesse a falta que a Imperatriz lhe faz. A necessidade que ele tem de tê-la sempre ao seu lado. Ele só havia conquistado o que tem hoje, por ajuda dela. Só havia se tornado o homem que é hoje, pelo fato de tê-la em sua vida. Esses dois meses foram como uma tortura. Ele sentia falta de tudo que se relacionava a ela, seu cheiro, sua voz, até as alfinetadas diárias. Havia percebido o quanto precisa dela.
Ela por sua vez, estava confusa. Sentia uma vontade imensa de agarrá-lo e nunca mais soltar; matar a saudade e o desejo que à consumia pouco a pouco, mas ao mesmo tempo sabia que não podia. Sabia que se ela se entregasse, todos esses meses de reflexão consigo mesmo, esse tempo dela, seriam perdidos. Não entendia o porque dele ter ido atrás dela, muito menos o porque de tê-la beijado. Tinha medo que fosse apenas mais uma maneira dele de humilhá-la. Nesse momento ela se sentia frágil, temia o que pudesse vir a acontecer.
_Zé... -Ela tentava falar algo, mas a voz praticamente não saía.
Ambos não sabiam como agir. O último toque mais íntimo que haviam tido fora no casamento que a princípio seria de Clara, mas que acabou sendo de Cristina e Vicente e depois desse dia, tentaram agir como se nada tivesse mudado; mas havia sim mudado.
_Não fala nada. -Ele a calou interrompendo-a num tom de voz baixo enquanto mantinha firmemente seu olhar nos olhos da mulher a sua frente.
As palavras do Homem de Preto ecoavam na cabeça da Imperatriz. Ela queria gritar, perguntar de uma vez por todas o motivo dele estar ali; o motivo de tê-la beijado, mas não fazia. Ele sempre havia passado calma a ela apenas com palavras e dessa vez não estava sendo diferente.
A madame estava pronta para começar a falar tudo o que sentia, o que à deixava confusa, mas não conseguiu. Os toques da pele do Comendador a desarmava; sempre fora assim. Ambos aproveitavam ao máximo o momento. Sentiam saudades um do outro, dos toques de seus lábios, dos perfumes se misturando, daquela troca de amor que não encontrariam jamais com outro alguém. Naquele curto momento os gênios fortes não existiam.
_Trouxe os papéis? -Ela disse se afastando do Comendador, numa tentativa de fugir daquela situação.
_Estão aqui. -Ele disse erguendo levemente o braço e mostrando os documentos.
_Entre. -Ela convidou e assim ele fez.
Horas se passaram enquanto ambos revisavam os papéis para poderem assinar. Tentaram ao máximo fingir que nada havia acontecido; tentativas sem sucesso, já que hora ou outra os olhares se cruzavam e o clima tenso se instalava no ambiente. Mas ambos com suas personalidades, mantinham a "pose", porque como bons turrões que são, não dariam o braço a torcer.
Tempos depois, com os papéis já assinados o Comendador se despede e vai embora. Ele não queria à pressionar mais, sabia que tudo tinha seu tempo e sabia também que aquele beijo havia sido muito para a cabeça da Imperatriz. Então se despediu da mulher com um beijo carinhoso em seu rosto e partiu.
Semanas depois...
Depois de um longo dia de trabalho na Império das Jóias, todos os herdeiros já haviam retornado ao apartamento. Estavam exaustos e queriam logo chegar em casa para descansar, restando apenas José Alfredo na empresa, que ficou para organizar suas papeladas.
Após deixar tudo organizado, também seguiu para o apartamento. Estava com a cabeça cheia com os problemas da Império, mas mesmo assim não deixava de pensar em Marta, pensamentos estes bem frequentes depois do último encontro que haviam tido. Maria Marta por sua vez nas duas últimas semanas não havia feito contato com a família, como já era de costume em todas as noites, apenas os tranquilizava com algumas mensagens, avisando que estava bem. Todos já estranhavam o comportamento da madame e por já saberem da ida do pai até Petrópolis, desconfiavam que essa seria a causa desse repentino comportamento da Imperatriz e por isso nem arriscaram questionar a mesma.
Durante o caminho o Comendador pensava em tudo isso. Sabia o que se passava na cabeça da Imperatriz, imaginava o quanto ela estaria confusa depois de tudo e também sabia que o difícil de agora em diante, seria achar uma solução para essa situação em que eles se encontravam. O fiel escudeiro do Homem de Preto seguiu para o "clã" dos Medeiros, deixando o patrão no estacionamento, o perdendo de vista quando o mesmo se dirigiu ao elevador.
O dia do Comendador havia sido cheio, esperava que chegaria em casa e descansaria, mas não sabia que teria uma noite longa, devido a uma visita inesperada. Ao adentrar o apartamento logo vê quem menos esperava encontrar, conversando com a empregada, que logo se retira quando percebe sua presença.
_Marta!? -Ele chamou e ela virou-se para o encarar.
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