Gênesis
18 Nami no kuni – O génio versus O Indestrutível.
Notas iniciais
*Naruto*
Zabuza olhava fixamente pra mim, com a boca levemente entreaberta, parecendo realmente assustado ao ver a espada na minha posse. E não era para menos, sendo um dos Sete espadachins, provavelmente já tinha ouvido falar dessa espada lendária.
Sorri levemente para Zabuza, um simples arquear dos lábios. — Oe então, vamos dançar?
Ele pareceu acordar lentamente do seu transe.
— Você... realmente é um garoto interessante. – Zabuza afiou o seu olhar perigosamente na minha direção, mantendo-o assim por mais três segundos, depois com um sorriso zombeteiro, debochou. – Devo supor que, você saiba mais ou menos como manejar essa espada...
— É claro que... – Comecei a falar, me sentindo meio ofendido, mas repentinamente tive a minha fala cortada.
— E-espere um pouco – Sakura apontou pra mim, me fulminando intensamente, como se não acreditasse minimamente no que estava vendo. – Você realmente vai lutar contra ele? Contra esse monstro?
Eu solto um suspiro. A cada segundo que se passava, eu sentia os meus dedos formigando e o meu coração batendo frenético, ansiando o provável confronto, e toda essa conversa já estava me irritando.
Falta pouco. Com isso em mente, tratei de sorrir o mais sem graça possível. – Sim. Eu prometi não foi? – Sakura e os outros me olharam confusos – No escritório do Hokage, eu disse que protegeria Tazuna-san, nem que isso custasse a minha vida...
Com a minha fala, vi lágrimas escorrendo dramaticamente pelo rosto de Tazuna-san, enquanto murmurava que não era correto eu me sacrificar por ele.
Os olhos de Sakura, por breves momentos ostentaram incredulidade mas, meio segundo depois foram tomados por horror. – Mas...
— Sakura, não interfira... – Sasuke falou, me olhando de um jeito estranho. Ela gaguejou surpresa, mas depois prontamente concordou, como um cachorrinho adestrado. Não pude deixar de notar o quanto aquilo era doentio.
Sasuke mirou intensamente para mim, com os olhos anormalmente sérios, provavelmente me analisando, procurando por qualquer indício de insegurança no meu ser, mas depois de uns segundos suspirou, provavelmente se convencendo do meu olhar determinado:
— Apenas... – Pareceu tomar fôlego. – sobreviva.
Eu realmente estava surpreso, não esperava ouvir aquilo da boca de Sasuke, mas depois ao analisá-lo, eu reconheci uma pequena fagulha de empatia em seu olhar.
Sorri com isso:
— Deixo Tazuna-san com vocês. – Tomei a dianteira, dando dois passos em direção à Zabuza. Sakura estava prestes a gritar, provavelmente algo sobre eu não mandar nela, porém, ao ver Sasuke se prostrar de maneira defensiva diante do construtor, ela prontamente obedeceu. Realmente era muito doentio, ela provavelmente engoliria uma cobra sem hesitar, desde que Sasuke pedisse.
Enfim...
Voltei o meu olhar para Kakashi-sensei. Mesmo estando submerso naquela bolha de água, eu reconheci claramente o seu olhar de " se sobrevivermos, precisamos conversar”, provavelmente por eu estar empunhando a Raijin no ken. Solto um suspiro, eu gostaria de ter mantido isso em segredo por mais tempo mas, eu não tinha muitas escolhas, a situação era de vida ou de morte. Me lembrando disso, voltei a minha atenção para Zabuza.
Quando ele – em uma pura demonstração de sua força – levanta a grande dantou kubikiriboucho e a coloca sobre um dos ombros, eu reconheço o brilho sanguinário no seu olhar, a ansiedade que provavelmente estaria percorrendo cada fagulha do seu ser, provavelmente antecipando uma grande batalha shinobi.
As probabilidades não estavam ao meu favor, convenhamos, a sua espada era a defesa suprema. Era feita do mais resistente e duro metal, e fora forjada com o suor e lágrimas do melhor ferreiro que já caminhou por essa terra, e segundo dizem, essas sempre são as melhores espadas, aquelas que carregam consigo a alma do seu forjador... Por essa razão, quer sejam Shurikens, kunais, foices ou quaisquer outras ferramentas, todas elas são inferiores em comparação à uma espada, é tão simples quanto isso.
Ao constatar isso, por breves segundos eu hesito, me perguntando se eu realmente devia enfrentar esse monstro, porém um breve olhar para Kakashi-sensei me recorda que, na sua situação seria apenas uma questão de minutos até ele, inevitavelmente, se afogar.
Quase que mecanicamente relaxo os meus músculos e, com a minha determinação aparentemente renovada, movo a Raijin, flectindo levemente os joelhos, e colocando a espada diante do meu corpo, me colocando na posição característica do Raijin-ryū.
Mas então, como um estalo, eu me lembro do estranho silêncio, já havia passado algum tempo desde que Tobirama-sensei havia se pronunciado, lançando meu olhar para o alto, eu tenho o vislumbre dos seus olhos me encarando inexpressivamente, estaria ele feliz, ou irritado? Aposto veemente na segunda opção.
— Naruto... – Tobirama-sensei começou, com o rosto estranhamente inexpressivo. – Você tem certeza que...
Interrompi-o, não me importando com o olhar incrédulo dos presentes, por eu estar – tecnicamente — falando sozinho:
— É que eu quero lutar contra Zabuza-san...
Ele me olhou duramente. Enquanto os outros se entreolhavam confusos, tentando entender aquela estranha situação. – Ele é um dos sete espadachins da Névoa, está completamente fora do seu nível, além do mais, você não dominou completamente o Raijin-ryū...
— Eu sei, mas eu preciso saber o nível do meu kenjutsu. – Ele pareceu considerar isso. – E pra isso não há ninguém melhor do que um dos Setes espadachins da névoa...
Zabuza resmungou. Ansioso por lutar contra um usuário de uma espada lendária. – Oe gaki, não fique falando como se eu não estivesse aqui.
— Acho que devo me desculpar por isso. – Me virei em sua direção. Com um sorriso sem graça, ele pareceu meio encabulado com isso. – E, então? – Perguntei para Tobirama-sensei, dessa vez em um tom baixo.
— Tudo bem... – Suspirou em desistência. – Mas se algo der errado, eu terei que interferir...
Um arrepio atravessou a minha espinha, eu sabia exatamente do que ele estava falando. Possuir o meu corpo.
Vejo a sua figura lentamente se esvaindo em névoa, devido ao jutsu de Zabuza, parecia que ele tinha aumentado ainda mais a densidade da névoa, tornando praticamente impossível ver mais de um metro à frente. Mas, eu realmente não precisava dos meus olhos, não quando eu tinha a minha habilidade sensorial. Formando o selo tigre, lentamente começo a espalhar o meu chakra pela névoa. Em uma busca pelo demónio de Kirigakure. O que segue depois, é um macabro e estranho período de silêncio.
Subitamente, consigo sentir uma leve e, quase insignificante oscilação chakra.
Atrás.
Em um piscar de olhos, volvo o meu corpo, observo a Raijin cortar a névoa como se ela fosse sólida, deixando um rastro amarelo-brilhante por onde passava, que até certo ponto, era bonito. Então eu sinto, a Raijin separar um tronco de madeira ao meio, em um corte limpo, sem quaisquer imperfeições. Quase como uma faca quente cortando manteiga.
Eu bufei irritado. Kawarimi.
Cerca de um segundo depois, o som áspero da gargalhada de Zabuza provém de todos e, ao mesmo tempo, nenhum ponto da névoa, sendo indistinguível do som do vento, do farfalhar das folhas ou do meu coração batendo freneticamente.
— Isso, definitivamente tornou as coisas mais interessantes...
Com a sua fala, um sorriso adornou o meu rosto, até ouvir o restante. — Acho que vai ser muito prazeroso cortar você...
Um arrepio percorreu a minha espinha, ao sentir a intensidade e excitação por detrás daquela simples frase, cada palavra trazia embutida no seu verso a promessa de uma morte dolorosa. Mas eu não podia desistir, não quando as vidas dos meus companheiros estavam em jogo.
Forcei os meus olhos, os meus ouvidos e quaisquer outros sentidos que eu possuísse para achar Zabuza, mas ele sabia se esconder bem. Ele até havia reduzido o seu chakra ao quase ˝nada˝, fazendo eu me lembrar do conselho de Tobirama-sensei sobre shinobis capazes de tal feito. Aquilo não era realmente uma surpresa pra mim, já que ele era um perito no Silent Killing (Assassinato Silencioso).
Os meus pensamentos são interrompidos, quando os meus aguçados ouvidos captam o quase imperceptível som, de algum objeto pontiagudo perfurando a densa névoa em minha direção, reagindo em fracções de segundo, realizei um movimento horizontal com a Raijin, cortando ou melhor, derretendo uma kunai ao meio, observei que devido ao contato, o metal que a compunha estava virando uma substância quase líquida.
Novamente, a visão da silhueta de Zabuza caindo repentinamente do céu, interrompeu os meus pensamentos. A Kubikiriboucho estava descendo em uma velocidade assombrosa, como uma guilhotina, pronta para separar o meu corpo ao meio. Em fracções de segundos, coloquei a Raijin no ken de maneira defensiva. Ao se chocarem, a minha espada – com muito esforço — absorveu o golpe. Mas o meu corpo acabou recebendo o impacto, afundando ligeiramente na terra.
Aproveitando a minha posição, em um oportuno shunshin, surjo nas suas costas. O meu ataque perde o elemento surpresa após eu apertar a minha mão sobre o cabo da espada e direcioná-la para o torso desnudo de Zabuza, mas já era tarde demais para o Jounnin. Eu corto ele. Como se apenas um segundo tivesse se passado, eu sinto a graciosidade e precisão do movimento enquanto o grito inumano de Zabuza irrompe pela floresta.
Eu sabia que aquela lâmina possuía um corte afiado, mas a visão das costas do Nukenin seria capaz de fazer um shinobi inexperiente vomitar. Um enorme e transversal corte ocupava uma boa parte das suas costas. E, dele era desprendido um leve e enjoativo cheiro de carne humana queimada.
Zabuza grunhe, como se fosse uma besta animalesca, enraivecida e selvagem.
Os seus olhos me encaram. Sanguinários. – Moleque... você vai morrer. – Ele riu com gosto. E eu quase chorei.
E, o que se seguiu foi uma clara demonstração da resistência daquele monstro. Mesmo com aquele grotesco corte nas suas costas, os seus movimentos não se tornaram mais lentos, muito pelo contrário, só pareciam ter aumentado. Ele movimentava freneticamente aquela Zambatou, tentando me cortar, com as suas pupilas dilatadas. Raiva nítida nos seus movimentos.
Normalmente, espadachins com Zambatou´s eram ridiculamente lentos, devido ao seu absurdo peso, mas os grossos e perfeitamente delineados músculos de seus braços, indicavam que ele treinara arduamente para dominar aquela espada, o que piorava ainda mais a minha situação, oras ele era um verdadeiro demónio com muito mais experiência que eu, as chances realmente não estavam do meu lado. Ele balançava freneticamente aquela Zambatou, feita do mais puro e resistente aço, como se não fosse nem um pouco pesada. E eu continuava apenas desviando dos seus ataques:
— Fique quieto, porra! – Zabuza esbravejou, com os olhos carregados de fúria.
A cada troca de golpes, eu sentia aquela lâmina falhando a minha pele por centímetros, eu quase agradeci o fato de eu ser menor e mais ágil que Zabuza, ou eu estaria em problemas. Mas mesmo assim, com o passar dos segundos, a sua velocidade aumentou consideravelmente e, alguns poucos ataques começaram a roçar levemente na minha pele, formando pequenas linhas na minha pele, não chegavam a sangrar, mas ardiam como se tivessem jogado ácido nelas.
O ataque seguinte, foi tão inesperado que, mesmo estando alerta, não consegui mover a Raijin rápido o suficiente para impedir que a minha caixa torácica fosse atingida pela Kubikiriboucho. Por sorte, pelo lado oposto ao corte. O gosto metálico do sangue veio logo a seguir.
Senti o ar faltar nos meus pulmões. O simples ato de respirar era deveras difícil e doloroso. E mesmo sem poder avaliar, percebi de cara que eu tinha quebrado algumas costelas.
O Nukenin, certamente, não estava preparado para o que eu faria a seguir. Tentando me recompor, me afastei dando um salto pra trás e, no ar formei o selo dragão, enquanto moldava o meu chakra para o jutsu que iria mudar o jogo:
— Suiton – Kirisame. (Elemento Água – Chuva de névoa).
Mal os meus pés tocaram no chão, uma fina e gélida gota de água entrou em contato com a minha pele, sendo sucedida por outras e, cerca de um segundo depois, uma leve chuva começou. Fechei os olhos, aproveitando enquanto a frieza da água acalmava um pouco a dor no meu tórax.
— Que chuva é essa?
A pergunta de Zabuza me fez abrir lentamente os olhos. Vaguei os meus olhos distraidamente pela estrada em que nos encontrávamos, constatando que a névoa estava começando a desaparecer. Avistei a figura de Tobirama, ele estava sorrindo, provavelmente prevendo o que eu faria a seguir. Muitos considerariam estúpido o fato de eu ter tirado – por momentos — os meus olhos de Zabuza. Mas, eu sabia que ele não me atacaria. Não enquanto eu não respondesse a sua pergunta.
— Ah... a chuva?
— Hai, essa não é uma chuva normal pois não?
— Muito perspicaz, Zabuza-kun... – Me permiti sorrir. — Hai, esse jutsu é o Kirisame (Chuva de Névoa) ... ele consome todo chakra com quem entra em contato, inclusive o chakra do seu jutsu da Névoa oculta...
Ele rodou os seus olhos pelo local. – Realmente, o meu jutsu da Névoa oculta está se dissipando... – Constatou o óbvio. Logo depois olhou pra mim, os olhos brilhando de um sentimento desconhecido por mim. Supus que fosse incredulidade. — Como um pirralho como você aprendeu um jutsu desse nível?
— Quem sabe... – Dei de ombros.Com aquela chuva, seria impossível usarmos qualquer ninjutsu. — Então, Zabuza... agora é a minha vez. – Apertei levemente a minha mão sobre a espada.
Começo a correr em alta velocidade em direção à Zabuza, com a mão na empunhadura da espada. Ele não pareceu vacilar enquanto eu ia em sua direção. Simplesmente tentou me acertar com a Kubikiriboucho, mas eu percebi que ou os seus movimento tinham ficado mais lentos, ou os meus olhos finalmente estavam se adaptando à sua velocidade. Consegui desviar do corte de sua espada me abaixando e, em um movimento que pegou Zabuza de surpresa, troquei a espada de mão e acertei as suas costelas. Por não ter sido com a minha mão dominante, um leve corte se formou no local. Dei um salto pra trás.
— Você é bom gaki... – Ele disse, sem parecer vacilar. – Se você tivesse mais força no pulso, poderia até ter me machucado... – Deu um sorriso claro por trás das bandagens — mas bem, ainda te falta experiência...
Eu o encarei irritado. E me joguei novamente pra frente, com o vento esvoaçando o meu quimono pela minha velocidade, lancei um punhado de kunais no Demónio da Névoa. Todas elas ricochetearam inutilmente na Zambatou de Zabuza. E, quando eu estava quase o alcançando eu me apercebi do quão impulsivo eu havia sido, o largo sorriso de Zabuza confirmava isso.
Os segundos que se seguiram depois daquilo foram realmente confusos, a única coisa que eu me lembro é que três segundos depois, eu sou mandado de volta, com um enorme corte na região do meu peito, e pela primeira vez naquela batalha, o meu quimono é manchado de vermelho. Manchado de Sangue.
Os meus olhos encararam Zabuza, ferinos e escurecidos. Não eram o costumeiro azul-brilhante, mas, ao contrário daquela vez com Mizuki, aqueles não eram os olhos da kyuubi, aqueles olhos, duros e frios, que encaravam o considerado demônio da Névoa, eram os meus olhos.
A minha mão tremulou ao redor do cabo da Raijin, respirei profundamente, tentando ignorar a latejante dor do corte no meu peito, firmando em seguida o meu punho sobre a espada. Era irônico eu me lembrar das palavras do meu mestre, naquele preciso momento. ˝ Existem espadas capazes de cortar tudo e, ao mesmo tempo, não cortar nada ˝.
Tão logo me lembrei daquilo, eu balancei a minha cabeça, nada mais que tolice. Era impossível alguém realizar tal feito. Cortar tudo?
A menos que...
Zabuza vinha caminhando em minha direção, incontáveis linhas escarlates adornavam cada canto do seu corpo, resultado dos meus ataques. Mas ele não parecia se importar. Ri comigo mesmo, então monstros como ele realmente existiam...
Mas aquilo realmente não importava. Decidi acreditar nas palavras de meu mestre, até porque de qualquer das formas, eu já estava morto.
Estava na hora da Raijin no ken se tornar uma verdadeira extensão dos meus desejos e, mais uma vez, ser o raio que traz consigo o vento da esperança, estava na hora de se tornar novamente na espada capaz de dividir oceanos e enfurecer os céus.
Não havia tempo para hesitar.
Peguei calmamente uma kunai da minha bolsa ninja, e diferente das outras, essa possuía um selo cravado nela. Sorri ferinamente, enquanto que, com uma precisão cirúrgica lançava ela para o pescoço de Zabuza.
Ele – com uma grande facilidade — inclinou levemente a cabeça para o lado, o seu olhar era confuso, provavelmente por eu ter atacado tão abertamente.
Sorri, como ele estava enganado. Quando a Kunai estava passando exatamente ao lado do seu pescoço, sussurrei o nome da Segunda técnica mais poderosa do Raijin-ryū. Uma técnica que alcançava a velocidade divina, capaz de fazer a terra tremer e que trazia consigo raios que eram tão afiados quanto a própria morte:
— Raijin Ryū— Raijin jeneshisu (Estilo do Deus do Trovão— gênesis do Deus do Trovão).
Foi realmente assustador, ver o meu corpo tornar-se um feixe amarelado-brilhante envolto por raios e, em um reles abrir e fechar de olhos atravessar as grossas e inúmeras camadas de músculos do corpo de Zabuza, como se fossem feitos de ˝nada˝.
E na efemeridade de um reles segundo, estava tudo terminado. Enquanto eu sentia a velocidade e suavidade do movimento realizado, o corpo de meu inimigo entrava em contato com o chão.
Depois do que pareceu ser pra mim uma eternidade, o repentino som da sua respiração me fez arregalar os olhos.
Ele ainda estava vivo.
Mas bastou um olhar para o corpo dele para que eu soubesse que ele não iria para lugar nenhum. Um enorme e profundo ferimento ocupava a região do abdômen, eu até conseguia ver alguns órgãos. Ele estava acabado.
Com esse pensamento, permiti que o jutsu cobrasse o seu preço, com o meu chakra inferior à zero, as últimas gotas da Kirisame deslizaram pelos meus músculos, me fazendo me aperceber o quanto eles estavam moles, como se fossem feitos de gelatina, tal constatação fez com que as minhas pernas fraquejassem. Mas antes que eu pudesse tocar o chão, braços me impediram de tal ato.
— Kakashi-sensei... – Não consegui impedir um sorriso.
Ele retribuiu o sorriso. Pelo menos era o que eu achava, devido os seus olhos. – Você já fez o suficiente, descanse.
Balancei levemente a cabeça. – Não, Zabuza-san ainda está... – Mal pude terminar a minha fala, Kakashi olhou para mim, com os olhos estranhamente calmos:
— Olhe atentamente para ele. – Apontou para o corpo do Nukenin. – Ele está nas últimas...
Ele estava certo, Zabuza parecia uma estátua de mármore, pálido como as nuvens do céu. Não havia cores na sua vida, nem nas cicatrizes em sua pele, nem nos seus cortes apodrecidos e nem nos retalhos escarlates de seu abdômen, onde a Raijin havia rasgado sua carne.
Seus braços pendiam, suas vastas linhas de músculos fortes e entrelaçados
eram inúteis agora. Suas mãos traziam calos endurecidos pela espada. Essas mãos tiraram incontáveis vidas, mas agora elas não têm armas para empunhar. Essas mãos não mais se fechariam ou cerrariam em punhos. Nunca mais. Tudo o que podem sentir agora é o gotejar de sangue e pus de sua pele dilacerada.
Bem, enfim...
Seria apenas uma questão de segundos até ele, invariavelmente, desfalecer.
Mas antes disso ocorrer, algo muito estranho aconteceu. Bem, foi quando — em um ato de misericórdia – eu pedi a Kakashi que me levasse para perto de Zabuza. Eu pretendia acabar com o seu sofrimento.
Eu estava sendo apoiado por Kakashi, e nós realmente não demos mais que dois passos, quando estranhas estacas de gelo germinaram do chão.
Se não fosse a rápida reação de Kakashi, nós dois certamente seriamos empalados. Mas mesmo assim, quando Kakashi tentou me salvar, uma das estacas de gelo havia perfurado a sua perna direita.
Foi quando um estranho shinobi apareceu ao lado de Zabuza, ele ou ela, usava uma máscara branca com formas escarlates e o símbolo da Vila da Névoa cravado na testa. Um Hunter-nin, pelo menos era isso que ele queria que nós achássemos.
— Ha...ku... – Zabuza murmurou asperamente, parecendo estar em um fio de vida. O estranho shinobi se agachou lentamente ao seu lado e inclinou o seu ouvido pra baixo.
Os lábios de Zabuza estão se movendo, murmurando alguma coisa. Mas eu não consigo compreender. De repente, os seus olhos estão abertos, mas mortos.
Não consigo saber qual era a reação do shinobi que Zabuza chamara de Haku.
— Ele se foi? – Sasuke – que nesse meio tempo havia se aproximado – pergunta cautelosamente, enquanto olhava para Zabuza. Eu meneio a cabeça positivamente.
O mascarado se levanta.
Nós olhamos para ele apreensivamente. Se nós entrássemos em um confronto, provavelmente, seriamos mortos. Kakashi e eu já estivemos em melhores condições.
Por incontáveis segundos, uma assustadora névoa de tensão flutua sobre nós.
Até que vimos Haku realizar alguns selos de mão, se ele (ou ela) provavelmente quisesse se vingar, aquele seria o momento ideal, nós ficamos apreensivos, pensando se tratar de um jutsu de ataque, mas ao contrário do que esperávamos, o corpo de Zabuza, a Kubikiriboucho e o Shinobi mascarado se esvaem em uma pequena nuvem de névoa.
E quando nos apercebemos, eles haviam desaparecido.
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