Gênios Fortes
2 E eu não te faço bem?
Notas iniciais
Os filhos da imperatriz se aproximam da mesma. Já sabiam o assunto daquela conversa, ou pelo menos, achavam que sabiam. Ao se aproximarem a madame prossegue.
_É sobre minha volta para Petrópolis. -Suspirou Maria Marta.
_Mas mãe, para que isso agora? Agora que as coisas estão se resolvendo, que está tudo mudando para melhor, porque? -Perguntava José Pedro bem confuso.
_Por isso mesmo meu filho, vou aproveitar esse embalo de mudanças. -Respondeu-o.
_Como assim mãe?! -Questionava João Lucas que não estava entendendo nada.
_As coisas vão mudar a partir de agora. Eu preciso que as coisas mudem, porque não posso continuar vivendo assim. -Os herdeiros à olhavam e puderam ver a mudança de expressão e de emoções da imperatriz. -Subir a serra é só o início... -Ela começou a suspirar e a soltar as palavras com mais dificuldade. -Eu vou pedir o divórcio ao pai de vocês! -Disparou a aristocrata.
Nem Lucas, nem Pedro e nem Clara sabiam descrever ao certo o que estavam sentindo, o que estavam pensando. A revelação da mãe, havia pego os filhos de surpresa, eles nunca imaginaram que um dia, ela tomaria essa decisão.
_Mãe, como assim?! Divórcio?! -Disparava Maria Clara deixando óbvia sua surpresa.
_Eu sei que é um impacto, mas é isso mesmo! Vou pedir o divórcio para o Zé Alfredo. -Respondeu Maria Marta de uma maneira que garantia sua certeza sobre a decisão que tomara.
_Como é que é Marta? -Perguntava o comendador que havia chego a tempo de ouvir a ultima frase da esposa. Dizia isso se aproximando de todos.
_É isso mesmo que você ouviu comendador. -Respondeu-o friamente.
Todos os olhares se voltaram para o homem de preto. Ele realmente estava surpreso, dava pra ver isso em seu olhar. O imperador dos diamantes nunca havia imaginado que Marta seria capaz de tal ato. Ele já havia pedido o divórcio para ela inúmeras vezes e a mesma, sempre se recusava. Por que então de repente ela havia tomado essa decisão?
_Me deixem a sós com a mãe de vocês. -Falou José Alfredo para os filhos. Os herdeiros olharam para a mãe, que balançou a cabeça como quem havia consentido com o pedido do homem, e saíram.
Após a saída dos filhos o silêncio tomou conta daquela sala. Marta esperava que o comendador falasse algo, mas ele apenas a olhava. Ela conseguia perceber no olhar daquele homem, sua surpresa e, principalmente, sua angústia, o que à deixou confusa.
_Vai ficar aí me olhando até quando? -Dizia a imperatriz já impaciente.
_Marta, que história é essa de divórcio? -Ele perguntava ainda incrédulo.
_Ué Zé Alfredo, o que está difícil de entender? -Respondeu num tom de deboche.
_Ah Marta, deixa disso. Eu quero saber o porque dessa separação.
_Isso foi uma pergunta séria? -Ela ironizava. -Eu podia ficar aqui falando todos os motivos que eu tenho pra isso, mas eu não vou ficar me vitimizando não. -Ela se levantou indo para perto do comendador. -Até porque você sabe muito bem quais são eles, com licença. -Ela disse suas últimas palavras e seguiu para seu quarto.
Nesse meio tempo, Zé Alfredo havia continuado na sala, pensando sobre tudo. Ele realmente sabia todos os motivos que a madame tinha para querer essa separação. O comendador tinha total consciência de tudo que havia feito para a esposa e se arrependia. Marta sempre esteve ao seu lado, havia tentado lhe dar um golpe, mas se arrependeu da atitude e dali em diante, quis deixar ainda mais claro seu arrependimento e mostrar que sempre estaria ao lado do marido para o ajudar, mas ele por sua vez, nunca percebeu isso.
José Alfredo, nesses últimos meses, apesar de desconfiar da esposa, ganhou o total apoio da mesma. Nessa busca atrás do grande inimigo da família, Maria Marta se mostrou uma grande cúmplice do comendador, o ajudando em todas as situações, provando mais uma vez sua fidelidade, que ele percebera só agora. A imperatriz passou anos tentando conquistar novamente a confiança do homem de preto, foram anos tentando provar seu amor, mas ele só havia se dado conta recentemente.
_Marta... -Ele suspirava. Havia ficado abalado com a decisão da aristocrata, mas sabia que eles ainda tinham muito para conversar. Após sair do transe de seus pensamentos, ele segue para o quarto da esposa.
Ao chegar em frente ao quarto ele bate na porta.
_Entra, está aberta! -Dizia a imperatriz que arrumava suas malas para partir.
_Precisamos conversar. -Falava o comendador adentrando o local.
Maria Marta que estava até então de costas para o marido se vira o encarando.
_Eu não acho. Não temos mais nada para conversar. Agora da licença? Preciso terminar de arrumar minhas coisas. -Respondeu-o.
_Chega Maria Marta! -Ela o olhou enfurecida. -Da para desarmar? Sou só eu... -Falava com receio o homem de preto.
_O que você quer? -Ela perguntava grosseiramente.
_Você ainda perguntar, Marta?! Quero falar sobre essa história de divórcio. -Ele dizia já se alterando.
_Zé Alfredo, esse assunto não está em discussão. Eu quero o divórcio, você também, agora é só arrumar um advogado e assinar os papéis. -Afirmava a imperatriz.
_E quem disse que eu quero esse divórcio? -Diz o comendador se aproximando da mulher e apoiando suas mãos no braço da mesma.
Marta se espanta com a ação de José Alfredo e se afasta.
_A faça-me o favor Zé Alfredo! Você passou anos me pedindo a porcaria desse divórcio e agora vai falar que não é isso que você quer? -Ela o questionava confusa.
_E você passou anos se recusando a assinar. Porque isso agora? -Ele disparou.
_Porque?! Porque eu cansei. -Foi apenas o que ela lhe respondeu.
_Marta, as coisas estão se acertando, nada vai ser como antes. -Ele dizia tentando se aproximar mais uma vez da morena de olhos claros.
_Mas não vão mesmo, porque eu não quero que as coisas voltem a ser o que eram antes. Eu vou reorganizar minha vida a partir de agora e nela só tem espaço para o que me faz bem. -Dizia a imperatriz controlando suas emoções, se mantendo equilibrada e mostrando sua soberania.
_E eu não te faço bem Marta? -Ele se aproximou e trocou olhares com a madame. -Olha bem pra mim e me diz que não me ama mais.-Disse ele a segurando pelo braço.
A imperatriz fica sem reação ao ouvir aquelas palavras, apesar de tudo ela o amava e por mais que negasse, ele saberia que o que sairia de sua boca não está de acordo com o que seu coração sente. Ela apenas o olhava incrédula desde que ouvira suas palavras. Estava incomodada com a situação e principalmente confusa. Ela se perguntava o porque do homem de preto estar os colocando naquela situação.
_Zé, sai do meu quarto. -Ela ordenava se afastando do comendador e apontando para a porta.
_Mas Marta... -Ele tentava contestar.
_Por favor, sai. -A imperatriz permanecia firme, mostrando sua autoridade.
_Ta bom, mas essa conversa não acabou. -Disse José Alfredo se retirando do quarto da quatrocentona.
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