Gênesis

35 Chuunin Chiken -PESTILÊNCIA-. The Misty Forest.


Notas iniciais
Eu tou modo sennin haha 6 mil palavras de pura genialidade em um dia. Puts, tou com tudo... Bora lá!

“ E eu vi, e eis um cavalo branco; e o que estava sentado nele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo e para completar a sua vitória. ”

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Aquela frase ainda martelava a cabeça do loiro, mesmo quando eles foram sendo levados por diversos chunnins, em direção às entradas da arena. Aparentemente, eles iriam ser colocados individualmente na arena, e não como um time.

Naruto foi o primeiro a ser levado, sem ter chances de dizer absolutamente nada aos seus companheiros. Ele estava mergulhado em pensamentos, à medida que ele era guiado até aquela estranha sala.

Ele foi colocado no meio da sala, onde havia um estranho selo cravado no chão. O loiro mal prestou atenção na explicação que o Chunnin lhe dava. Já sabia que ele seria teletransportado para a verdadeira Arena.

—Preparado...? –O chunnin perguntou, e sem esperar resposta, começou a executar alguns selos de mão- Em três, dois...um...

Em um piscar de olhos, ele sentiu o seu corpo sendo desintegrado, molécula por molécula, tão rápido que ele nem foi capaz de sentir qualquer tipo de dor, até ele aparecer naquele lugar.

Os seus ouvidos foram subitamente invadidos por uma interminável canção produzida por uma variedade de pássaros. Ele inspirou, muito lentamente, o ar. O loiro sentiu o seu nariz sendo invadido por um festim de diferentes aromas, mas o que mais se sobressaía, era o cheiro de orvalho e de plantas. Rodando os olhos, ele ficou surpreendido ao ver a variedade de plantas e árvores que haviam naquela densa e húmida floresta.

Tudo ali era frio e húmido. Desde o ar, até às gigantescas árvores entrelaçadas que impediam uma iluminação adequada do sol. Ele odiava admitir, mas a calmaria daquela floresta penetrava profundamente no seu ser, o relaxando ao ponto de esquecer toda aquela tensão de anos sem nunca baixar a guarda...

Naruto fechou os olhos, apenas aproveitando o momento...mas então, subitamente, um silvo agudo penetrou nos seus ouvidos, reagindo em uma fração de segundos, com movimento leves e ágeis, Naruto realizou cerca de três saltos mortais, desviando de uma sequência de Shurikens que vinham em sua direção. Ele se escondeu atrás de uma árvore, enquanto tentava localizar o inimigo...ele agradeceu o facto do uniforme de Konoha ser excelente para se camuflar em uma floresta como aquela...

Ele suspirou. Estava tão deslumbrado que havia esquecido que ele, na verdade, estava em um torneio suicida. Rodando os seus olhos afiados pela densa floresta, não foi preciso muito esforço para localizar o autor do ataque.

Amador.

Em um piscar de olhos, Naruto estava atrás do pobre garoto da Vila da Cachoeira. O garoto reagiu em instantes, tentando sacar uma kunai do seu coldre, prestes a atacar o Uzumaki, mas Naruto era infinitamente mais rápido.

O pobre garoto deixou esse mundo, muito antes da sua mão sequer tocar o coldre. O loiro, muito simplesmente, aplicou um mata-leão no pobre garoto. Sentindo ele se debatendo por alguns minutos nos seus braços, em busca de ar. Ele foi lentamente perdendo a força, os olhos verdes perdendo lentamente o brilho, até a sua vida finalmente se esvair.

Naruto suspirou no final. Sentindo o suor escorrendo pelo seu rosto pelo esforço. Ele detestava mortes longas e dolorosas como aquelas. Ele preferia simplesmente mortes rápidas e fáceis...um jutsu, uma kunai, um corte de espada...

Porém, segundo o Daymiou, eles deveriam sobreviver por catorze dias...ou seja, por mais chakra que ele tivesse, era sempre bom evitar usar desnecessariamente, principalmente contra alguém tão fraco...além de que, ele não sabia se havia mais alguém nas proximidades. Um jutsu chamaria demasiada atenção...

Um som alto ecoou por toda a floresta, parecido à bola de um canhão explodindo nos céus. Naruto sabia que aquilo simbolizava uma morte.

—Desculpe aí cara...-Naruto murmurou, enquanto vasculhava os bolsos dele, à procura de coisas úteis...não encontrou nada além de kunais e shurikens- Cacete!

Naruto estalou a língua. Ele tinha apenas a muramasa, presa na cintura e duas barras de rações de emergência no bolso do seu colete. Sem água, sem saco de dormir.... Maldita hora que ele foi deixar ambas as mochilas com Sasuke e Sakura. Falando neles, onde será que eles estavam?

Pensando nisso, Naruto saltou da árvore em que estava, até aterrissar, silenciosamente, na grama úmida daquela floresta. Ele colocou o indicador no chão, com uma expressão concentrada, e decidiu espalhar o seu chakra... Ele estalou a língua. Aquela floresta era enorme. Além daquele cara que ele havia matado, não havia muita gente nos arredores, apenas um punhado. O mais próximo, inclusive, estava há uma centena de metros. E ele simplesmente não tinha interesse. Não é como se ele fosse indo assassinar todos os gennins, um por um, aquilo era suicídio.

Ele espalhou ainda mais o seu chakra, aumentando a sua área de alcance. Um quilômetro, dois quilômetros...três...quatro...cinco...seis...oito... Quão grande era aquela floresta???

Ele estava prestes a desistir, afinal, o seu limite era os oito quilômetros...quando sentiu aquele chakra. Não era da Sakura, ou tampouco de Sasuke. Mas era de alguém de Konoha...o problema, é que Naruto detestava aquela garota. Kato Risa.

Mas apesar de tudo, ela era a sua melhor opção no momento. Por mais forte que fosse, ficar sozinho era um suicídio. Eventualmente, ele ficaria cansado e teria que dormir, então seria útil ter alguém vigiando. Naruto estalou a língua. Não acreditava no que estava prestes a fazer...

Concentrando chakra nas solas, Naruto rapidamente escalou a maior árvore que havia no local, e quando chegou no topo, a vista que ele teve da floresta o deixou perplexo...Aquela gigantesca floresta se estendia até onde a sua vista alcançasse. Olhando atrás de si, Naruto percebeu que a superfície ondulava levemente, onde supostamente deveria ser o céu...aquilo era...uma barreira. Eles estavam numa espécie de cúpula. E aparentemente, ele estava próximo à uma das extremidades, ou seja, tendo em conta o tamanho enorme da floresta, não estava no centro. O que só podia significar uma coisa: Se, por ventura os seus companheiros estiverem exatamente na extremidade oposta...seria uma tarefa complicada achá-los... pelo menos por agora. Ele suspirou...Risa era a sua melhor opção, por agora...

Antes que ele descesse, no entanto, ele estreitou os olhos...havia uma estranha névoa amarelada se formando no horizonte da floresta...O que era aquilo...? O jutsu de alguém?

Ele simplesmente deu de ombros, pensaria naquilo depois. Naruto saltou para uma árvore próxima, e depois mais outra, e outra...até finalmente estar se movendo. Ele se movia com o maior cuidado do mundo, tendo a inteligência de seguir uma rota longe dos punhados de chakra que ele sentia espalhados pela floresta. É claro, ele também prestava atenção, ao longo do caminho, em possíveis armadilhas.

***

Hinata corria como nunca. Com a respiração profunda e pesada, e o caminho à sua frente não passando de um borrão verde e indistinto. Ela corria como se sua vida dependesse daquilo. Uma chuva de Kunais passavam ao redor do seu corpo. E talvez realmente dependesse.

Em uma dada altura, ela olhou para trás, tendo o vislumbre dos seus agressores mais próximos do que nunca. Um erro fatal, os seus pés encontraram uma grossa raíz no chão gramíneo, a fazendo tropeçar.

O grupo de gennins da Areia gargalharam feitos hienas, e cercaram a pobre garota de Konoha. Com olhos assassinos carregados de malícia.

—P-por favor, não me machuquem...

Eles gargalharam mais ao ver o desespero dela. Um deles, o que parecia ser o líder, sorriu, a analisando com malícia.

—Tudo bem gata...se você me divertir o bastante...pode ser que eu te deixe viver...

Ele aproximou a sua mão do busto da garota, mas quando estava à meros milímetros, a sua mão caiu no chão.

—Ahm?

Ele tinha uma expressão de puro choque, mesclada à incredulidade ostentada no rosto. Mas então ele viu uma kunai na mão da garota caída no chão, e então entendeu. Ela...ela havia cortado o seu braço. Em um corte tão limpo e rápido, que só agora os seus nervos sentiram a dor.

Ele soltou um grito de agonia, apertando o braço enquanto tentava estancar a hemorragia. Os seus companheiros pareceram ficar bastante confusos.

—Daiki...-Um deles murmurou- O que foi que-

Antes que ele terminasse, uma flecha atravessou o seu crânio, e ele caiu morto no chão gramado. Todos eles olhavam ao redor, completamente assustados, tentando ver de onde a flecha tinha sido disparada.

Hinata apenas estalou a língua, enquanto se levantava. A expressão no seu rosto era incrivelmente assassina. Eles ficaram bastante confusos, ela aparentava estar morrendo de medo alguns minutos atrás...

—Pode matar todos eles. –Ela gritou, aparentemente para o nada- Ouviu? Mate todos.

Os gennins da Areia se entreolharam assustados, antes que eles começassem a cair mortos, um por um, todos com flechas alojadas em órgãos vitais.

No final, Daiki tremia no chão. Apertando o seu braço decepado, e completamente assustado. Hinata apertou o seu colarinho, com os olhos perolados incrivelmente apagados.

—Os irmãos Sabakus...onde estão?

Daiki achou que estivesse olhando nos olhos do próprio demônio. Ele gaguejou.

—N-não sei. Eu juro! –Ele rodou os seus olhos compulsivamente ao redor, vendo todos os seus companheiros caídos no chão. Mortos.- Por favor, me deixe ir. Eu imploro.

—Tudo bem então. Eu deixo você ir...-Os seus olhos ficaram repentinamente gentis- Se...você me disser tudo o que sabe sobre eles. Habilidades. Personalidades. Tudo o que puder.

—Você...vai me deixar ir...?

—Uhum...

Daiki assentiu fervorosamente, antes de começar a contar tudo o que sabia. Ao final, ele suspirou de alívio quando viu que Hinata havia soltado o seu colarinho. Ela sorriu para ele.

—Obriga-

Antes que terminasse, no entanto, a kunai na mão de Hinata se alojou no seu pescoço. E enquanto ele se engasgava no seu próprio sangue e sentia a sua vida se esvaindo, ele a amaldiçoou profundamente.

Quatro canhões explodiram nos céus. Mais quatro mortes.

—Isso foi bem desnecessário...Hinata.

Hinata se virou em direção da voz, vendo Sakura descendo da árvore em que estava escondida, e caminhando calmamente em sua direção. Ela tinha levantado o capuz verde sobre os fios de cabelo róseos, os seus olhos verdes brilhavam como esmeraldas, com um sorriso divertido pintado nos lábios.

Hinata apenas suspirou.

—Bom...se eu deixasse ele viver, ele provavelmente delataria a gente para os Sabakus...eu não podia me arriscar.

—Suponho que sim...

Sakura se dirigu até os três gennins que ela havia matado, e começou a retirar as suas flechas que estavam alojadas nos seus cadáveres.

—Estou supresa, sabe...-Hinata murmurou, parecendo entretida em observar a rosada- Não sabia que arcos poderiam ser tão efetivos assim...achei que kunais fossem melhores.

—Bom...não são...-Sakura falou, enquanto tentava arrancar uma flecha presa nem um crânio, com todo o cuidado do mundo, ou iria danificar a ponta- A maioria acha que arcos são obsoletos para Kunais. Mas na verdade isso é uma mentira. Kunais são rápidas sim, mas nada substitui um arco nas mãos de um excelente arqueiro, que nem eu. A tensão das cordas... o gosto do vento na minha face... o peso da flecha na minha mão... o som da flecha deslizando pelo ar...e a sensação de êxtase quando você vê a flecha penetrando a carne... não há nada melhor no mundo... E também, há a questão da velocidade...uma kunai, bem arremessada pode viajar, no máximo, à uns 20 ou 30 metros em um segundo...mas uma flecha...pode percorrer essa distância três vezes mais rápido.

Hinata arregalou os olhos.

—Sakura...a árvore onde você estava escondida...estava há quantos metros?

A rosada sorriu de canto.

—Bom...duzentos metros. –Hinata olhou para ela espantada- Eu simplesmente sou boa de mais... quer saber um segredo? Eu concentro chakra fuuton na base das flechas, antes de arremessá-las...teoricamente, eu poderia arremessar uma flecha à uma distância de setecentos metros, e ela levaria exatos 0,3 segundos para acertar o alvo. Você tem noção do quão rápido isso é? Eu consigo contar nos dedos de uma mão o número de shinobis com reflexos rápidos o bastante para desviarem de uma flecha minha...e esses três patetas, definitivamente não fazem parte dessa lista.

Hinata apenas fez uma nota mental. Na época da Academia, ela simplesmente não suportava aquela garota. Mas...a vendo agora, tão entretida em limpar o sangue nas setas das suas flechas, ela percebeu que Sakura havia se tornado...interessante.

—Então, Hinata...-Sakura falou- O que faremos agora? Continuamos atrás deles?

Hinata suspirou.

—Não...quer dizer, sim. Mas agora temos que nos focar em achar os nossos companheiros. Dessa vez tivemos sorte, mas pode ser que na próxima vez, eles não sejam tão fracos...

Sakura guardou as flechas na sua alijava. E então suspirou. Aquele seria um longo exame. Mas, pelo menos a sua companhia era tão interessante...

***

Era perto do meio dia quando Naruto finalmente achou Risa. Aparentemente ela era mais esperta do que ele achava. Ela estava escondida, entre as moitas de uma árvore, e havia feito questão de colocar alguns sinos espalhados nos arredores, para a alertarem de um eventual ataque furtivo. Mas Naruto estava longe de ser um shinobi comum.

Ela facilmente passou pelas armadilhas da garota, chegando sorrateiramente atrás dela. Em um rápido movimento, Naruto colocou a sua mão na boca dela, a impedindo que gritasse.

Em um piscar de olhos, ela havia sacado uma kunai e estava prestes a esfaqueá-lo. Naruto ficou surpreso com o quão afiados eram os reflexos dela. Não era tão ruim assim. O loiro, com a sua mão livre, apertou o pulso dela, a impedindo de se mover. Sentindo-a se debatendo, Naruto sussurrou nos seus ouvidos:

—Fique calma, Risa. Sou eu. Uzumaki Naruto. –Ela pareceu se acalmar- Eu vou soltar você. –Ela assentiu- Só...não grite.

Quando Naruto finalmente a soltou, ela inspirou o ar profundamente, enquanto suspirava aparentemente aliviada.

—Quer me matar do coração, garoto?

—Desculpe...mas era a única forma de me aproximar sem alertar o inimigo...

Ela pareceu ficar bastante irritada, mas depois se acalmou.

—Você...é melhor do que eu pensava...-ela parecia genuinamente surpresa- eu mal notei você. Se fosse um inimigo real, eu já estaria morta...

Ele não sabia o que dizer, então apenas sussurrou.

—Você também...quer dizer, as suas armadilhas eram...eficientes.

Ela assentiu.

—Agora entendo o que o Sandaime-sama queria dizer...-Naruto olhou para ela confuso. Ela continuou- Ele nos avisou que você seria uma peça fundamental. Eu só... –Ela estalou a língua.- Não queria acreditar. Quer dizer...você parece ser bastante idiota...

—Obrigado...acho eu...-ele franziu o cenho- enfim, o que nós estamos fazendo aqui...?

O rosto dela se tornou repentinamente sério, ela fez um gesto para que Naruto olhasse para o outro lado. Curioso, Naruto afiou o seu olhar para fora da moita em que estavam escondidos, vendo um grupo de gennins da vila da...Fechadura. Ele ficou confuso.

—O que eles têm?

Ela estalou a língua.

—Não tou falando deles. Tou falando dela. -Ela apontou para uma estranha garota ruiva que estava com eles.

Naruto estreitou os olhos, finalmente a vendo. Era uma garota ruiva bastante pálida, e que escondia um par de olhos vermelhos sob os óculos. Ela estava deitada no chão, completamente ferida, sendo pontapeada sucessivamente pelos gennins.

—Entendo... E o que você quer com ela?

Ela olhou para o loiro como se fosse óbvio.

—Salvá-la...é claro.

Naruto franziu o cenho. Risa tinha um parafuso à menos?

—Ela é da Vila da Grama...-Risa assentiu- é nossa inimiga...-assentiu novamente- e ainda assim...você quer salvá-la...?

—Óbvio que sim. Ela está sofrendo...eu tenho que salvá-la. Eles vão matá-la.

Naruto ficou sem palavras. Ela, definitivamente, era bastante idiota...E ela comprovou aquilo quando fez menção de se levantar.

—O que você está fazendo sua doida?!

Risa parecia bastante séria, repentinamente. Ela apontou para a garota ruiva. E então Naruto entendeu. Os garotos haviam parado repentinamente de chutá-la, e agora pareciam bastante interessados em arrancar o uniforme dela. Provavelmente para...

—Eu vou pra lá...

Antes que Naruto a impedisse, ela já havia se movido em direção à aqueles shinobis. Eles pareceram bastante confusos com a presença dela, chegando, inclusive, a perguntarem porquê ela queria salvar uma inimiga.

Ela simplesmente sacou uma kunai e se lançou na direção deles. Naruto ficou bastante surpreso. Até que ela era forte.

Em um piscar de olhos, ela conseguiu nocautear aqueles três shinobis, com movimentos leves, rápidos e precisos, ela dançou ao redor deles, como uma nota musical, acertando o cabo da kunai nas suas nucas. No final, os três gennins estavam inconscientes no chão. Uma curiosidade: Ela, aparentemente, não matava.

Quando ela se virou para ajudar aquela garota a levantar, um dos shinobis recobrou a consciência e estava prestes a acertá-la com uma kunai no meio das costas.

Naruto estalou a língua, antes de quebrar aquela distância e se colocar entre o shinobi e Risa. E pela primeira vez, sacou a muramasa da sua bainha. Imediatamente, ele sentiu uma estranha eletricidade atravessar o seu corpo e a sua consciência prestes a ser engolida pela completa escuridão.

Em um rápido movimento da lâmina, a cabeça do pobre gennin voou pelo ar. Ele estava morto. Tão rápido, que ele nem sentiu dor. Naruto se moveu em direção aos outros dois, desacordados, e simplesmente enfiou a katana nos seus corações, sentindo a katana atravessando camadas de carne.

Curiosamente, o sangue presente na lâmina negra estava sendo absorvido, como um manjar divino. Ele se sentia bem. Estranhamente bem. Como se pudesse lutar por mil noites e mil dias, e ainda assim não ficaria cansado. Um sorriso, muito lentamente, atravessou os seus lábios.

Mas será que ele deveria parar por aí...? Quer dizer...ele se sentia tão bem...ele não queria voltar ao seu eu patético de antigamente...

‟Então ceife mais vidas garoto...você sabe que isso é muito prazeroso...”

Antes que ele percebesse, ele estava caminhando em direção à Risa e a garota ruiva. Com o uniforme completamente ensanguentado, olhos negros e um sorriso no rosto...

Risa sentiu os seus pêlos se eriçando, enquanto o loiro caminhava em sua direção. Havia um quê de graciosidade na maneira como ele movia o quadril. Tudo nele gritava corra. Como se fosse um felino caminhando em direção à uma presa indefesa. Ela, no caso, era a presa indefesa.

‟Acorde Gaki!”

Aquela voz...era...era a Kyuubi rugindo na sua consciência. Ele fechou os olhos por um instante, acalmando aquela intensa sede de sangue. Era a muramasa querendo assumir o controlo.

‟Eu sou o seu mestre aqui, não você. Fique quieta sua maldita...”

Quando ele voltou a abrir os olhos, eles estavam azuis novamente. Em um rápido movimento, ele guardou à lâmina na sua bainha. Sentindo repentinamente toda a sede de sangue se esvaindo. Ele suspirou. Como ele temia, aquela espada era...complicada. Apesar de poderosa, era muito instável. Ele quase matou Risa...

‟Obrigado...Kyuubi.”

—Desculpe...-Naruto murmurou, ao ver o quanto elas olhavam assustadas para ele, ele sorriu o mais constrangido que pôde- Eu acabei exagerando...

—Certo...-Risa ainda olhava desconfiada para ele. Ela repentinamente se voltou para a garota encolhida nos seus braços, que tremia feito vara- Você está bem...?

Ela assentiu.

Naruto se agachou.

—Qual o seu nome, garota...?

Ela se afastou do abraço de Risa, apenas para olhar para o loiro.

—Karin...Uzumaki Karin.

E então Naruto sentiu o seu mundo girar.

—Entendo...-Foi tudo o que ele murmurou- Então...Karin, onde estão os seus companheiros...?

Ela desviou o olhar.

—Eles me abandonaram...me entregaram para esses caras em troca das suas vidas...

Naruto sentiu os seus olhos escurecerem. A pele branca e pálida dela estava, quase que completamente, manchada de roxo.

—É mesmo? –Ele remexeu no seu colete, puxando uma barra de proteínas- Está com fome...?

Ela pareceu hesitar por um instante, mas acabou por aceitar no final, devorando a barra em menos de um minuto. Ela estava esfomeada mesmo.

—Espere...

Risa, quando viu aquilo, retirou um cantil de água da sua mochila, e deu para a garota beber. Ela bebeu bastante. No final ela olhava para eles desconfiada.

—O que vocês querem de mim...? –Ela, repentinamente arregalou os olhos, como se entendesse- O meu...corpo?

O gennins da folha se engasgaram.

—Claro que não...-Naruto sorriu, nervoso- Apenas...o que você vai fazer agora...?

Karin deu de ombros.

—Uma simples kunoichi sensorial que nem eu, com zero habilidades de combate...provavelmente não passo de hoje. Vou morrer. Não sem antes ser estuprada, é claro.

—Sensorial você diz...-Naruto parecia bastante pensativo- Você quer vir com a gente? –Ela olhou para ele espantado. — Quer dizer...se você quiser, é claro...a menos que você queira ficar aqui...e ser estuprada...

Risa olhou para Naruto como se ele fosse louco, ele apenas deu de ombros.

Ela pensou por um instante.

—Bom...eu não quero ser estuprada. Mamãe me disse, antes de morrer, que eu devia me guardar para alguém especial... –Eles sorriram, mas depois ela apontou para Naruto- Você é especial...?

Naruto franziu o cenho. Enquanto Risa abafava o riso. O que aquela menina havia dito?!

—Err...Eu não...quer dizer, não sei...

—Entendo...-ela apenas assentiu.- Eu me decidi...vou com vocês...-eles sorriram de alívio- É mesmo...como vocês se chamam...?

—Kato Risa...

—Naruto. Uzumaki Naruto...

Os olhos dela se alargaram, mas depois ela sorriu. Aquele garoto era especial sim.

***

Era fim da Tarde, o sol estava se pondo no horizonte, quando eles finalmente acharam um lugar para passarem à noite. Era uma pequena caverna, escondida entre grossas árvores. Eles decidiram montar acampamento.

Felizmente, a mochila daqueles gennins da Fechadura estava recheada de comida e água, assim como alguns fios de aço. Eles dividiram as tarefas. Naruto pegou alguns metros de fios de aços, alguns sinos e pápeis explosivos, para colocar armadilhas nos arredores do Acampamento. Ele havia varrido a área com o seu chakra, e não havia ninguém por perto, mas era bom se prevenirem.

Risa, no entanto, ficou encarregue de preparar os sacos de dormir e a comida, já que Karin estava descansando por estar machucada.

Quando Naruto terminou, ele adentrou a caverna, encontrando Risa vasculhando as mochilas, enquanto Karin apenas observava, perfeitamente aninhada num saco de dormir.

—Está frio...-Risa comentou. Naruto assentiu. Realmente a temperatura naquela floresta caía absurdamente durante a noite. – Você acha que a gente devia fazer uma fogueira?

—Não...-Naruto comentou, com uma fumaça branca saíndo da boca, pelo frio intenso...- Vamos denunciar a nossa localização. Além de que, estamos numa caverna. Eventualmente a fumaça iria nos fazer perder a consciência...

Risa assentiu. No minuto seguinte, ela entregou um pacote de carne seca conservada para o loiro. Naruto apenas estalou a língua, enquanto mastigava. Detestava rações frias como aquela. Mas era a melhor opção no momento.

Ela se dirigiu até o saco-cama onde Karin descansava.

—Hora da janta...

Risa sorriu, enquanto a ruiva assentia e recebia o pacote de carne seca.

—Obrigada...

E então eles caíram em silêncio, enquanto todo mundo simplesmente mastigava, parecendo imersos em pensamentos. Karin pigarreou, tentando quebrar o silêncio.

—Então...o que faremos agora...Risa-San e...Naruto-san...?

Naruto suspirou.

—Bom...vamos achar os nossos companheiros e depois...

—Depois...?

—Não sei, acho que temos que sobreviver...

Risa se mexeu, parecendo desconfortável.

—Tem algo me incomodando...-Todo mundo olhou para ela- o que o Daymiou disse naquela hora... –ela parafraseou, tentando, sem jeito, imitar o a voz extremamente entediada do líder da Nação do Fogo- “Para a vitória alcançar, por catorze luas e catorze sóis, as tribulações devem ultrapassar, até apenas os defuntos com fôlego restar...”

Karin pareceu confusa, enquanto Naruto parecia apenas pensativo e concentrado.

—O que tem...?

—Vocês não acham isso estranho? –Risa voltou à falar..- Quer dizer...nós vamos simplesmente passar catorze dias aqui...? Esperava mais desse torneio...por exemplo, se todo mundo simplesmente decidir se esconder, e esperar os catorze dias passarem...todo mundo vai vencer. Isso não faz sentido...

Eles ouviram três canhões explodindo nos céus.

—Ótimo. -Ela resmungou- Mais três mortos...

—Você tem razão...-Naruto murmurou, parecendo entretido em pensamentos- mas ainda é o primeiro dia...amanhã...provavelmente eles...

E então caíram no silêncio novamente. Risa se voltou para Karin.

—É mesmo...Karin-chan...-A ruiva olhou para Risa curiosa- Porquê você decidiu participar...?

Ela pareceu bastante confusa.

—Como assim decidir...? O líder da Vila da Grama simplesmente pegou todas as crianças talentosas e as enviou nesse exame. Eu sou ruim em combate mas...-ela pareceu enfrentar um debate interno, como se decidisse se deveria confiar neles ou não, no fim ela desistiu- Além de ser uma ótima ninja sensorial, eu também sou hábil em ninjutsu médico...na verdade-Ela mordeu o lábio, antes de sair do saco-cama e retirar a parte de cima do uniforme, a tocha presa nas parede da caverna iluminou o seu dorso desnudo, havia um número muito extenso de marcas de mordidas na sua pele branca e pálida- O meu sangue...ele é capaz de curar ferimentos extremamente graves...

Eles arregalaram os olhos.

—I-incrível...-Risa falou, ainda abismada.

Naruto assentiu.

—Realmente...-Karin corou...- Nunca ouvi falar de ninjas médicos capazes de curar pelo sangue...

Karin olhou para ele confuso.

—Achei que você também fosse capaz disso...sendo um Uzumaki... Antes de morrer, a minha mãe me falou que o nosso clã era especial...

Naruto assentiu.

—Realmente somos. Mas...tirando a parte sensorial, eu não acho que eu tenha mais uma habilidade...

—Entendo...-Karin voltou a se vestir- Mas você é capaz de sentir, não? -Naruto franziu o cenho. Ela continuou- Digo...as emoções das pessoas...você consegue sentí-las por meio do chakra...?

Naruto olhou para ela surpreso.

—Você consegue fazer isso?- Ela assentiu- Incrível...

—Uhum...por exemplo...-ela pareceu se concentrar- A Risa-san...ela tem um chakra branco brilhante...o que significa que ela é...gentil, determinada. Mas...tem uma mancha negra no lugar do seu coração...provavelmente uma mágua enorme do passado. Eu sinto dor. Uma dor profunda.

A azulada ficou repentinamente séria, antes de se levantar e sair da caverna. Naruto olhou para Risa assustado.

—Eu...-Karin parecia bastante confusa- falei algo errado...?

Naruto tranquilizou a ruiva.

—Não, não falou...

—Entendo...você quer saber como é o seu chakra...?

Naruto balançou a cabeça, repentinamente sério.

—Não...eu já sei o que você vai encontrar...-Ele sorriu de canto, meio misterioso- Pode voltar a dormir. Nós vamos vigiar.

Karin queria retrucar, mas o cansaço tomou conta do seu corpo. Ela assentiu, antes de se deitar novamente e fechar os olhos. Mas enquanto era engolida pela deusa do sono, ela se lembrou do que sentiu no exato momento em que viu o loiro.

O chakra dele era...confuso. Era denso e negro sim, e a deixava arrepiada, como uma besta sanguinária...Havia ódio, e havia dor, uma profunda dor...mas também haviam manchas brancas, no meio de toda aquela escuridão. Havia luz. Havia esperança. Havia um desejo insano de proteger as pessoas importantes para ele. Ele era confuso. Ambíguo. Era como o limbo. Ou como o pôr do sol. Ao mesmo tempo que possuía a luz do sol que se punha, também possuía a escuridão da noite sem estrelas que nascia. Mas...era aquilo que o tornava tão perigoso. O equilíbrio entre o ying e yang no seu interior era extremamente delicado...apenas uma fagulha...apenas uma faísca...e a natureza dele poderia mudar. Para sempre...

Quando Naruto viu Karin mergulhando no sono, ele também resolveu sair da caverna. Imediatamente, uma lufada de ar frio acariciou o seu rosto. Aquilo deu uma ideia para ele.

Ele voltou para a caverna, e depois de vasculhar na mochila dos gennins da fechadura, ele achou o que procurava. Saquetas de ervas. Ele pegou um cantil de água e depois de fervê-lo com um jutsu simples de Raiton, ele infundiu as saquetas na água. Esperou alguns minutos, até sentir aquele aroma adocicado preenchendo as suas fossas nasais. Estava pronto.

Ele pegou um outro cantil vazio, e colocou metade do líquido esverdeado.

Quando ele voltou para fora, ele avistou a garota azulada sentada no tronco de uma alta árvore, parecendo entretida no céu estrelado.

Concentrando chakra nos pés, Naruto subiu rapidamente na árvore. Sentando, silenciosamente, ao lado dela. Ele ofereceu um cantil para ela.

—O que tem aqui?

—Saquê...-ele brincou, mas depois suspirou- Credo, é apenas chá. Eu tenho doze anos, sabia? Não, espera daqui há treze dias farei treze.

Ela apenas soltou uma risada, antes de receber.

—Saúde –Ele inclinou o seu cantil, Risa fez o mesmo até eles se tocarem. Ele deu um breve gole...- Está quente...

Ela assentiu, enquanto bebericava. Ela arregalou os olhos.

—Está...delicioso. –Ela riu- Até quando você vai continuar me surpreendendo...? O que mais você sabe fazer...?

—Bom...eu sou um excelente cozinheiro...-Ela olhou para ele abismada- Quando esse exame acabar, eu cozinho para você...

—Torta de Maçã...?

Ele riu.

—Uhum...Torta de Maçã. É uma promessa...

E então eles passaram a simplesmente observar o céu estrelado. Em completo silêncio, a não ser pelo ruidoso som provocado pelo vento, enquanto deslizava por entre as folhas daquelas árvores. Eles ficaram assim por minutos.

—Ne...Risa-san...-Naruto sussurrou, ainda parecendo concentrado no quão belo o céu parecia, quando pintado por estrelas. Risa olhou, vagamente, em sua direção- Porque você...fez aquilo...? –Vendo a expressão confusa dela, ele continuou- Digo...porque você salvou ela...? A Karin?

Ela suspirou profundamente, voltando a prestar atenção no céu. E vendo o quanto os olhos negros dela se dilataram, Naruto soube logo, que aquela seria uma história triste. Era a mesma expressão que ele vira nos olhos de Tobirama.

—Os olhos dela pediam por ajuda...exatamente como os meus...naquela época...

—Naquela época...?

—Uhum...Quando eu era uma criança...-Ela sorriu minimamente, ao ver a expressão confusa do loiro- Bom, não sei se você reparou...mas, em Konoha, não é comum pessoas com a minha aparência, a não ser em Kumo... -Naruto finalmente prestou atenção nela, realmente, a pele dela tinha um tom mais escuro, quase café, bastante incomum na vila da folha...- Que é onde minha mãe nasceu...

—Achei que você fosse do clã Kato...

—E sou...-ela riu, ainda com a mesma expressão pensativa- Olha é...complicado. Meu pai pertence ao clã Kato, à família principal na verdade. Acho que isso...faz de mim uma mestiça...-ela pausou- Enfim... a minha mãe é uma imigrante de lá. Eles se conheceram em uma missão, e apesar de tudo, se apaixonaram. Ela arriscou tudo por ele, sabe? Ela desertou da própria vila, se tornando uma nukenin procurada. Ela até hoje tem uma recompensa no bingo book. Tanto que ela nunca pode sair de Konoha. Com risco de ser assassinada por um Hunter-nin... Konoha não é muito amigável com forasteiros... Você tem noção do quanto foi difícil para eles lidarem contra tantos olhares? Olhares da vila...olhares do meu próprio clã. É como se eles tivessem se esquecido de tudo que o meu pai havia feito por eles! Foi ainda mais difícil convencer o conselho de que ela não era uma espia...então, eles colocaram ANBUS a vigiando, 24 horas por dia. Até hoje continuam fazendo isso...Mas apesar de tudo, eles me tiveram. E cá estou eu, fruto do seu amor...Aquilo foi a gota de água. Uma maldita mestiça, com sangue da família principal... Mas nem por isso, eu alguma vez os vi chorando. O clã parou de implicar com eles, e simplesmente passaram para uma frieza cortante. Ao invés disso...eles passaram simplesmente fazendo os seus filhos implicarem comigo. Você tem ideia de como crianças podem ser cruéis com quem é diferente do padrão? Eu era uma criança apenas...mas, você não tem noção de metade das coisas que eu já ouvi me dizerem...e cada palavra doía. Muito. Ouvir aquelas palavras do meu próprio clã. Da minha própria família. Como se o que eu ouvisse nas ruas, ou na Academia não fosse o bastante. Você espera chegar em casa, e ouvir coisas agradáveis daqueles que são a sua família, seu suposto porto seguro, mas eles apenas dizem coisas piores. Era como se eu estivesse levando facadas no coração. –Ela sentiu lágrimas se acumulando nos olhos, respirou fundo- enfim, eventualmente, eu aprendi a ser mais forte, e simplesmente revidar...se alguém falasse uma merda, eu simplesmente batia nela. –Naruto não pôde evitar sorrir nessa parte- Eu sempre fui maior que outras crianças da minha idade, então não foi difícil....

—Entendo...- Naruto sussurrou. Ele finalmente entendeu o porquê do seu jeito meio arrogante e autoritário, era apenas um mecanismo de defesa, depois de todo aqueles anos- Por isso você salvou-a...

Risa assentiu.

—Hai...Por isso eu salvei-a, e salvaria qualquer um que eu visse em uma situação semelhante...quer dizer, simplesmente não faz sentido sabe? Pessoas querendo machucar outras...é triste até...

—Bom...é bastante comum shinobis matarem...

—Não concordo com isso, mas tudo bem... o problema real, é o que eles queriam fazer com ela...você sabe, estuprar. Isso me enoja profundamente...

Ele ficou em silêncio.

—Então porque você se tornou shinobi...?

—Pelo respeito sobretudo...Eu tenho um sonho, sabe...eu quero me tornar uma kunoichi renomada, assim eles terão que me respeitar...por isso eu fui a melhor da minha Turma na Academia. Por isso eu aceitei a proposta do Sandaime. Por isso eu me esforcei mais do que qualquer um...

—Achei que você não se importasse com as opiniões deles...

Ela riu.

—Quem disse? Eu apenas finjo não me importar...acho que, isso quer dizer que as feridas que eles fizeram na minha alma são profundas...

Naruto não falou mais nada. Nunca imaginou que eles tivessem tanta coisa em comum...Era como estar diante de um espelho.

—Bom...-ela tocou no seu ombro- eu vou durmir...Você fica com o primeiro turno?!

Ele assentiu- boa noite... durma bem...

Ela riu com gosto.

—Quê isso hein Uzumaki?? Essas frases fofas não combinam com você... não é porque eu contei essa história para você que significa que eu quero dar meu corpo para você...

Naruto apenas riu.

—É mesmo? –Brincou- Achei que você quisesse...

Mas a resposta dela o deixou estático.

—Bom...Com esse rostinho bonitinho –ela piscou-...Talvez um pouquinho... -Naruto quase se engasgou. Enquanto ela caía na gargalhada. -Me acorde daqui há três horas...

Naruto apenas assentiu, ainda constrangido. Ele observou enquanto ela descia da árvore e caminhava até a caverna. Ele fez uma nota mental: Até que ela não era tão ruim...

Naruto se recostou confortavelmente naquela árvore. Sabendo que aquela seria uma noite muito longa...e fria. Ele se perguntou como é que os seus companheiros estavam...

***

—A gente devia acender uma fogueira...

Sasuke respirou fundo, pela sétima vez. E olhou o mais calmo que podia para o garoto que havia dito aquilo. Kiba.

—E como eu já disse, um monte de vezes, não. O fogo vai atrair inimigos.

—Mas está muito frio! –Como se para concordar, Akamaru, completamente aninhado no seu colete, latiu- Viu? Até o Akamaru concordou...

—Bom...-O garoto dos insetos, Shino, comentou, com à sua costumeira expressão. Ou seja, sem expressão alguma- Ele é o seu cachorro. Ele concorda com tudo o que você diz.

—Mas...

E então Kiba começou mais um longo discurso sobre o quanto uma fogueira seria benéfica para eles, enquanto Shino simplesmente retrucava cada argumento, como se já tivesse tido aquela conversa um monte de vezes. Talvez já tivessem mesmo.

Sasuke apenas olhava para eles dois, extremamente entediado. Eram momentos como aquele que o faziam sentir saudades do seu time. Não que ele fosse dizer aquilo em voz alta é claro, mas eles eram muito mais interessantes.

O Uchiha suspirou, se ajeitando no seu saco-cama e colocando as mãos nos ouvidos, para abafar os gritos histéricos de Kiba. Aquela seria uma longa noite.

****

Era meia noite, a lua, cheia, brilhante e prateada estava no alto, quando os pássaros pararam de cantar, e a floresta se tornou macabramente silenciosa. Naruto sentia aquilo tão claramente quanto notaria um inimigo se aproximando. E então o céu se iluminou, literalmente.

Um, dois, três...dezesseis explosões sucessivas foram ouvidas. Até que veio um repentino silêncio. No instante seguinte, uma música lenta e fúnebre começou à tocar. Era uma melodia bastante comum nas cerimonias de enterro da Nação do Fogo.

Subitamente, a enorme barreira esférica que havia sobre a arena, acendeu, e começou a exibir os rostos dos gennins que haviam falecido. Naruto viu o rosto do gennin da Cachoeira que ele havia matado no início, assism como dos três gennins da Fechadura. Ao final, foram dezesseis rostos. Dezesseis vidas ceifadas, em um único dia. Aquilo era insano...Ele suspirou de alívio. Felizmente, não havia qualquer rosto de Konoha.

Porém, como se não fosse bastante, aquilo aconteceu...Um som estridente e ensurdecedor, repentinamente reverberou por toda a arena. Naruto teve que colocar as mãos nos ouvidos. Aquilo...aquilo era simplesmente ensurdecedor.

Mas, tão rápido quanto começou, parou. Mas...quando Naruto elevou o seu olhar novamente para o céu, ele sentiu sua alma gelar.

“ E eu vi, e eis um cavalo branco; e o que estava sentado nele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo e para completar a sua vitória. ”

Todos os concorrentes, por mais embrenhados que estivessem na densa floresta, viram quando aquela frase, com letras enormes e brilhantes, apareceu estampada no céu. Ele arregalou os olhos. Porque ele tinha a estranha impressão de já ter visto aquela frase em um sítio...?

—O que é que está acontecendo?! -Naruto se virou em direção da voz, vendo que se tratava de uma Risa e uma Karin bastante assustadas com aquele som ensurdecedor. – Porra, fale alguma coisa...

—Eu não sei...depois daquele som estranho...essa frase simplesmente apareceu no céu...

Elas ergueram os seus olhares para o alto.

—Que porra é isso?!

—Acho que é uma charada...

As letras foram lentamente perdendo o brilho, até desaparecerem por completo.

—Eles não podem simplesmente colocar frases aleatórias e dizer que é uma charada, caralho! Eu tou farta.

Naruto franziu o cenho. Sentindo um som e cheiro estranho no ar.

—Silêncio... eu estou ouvindo algo...

Elas ficaram repentinamente em silêncio. Naruto, estreitando os olhos, viu uma estranha névoa amarelada se formando no horizonte. Espera...era a mesma névoa que ele viu mais cedo. Já havia se espalhado até ali...? Ela avançava lentamente, se espalhando por entre as árvores com uma calmaria assustadora. Mais alguns minutos e certamente os alcançaria...

Naruto estreitou os olhos. Porque aquela névoa o deixava tão desconfortável e tenso?! Então ele, se lembrou, como um estalo, onde é que ele já havia visto aquela frase. Ele enfim entendeu aquela charada que apareceu no céu, e entendeu a charada do Daymiou. Ele sentiu os seus pelos se arrepiando...

—Risa...Karin...-ele murmurou, repentinamente sério, ainda vidrado na névoa amarelada que se aproximava cada vez mais...- Entrem na caverna...tirem tudo...vamos fugir...

Risa olhou para ele confusa.

—Ahm?! Mas nós-

—Só faça o que eu digo...-ele ainda continuava estranhamente calmo- Ou todos nós vamos morrer... rápido.

Elas arregalaram os olhos, antes de entrarem na caverna. Menos de um minuto depois, elas estavam de volta. E a névoa estava perigosamente próxima.

—E agora Na-

Antes que ela terminasse, ela viu Naruto pegar Karin em estilo noiva, a ruiva corou. Naruto simplesmente olhou seriamente para Risa.

—Agora nós corremos pelas nossas vidas.

Eles passaram a correr, mas rápido do que nunca. A visão borrada, a respiração pesada, o suor escorrendo pela face, e as pernas estranhamente pesadas. Eles correram, pelo que pareceram minutos. Mas aquela névoa era insana, parecia ficar mais rápida a cada minuto que passava. Eles olharam para trás, tendo o vislumbre de um bando de pássaros que estavam, aparentemente, dormindo nas copas das árvores, simplesmente despencando para o solo, quando em contato com a névoa. Completamente mortos.

Risa suou frio.

—Que névoa é essa...?

—Bom...-Naruto murmurou, extremamente concentrado em pisar nos troncos das árvores de forma correta, ou ele teria sérios riscos de cair- Eu finalmente entendi aquela frase...digamos que essa névoa é...a nossa primeira tribulação...

Eles correram por mais alguns minutos, mas já começavam a ficar cansados. Principalmente Naruto, tendo que carregar uma outra pessoa. Ele olhou para trás. Aquilo estava próximo, perigosamente próximo.

—Me dê ela! –Risa falou, correndo ao seu lado- Você já está ficando cansado. Eu sou maior e mais forte que você. Me dê ela, caralho!

Naruto não tinha como negar. Ele se sentiu estranhamente leve quando entregou Karin para Risa. Ele passou a correr três vezes mais rápido, e a se distanciar cada vez mais.

Mas o pior aconteceu. Ele estava tão entretido, que não percebeu que elas haviam ficado para trás. Ele virou o rosto, e observou, completamente horrorizado, elas sendo engolidas pela densa e amarelada névoa.

Ele gritou.

—Karin! Risa!

Notas finais
Viram o quanto eu não demorei?? Foram tantos comentários fodas, que eu virei a madrugada escrevendo. Mas eu, na verdade, tenho algo a confessar. Esse tá sendo o melhor arco para mim. Eu simplesmente tou amando escrever. As palavras simplesmente estão fluindo de mim para o papel, ou no caso teclado. No próximo vocês finalmente vão entender o objectivo desse exame. Mas quem pegou as minhas pistas, provavelmente já percebeu haha Eu estou morrendo de sono, então vou durmir. Mas prometo que, assim que acordar eu responderei os vossos maravilhosos comentários! P. S- O que acharam da Risa?? Sei que muita gente a achou irritante e superficial no capítulo passado, foi proposital mesmo. Eu mostrei um outro lado dela nesse capítulo, porque eu acredito que todo mundo, por mais escroto que seja, tem sempre uma história! E eu adorei escrever a dela. Basicamente ela ganhou vida própria haha. Gostei dela! Agora, vou durmir kkk