Gênesis
36 Chuunin Chiken – PESTILÊNCIA-. The Death Plague.
Notas iniciais
‟Para a praga mortal, vencer
Ao raiar do sol, uma surpresa dos céus vai descer
Porém, cuidado
Quem a surpresa, até ao sol ardente não obter
O último suspiro, vai ter”
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Risa sentia-se confusa. O seu mundo girava. Ela via simplesmente tudo à sua volta como um redemoinho amarelado e confuso. Ela estava perdida na névoa. Ela sentia o peso de Karin sobre as suas costas, embora, aparentemente, ela estivesse inconsciente.
Ela colocou o seu braço à frente do nariz. Aquela névoa tinha um cheiro nauseante e fétido, e quando inalava, machucava as suas fossas nasais, como se estivesse inalando agulhas ao invés de ar. Ela sentia as suas sandálias pisando na grama seca e quebradiça. Onde ela estava?!
Mas então ela ouviu, aquela voz extremamente familiar, chamando por seu nome e o de Karin. Era Naruto, mas ela não podia gritar. Tinha medo de engolir aquela névoa nauseante. Então, o melhor que ela podia fazer, era continuar andando. Naruto era um shinobi sensor, provavelmente ele iria...
Alguns segundos depois, ela sentiu uma mão se entrelaçar a sua. Ela não precisou perguntar. Sabia que era a mão de Naruto. Repentinamente, uma pequena barreira de vento surgiu sobre o seu corpo, os envolvendo em uma cúpula de vento. Ela inalou, profundamente, o ar. Contente por finalmente poder respirar. Sem toda aquela névoa amarelada, ela finalmente pôde ver o loiro. Naruto sorria para ela, embora parecesse estranhamente cansado.
—Vocês estão bem...? –Ele perguntou, Risa assentiu, embora se sentisse estranhamente tonta, Naruto sorriu de alívio- Ainda bem...
—Obrigada...você sabe. Por ter voltado por mim, por nós.
—Não seja ridícula. -Ele ainda mantinha aquele sorriso nos lábios- Eu ainda te devo uma torta de maçã...
Risa sorriu. Mas depois ouviu Karin tossindo nas suas costas. Naruto pareceu ficar preocupado.
—Vocês respiraram essa névoa?!
—Um pouco...porquê?
Ele não respondeu. Pareceu ficar concentrado em observar a névoa que os cercava fora da cúpula. Estava desaparecendo lentamente.
—Bom...o mal já está feito. Agora só nos resta esperar a névoa desaparecer...
—Essa névoa...não é natural, pois não?
—Não. Provavelmente foram ‟eles” que soltaram. A primeira tribulação...
Risa suspirou.
—Naquela hora...você disse que finalmente tinha entendido...-Naruto assentiu- O que aquela charada queria dizer?
Naruto finalmente olhou para ela, e Risa achou aquilo muito estranho. Os olhos dele estavam cada vez mais cansados. O que estavam acontecendo com ele?
—Bom...digamos que, se essa névoa for o que eu estou pensando...não será nada agradável...
Ela apenas suspirou. Olhando para ele irritada.
—Você não me respondeu...
Naruto apenas sorriu, aparentando cansaço. Quando eles estava prestes a dizer algo mais, Karin começou a tossir compulsivamente. Sangue, inclusive.
Risa a colocou no chão, parecendo assustada.
—O que está acontecendo com ela?!
Naruto estalou a língua. Parecendo bastante preocupado.
—Como eu temia...ela inalou a névoa. Provavelmente já está infetada...
Risa olhou para ela assustada.
—Infetada? Infetada com o quê...?
—Essa é a primeira Tribulação. Pestilência. Essa névoa...está infestada por uma peste. –Naruto levantou Karin, e a colocou nas costas- Não há tempo para explicações. A névoa já desapareceu. Vamos achar um lugar para ela descansar.
Risa estava assustada, e tinha um monte de questões rondando a sua cabeça. Mas ela apenas assentiu, enquanto seguia o loiro. A caverna onde eles estavam anteriormente era perto dali, porém, estranhamente, Naruto estava extremamente lento. Eles levaram cerca de meia hora para voltar para aquele lugar, e quando chegaram na entrada, Naruto simplesmente desabou no chão.
Risa correu até eles, assustada. E quando ela levantou o Uzumaki, para colocá-lo apoiado na parede da caverna, ela viu aquelas estranhas manchas amareladas na pele dele. As mesmas manchas que ela viu na pele de Karin, quando a colocou também dentro da caverna.
Seja lá o que tinha na névoa, aquilo tinha afetado Naruto também.
—I-isso é impossível...-Naruto murmurou, o peito dele subia e descia profundamente a cada respiração, como se estivesse difícil levar ar para os pulmões. Ele colocou o dorso da mão à frente da boca, enquanto tossia compulsivamente, quando ele terminou, ele ficou assustado ao ver sangue na pele da sua mão- E-eu estou infetado?! Isso é impossível...
—Desculpe...se você não tivesse entrado na névoa...
Ele olhou para ela com olhos cansados.
—E-eu não entrei em contato com a névoa...eu usei uma barreira de vento e- Mas então ele se lembrou, quando olhou para a febril e inconsciente Karin- Ela...eu toquei nela...
—Mas eu também toquei nela...-Risa parecia bastante confusa- porque eu não estou adoecendo...?
—Eu...não sei, talvez- Ele interrompeu para mais uma crise de tosse, dessa vez durou um minuto. Risa entregou um cantil de água para ele, Naruto agradeceu com os olhos, antes de beber um pouco da água – Provavelmente...você é imune, por um motivo estranho...
—Imune ou não...-Ela apoiou Naruto nos ombros, enquanto o colocava deitado sobre um saco de dormir- Eu tenho que cuidar de vocês...até vocês melhorarem...embora eu não faça a mínima ideia de como fazer isso...
Naruto apenas assentiu. O seu corpo agradeceu quando ele foi colocado deitado. Respirar doía. Sua cabeça doía. O seu corpo doía. Tudo doía. Ele não entendia. Em toda a sua vida, nunca ficou doente. Aquela era uma vantagem de ser um jinchuuriki, e ainda por cima um Uzumaki. Ele tinha tantos anticorpos, que nem sequer já havia ficado resfriado. Então...o que estava acontecendo com ele?! O seu corpo deveria conseguir lidar com qualquer tipo de doença...
Risa apenas olhava para eles preocupada, e confusa. Ainda era madrugada, provavelmente eram por volta das três ou quatro da manhã, e o sol ainda não havia nascido, então ainda estava extremamente frio. Mas tanto Karin quanto Naruto, suavam como se fosse meio dia. O que estava acontecendo com eles?
Ela tocou a pele da face, tanto de Naruto, quanto de Karin. Os dois estavam extremamente febris. Ela tentou se lembrar o que deveria fazer nesses casos. Sua mãe sempre colocava um penso úmido na sua face, provavelmente para baixar a temperatura.
Ela revirou as mochilas, achando míseros dois cantis, ainda cheios com água, e outros dois completamente vazios. Ela se decidiu.
—Eu vou sair por um instante.
Não esperou uma resposta. Karin estava inconsciente, enquanto murmurava um monte de palavras sem nexo, e Naruto apenas assentiu, enquanto lutava contra a inconsciência.
*****
Risa esfregou as mãos ao longo dos braços, procurando aumentar o seu calor. Aquele colete verde estilo ANBU, definitivamente, não era feito para aguentar temperaturas tão frias. Estava escuro como o breu. Os seus olhos negros como carvão estavam dilatados, tentando enxergar o caminho por entre aquela escuridão.
Tudo estava silenciosamente calmo. Sem cantos dos pássaros, sem shinobis se matando. Apenas o melodioso som da água correndo pelo riacho que havia nas proximidades. Ela estava atenta. Os sentidos extremamente aguçados. À espera de um ataque surpresa. Mas não veio.
Ela se agachou, à beira do riacho, e estava prestes a tirar alguns cantis vazios na mochila, quando finalmente reparou numa forma escura e estranha boiando no riacho, sendo levado pela correnteza. Afiando os olhos, ela percebeu que era...um cadáver. Imediatamente ela arregalou os olhos, reparando na cor e no cheiro da água daquele riacho. Ela estalou a língua. A água tinha uma cor amarelada e cheirava à cadáveres em decomposição. Também estava infetado.
Aquilo era um sério problema. Eles só tinham mais dois cantis com água potável. Ao ritmo que eles estavam ficando desidratados, não duraria até ao meio dia. A água para fazer pensos úmidos seria fácil. Ela era usuária de Suiton, era só fazer um jutsu simples. Mas aquela água não era bebível...
Ela se sentiu de repente, muito cansada. Aquela noite seria...complicada.
Ela fez o seu caminho de volta para a caverna, encontrando Naruto, assim como Karin, completamente adormecido. Ela precisava de tecido. Numa das mochilas, havia uma manta. Ela usou uma kunai para cortar alguns pedaços, e com um jutsu suiton, fez pensos improvisados.
Tanto Naruto quanto Karin estavam com expressões tensas nos rostos, mas pareceram relaxar quando ela colocou o tecido úmido e frio por cima. Ela suspirou. O que devia fazer...?
As roupas. Elas podiam ainda conter algumas partículas da névoa. Tirar a roupa de Karin foi uma tarefa fácil, o real problema, foi despir o loiro. Não que fosse difícil, mas era complicado ter que tirar as peças sem admirar os músculos densos e delineados do loiro, ou o quanto a pele dourada dele brilhava com o suor...
‟Foco, Risa. Foco. Céus...eu estou parecendo uma pervertida...”
Uma lufada de ar frio a trouxe de volta à realidade. Eles não podiam simplesmente ficar de roupa interior, estava fazendo um frio de gelar os ossos. Ela cortou a manta em duas partes, e cobriu o corpo dos dois.
Ela se recostou na parede da caverna, e soltou um suspiro. Cuidar de pessoas era... complicado. Mas uma questão ainda martelava a cabeça dela...porque ela era imune...? Ou ainda...que tipo de doenças eles haviam pegado...?
Ela simplesmente ficou os vigiando, até ver os raios do sol adentrando a caverna. Já havia amanhecido. Ela sentia os músculos do seu corpo duros e doloridos pela péssima noite. Aquele exame estava cobrando muito dela.
Ela trocou mais uma vez os pensos, e nenhum deles davam sinais de que iriam acordar tão cedo. Ela espreitou para fora da caverna. Aquele seria um dia longo, ela sabia.
Dito e feito. Aquele foi o pior dia da sua vida. O seu chakra estava esgotando de tanto fazer jutsus suiton. A água potável era pouca, e os lábios deles estavam rachados e com feridas pela desidratação extrema. Ela apenas os permitia darem golos esporádicos de duas em duas horas. Mas mesmo assim... Durante à tarde toda, as tosses e as febres pioraram drasticamente.
O chão daquela caverna estava manchado de sangue, de tanto eles tossirem, e as manchas amareladas estavam cobrindo quase que completamente as suas peles. Mas Naruto parecia... pior. A cada minuto, ele fazia expressões de dor. E ela começou a se preocupar quando viu ele tossindo sangue negro e seco. Era quase como se...o seu próprio corpo estivesse o atacando. Ela já havia lido sobre aquilo.
Autoimunidade. Esse era o nome daquele fenómeno. Quando infetados por alguma doença, normalmente o corpo produzia anticorpos para combatê-los. Mas...aparentemente, o corpo do loiro estava produzindo em demasia. Ao ponto de atacarem as próprias células, que, aparentemente, estavam saudáveis...
Sinceramente, ela já não sabia o que fazer. Se aquilo continuasse, eles dois provavelmente iriam...ela não era médica. Mas aquilo era visível. Olhando para eles, ela imediatamente se lembrou da sua avó. Sua frágil e idosa avô. Deitada numa cama do hospital. O rosto esquelético e sem vida, e uma tosse constante. Ela odiava hospitais por aquele motivo. Ela se lembrava de sempre sentir medo quando ia visitar a sua avó. Na altura ela achava que era por sentir medo do rosto branco e esquelético dela, mas não. Ela sentia medo de ir vê-la, porque ela temia chegar naquele quarto de hospital, e não encontrar o rosto pálido e esquelético dela à sua espera. Assim como no dia que ela morreu.
Desde então, ela sempre conseguia pressentir quando alguém iria morrer. Tal como o seu tio, que adoeceu alguns anos depois, ou o gatinho que tinha na infância. Por mais que os seus pais a tranquilizassem, dizendo que tudo correria bem, ela sabia que era mentira, simplesmente olhando para eles.
E a mesma coisa valia para Karin e Naruto. Eles iriam morrer, se ela não fizesse algo. Mas o que ela podia fazer?!
Naquela noite, às exata meia-noite, depois de passarem dez rostos na cúpula da arena, ela enfim teve a resposta para a sua pergunta. Ela veio na forma de uma frase brilhante no céu:
‟Para a praga mortal, vencer
Ao raiar do sol, uma surpresa vocês vão ter
Porém, cuidado
Quem a surpresa, até ao sol ardente
Não obter
O último supiro, vai ter”
Não era preciso ser um gênio para adivinhar o que eles fariam. Depois de infetarem um terço dos participantes, eles agora iriam fazê-los lutar pela cura. Eles tinham até ao meio dia, do dia seguinte, para conseguir a cura. Ou os infetados iriam...
No dia seguinte, uma hora antes do sol nascer, depois de ver que estava preparada, ela resolveu se despedir deles, embora momentaneamente.
Ela se agachou junto ao leito de Karin. Ela aparentava estar dormindo. A pele branca dela estava mais pálida que o normal, e os seus fios ruivos estavam grudados na face dela, devido o suor. Risa tentou afastá-los, com o dorso das mãos. Os olhos de Karin se entreabriram lentamente pelo toque repentino, ela tentou abrir a boca, tentando falar algo, mas os seus lábios secos e rachados não se moviam.
—Não se esforce,- Risa sussurrou, com uma suavidade quase maternal, Karin fechou os olhos por um instante, aproveitando o toque delicado dela no seu rosto, como sua mãe costumava fazer com ela quando ela ficava resfriada- Eu vou salvar vocês, eu prometo...
Karin pareceu exibir um sorriso fantasma, antes de mergulhar novamente na inconsciência.
Quando ela se virou, pela primeira vez em um dia, ela encontrou aqueles dois pares de olhos azuis a encarando:
—Você...-A sua voz estava rouca e fraca, como um vento que estivera preso por séculos. Naruto tossiu por alguns segundos- É...muito... perigoso...-Ela se agachou, e o dorso da sua mão tocou o rosto esquelético e manchado de Naruto. O loiro pegou a sua mão. -P-por favor...não vá...não sozinha...
Ela sorriu, parecendo triste.
—Não posso...você sabe que eu não posso resistir. Não posso resistir à esses olhos azuis, me pedindo para serem salvos.
Naruto arregalou os olhos, ele tentou falar algo. Mas teve um ataque de tosse por cerca de dois minutos, antes de Risa pegar na sua nuca, e levantá-lo para cima, o fazendo engolir um pouco de água.
—Então...eu...vou...com...você...
Ele fez menção de se levantar, e ela o empurrou de volta para o saco-cama, olhando para ele como se ele fosse louco.
—Você mal consegue estruturar uma frase sem tossir o próprio pulmão...-Ela tentou fazer graça, Naruto produziu um som engasgado, ela supôs que fosse uma risada...- Eu vou salvar vocês...confie em mim...
Naruto assentiu, sentindo a cabeça doendo ainda mais. As suas pálpebras pesaram ainda mais, e antes que ele percebesse, estava dormindo novamente.
Risa analisou a caverna. Tinha um cantil de água meio cheio, e duas tigelas de sopa de legumes, intocadas, no canto da caverna. Ela tentou dar a sopa para eles, no dia anterior, mas eles simplesmente vomitavam toda vez que ela aproximava a colher da boca deles.
Quando ela saiu, ela sentiu o seu rosto sendo acariciado por uma lufada de ar fresco, automaticamente, os seus olhos se fecharam, enquanto ela aproveitava aquele sentimento de...plenitude. Ela achava estranho. Risa pensou que à eminente probabilidade dela morrer naquela missão suicida, a deixaria nervosa, mas ela estava enganada. Ela se sentia estranhamente calma. Muito calma.
Ela olhou para o céu. Estava quase amanhecendo...
Ela arrastou alguns ramos de árvores que estavam caídos no chão, até à entrada da caverna, para camuflar a entrada do local. Mas só por precaução, ela colocou algumas armadilhas nos arredores da caverna.
Alguns minutos depois, ela viu aquela estranha linha alaranjada surgir no horizonte cinzento, à medida que o céu era pintando por maravilhosas e intensas cores. Só mesmo a eminência de morte para fazê-la apreciar a beleza do sol nascendo...
Subitamente, o céu da cúpula foi preenchido por oito estranhos selos negros, e cada um deles desprendeu uma caixa de madeira acoplada à um tecido que, estranhamente, servia para aparar à queda.
Imediatamente, ela se moveu em direção ao que estava caindo mais próximo dela. A sua respiração estava acelerada, enquanto ela saltava de árvore em árvore. Ela corria tão rápido que o caminho à sua frente não passava de um borrão. Até que ela viu a caixa tocando, finalmente, o solo. Era uma distância de cerca de cem metros de onde ela estava.
Ela sentiu os seus pelos se eriçando e as suas pupilas se dilatando...aquela sensação era...shinobis. Ela tentou se concentrar. Não era uma kunoichi sensorial, mas ela sabia que havia um bom número de shinobis que, assim como ela, haviam sido atraídos para a caixa que havia caído naquele local.
Ela se moveu com cuidado até chegar, finalmente, na clareira onde a caixa havia caído. Ela se agachou numa moita. Tentando pensar no que fazer a seguir. A caixa estava bem ali à sua frente, bem no centro de uma plataforma metálica circular, que havia no meio daquela enorme clareira. Mas ela não era tola. Havia um número significante de shinobis que, assim como ela, também estavam à espreita.
Shinobis detestavam lugares abertos como aquele. Os tornavam alvos fáceis. Se alguém tentasse simplesmente se mover em direção à caixa, a probabilidade de ser acertado por uma chuva de shurikens era bastante alta.
Ela sentiu o suor escorrendo pela sua face. O que deveria fazer?! Ela ouviu o som de um galho se quebrando atrás de si. Em um milésimo de segundos, ela jogou uma kunai nas suas costas, apenas para a ver sendo rebatida por um garoto de óculos. Ela relaxou a sua expressão. Era Kabuto.
—Kabuto...
O garoto se aproximou com passos lentos, com o seu costumeiro sorriso estranho no rosto, e se colocou ao seu lado.
—Risa...não esperava encontrar você aqui...-ela estalou a língua, não gostava muito daquele garoto, apesar de estarem no mesmo time, ela tinha a estranha impressão de que ele estava sempre atuando...- Então...você é imune a doença...quem diria...
Ela olhou para ele curiosa.
—Você também...você sabe o porquê?
—Mais ou menos...-ele ajeitou os seus óculos- Devo dizer que...quem quer que seja o homem por detrás desse torneio é...simplesmente brilhante...
—Fale logo, caralho!
—Não precisa ser tão agressiva...-ele ajeitou os óculos novamente, Risa estalou a língua, odiava aquela mania dele- Você se lembra do que aconteceu depois do final da Terceira Guerra Mundial...? – Risa olhou para ele como se fosse louco, ela tinha quinze anos, sequer estava viva naquela época- Claro que não. Havia tanta morte. Tantos corpos, que já não havia espaço para enterrá-los nos cemitérios...então, eles começaram a fazer valas comuns. Todo aquele amontoado de cadáveres em decomposição...junto com as péssimas condições de vida daquela época, trouxe um mal ainda maior. Doenças. Houve uma que, particularmente dizimou mais pessoas do que a própria guerra...e era particularmente contagiosa. Famílias inteiras chegaram a serem dizimadas. Só quando as vilas passaram a cremar os cadáveres é que os números começaram a diminuir...E, os sintomas são bastante semelhantes ao dessa praga que eles lançaram na arena, apesar dessa ser mais mortal, provavelmente foi modificada...
Risa arregalou os olhos.
—Espera...e eles lançaram isso nesse exame?! E se todos tivéssemos ficado infetados...?!
—Impossível...eles sabiam que aqui haviam descendentes...-ela olhou para ele confusa, Kabuto continuou- um outro fator foi determinante para a erradicação dessa praga. Algumas pessoas, depois de infetadas, passaram a possuir anticorpos específicos dessa doença. E eles passaram para os seus filhos. Os organizadores sabiam que aqui haviam alguns descendentes de infetados...mas provavelmente era uma aposta, pode ser que todo mundo morresse mesmo. Isso também seria um resultado interessante...-Ela estalou a língua. – Então...quem você quer salvar...?
—Uzumaki Naruto...e uma garota que eu salvei por aí...
Kabuto apenas balançou a cabeça negativamente.
—Ah, Risa...você e esse seu complexo de salvadora...um dia você vai se arrepender por ser tão boazinha...
Ela estalou a língua.
—E com quem você está?
—Com o Akai-kun...
Risa arregalou os olhos. Akai estava infetado?! Ao contrário de Kabuto, ela se dava muito bem com o garoto quieto do clã Yamanaka. Antes que ela dissesse algo, no entanto, ela ouviu Kabuto falar.
—Interessante...alguém está se movendo...
Risa voltou a sua atenção para a clareira. Um gennin, provavelmente da grama, teve a brilhante ideia de ir correndo em direção à caixa, antes que alguém sequer se incomodasse em acertá-lo com uma kunai, ele não deu mais do que quatro passos, antes do chão abaixo dos seus pés explodir. Os seus restos: Seus membros, sua cabeça e suas entranhas simplesmente se espalharam pelo ar.
Risa suou frio. Haviam armadilhas. Ótimo. Mas algo ainda mais impressionante aconteceu depois.
Uma garota negra da vila da nuvem, com feições afiadas que lembravam uma gata, simplesmente se lançou na clareira, e com movimentos rápidos, suaves e precisos, atravessou a clareira, como se soubesse exatamente em que lugares estavam as armadilhas. Quando chegou na plataforma no centro, ela abriu a caixa, retirou dois estojos, que provavelmente continham a cura, e simplesmente lançou um longo fio de aço até à árvore mais próxima, se inçando até lá. Imediatamente, três gennins tentaram ir atrás dela, mas em um piscar de olhos, eles estavam mortos, completamente eletrocutados por um jutsu raiton. Ela deu uma última olhada para a clareira, antes de ir. Ninguém se atreveu a segui-la novamente.
Mas aquilo era a deixa que muitos precisavam. Subitamente, todo mundo se jogou na clareira.
—Kabuto, vamos!
Ela ainda se lembrava dos locais onde aquela garota havia pisado, então não era complicado tentar seguir as pegadas. O problema real era a enxurrada de kunais, shurikens e jutsus que eram lançados de um lado para o outro. Ela tinha que estar sempre se desviando. Aquilo estava um verdadeiro caos. Corpos e corpos caíam ao seu lado. Ninguém mais distinguia amigos de inimigos. Explosões eram ouvidas a cada segundo.
E, quando eles finalmente chegaram até à plataforma metálica, dois gennins da Vila da Pedra surgiram à frente deles, enquanto uma garota da Vila da Pedra se dirigia até a caixa. Antes que Risa sequer fizesse algo, Kabuto simplesmente se moveu em direção aos dois garotos, e pediu que Risa impedisse a garota.
Não havia tempo a perder. Risa lançou duas shurikens na garota da vila da Pedra, e ela simplesmente rebateu com uma Kunai na sua mão livre, enquanto na outra ela segurava dois estojos de cura. Ela sorriu para Risa, antes de colocar um papel bomba na caixa maior e fugir.
Risa arregalou os olhos, quando viu a caixa com as curas simplesmente ir pelos ares. Ela se aproximou. E sentiu o seu coração afundando quando viu todos os estojos em chamas. Não havia cura. Naruto e Karin morreriam.
—Vá atrás dela! –Ela se virou, vendo Kabuto bastante ocupado em lidar com aqueles dois shinobis. O rosto dele estava tenso, enquanto tentava desviar de alguns ataques- Agora, Risa!
Ela não pensou duas vezes antes de puxar um fio de aço, e se içar para uma árvore próxima. Ela estreitou seus olhos. Vendo a garota da Pedra correndo, algumas árvores à sua frente. Ela a seguiu.
Aquela garota era rápida, ela tinha que admitir. Estava a perseguindo há mais de uma hora, e ela simplesmente não conseguia diminuir a distância. Até que, estranhamente, a garota parou no meio de uma clareira.
—Você é insistente...-A garota da Pedra disse, se virando em sua direção e abrindo um sorriso logo em seguida- Gostei de você...qual seu nome...?
Risa apenas estreitou os seus olhos, enquanto aterrava suavemente naquela clareira.
—Kato Risa...e você?
Um sorriso ainda maior rasgou os lábios daquela garota.
—Risa-chan...-ela cantarolou- Gostei do nome...eu sou Kurotsuchi. Kamizuru Kurotsuchi...
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