Gênios Fortes

3 É o que precisa ser feito.


Notas iniciais
segue mais um capítulo, espero que gostem!

No dia seguinte, após uma noite turbulenta devido aquela conversa com o marido, Marta acorda ainda transtornada com tudo. Já eram nove horas, provavelmente todos já haviam acordado e deveriam estar tomando café. A imperatriz vê a hora certa para partir, para se despedir e poder seguir para sua casa, pensar e repensar em tudo, para poder recomeçar sua vida.

_Seguir em frente, Marta. -Ela dizia para si mesma. Estava sendo difícil sair daquela casa, mas era o correto.

A madame pega suas malas e vai descendo as escadas, encontrando todos conversando na sala. Antes que eles à vissem, ela os observou, permaneceu alguns instantes olhando para sua família, sorrindo por ver que agora realmente tudo estava se acertando. A imperatriz completa seu percurso ficando a vista de todos.

_Mãe?! -Se manifestou Maria Clara ao ver a mãe com as malas prontas.

Todos ali presentes já sabiam o porque das malas, eles teriam mesmo que se despedir da imperatriz, mas não queriam isso. Os sorrisos radiantes de segundos atrás haviam sumido. Todos já estavam emocionados com a saída de Marta, principalmente seus filhos.
Já não estava sendo fácil para ela aquela despedida, agora com a reação dos filhos e das noras, menos ainda.

_Vem cá! -Disse a imperatriz estendendo os braços para se unir a todos com um abraço. Todos foram até ela e se abraçaram. -Eu amo vocês, todos vocês. -Completou a madame se afastando de todos e olhando para cada um deles.

_Mãe, você tem certeza? -Disse José Pedro, na esperança de que a mãe desistisse da ideia.

_Absoluta, meu filho! -Respondeu-o.

Marta abraça novamente cada um, se despedindo e vai em direção as malas para partir.

_Marta! -Disse José Alfredo que vinha da cozinha de aproximando.

Ela se surpreendeu. Tinha receio do que o homem de preto pudesse fazer ou falar. Se virou lentamente o encarando.

_O que é? -Ela o respondeu.

_Eu te ajudo com as malas. -Disse ele pegando as malas da esposa e saindo para a garagem antes mesmo que ela o respondesse.

Na verdade, ele não queria tirar os pertences da esposa de dentro da mansão, era lá a casa dela, sempre foi e era assim que deveria ser sempre. José Alfredo se ofereceu para ajudar com as malas, porque sabia que assim eles poderiam ficar sozinhos e conversar, assim ele poderia tentar esclarecer tudo.

As malas já estavam todas no porta-malas e a imperatriz já estava prestes a entrar no carro e partir.

_Obrigada pela ajuda.

Ela o agradeceu e abriu a porta do carro, mas foi impedida de entrar pelo mesmo.

_Marta, espera! -Ele à segurava.

A imperatriz se virou para o marido o encarando e sem dizer uma só palavra.

_É isso mesmo o que você quer? -Ele perguntava angustiado.

_É o que precisa ser feito. -Ela o respondeu e se afastando entrou no carro.

Após se acomodar dentro do carro ela abre o vidro para se despedir pela última vez do marido. Ela não falaria nem mesmo um "tchau", muito menos daria um abraço, mas só um olhar seria o bastante e assim foi. Se olharam. Ambos controlando suas emoções, se mantendo firmes, como sempre foram, até que o carro começa a se mover.

_Ah Marta... -Suspirava o comendador ao ver o carro da imperatriz se afastando.

Ele permanece por mais alguns instantes na garagem até que perde o carro de vista e então decide subir para seu apartamento. Ao chegar, se senta no sofá da sala e lá continua por um tempo, pensando. Minutos depois seus filhos vem descendo as escadas para se encaminharem para a empresa.

_Pai, já estamos indo. Você não vai? -Perguntava Maria Clara.

_Preciso resolver umas coisas por aqui. Encontro vocês lá. -Respondeu-a.

Pedro e Clara já haviam saído, mas João Lucas, com uma desculpa de que precisava dar um recado para a esposa, se afastou dos irmãos e foi até seu pai, que ainda estava sentado no sofá com a cabeça abaixada. Dava para perceber que o comendador estava abalado e era de se imaginar que isso era consequência da saída da imperatriz.

_Coroa, cê ta bem?! -Perguntava o garoto se sentando do lado do pai e apoiando suas mãos nas costas do mesmo.

_Tô bem sim. -Respondeu de cabeça baixa sem ao menos olhar para o filho.

_Qual é pai?! Ta na cara que você não ta bem. -Afirmava o caçula fazendo com que os olhos do pai se voltassem a ele. -Posso fazer uma pergunta?

_Claro. -Respondeu-o.

_Cê ta assim por causa da mãe? -Ele perguntou com um pouco de receio.

_Eu não consigo entender Lucas, quer dizer, eu até entendo, mas não queria que as coisas acontecessem assim. -Dizia o comendador surpreendendo o filho que não esperava que o pai realmente fosse desabafar. — Eu e sua mãe vivemos durante anos sobre o mesmo teto, nos vendo todos os dias e apesar dos "arranca-rabos" que a gente tem sempre -Ele libera um sorriso discreto ao se lembrar. -é estranho não ter ela por aqui. -Desabafou.

_E isso significa o que? -O caçula pergunta.

_Como assim Lucas?

_Pai, o senhor acabou de desabafar comigo de um jeito que eu nunca te vi fazer antes. Cê ta abalado com a saída da mãe que eu sei e isso significa que você gosta dela? -João Lucas pergunta olhando nos olhos atordoados do pai.

_É claro que eu gosto dela Lucas, vivemos anos e anos juntos, ela é a mãe dos meus filhos... -Ele é cortado pelo filho.

_Não é esse tipo de gostar que eu tô falando. Tô falando de amar pai! -Zé Alfredo o encara confuso e então o filho prossegue. -O que você sente pela mãe? -Completa.

O comendador permanece em silêncio por alguns segundos, o que faz o filho ficar um pouco constrangido pela situação, mas depois o responde.

_Sinceramente eu não sei. -Responde o homem de preto para o filho.

_Então pai, da esse tempo pra coroa pensar e aproveita e faz o mesmo. -Diz João Lucas dando leves tapas nas costas do pai como sinal de apoio e se levantando. -Depois desse tempo, quando os dois já souberem o que querem, aí sim é a hora da conversa definitiva.

Com o pai o olhando fixamente devido as palavras que havia dito, Lucas se afasta, mas antes que saísse da mansão para a império ele para e olha para o pai.

_E coroa! -O comendador o olha novamente. -Se precisar, tô aqui! -O filho mais novo do casal imperial completa, ganhando um sorriso do comendador.

Após mais um tempo sozinho naquela sala, José Alfredo segue para a empresa, pensando na conversa que tivera com o filho e decidindo seguir o conselho do mesmo.

Passa-se o dia e os imperiais já haviam chego em casa e estavam reunidos na sala, logo depois de jantarem. Conversa vai e conversa vem até que o telefone toca.

_Residência dos Medeiros de Mendonça e Albuquerque. -Atendeu a empregada.

_Boa noite, Claraíde. -Cumprimentou a imperatriz.

_Boa noite dona Marta! -Respondeu-a.

Todos os olhares se voltaram para Claraíde ao descobrirem que era a imperatriz do outro lado da linha.

Notas finais
o que acharam? reviews para o próximo sair rápido, até mais bjs