Gênesis

19 Nami no Kuni - A fagulha


Notas iniciais
Dessa vez eu não vou dizer que foi culpa do Pc, a culpa foi minha e inteiramente minha… Não é que eu sinta preguiça de escrever ou não tenha tempo livre, eu tenho. O verdadeiro motivo pra mim às vezes demorar tanto é justamente ´´eu´´. Normalmente, antes de eu escrever um capítulo eu defino uma meta de acontecimentos, a primeira vista parecem simples, mas quando eu começo a escrever, a história parece ter vida própria e escolhe um caminho totalmente diferente do que eu tinha previsto, então eu apago, reescrevo, apago, reescrevo e apago novamente … Fico nesse ciclo por semanas até que eu vejo a minha ideia ai, ela está ai na história, mas soa falsa e insincera, então eu apago tudo de novo… Enfim ultimamente tenho tentado ignorar essa vozinha, perfeccionista talvez, que grita constantemente na minha mente… E tenho tido algum sucesso, por exemplo, depois de ter apagado todo capítulo, eu comecei novamente, e consegui escrever esse de cerca de sete mil palavras, acreditem ou não, em quatro dias… Bem, já chega de desabafo, como esse capítulo não pode ser lido em pé, bora sentar, puxar um lanchinho e relaxar com mais um capítulo dessa história… Ah… e leiam as notas finais é muito importante… ENJOY!

A primeira coisa que Naruto notou assim que abriu os olhos, é que toda extensão do seu corpo latejava intensamente de dor, inclusive partes que ele nem sabia que existiam, particularmente os seus músculos, eles pareciam chorar de dor, era quase como se alguém o tivesse esfolado vivo, umas mil vezes.

— Porra! – Essa é primeira coisa que saiu da boca de Naruto. E tão logo proferiu aquela palavra, ele se arrependeu profundamente, parecia que a sua garganta havia sido arranhada por dentro.

— Oh... vejo que você finalmente acordou...

Naruto reconheceu aquela voz como sendo de Kakashi, mas mesmo assim, só pra confirmar, tentou virar o seu corpo, de modo que pudesse visualizar aquela figura. O que se provou um enorme erro. A dor no seu corpo pareceu aumentar um milhão de vezes.

— Porra!

Kakashi riu com gosto, achando graça aquela situação. – Sabe… eu não sabia que você era tão boca suja.

Naruto suspirou, desistindo da tentativa idiota de se virar.

Sem nada particularmente útil para fazer, rodou os seus olhos pelo local, vendo que estava deitado num colchão no que parecia ser um quarto comum, o piso era feito inteiramente de madeira polida e as paredes eram de um branco desbotado. Ele estava coberto parcialmente por um lençol, e o calor ameno da manhã estava banhando a pele do seu tronco desnudo. Bem, ele não precisou pensar muito para rapidamente se aperceber que nunca estivera ali:

— Que lugar é esse?

Naruto ouve o som de páginas sendo folheadas, Kakashi provavelmente estava lendo algum livro. – A casa do Tazuna-san... nós viemos aqui depois de... – Kakashi pareceu escolher bem as palavras – Bem...você sabe...

Naruto fechou os olhos, tentando evitar a imagem que se formava na sua mente, o corpo desfigurado de Zabuza apareceu como um flash, assombrando os seus pensamentos. Tentando ignorar a estranha sensação que instalava no seu interior, mudou rapidamente de assunto. – Como está a sua perna?

Kakashi suspirou, resignado. — Já esteve melhor. Segundo o médico da Vila, eu demorarei no mínimo três semanas para poder andar novamente.

— Entendo...

Logo depois, um estranho silêncio se instalou no quarto.

Depois de minutos particularmente desconfortáveis, Naruto percebeu pelo chakra de Kakashi, que ele estava inquieto. Não precisou pensar muito para saber o porquê. – Então... pode perguntar... — Deixou a frase por um tempo no ar.

Kakashi fechou distraidamente o livro em suas mãos. E depois de um curto período de silêncio, em que ele parecia achar as palavras certas, por fim perguntou. — A espada que você invocou... era a espada do Nidaime-sama, não era?

Naruto suspirou exasperado, tal como previra:

– Hai... era a Raijin no ken...

— Onde você achou ela? Aquela espada estava desaparecida desde a Primeira Grande Guerra Shinobi...

— É meio complicado...

— Fale logo... – Kakashi falou meio impaciente, o seu aluno ficou silencioso... – Eu não sou idiota...

Ele não precisou pensar muito, quase que mecanicamente, ele sentiu as palavras vindo em sua cabeça e, logo depois saindo da sua boca. – Sensei, você se lembra do episódio de Mizuki, quando eu havia ˝roubado˝ o Pergaminho Secreto?

— Hai...

Naruto continuou. — A verdade é que, a espada estava selada num compartimento secreto do pergaminho. – Mesmo sem poder ver o seu rosto, Naruto sabia que Kakashi havia arregalado os seus olhos.

— Isso... é realmente verdade? – Ele estreitou os olhos, olhando para Naruto não como o seu Sensei, mas sim como um Jounnin leal ao Hokage, quase como se estivesse avaliando uma potencial ameaça para a Vila da Folha.

— É claro que sim... – Naruto não pôde deixar de se sentir um pouco mal por mentir pra Kakashi, mas aquilo era o melhor que ele podia fazer no momento. E também, não havia como Kakashi saber se aquilo era realmente verdade ou não.

Naruto sentiu os olhos de Kakashi sobre si, o analisando friamente, quase como um predador avaliando uma presa, buscando qualquer sinal de que contradissesse a sua história. E o que se seguiu foram os piores cinco segundos da vida do loiro, nem quando esteve enfrentando Zabuza havia se sentido como naquele momento.

Mas, logo depois o Jounnin suspirou, parecendo se convencer. Antes que Kakashi dissesse qualquer outra coisa, alguém bateu, singelamente, à porta.

— Entre…

A porta se abriu e uma mulher realmente bonita adentrou o quarto, trazendo consigo uma bandeja.

— Oh… Tsunami-san… — Kakashi falou, parecendo estranhamente animado.

— Kakashi-san, como está se sentindo?- Ela perguntou, com um sorriso no rosto — espero que as ervas estejam fazendo efeito….

— Oh… de facto, estão realmente funcionando. A senhora realmente sabe o que faz…

— Por favor, não me chame de senhora, eu me sinto meio… velha…

Naruto, como não podia se mover, muito menos ver o rosto da desconhecida mulher, apenas ficou ouvindo a tudo, particularmente curioso.

Kakashi pareceu ficar meio encabulado. — Oh…peço desculpa, como você quer que eu…

Tsunami o interrompeu, com um sorriso ainda maior. — Tsunami, me trate apenas por Tsunami…

Naruto resistiu a vontade de revirar os olhos, já estava cansado daquela estranha situação, quer dizer, era realmente irritante ver o seu Sensei flertando bem na sua frente, como se ele nem estivesse lá, por isso decidiu intervir. — Oe…Kakashi-Sensei, com quem você está falando?

Kakashi ficou com uma expressão grave no rosto, parecendo se dar conta que havia cometido um grave erro. — Oh… peço desculpa – Naruto resistiu fortemente ao impulso de revirar os olhos, aquela era a quarta vez que o seu Sensei dizia ˝̋ Oh˝ — Essa é a Tsunami-chan – Ela corou pelo ˝chan˝ — ela é a filha do Tazuna-san…

— Entendo…

— Então, como você está se sentindo? – Tsunami perguntou, com um sorriso gentil brincando no rosto.

— Um inútil…

Kakashi riu nervosamente, enquanto Tsunami apenas sorriu discretamente:

— Você é exactamente como o meu pai havia dito…

Naruto estava prestes a dizer alguma coisa, mas antes que o fizesse, Tsunami se ajoelhou ao seu lado, com uma tigela cheia com um líquido verde e consistente recheado de ervas, algo que Naruto duvidava que fosse comestível, com um cheiro realmente estranho. Nem a pau ele tomaria aquilo.

Antes que Naruto pudesse dizer alguma coisa, ele sentiu a mão delicada de Tsunami segurar a sua nuca e trazer sua cabeça pra cima, o que fez com que seus músculos rangessem de dor, ele mordeu a língua para não gritar até que ele estivesse sentado, já era ruim e humilhante o bastante estar naquela situação.

Ela encheu uma colher com um punhado do líquido e levou em direcção à boca do loiro. — Diga ˝aahhh˝ — Naruto olhou para ela meio incrédulo, mas ela apenas continuou sorrindo. – Você está desmaiado há três dias, se quiser se recuperar, é melhor tomar logo...

— Eu não vou tomar isso!

Kakashi apenas riu da cena, o filho do seu Sensei era realmente forte, quase tão forte quanto um demónio, mas ainda assim não deixava de ser cómico. Uma hora agia seriamente, quase como um adulto, e na outra parecia uma criança.

Dois minutos depois, a tigela estava limpa e Naruto se esforçava para não vomitar o conteúdo no seu estômago. Mulheres podiam ser muito persuasivas com seus olhinhos suplicantes.

Logo depois, Tsunami entregou um copo de chá para Kakashi.

— Beba, é um chá de cúrcuma. É para acelerar a cicatrização.

Kakashi recebeu o chá de bom grado, murmurando um obrigado. Baixou a sua máscara e deu um longo gole, apreciando o chá amargo descendo pelo seu esófago. Ele quase se arrependeu, estava realmente quente.

— Porque você está fazendo isso? – Naruto perguntou, depois de um período de silêncio.

Ela olhou para ele meio confusa, como se perguntasse ˝Quê? ˝ mas logo depois, uma sombra de compreensão passou pelo seu rosto. – Bem... você precisa se recuperar, e além do mais eu soube que você se machucou gravemente tentando salvar o meu pai... por isso…isso é o mínimo que eu posso fazer para agradecer... — falou Tsunami, com uma expressão meio dócil.

Naruto se calou, e um silêncio particularmente desconfortável se abateu sobre o quarto.

Tsunami estava imersa em pensamentos, inalando o cheiro particularmente agradável de sal marinho que entrava pelas frestas da janela, um cheiro que, estranhamente a fazia mergulhar em memórias antigas, oriundas de um tempo em que o seu país era próspero e, a existência de Gatou não passava nem na mais fértil mente. Enquanto isso, Kakashi parecia estar absorto no seu livro pornô e Naruto apenas pensava em algo útil para dizer. Ele realmente não teve oportunidade para isso, quando estava prestes a dizer alguma coisa, a repentina fala de Tsunami quebra o silêncio:

— Bem, isso foi estranho ... – Ela riu divertida, olhando as árvores através da janela do quarto como se fossem a coisa mais importante do mundo, depois se voltou para o loiro. – Enfim... continue descansando, daqui há algumas horas eu virei ver como você está.

Naruto tentou assentir, mas a dor no seu corpo o impediu de tal acto, e ele pareceu resistir ao impulso de agradecer, aquilo já havia sido humilhante o bastante. Enquanto ele se debatia internamente, Tsunami recolhe a loiça no chão e fecha a porta do quarto, até o som de seus passos se distanciarem.

O Jounnin decidiu mudar de assunto. Ficando sério de uma hora para outra, e falando algo que realmente estava o preocupando. – Naruto... – Ao ouvir um ˝Hmn? ˝ por parte do seu aluno, continuou. – Tem algo realmente me incomodando...

Apesar do seu gosto extremamente horrível, as ervas estavam, lentamente, fazendo efeito, a irritação na sua garganta estava passando e ele sentia lentamente os seus músculos deixarem de latejar. Ele tentou mover primeiramente um dedo... isso... ele havia conseguido, logo depois, tentou mover o braço direito para cima e quase festejou por conseguir isso.

— Oe, Naruto você está me ouvindo?

— Hai, Hai... – Falou distraidamente. Enquanto tentava levantar o seu braço esquerdo, como se fosse a coisa mais importante do mundo.

Kakashi suspirou, enquanto uma fagulha de compreensão passava pelo seu rosto, finalmente entendia como Guy, o seu eterno rival, se sentia ao ser constantemente ignorado por ele.

Enfim...

– É sobre o Shinobi mascarado...

Naruto parou o que estava fazendo. Ficando com um semblante sério de uma hora para outra, e tentou virar o seu corpo, apenas para desistir outra vez, respirou profundamente, enquanto reunia a coragem necessária, e então, mesmo com a excruciante dor que sentia, conseguiu virar o seu corpo de lado, o que fez com que, finalmente, visualizasse o seu Sensei, ele estava sentado em outro colchão, no extremo oposto do quarto, as costas apoiadas na parede e os braços pendendo ao lado do corpo. Apoiado na parede ao seu lado, estava um par de muletas. A sua face ostentava um semblante preocupado.

Vendo o esforço do seu aluno, Kakashi prosseguiu. – Pelo pouco que eu vi, ele é extremamente poderoso…

— Hai... e existe uma grande probabilidade de nós o enfrentarmos novamente... – Naruto falou, parecendo repentinamente preocupado.

— No meu estado, eu não conseguirei lutar... – Kakashi cerrou o seu punho, enquanto experimentava o sentimento de impotência percorrer todo seu corpo, era humilhante, ele, como Sensei não poder proteger os seus alunos…

— Eu posso dar conta dele...

Kakashi balançou a cabeça negativamente. — Não, eu acho que ele está no mínimo, no mesmo nível que você e eu, se não for mais poderoso, enfim... – Ele esfregou a ponta do seu nariz, parecendo preocupado — ainda resta Sakura e Sasuke na equação...

— O que eles têm? – Naruto questionou, realmente confuso.

— Bem…Sasuke é forte, não tanto quanto você, mas o suficiente para derrotar uma boa parte dos chunnins de nossa vila... Já a Sakura... – Ao ver o olhar particularmente interrogativo de seu aluno, Kakashi deixou de rodeios, e proferiu o que realmente passava pela sua cabeça – Ouça, só por precaução eu quero que você treine eles...

Naruto não precisou pensar muito para responder. — Não...

— Não negue tão rapidamente… — Kakashi suspirou, meio abatido — pelo que eu vi na nossa luta, você domina perfeitamente o Kinobori e o Mizu Kinobori, você poderia ensiná-los…

— Olhe Kakashi-Sensei… — Naruto começou, meio cauteloso – Duvido seriamente que eu consiga convencê-los, e mesmo que por algum milagre, eu consiga isso, eu não estou minimamente interessado em treiná-los…

— Eu não queria dizer isso mas… — Fez uma pausa, criando o suspense necessário para o que ele estava prestes a dizer. Pareceu funcionar, já que o loiro afiou o olhar em sua direcção. — Quando nós voltarmos pra Konoha, daqui há aproximadamente duas semanas, o Chunnin Shiken (Exame Chunnin) será anunciado…

Naruto arregalou os olhos.

– O...o quê?

Vendo que provocou o efeito esperado, Kakashi continuou. – E para participarem, vocês precisam da autorização do seu Sensei, ou seja… — Ele deixou a frase por uns segundos no ar, o suficiente para o seu aluno perceber.

— Hai, Hai… Eu entendi – Naruto comentou, meio emburrado, parecendo entender a chantagem de seu Sensei – Se você quer que eu os ensine, eu os ensinarei…

Kakashi riu inocentemente, quase como uma criança fingindo que não havia roubado doces. – A sério? Sakura e Sasuke têm sorte em ter um companheiro tão legal quanto você…

Naruto mirou o Jounnin afiadamente, quase como se fosse matá-lo… ˝Jounnin idiota…˝ pensou irritado.

×

Ao contrário do que Naruto achava, os quatro dias que ele levou para se recuperar, se passaram com uma lentidão deveras torturante, era realmente frustrante passar um dia inteiro estendido num colchão, sem nada para fazer a não ser olhar para as paredes desbotadas, o que fez com que ele se tornasse uma espécie de perito em ´´ paredes´´, mesmo de olhos de fechados, ele podia dizer, minuciosamente, a localização de cada fenda e irregularidade daquelas paredes, enfim… Vendo a situação extremamente decadente do seu aluno, Kakashi até havia oferecido um dos seus livros pornô para o garoto, que prontamente negou, corando intensamente, enquanto repetia compulsivamente uma espécie de mantra ˝ eu sou uma criança lógica, coisas sem lógica não me afetam… eu sou uma criança lógica, coisas sem lógica não me afetam… eu sou uma criança…˝

Enfim…

Nesse meio tempo, Sasuke e Sakura haviam o visitado umas… quatro vezes, e todas elas, sem exceção, eram caracterizadas por serem estranhamente constrangedoras, com um silencioso Sasuke o olhando de um jeito meio estranho, quase como se fosse ele que tivesse, na verdade, assassinado todo clã Uchiha e não Itachi, enquanto Sakura ficava falando sozinha sobre dietas extremamente malucas e, de repente ficava animada demais e acabava falando demasiado alto sobre o quanto ˝Sasuke-kun˝ era legal, e sobre o quanto ela era sortuda por estar no mesmo time que ele e muitas outras coisas -cor-de-rosa…

Nada realmente preocupante.

Por outro lado, Tobirama aparecia ocasionalmente, e como na maior parte do tempo Kakashi estava naquele quarto consigo, eles não podiam realmente conversar, mas mesmo sem ser respondido, Tobirama passava a maior parte do tempo falando – sozinho — com Naruto sobre diferentes planos e estratégias de treino, cada uma mais insana que a outra, mas repentinamente Naruto sentia que ele ficava demasiado empolgado, devido ao brilho sanguinário que os seus olhos ostentavam…

Realmente, nada preocupante…

x

Naruto saiu do banho, com uma toalha enrolada na cintura e se retesou na figura reflectida no espelho do banheiro, analisando atentamente cada traço do seu rosto, novamente, ele havia mudado, o seu cabelo havia crescido consideravelmente, fazendo com que as suas franjas laterais ultrapassassem o seu queixo, emoldurando perfeitamente o seu rosto, enquanto que os seus traços faciais se tornavam mais angulosos e menos suaves, uma evidente e perfeita cópia do Yondaime, ele não pode impedir o nada modesto pensamento sobre o quanto ele era ˝bonito˝…

Graças ao elevado factor de cura da Kyuubi, o corte no seu peito havia se fechado, deixando uma cicatriz, não era do tipo grotesca, apenas uma fina linha que ia do seu ombro até a região do abdómen, ele traçou, lentamente, com o seu dedo todo contorno da cicatriz, sentindo o quanto a superfície era lisa e perfeita, ele se permitiu sorrir, por mais estranho que aquilo soasse, era uma cicatriz realmente bonita…

Como o seu quimono havia sido parcialmente destruído e o que restou estava mergulhado de sangue, a única coisa que ele esteve usando era uma calça, que lhe fora dada por Tazuna, demasiado grande para o seu corpo.

Ele realizou alguns simples selos de mão, e em uma pequena nuvem de fumaça, surgiu um pequeno pergaminho. Depois de o desenrolar, com o selo tigre, o Kanji correspondente à ˝vestimentas˝ brilhou, enquanto que, em uma explosão de fumaça, surgiu um novo conjunto de roupas…

Ele sorriu, ao terminar de amarrar a sua bandana no seu braço direito, enquanto observava a imagem reflectida no espelho. O clima do País das Ondas variava entre quente e frio com muita facilidade, mas naquela noite em especial, estava realmente frio, por isso ele considerou apropriado à sua escolha de roupa, um moletom azul-marinho e uma calça preta envolta por faixas nos tornozelos, para completar, as costumeiras sandálias shinobis, de uma cor preta, realmente nada muito chamativo.

Ele saiu do banheiro, e enquanto atravessava o estreito corredor Naruto olhou para o quarto onde esteve durante cerca de uma semana, o colchão de Kakashi estava vazio, ele provavelmente já havia descido. A janela do quarto estava aberta, fazendo com que a cálida e ténue luz da lua iluminasse fracamente o quarto.

Mas mesmo assim, ele podia ver claramente o tão conhecido vulto espectral de Tobirama sentado no parapeito da janela.

Naruto se aproximou com passos silenciosos, e pela primeira vez em sete dias, ele finalmente pôde falar com o seu Mestre. – Sensei…

Ao contrário do que Naruto esperava, Tobirama nada disse, apenas continuou fitando a lua, grande e brilhante. À luz da lua, o corpo de Tobirama parecia envolto por uma brilhante e misteriosa aura, o branco, o cinza e o azul se misturavam por todo seu corpo, formando uma imagem verdadeiramente, de outro mundo.

Por incontáveis minutos, eles permaneceram calados, apenas apreciando o som do vento balançando suavemente as folhas das árvores e o mar rebelde, ricocheteando suavemente contra os suportes de madeira, que sustentavam a casa.

— Oe, Sensei… — Naruto começou, em um tom baixo, enquanto continuava a olhar para a imagem da lua brilhante e lustrosa, refletida na água do mar. Tobirama inclinou levemente a cabeça em sua direção, indicando que estava prestando atenção – Eu… posso te fazer uma pergunta?

— Hai…

— Você…se lembra? – Ao ver o brilho confuso no rosto de Tobirama, Naruto acrescentou – Dos Shinobis que você matou?

Tobirama fechou repentinamente os olhos, flashes e memórias antigas invadiram a sua mente, diferentes nomes e rostos, todos eles com histórias diferentes. Sorriu levemente, parecendo melancólico. – De todos eles, sem exceções… — Havia um quê de mistério na sua voz. – Mas porque a pergunta? Não me diga que…

— Hai, sempre que eu fecho os olhos… no momento, eu não pensei muito nisso, mas depois de toda aquela adrenalina passar, depois de eu sair do modo sobrevivência, sempre que eu fecho os meus olhos, ou quando eu vou dormir, eu vejo os rostos deles… — Ele solta um suspiro, visivelmente cansado — Eu pensei que, com o tempo eu me acostumaria… — Sorriu tristemente — eu acho que isso me torna um péssimo Shinobi…

— Não, isso te torna humano. – Naruto olhou para Tobirama, meio surpreso – Eu já vi muita coisa nesse mundo, inclusive o quanto o ser humano pode ser cruel. Mas, no dia em que abriu aquele pergaminho, eu pude ver o quanto você era diferente, ingénuo talvez, mas ainda assim diferente. — Ele fez uma pausa, enquanto Naruto continuava absorvendo cada palavra – E quer saber de um segredo? – Ele assentiu lentamente – Nós, realmente, nunca nos acostumamos.

Naruto olhou para Tobirama, surpreso por suas palavras, mas logo depois um sorriso nasceu em seu rosto. – Hai, Sensei…

Depois daquela breve conversa, Naruto desceu com Tobirama para o jantar, e fica realmente surpreso ao encontrar apenas Sasuke e Kakashi sentados ao redor da mesa na sala.

Depois de cumprimentá-los com um rápido aceno de cabeça, Naruto escolhe um dos assentos livres e se senta. O seu mestre fica flutuando ao lado de sua cabeça.

— Presumo que esteja se sentindo melhor – Fala Kakashi, Naruto meneia a cabeça positivamente.

— Sim, como se eu tivesse descansado por uma semana… — Naruto passa pelos seus olhos que havia sido uma piada.

Kakashi sorriu singelamente, e então, em uma fracção de segundos, tão rápido que nem os olhos menos afiados de Sasuke puderam ver, muda a sua expressão para uma levemente mais séria. Naruto não pôde deixar de notar isso. — Naruto, sobre aquilo que conversamos…

— Hai, eu entendo – Naruto solta um suspiro, enquanto Sasuke olha para os dois confusamente, tentando entender aquela situação – Mas eu prefiro que os dois estejam presentes, assim não terei que repetir novamente para …

Kakashi concorda, com um aceno. – Certo… — Se virou Sasuke que continuava a olhá-los desconfiado – Sasuke, por favor vá chamar Sakura.

Sasuke lançou um último olhar desconfiado para Kakashi, e depois o direccionou para Naruto, vendo o quanto os dois estavam agindo estranhamente, quase como se eles tivessem combinado toda aquela situação.

Ele mantém o seu olhar por mais algum tempo, sentindo milhares de perguntas rondando a sua cabeça fervorosamente, mas por fim acaba por se convencer, minimamente — Está bem… e é melhor que não seja uma brincadeira.

Logo depois o Uchiha sobe as escadas, em direcção ao quarto que Sakura partilhava com Tsunami.

Cinco minutos depois, todo time sete estava reunido ao redor da mesa, e depois levou mais três minutos para convencer Sakura a simplesmente calar a boca e sentar, logo depois Kakashi decide tomar a palavra:

— Bem, como vocês já sabem essa missão ainda está longe de terminar… — Ao ver os olhares particularmente interrogativos de Sasuke e Sakura, Kakashi continua – Pelo menos enquanto o falso Oinin e Gatou estiverem vivo…

— Ah! – Sakura grita – Eu já estou cansada dessa missão, tem sempre gente maluca aparecendo no nosso caminho!

Apesar da reacção um tanto escandalosa de Sakura, o último Uchiha apenas continua olhando desconfiado para o seu Sensei e o seu companheiro de equipe. – Onde é que você quer chegar, Kakashi-Sensei?

— O que eu quero realmente dizer… — O Jounnin olha directamente para cada um dos seus alunos, vendo a expressão extremamente desinteressada de Naruto, que certamente era superior à sua no seu melhor dia – É que vocês precisam estar preparados, caso a situação piore – Ele não deu tempo para qualquer um deles falar – Escutem, eu quero que vocês se fortaleçam, e pra isso eu pedi para Naruto vos ajudar…

Sasuke arregalou os seus olhos, ao compreender o que Kakashi queria dizer, Sakura no entanto, continuava boiando na conversa. – Espere! – O Uchiha se levantou abruptamente, a surpresa dando lugar a irritação – Você quer que Naruto nos treine?!

— Hai...

— Você espera que eu aceite isso? – Sasuke continuou o seu ataque, gesticulando raivosamente — tem ideia do quanto isso é humilhante, logo ele, alguém que eu quero superar?!

— Isso mesmo, Sasuke-Kun está certo!

Kakashi estava prestes a dizer alguma coisa para acalmar o seu aluno, mas para sua surpresa, Naruto decidiu se pronunciar pela primeira vez.

– Sasuke… — Por um instante, Sasuke não pode deixar de associar a imagem do Naruto diante de si com o Naruto idiota que vivia gritando para os ventos que seria Hokage, ele também tinha o hábito de interromper a fala das pessoas. Mas, logo depois, qualquer semelhança entre eles foi dissipada, pelo tom incrivelmente calmo na voz do loiro – Ao contrário do que você possa pensar… eu não odeio vocês, muito pelo contrário, apesar do vosso comportamento incrivelmente irritante, eu meio que… — parou no meio da frase, mudando o que realmente queria dizer — aprecio a vossa companhia, logo, seria incrivelmente decepcionante se vocês morressem na vossa primeira missão ´´real´´ — Ele fez uma pausa, enquanto os seus companheiros absorviam as suas palavras – Eu prometi que protegeria Tazuna-san, e enquanto Gatou e o falso Oinin estiverem vivos, eu não conseguirei cumprir essa promessa, mas o mesmo não pode ser dito à vocês, se quiserem voltar para a Vila não me importo minimamente, muito pelo contrário, eu até ficaria feliz se fizessem isso, mas se vocês quiserem ficar aqui e lutar, no vosso actual nível é uma certeza que vocês morrerão, por isso… eu acho que vocês deviam aceitar esse pequeno treino…

A sua fala teve um misto de reacções nos seus companheiros. Kakashi olhou para ele com os olhos castanhos brilhando de pura admiração, quase como se ele fosse um herói do futuro que havia lhe entregado todos os próximos volumes do Icha Icha.

Sasuke por um instante ficou irritado, por Naruto ter cutucado as suas feridas, mas depois foi abatido pela verdade nua e crua sobre o quanto ele era fraco, até ele passar para um entendimento duro. Ele precisava ficar forte. E, se isso significava passar pela humilhação de ter Naruto como Sensei, então que fosse.

Sakura por outro lado, estava prestes a gritar com o loiro, por ter dito coisas ´´horríveis´´ à ela e o seu tão adorado Sasuke-kun, quando Sasuke se pronuncia.

— Está…bem… — Ele falou, como se tivesse algo preso na garganta, e em uma reles fracção de segundos, tudo o que Sakura estava prestes a dizer se esvaiu da sua mente.

Antes que qualquer um deles pudesse dizer alguma outra coisa, Tazuna adentrou a sala, sendo acompanhado por um garoto, ele aparentava ter uns sete anos e tinha os olhos vermelhos, provavelmente por passar muito tempo chorando. Naruto soube de cara, que ele era um covarde de primeira.

E não deu outra, logo depois de Tsunami servir o jantar, o garoto pôs se a contar uma lenga-lenga extremamente entediante sobre o quanto a sua vida era triste e infeliz, e sobre o quanto Gatou era poderoso e que todos eles iam morrer em breve. Sakura ficou assustada, provavelmente acreditando no que aquele garoto dizia, enquanto isso, Naruto se esforçava para não enfiar a colher que tinha na mão na boca do pirralho, ele era incrivelmente entediante e negativo, até mais que Sasuke, e isso sem ele sequer tentar.

Depois de cinco minutos, Naruto não conseguiu mais se controlar e gritou um ´´cala a porra da boca!´´ para o garoto. Como resultado, Inari fugiu para a sua fortaleza de solidão. O seu quarto.

Logo depois de ser repreendido por Kakashi, Tazuna começou a contar o motivo do ´´comportamento´´ de Inari, basicamente, o seu ´´pai´´ adotivo, Kaiza, era considerado como sendo um herói pelos habitantes do País da Ondas, e portanto, para destruir as esperanças dos habitantes, Gatou decidiu o executar na frente de toda população, inclusive Inari. O que fez com que ele caísse em depressão, e deixasse de acreditar que existissem ´´heróis´´. Mesmo compreendendo os motivos do garoto, Naruto não podia deixar de ficar irritado com Inari, é claro que a sua vida não era exactamente cor-de-rosa, mas ainda assim, ele tinha uma mãe e um avô que o amavam incondicionalmente.

Inferno, a sua vida havia sido muito mais dura que a do garoto, e nem por isso ficava chorando pelos cantos.

No dia seguinte, depois de tomarem um café da manhã reforçado, Naruto, junto com um flutuante Tobirama, seguiu com Sasuke e Sakura para a extensa floresta que havia nos limites do País da Ondas. Eles percorreram uma boa parte da densa floresta, com árvores extremamente altas, até acharem um lugar adequado para o treino.

E eles não demoraram muito nessa tarefa, cerca de dez minutos depois, eles acharam uma espécie de clareira com um raso gramado, cercada por árvores assustadoramente longas e esguias, certamente fundamentais para o treinamento de controle de Chakra.

Depois de explicar tudo sobre os dois jutsus – com ajuda de um certo ser de outro mundo — Naruto havia feito dois clones das sombras, para exemplificar, e foi realmente prazeroso ver a cara de besta que os seus companheiros fizeram ao verem os seus clones escalarem as árvores sem as mão e andarem na superfície água.

Em uma hora, apenas isso, Naruto tinha os olhos arregalados na mais pura surpresa, o motivo?

Bem, logo depois Sakura e Sasuke também tentaram, até ai tudo bem, mas o que aconteceu logo a seguir foi realmente surpreendente, em menos de quinze minutos Sakura havia conseguido escalar à árvore, e em menos de meia hora, conseguiu andar sobre a superfície da água, por outro lado Sasuke nem na metade da árvore havia chegado.

O motivo Naruto compreendeu logo depois, Sasuke possuía o dobro de chakra em relação à Sakura, o que, consequentemente, tornava mais difícil controlá-lo. E não era só isso, Sakura por outro lado, possuía um talento natural no controle de chakra, tudo isso aliciado às suas baixas reservas de chakra a tornavam praticamente prodigiosa em áreas como genjutsu e Ninjutsu médico.

Naruto não pôde deixar de concordar com as palavras de Tobirama ´´Nem sempre ter mais chakra significa ser mais poderoso, afinal do que adianta ter muito chakra se você não pode controlá-lo efectivamente? Por outro lado, com um bom controle, independentemente do quão baixo seja o nível de chakra, é mais prático e vantajoso. ´´

Vendo que pelo seu nível de chakra Sasuke demoraria, no mínimo mais um dia para dominar o jutsu de escalar a árvore, Naruto chamou Sakura para uma conversa, e depois de mais de uma hora tentando convencê-la a treinar genjutsu consigo, Naruto estava prestes a desistir, quando se lembrou do quanto ela era obcecada por Sasuke, por isso a única coisa que ele teve que fazer foi usar um pequeno genjutsu, ridiculamente fácil de quebrar, em que o último Uchiha dizia que teria um encontro com ela caso dominasse os jutsus que Naruto tinha para ensinar. E o resultado disso foi uma Sakura realmente determinada.

Naruto decidiu começar a explicar para ela, basicamente, tudo o que Tobirama dizia para ele… – O genjutsu, assim como o Ninjutsu requer o uso de chakra e selos de mão… — Sakura assentiu, indicando que estava prestando atenção – Porém, o genjutsu provoca ilusões, manipulando o fluxo de chakra da vítima… o que causa uma perturbação nos sentidos… algo extremamente eficiente numa batalha, por exemplo, o usuário pode fazer parecer que está noutro lugar e atacar a vítima por trás… ou fazer a vítima achar que há uma planície onde na verdade há um precipício…

— Entendo…

— Os jutsus de genjutsu, por serem realmente complexos, requerem muita habilidade de concentração, por isso é frequentemente mais usado por ninjas com um controle de chakra preciso e uma inteligência muito alta… — Naruto continuou explicando por horas, até Sakura realmente compreender a parte teórica. Mas o verdadeiro trabalho só havia começado. Sem que Naruto percebesse, os minutos se tornaram horas e as horas se transformaram em dias.

Depois de quatro dias vivendo na floresta, se alimentando unicamente de frutas e animais selvagens, ela já não era tão inútil quanto antes. Sakura poderia pegar uma boa parte dos gennins em genjutsu, mas ainda assim, nada que valesse realmente contra um Chunnin ou Jounnin.

Nesse tempo, Sasuke havia finalmente dominado o Kinobori e o Mizu Kinobori. Naruto, não vendo nada particularmente útil para fazer, decidiu voltar para a casa de Tazuna.

x

Quando eles chegaram na casa do construtor de pontes, os raios amenos da manhã estavam começando a irromper no horizonte. Provavelmente eram seis horas.

Assim que abriu a porta, a primeira pessoa que Naruto viu foi Tsunami, ela estava na cozinha, limpando a louça.

— Onde Inari está?

Tsunami olhou para Naruto por um longo período, antes de, confusamente, apontar para o quarto do garoto, e sem uma única palavra, Naruto subiu para o quarto dele. Enquanto isso, Tsunami olhou interrogativamente para os companheiros do loiro, eles apenas deram de ombros, não fazendo a mínima ideia do que se passava na cabeça de Naruto.

Tobirama, pelo contrário apenas sorriu, prevendo exactamente o que ele faria a seguir.

Cerca de um minuto depois, ele voltou carregando o garoto pelos ombros, que esperneava no seu pijama azul com peixinhos amarelados, enquanto gritava um monte de ofensas para o Uzumaki.

— O que você está fazendo com o meu filho?!

— Nós vamos colher ervas – Tsunami olhou para Naruto como se ele fosse louco – Para tratar as feridas do Kakashi-Sensei…

— Mas…

Naruto sorriu tranquilamente para Tsunami. — Fique calma… ele vai voltar são e salvo… — Depois de uns segundos, acrescentou — acho….

— Naruto, você quer que eu vá com vocês? – Tobirama perguntou cordialmente, embora ele já soubesse a resposta.

— Não me sigam…

— Tsc, como se eu fosse acompanhá-lo, Naruto-Baka! – Sakura levantou o punho raivosamente, pensando que o loiro havia falado, na verdade, com eles.

E sem esperar uma resposta, Naruto saiu porta a fora, deixando para trás uma Tsunami estática, enquanto Sasuke apenas observava o seu ´´rival´´ de cenho franzido, particularmente curioso pela sua atitude, mas logo depois, em fracções de segundos voltou a sua costumeira pose de Uchiha Todo-poderoso. As actividades do seu companheiro não eram do seu interesse.

x

Enquanto arrastava o garoto para fora da casa de Tazuna, por um instante Naruto parou, se perguntando o que diabos ele estava fazendo, ele podia simplesmente levar o garoto de volta, e deixá-lo chorar para sempre na sua fortaleza de solidão mas… apesar de Inari ser realmente irritante, havia algo nele… que fazia com que Naruto se lembrasse do seu velho eu… ele sentia, que com um pequeno empurrão, apenas um pequeno empurrão Inari poderia se tornar um ser interessante… apenas precisava da fagulha certa…

— Onde você 'tá me levando?!

— Fique quieto. Eu já disse, nós vamos colher ervas… e bem, ter uma certa conversa.

Inari trancou a cara, irritado. – Eu não quero falar com você. Eu quero que você me ponha no chão!

Naruto apenas ignorou os protestos, e continuou caminhando. Quando ele se apercebeu, eles estavam andando pelas ruas da aldeia e pelo olhar extremamente assustado de Inari, Naruto soube de cara que ele, provavelmente, não saía há bastante tempo.

As condições de vida dos habitantes eram no mínimo deploráveis, Inari, horrorizado, seguiu com os olhos as imagens de pessoas jogadas na rua pedindo esmolas e outras quase morrendo de fome, de tão desnutridas que estavam, mas a grande maioria, temendo o pior, haviam se trancado em suas casas. Vendo aquilo, Naruto se sentiu realmente impotente por não poder ajudá-los, a única coisa que lhe ocorria era matar Gatou, lenta e dolorosamente. Só esperava que aquilo tivesse algum efeito.

Quer dizer, não era como se Gatou fosse o único filho da puta que houvesse no mundo, havia muitos outros iguais a ele, nada serviria de garantia de que não viriam outros depois de Gatou… afinal, um país como o das Ondas, não-afiliado à qualquer Vila Shinobi, era um alvo estupidamente fácil…

Ainda com o garoto nos ombros, ele caminhou calmamente até a floresta, mas o lado bom, é que Inari havia deixado de resistir, provavelmente estava demasiado ocupado repassando as imagens sobre a situação deplorável de sua vila, como se fosse um filme.

Algum tempo depois, Naruto achou o local onde Tsunami havia dito – em uma de suas costumeiras conversas — que as plantas se encontravam, um campo verdejante, do outro lado do rio que cortava a floresta, com um infinito gramado multicolorido, flores e plantas de cores brilhantes acendiam furiosamente por todos lados, logo depois de jogá-lo, sem qualquer delicadeza no chão, Naruto ordenou que ele começasse a colher as ervas.

O garoto, meio abatido e mecânico, começou a colher silenciosamente, parecendo imerso em pensamentos, provavelmente, ainda sobre a situação sua vila.

— Essas também? – Inari perguntou baixinho, em um fio de voz, enquanto apontava para um conjunto de plantas e ervas.

— Sim…

O garoto recolheu o punhado de ervas e plantas, e as colocou no cesto que trazia consigo.

— Essas também?

— Sim… — Naruto repetiu o que vinha dizendo há minutos. E depois de mais um longo período de silêncio, o repentino som de Inari soluçando fez Naruto suspirar.

— O que foi? – Naruto se virou para o garoto, enquanto forçava a sua voz soar, sem sucesso, o mais amigável possível.

— Você… viu como eles estão sofrendo?

Naruto o encarou em silêncio.

— Você estava errado, não tem como derrotar Gatou, você próprio viu, ele é… — Inari soluçou ainda mais alto – Mais poderoso e cruel que vocês…

— Você… realmente acredita nisso? – Naruto deixou a pergunta no ar tempo o suficiente para Inari assentir. Ele suspirou — sabe…os seres humanos são realmente engraçados… sempre, não importa quando ou onde, sempre vai aparecer idiotas que se acham melhores que os outros, que se julgam ´´deuses´´, Gatou não é uma exceção… mas também existem aqueles que, movidos pelo puro desejo de proteger as suas pessoas preciosas, são capazes de derrubar esses ´´deuses´´. O seu avô é um exemplo disso…enquanto você ficava chorando pelos cantos, ele arriscava a sua vida tentando derrubar Gatou, tudo para que você e o povo da Onda pudessem sorrir novamente…

— Ele está perdendo o seu tempo! Não tem… — Inari sentiu os seus olhos ardendo ainda mais — Não tem como derrotar Gatou…

A sua expressão endureceu. Os seus olhos por um instante se tornaram mais escurecidos, quase como o mar revolto, o que fez com que Inari, involuntariamente, começasse a tremer. Naruto se levantou e deu duas batidas nas suas vestes, retirando o excesso de terra e com um simples selo de mão, inflou o seu peito, disparando uma gigantesca onda de vento, arrancando um punhado de árvores de suas raízes.

— Gatou pode fazer isso?

Inari não respondeu, apenas continuou olhando entre abismado e maravilhado para o que havia restado das árvores. Absolutamente nada.

Naruto começou a caminhar lentamente em direcção a Inari. Sem perceber, liberando uma aura ameaçadora. A forma como o seu corpo se mexia, havia um quê de graciosidade nos movimentos do seu quadril, era quase como… como uma raposa, caminhando em direcção à uma presa ferida. O garoto começou a tremer compulsivamente, como uma vara.

– Não se aproxime! – Ele arrancou um punhado de terra e grama, e tentou jogar no rosto do loiro.

Naruto se protegeu instintivamente colocando o antebraço diante do rosto.

Ele se agachou diante do garoto, que tinha havia fechado os olhos instintivamente, como se Naruto fosse um monstro prestes a devorá-lo. Suavizou lentamente a sua expressão. E afagou lentamente o cabelo do garoto, o sujando de terra. — Ouça Inari…enquanto covardes como você existirem, sempre haverá pessoas como Gatou… se aproveitando dos mais fracos… é por isso que, eu acho que o seu pai, foi… foi um grande homem por ter enfrentado Gatou…

O garoto abriu lentamente os olhos e engoliu em seco, ganhando coragem para enfrentar o ´´gigante´´ diante de si.

— E daí?! Onde a sua ´´coragem´´ o levou? – Deu um tapa na mão do loiro — Ele está morto, Gatou mandou cortar a sua cabeça como se não fosse nada mais que um pedaço de merda! Você não estava lá! Eu vi… — A sua voz começou a tremular – a sua cabeça rolando… e o sangue dele escorrendo por todo lado… foi… foi… realmente horrível…

E então vem o silêncio, não há mais ninguém gritando, apenas o puro e perfeito silêncio.

Naruto olha para Inari, dizer que ele estava demasiado estático para dizer alguma coisa, qualquer coisa que fosse, para reconfortar o garoto, seria um eufemismo. E, então Naruto percebeu… ele achou que compreendia o que o garoto sentia, mas a verdade é que ele não compreendia, não importava o quanto ele gritasse no momento, era quase como se Inari estivesse envolvido numa penumbra cinzenta, nada alcançaria o garoto. Ou ele recolhia os pedaços de sua alma e se levantava, ou continuava no chão, chorando. Mas, ele podia dar um pequeno empurrão, sim, ele podia fazer isso.

— Inari… Todos nós, em alguma altura caímos, aqueles que são verdadeiramente fortes, se levantam mas apenas os fracos continuam no chão como vermes…. Você carrega o nome ´´Inari´´, o mesmo que o Deus das Colheitas… o considerado como sendo protector dos desfavorecidos, honre esse nome… proteja as suas pessoas preciosas… proteja o seu País… proteja aquilo pelo que o seu pai morreu…

Inari ficou um longo período em silêncio. Absorvendo as palavras de Naruto. A única coisa que se ouvia era o som da grama esvoaçando pelo vento e a água, deslizando suavemente por entre as rochas do riacho.

— Mesmo que… você tivesse razão… mesmo que eu não fosse um covarde, mesmo que eu quisesse proteger a minha vila eu ainda assim… — o garoto fungou, com uma trilha de lágrimas escorrendo pelo rosto — seria fraco, muito fraco…

Naruto continuou em silêncio, enquanto Inari apenas continuava chorando.

Na verdade, havia uma coisa que ele podia fazer… a mesma coisa que Tobirama havia feito por ele, muito tempo atrás, quando era exactamente como o garoto que chorava à sua frente. Eram simples palavras ao vento, relativamente insignificantes e talvez até, vazias, mais pareciam ser o mais adequado para o momento:

— Eu… — Naruto desviou o seu olhar por um instante, passando a fitar as poucas nuvens no céu, como se fosse a coisa mais importante e, pigarreou forçadamente – Posso treinar você… se você quiser…

Inari enxugou as suas lágrimas com o braço. O único sinal de choro que havia ficado eram os seus olhos vermelhos e a sua bochecha marcada pelas lágrimas.

— Você… 'tá falando sério? – Olhou confusamente para o loiro.

Naruto voltou o seu olhar para o garoto, vendo os seus olhos o encarando, havia algo neles… medo, dor, tristeza e muitos outros sentimentos considerados ruins, mas, estranhamente, se você prestasse mais atenção veria determinação, uma grande e inabalável determinação… mas não havia uma razão clara para a usar… somente olhos afiados, como o de Naruto veriam aquilo…

Ele sorriu levemente para o garoto. É… ele estava fazendo o mais certo…

— É claro que sim… — Naruto realiza alguns selos de mão, e um pergaminho aparece, ele começa a desenrolá-lo, sob o olhar atento de Inari. Em uma pequena explosão, surge uma shinai (espada de madeira, usada para a prática de kenjutsu).

O rosto de Inari, por um instante se ilumina, como se fosse uma criança provando um doce pela primeira vez na vida. E, ele se esqueceu, por um instante das tardes chuvosas no seu quarto, chorando abraçado à um retrato. Ele se esqueceu, por um instante, que o seu pai estava morto. E, ele se esqueceu até mesmo de ser infeliz.

— Pegue a espada, Inari…

— Certo, Naruto-Sensei!

Tobirama sorriu, observando tudo ao longe, escondido entre as folhagens de uma das poucas árvores que ainda restavam. ´´ Naruto… você… você realmente cresceu ´´.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, eu não revisei, só passei meio por cima, qualquer erro relevem, mas se for realmente grotesco me dêem um toque que eu concerto… Já ia me esquecendo, sabiam que esse é um mês especial pra mim? É realmente verdade, algures nesse maravilhoso mês, eu fiz o meu aniversário de quinze anos, então… espero ansiosamente os presentes! Enfim… Comentem, favoritem e recomendem para os seus amiguinhos, isso deixa o garotinho aqui muito contente… Até o próximo…