Gênesis

48 Chuunin Chiken – MORTE – Perdidit in tenebris.


Notas iniciais
Olá! Como estão?? Espero que bem! Bom, tenho duas coisas para dizer. Primeiro : Muito, muito obrigado mesmo pela força que a me deram, no capítulo passado. Eu realmente fiquei tocado com os vossos comentários, me ajudaram bastante nessa fase. Então... Obrigado, de verdade. Já respondi alguns, outros nem tanto, mas prometo fazer isso em breve. Sei que estou há uns dois capítulos sem responder alguns comentários. Farei isso o mais rápido possível, de verdade. Segundo: Eu alterei a capa, e a sinopse da história. Tcharam. Espero que gostem kkk Eu mal Durmi, apenas tentando fazer uma coisa legal. .. Enfim... Capítulo bem grandinho, quase 9 mil palavras kkk Perdidit in tenebris - latim- Perdida na Escuridão. Olhem, recomendo bastante ouvirem essa música neste capítulo. Basicamente, me inspirou kkk Link : https://www.youtube.com/watch?v=4MsTO9qwCAU Boraaaaa!

‟She´s lost in the darkness, fading away

I´m still around here, screaming her name

She´s haunting my dreamworld, trying to survive

My heart is frozen, i´m losing my mind

Help me i´m buried alive. Buried alive.ˮ

(Ela está perdida na Escuridão, desaparecendo

Eu ainda estou aqui, gritando o seu nome

Ela está assombrando o meu mundo de sonhos, tentando sobreviver

Meu coração está congelado, eu estou perdendo a razão

Me ajude, eu estou enterrada viva. Enterrada viva.)

~X~

Within Temptation— Lost.

XxXxXxXxXxX

Noroeste. Dois Quilômetros para a Morte.

Os seus olhos ônix estavam abertos e arregalados, completamente em choque. Era difícil os seus lábios formarem uma palavra sequer, diante da cena diante dos seus olhos.

Sakura, pálida como um fantasma, perfeitamente apoiada no ombro de Hinata, enquanto flocos brancos de neve caíam sobre elas. Era irônico uma imagem tão bela, ser ao mesmo tempo tão triste. Tinha uma enorme nada, onde deveria estar o seu braço esquerdo. Ela havia sido mutilada. Danificada, como uma boneca quebrada. E era sua culpa. Sua inteira culpa.

Sasuke sentiu a sua boca secar.

—Sakura...-A sua voz saía como um sussurro arrastado- O que...aconteceu?

A rosada apenas sorriu fracamente, antes de olhar diretamente nos olhos ônix de Sasuke. Não foi preciso ela dizer nada. Ele entendeu perfeitamente o brilho opaco nos olhos esmeraldas de Sakura, e aquilo o fez se sentir ainda pior.

Hinata apenas suspirou, enquanto passeava os seus olhos em cada um dos rostos cobertos de flocos de neve. Sasuke, Shino, Kiba, Sakura, Ino e Shikamaru. Aqueles eram rostos cansados e sem vidas. Eram rostos quebrados.

—Vamos...sair daqui...-Foi tudo o que a Hyuuga conseguiu dizer. — Não é seguro ficarmos assim parados no meio da neve...

Ainda com aquelas expressões indecifráveis, o trio recém-chegado, afundou os seus pés na neve, enquanto quebravam a distância entre eles.

Shino, estranhamente, tinha Kiba apoiado em um dos ombros, ele usou a sua mão livre para ajeitar os seus óculos escuros.

—Primeiro...você pode dar uma olhada nele, Hinata?

Só aí ela pareceu notar o tom pálido na pele de Kiba, e a sua mão ensopada de sangue sobre o abdómen. Ela se aproximou deles com os olhos arregalados.

—Céus...-Ela sussurrou, depois de Shino colocar o corpo de Kiba na neve. Ele tinha um ferimento com marcas semelhantes à uma mordida no abdómen- O que...aconteceu?

Kiba, deitado enquanto respirava lentamente, tentou esboçar um sorriso. Apenas tentou.

—Não foi nada demais...é só um arranhão...

Hinata, lentamente, tirou a mão que ele tinha sobre o abdómen. Ela logo levantou o seu olhar assustado para Shino, que apenas suspirou.

—Enquanto nós estávamos vindo para cá...nós fomos atacados por aqueles...cadáveres ambulantes. Kiba se distraiu, e um deles acabou cravando os seus dentes no seu abdómen...

—Entendo...-Ela suspirou, enquanto concentrava um pouco de chakra esverdeado nas suas mãos. Ela não era muito boa em Ninjutsu médico. O básico que ela sabia, ela havia aprendido enquanto treinava o controle de chakra para o punho gentil do clã Hyuuga. Mas, apesar de tudo, foi o suficiente para, pelo menos estancar o fluxo de sangue. Ela abriu a mochila nas suas costas, e retirou algumas faixas brancas. Ela passou o dorso da mão na sua testa, limpando o suor fino que escorria, quando finalmente terminou de enfaixá-lo – Pronto... acho que é o máximo que consigo fazer...tente não fazer movimentos bruscos...

Kiba acenou positivamente, enquanto se levantava com ajuda de Shino.

Sasuke, que até então apenas os encarava inexpressivamente, resolveu questionar:

—Onde vocês estão indo?

—Norte. –Sakura respondeu, apoiada no ombro de Ino- Nós vamos para o Norte...

Sasuke franziu o cenho, antes de assentir.

—Bom...-ele repuxou o canto dos seus lábios, em uma espécie de sorriso, mas era tão vazio quanto a sua voz – Acho que, isso significa que vamos juntos então...

Quando eles voltaram a caminhar lentamente pela nevasca, Hinata conseguiu notar pelo canto dos olhos, o olhar intenso de Sasuke sobre a rosada. E, aquele olhar nos seus olhos...Hinata conseguiria reconhecer aquele olhar em qualquer lugar. Olhos focados, e enxergando aparentemente, o nada. Era o mesmo olhar que ela via todas as manhãs, sempre que se encarava no espelho, depois de mais um pesadelo com o corpo pequeno e manchado de sangue de Naomi.

Sasuke estava mergulhando em um poço negro, onde nada além da culpa o aguardava.

A nevasca ficava cada vez mais intensa, a cada passo que eles dessem em direção ao extremo norte daquela arena. Hinata sentia as suas pernas reclamando, depois de mais de dez horas caminhando. Deveriam ser por volta das Seis, ou Sete da Noite, e estava escuro como o breu. A lua estava escondida em um céu incrivelmente cinza, e pela nevasca interminável.

Hinata parou, repentinamente de caminhar. Os seus olhos perolados, ostentando o byakugan, estavam arregalados em puro choque.

Aquela arena, além de estar completamente coberta de branco pelo gelo e neve, tinha um terreno bastante acidentado e irregular. Além de possuir extensas planícies, que agora estavam pintadas de branco, possuía uma cadeia de montanhas bastantes elevadas.

Para evitarem ao máximo se encontrarem com outros times, eles haviam decidido que seria mais seguro atravessarem a arena pelas cordilheiras.

Atualmente, eles estavam atravessando uma montanha coberta de neve, e há algumas centenas de metro, encosta acima, havia uma gigantesca construção. Um enorme castelo. Era realmente gigantesco. As suas enormes paredes de pedra estavam revestidas por grossas camadas de gelo, e os seus portões metálicos eram enormes e pesados. Então Hinata entendeu, o tremor que eles sentiram mais cedo...Provavelmente era aquele...castelo emergindo do solo. A terra ao redor estava recheada de enormes e profundas crateras, pintadas de branco pela neve.

Ela podia não ser uma Kunoichi sensor, mas sentia claramente aquela gigantesca energia que era emitida dentro daquele castelo. Ele estava lá.

Assim como uma grossa nevasca, estava açoitando as paredes do castelo. Era perigoso se aproximar despreocupadamente. Uma nevasca daquela, que dificultava a visão, mesclada às crateras gigantescas no solo, era uma perigosa combinação.

Hinata forçou o seu byakugan, mas as camadas de gelo que cobriam o castelo eram incrivelmente espessas, e tornavam impossível enxergar dentro daquela construção.

Ela se virou para os seus companheiros.

—Bom...eu tenho duas notícias para vocês...a boa? Aparentemente, achamos o local onde aquele que carrega a coroa da Morte está. E a má? Além daquela fortaleza ser impenetrável...tem uma nevasca intensa e o solo é bem...acidentado. –Ao ver as expressões arregaladas nos seus rostos, ela apenas suspirou- Vocês vão entender...

Depois de mais alguns minutos de caminhada, eles enfim conseguiram visualizar aquela imponente fortaleza. E, de repente, todos eles se sentiram pequenos. Muito pequenos diante daqueles muros colossais e glaciares. Nunca nenhum deles tinham visto uma construção tão massiva...

Hinata visualizou, alguns metros à sua direita, um amontoado rochoso bem mais elevado que a encosta onde o castelo estava assente. Eles teriam uma vista melhor naquele local.

Depois de se esgueirarem entre aquelas gigantescas rochas, Hinata fez um sinal para que eles se agachassem. Estreitando os olhos, ela conseguiu ver fagulhas acendendo em meio a nevasca. E aqueles sons metálicos que se sobrepunham ao chicotear da brisa invernal era...o som de kunais se cruzando.

Ela concentrou ainda mais chakra nos olhos, e então, finalmente viu um número bastante alto de gennins se enfrentando diante daqueles pesados portões. A brisa gélida trouxe um cheiro bastante familiar para as suas narinas. Cheiro de sangue e de morte. A neve estava tingida por um vermelho brilhante. Ela sentiu os seus músculos ficarem tensos.

—Então, como vai ser?

Sakura, que até então estava macabramente em silêncio, resolveu abrir a boca. Eles se entreolharam.

—Bom...-Shino começou- Nós temos menos de cinco horas para conseguirmos invadir aquele castelo, e vencermos essa tribulação. Então, o movimento mais lógico seria acharmos uma forma de entrarmos ali...e, de preferência, despercebidos...

Sasuke franziu as sobrancelhas de forma pensativa.

—Os portões principais estão fechados. E são feitos de aço maciço, difíceis de destruir. Além do mais, pelo caos que está instalado diante do portão principal, seria melhor acharmos uma outra entrada...A questão é: Onde?

Eles viram Shikamaru gesticular algumas coisas com as mãos. Sasuke, Shino e Kiba acharam aquilo muito estranho, mas não disseram nada. Só aí Hinata percebeu que, Naruto, o único que entendia linguagem de sinais, não estava com eles.

—Ah, desculpe...-Hinata sorriu meio nervosa – Nós não...

Shikamaru suspirou, antes de usar os dedos para escrever algumas palavras na neve.

‟Então criem vocês mesmos. São quatro muros. Um deles tem o portão principal, mas ainda há três possíveis entradas nos outros muros. Façam vocês mesmos.ˮ

—Concordo –Hinata assentiu- Seria mais eficaz montarmos um pequeno grupo. Sete Shinobis se movendo chamam demasiada atenção...além de que, temos feridos conosco...-ela mordeu o canto dos lábios de forma pensativa- caso acabemos cercados por inimigos, será...complicado...

—Então...-Sakura perguntou- quem irá?

Mas ao ver o olhar cúmplice entre Hinata, Sasuke e Shino; Sakura entendeu. Entendeu algo que gostaria de não ter entendido.

—Entendo...vocês vão me deixar para trás, não?

Sasuke soltou um suspiro.

—Eu...sim. Me desculpe. Acho que...só nós os três estamos em condições de combater. Você, Kiba, e Ino estão...bom, não estão em condições para lutar. E, sem a luz da lua, Shikamaru não consegue usar suas sombras. Desculpe aí, cara. –O garoto do clã Nara apenas acenou positivamente- Sem falar que, quanto menor for o grupo, menores serão as chances de sermos detectados...

Sakura deu um fraco sorriso.

—E, logicamente, eu não estou em condições. Afinal, eu sou fraca e inútil. Tal como naquela vez no país da Onda. Todo esse tempo, me iludi achando que eu tinha ficado mais forte, mas a verdade é que eu continuo a mesma inú-

Todos arregalaram os olhos, quando o som de um tapa ecoou por aquela terra gelada. Hinata, com os olhos estranhamente escurecidos, havia estapeado uma atordoada Sakura.

—Não diga isso. Ouviu?! Nunca mais. -Hinata percebeu o olhar assustador no seu rosto, e se acalmou com um suspiro- Nós ficamos juntas por quanto tempo?! Treze, catorze dias?! Eu perdi a conta de quantas vezes você salvou a minha vida durante esse tempo. Você é incrivelmente forte. Uma das garotas mais fortes que eu conheço, e foda-se quem achar o contrário. E não vai ser a porra de um braço mutilado que vai mudar isso. –Os seus olhos perolados ficaram marejados- Mas...no momento você está machucada, e precisa ser protegida. Então...tá tudo bem deixar eu proteger às suas costas, assim como você me protegeu nesse exame. Amigos fazem isso. E...eu sou sua amiga. Então...-ela a surpreendeu com um abraço, Sakura retribuiu, soluçando enquanto sentia lágrimas gélidas deslizando pelo seu rosto- Só...me deixe proteger você...-ela desviou os seus olhos marejados para cada um dos seus companheiros naquela terra gélida- Nos deixem proteger vocês. Por favor...

Sakura se afastou do abraço, e passou os polegares pelos cantos dos olhos de Hinata, enxugando as suas lágrimas. A rosada esboçou um fraco sorriso.

—Não sabia que garotas ricas podiam abraçar garotas da plebe, que nem eu...

Ao ver o sorriso no rosto de Sakura, foi impossível Hinata não sorrir.

—E não posso mesmo –Brincou- Mas não tem como resistir à esse seu sorriso de: Ei, eu sou gostosa e foda pra caralho.

Foi impossível Sakura não rir.

—Tome cuidado...-Hinata assentiu. Ela olhou para Sasuke e Shino- Tomem cuidado...

E então, eles viram Shino levantando a sua mão.

—Na verdade...eu achei essa cena toda muito bonita. –Se ele estava falando a verdade ou não, era difícil saber pela sua expressão indecifrável, mas ele logo suspirou – Porém...eu não consigo lutar também...-Ele estendeu as suas mãos, mostrando uma dezena de insetos estáticos. Imóveis nas palmas das suas mãos. – Essa arena está absurdamente fria. Os meus Kikaichuu são insetos de sangue-frio. Para sobreviverem, eles hibernam quando expostos à temperaturas extremamente baixas. E o meu Taijutsu é bem...normal. Então, caso acabemos rodeados de inimigos, eu seria apenas um peso para vocês. Me desculpem...

Hinata e Sasuke se entreolharam, com um único pensamento: Aquilo seria...complicado.

XxX

Nordeste. Três Quilômetros para a Morte.

Nii El, definitivamente, não gostava do frio. Aquela sensação estranha, que abraçava o seu corpo, e lentamente consumia cada fibra do seu ser, a deixava estranhamente...dormente e anestesiada; mas do que ela, naturalmente já era. Ela não gostava do frio, nem um pouco.

Tendo nascido no País do Trovão, uma terra com uma extensa cadeia de montanhas extremamente altas e rarefeitas, era bastante óbvio que aquilo, para ela, era um problema bastante frequente.

Na verdade, se ela fechasse os olhos naquele momento, quase conseguia imaginar o rosto irritado da sua mãe, com os fios longos e loiros balançando à medida que ela gritava com ela, para que abandonasse as suas quentes mantas, e acordasse em uma manhã extremamente fria.

Ao que ela responderia com um ronronar manso, parecido à de uma gatinha preguiçosa, antes de voltar a dormir de novo. Ela já estava farta daquele exame. Ela tinha saudades de casa. Tinha saudades de ouvir a sua mãe gritando com ela.

El, queria tanto aquilo, que havia aceitado fazer o trabalho sujo de Kei.

—Eles estão vindo...

El olhou para a garota que havia dito aquilo. Ela era da Vila da Pedra, e tinha a metade direita do corpo completamente marcada por grossas e extensas cicatrizes de queimaduras, mas estranhamente, ela sempre estava sorrindo daquele jeito macabro. Como agora.

Touka. Ela se chamava Touka.

Uma brisa gélida acariciou o seu rosto. El levantou o seu capuz branco sobre os seus fios castanhos-escuros. Seus olhos incrivelmente dourados se dilataram, enquanto ela tentava enxergar por entre aquela nevasca branca e intensa. Ela estreitou os olhos.

Ela conseguia ver quatro...não, cinco vultos se movendo na neve, e pelos uniformes verdes-escuros, eram da folha.

Ela conteve um suspiro. Bingo.

El se virou para aqueles cinco rostos que a encaravam fixamente, apenas esperando uma espécie de confirmação. Eles eram um grupo, no mínimo estranho e incomum.

Tinha aquela garota com metade do corpo queimado, da Vila da Pedra, Touka. Havia um outro garoto da Pedra estranhamente quieto, Kurojin. Ele era enorme e largo como uma montanha; Havia uma garota franzina e loira da vila da Névoa, Furiko; tinha um garoto sorridente da Vila da Areia, Denki; e por fim, tinha aquela garota da Vila da Areia, tão inexpressiva quanto um quadro em branco, Matsuri.

E, apesar de todas as suas diferenças, eles tinham um objetivo em comum: Garantir que a folha não vencesse, custasse o que custasse.

Ela, pessoalmente, achava aquilo um exagero, mas o que ela podia fazer quando o próprio Raikage, havia ordenado aquela aliança estúpida?!

Nada. A não ser obedecer.

Por isso, depois de uma reunião extremamente longa e desnecessária entre os gennins de Suna, Iwa, Kumo e Kiri, eles haviam chegado à aquele plano. Se bem que, praticamente, foi Kei quem havia traçado aquele eficiente plano. E ela tinha que admitir, que era bom, como sempre. Apesar daquela personalidade duvidosa, uma coisa era inegável: Kira Kei era um génio.

Ele era um exímio sensor. O melhor naquela arena, na verdade. Ele sabia exatamente onde cada gennin se encontrava naquela gigantesca arena, como se fossem peças em um tabuleiro de Shougi.

E então, ele conseguiu analisar, em menos de dez minutos, as habilidades dos membros remanescentes de cada Vila, e formar quatro equipes simples, mas muito eficazes naquela situação. Uma tarefa nada fácil.

Havia uma equipe principal, uma unidade avançada, na verdade. Formada pelos quatro gennins mais fortes de cada uma das Vilas. Kira Kei, Sabaku no Gaara, Kamizuru Kurotsuchi e Terumi Akane. Ou, como Kei havia os apelidados, O quarteto dos Kages.

Sim, ela sabia que era um nome bastante idiota.

Eles tinham um objetivo simples e óbvio: Achar aquele que carrega a coroa da Morte, e matá-lo, antes que tocasse a meia-noite. E, uma vez que a Vila que o matasse, venceria aquele exame, era bastante óbvio que cada vila mandasse alguém. Eles podiam ter uma aliança temporária, mas não deixavam de ser shinobis que amavam suas vilas, e queriam levar a glória para ela.

E, os outros três grupos, obviamente, só tinham uma coisa a fazer: Localizar, e neutralizar os gennins da Folha, antes que eles se encontrassem.

No momento, eles estavam espalhados em três diferentes grupos, perdidos no meio da nevasca. E eles tinham que matá-los, antes que se agrupassem em um grupo maior.

—Vamos...

Foi tudo o que El disse, antes de começar a se mover em direção à aqueles gennins diante dos seus olhos.

Caminhando em meio à nevasca, Neji foi o primeiro a notar que algo estava errado. Os seus olhos, orgulhosamente ostentando a linhagem sanguínea do clã Hyuuga, conseguiram avistar aqueles seis vultos se movendo em sua direção.

Ele ergueu o seu punho, em um sinal para que os seus companheiros parassem de caminhar.

—O que foi? – Lee, ao seu lado, era quem havia perguntado. Os olhos, assim como a expressão no rosto do rapaz de grossas sobrancelhas, estavam estranhamente tensos e cansados. Todos eles estavam cansados, na verdade- São...aquelas coisas de novo?

Neji balançou negativamente a cabeça, enquanto se virava para os rostos apreensivos de Tenten, Risa e Kabuto. O Hyuuga suspirou.

—Se preparem, nós temos...companhia...

A sua expressão só se agravou ainda mais, enquanto ele via aqueles seis vultos, finalmente surgirem por entre a nevasca intensa.

Neji sentiu os seus pelos se eriçarem, enquanto os seus músculos ficavam duros como pedra. Com um simples olhar, ele soube logo, que aquilo seria...complicado. Eles eram monstros. Tudo neles gritava: Corram. Corram o mais longe que puderem.

E, quando os seus olhos se fixaram nos olhos dourados da garota de pele negra da Vila da Nuvem, Neji se sentiu afundando neles. Aquela sensação...a sensação de estar se afogando em um oceano, mesmo estando na neve...só havia uma pessoa que deixava Neji daquele jeito. Naruto.

Ela era perigosa. Insanamente perigosa.

XxX

Noroeste. Quarenta Metros para a Morte.

Eles se esgueiraram suavemente em meio a nevasca, os seus pés, eram rápidos e silenciosos ao tocar na neve branca. Graças ao doujutsu de Hinata, eles conseguiam evitar se esbarrar com qualquer gennin curioso.

Mas, os seus olhos não conseguiam evitar olhar o caos que havia se instalado no portão principal. Haviam corpos caídos e ensanguentados no chão branco pela neve, e muitos outros ainda estavam caindo.

Seres humanos eram estranhos. Shinobis eram estranhos.

Quer dizer, era de se esperar que, com um inimigo em comum, eles dessem às mãos e se unissem para derrotá-lo, afinal, todos eles morreriam congelados ou devorados por aqueles cadáveres vagantes se, em cinco horas, não terminassem aquela tribulação.

Porém, Shinobis estavam longe de serem seres lógicos. Eles eram assassinos, então, por que pessoas que cresceram com as mãos manchadas de sangue, iam de repente pousar as kunais no chão, e se abraçariam para enfrentar um inimigo em comum?!

Era por essa razão, que Sasuke não acreditava que, algum dia, aquele mundo teria algo parecido com a paz. Não mesmo. Lobos devoram coelhos. Shinobis assassinam, destroem, traem e estupram. Era a natureza deles. E sempre seria assim.

Eles se agacharam atrás de uma rocha, enquanto assistiam alguns gennins se fatiando à alguns metros de si. Um silêncio invernal pairava sobre eles dois.

—É mesmo...- Sasuke resolveu quebrá-lo, enquanto os seus olhos ônix percorriam atentamente os arredores, e os seus sentidos estava mais aguçado – Eu já queria perguntar isso antes, mas...onde aquele loiro idiota está?

Hinata, com os seus orbes perolados averiguando cuidadosamente a área ao redor, levou alguns segundos para responder.

—Eu...não sei. Nós fomos emboscados por aqueles cadáveres. Ele ficou para trás, para ganhar tempo...-Ela suspirou, como se tentasse convencer a si mesma- Ele vai ficar bem. Ele sempre fica.

Sasuke apenas assentiu, enquanto analisava finalmente as feições no rosto de Hinata. Ele sentiu aquelas palavras saindo da sua boca:

—Você mudou.

Hinata olhou para ele de soslaio.

—O quê?

—Estou dizendo que...-Ele suspirou- Você mudou. Estás diferente, mais... confiante?!

Uma sombra de compreensão passou pelo rosto alvo de Hinata, ela suspirou.

—Sim, são naturais. E sim, eu mato você se tentar me tocar.

Sasuke franziu o cenho, confuso com o que ela havia dito.

—O quê?

—Meus seios. São naturais sim. –Os olhos ônix de Sasuke estavam franzidos em confusão. Hinata suspirou, parecendo incrivelmente séria- Sempre que algum garoto me elogia, normalmente eles querem me perguntar isso.

—Por que raios eu perguntaria isso para você?!

—Vai saber...você sempre foi bem quieto. –Ela deu de ombros, antes de sorrir de canto- Nunca gostei disso em você. Os quietos são os piores...

—Eu estava tentando puxar conversa...-ele suspirou- afinal, nós estamos caminhando juntos para a morte...

Uma sombra de compreensão passou pelo rosto de Hinata.

—Ahm... por que você não falou logo?

—Acho que nós nunca conversamos direito, não?

Os olhos de Hinata escureceram, enquanto flocos de neve continuavam acariciando a sua pele.

—Nós nunca conversamos? Acho que a tua memória está meio ruim...-Sasuke olhou para ela, curioso- Não sei se você lembra...mas as nossas mães eram amigas próximas, e frequentemente visitavam uma à outra. E quase sempre acabavam nos arrastando juntos...nós tínhamos o quê? Três, quatro anos? Enfim... e nós os dois sempre acabávamos brincando juntos. Eu ganhava sempre, e você sempre chorava no final, como uma menininha...

Sasuke franziu o cenho, tentando se lembrar, mas reparando novamente nas feições da Hyuuga, ele se lembrou vagamente, de sempre brincar com uma menina com traços semelhantes aos delas. Ela quase sempre acabava roubando os seus brinquedos, e ele corria chorando para os braços da sua mãe. Hinata era bem...maldosa com ele. Mas ele logo cerrou a sua mandíbula. Lembrar da sua mãe era...complicado e doloroso demais.

—Entendo...-foi tudo o que ele disse- Naquela época, você sorria bem mais....nós, sorriamos bem mais. Agora elas já não estão aqui. Estão mortas. Se foram para sempre...-Hinata apenas assentiu, com uma expressão dura no rosto. Sasuke suspirou- Agora que me lembro disso...você sempre me parecia...familiar na Academia. Mas, eu era bem quieto, e você era bem tímida...então, acho que acabamos perdendo o contato...

—Tímida, eu? Ahm, você está falando daquela época em que eu ficava quieta no meu canto? Não, eu não era tímida. Só achava vocês idiotas demais para manter uma conversa...

Sasuke olhou para ela, entediado.

—Francamente...mas você falava com o Naruto.

—Bom, ele era interessante.

—Acho que você era a única menina que não ficava pegando no meu pé...Você gostava dele. –Ele não parecia estar esperando uma confirmação, era um fato óbvio — Não, você ainda gosta dele, não?

Ela estreitou os seus olhos perolados.

—Desculpe? Isso não é da sua conta garotinho. Nós não somos assim tão próximos.

Ele relaxou os ombros.

—Sei disso. Mas...ele confia em você. E eu confio nele. Acho que...ele é o mais próximo que eu já tive de um melhor amigo. Então...eu queria entender o que ele via em você. –Ele continuava com aquela expressão indecifrável- E agora entendi. Além do mais, você também salvou a Sakura então... obrigado...

Ela apenas olhou para ele de um jeito estranho.

—Sabes, falando desse jeito...até parece que você gosta dela...

—Desculpe? Isso não é da sua conta garotinha. Nós não somos assim tão próximos.

Hinata sorriu de canto. Sasuke retribuiu, antes de suspirar ao ver que aqueles gennins já haviam se matado e manchado a neve de sangue.

—Vamos...

Eles se levantaram, e quando Sasuke percebeu, eles estavam diante do muro do lado Este. Vendo aquelas paredes de perto, ele finalmente viu o quanto eram enormes e grossas. E todo aquele gelo acumulado não ajudava.

Hinata, ao seu lado, franziu o cenho, quando os olhos ônix de Sasuke pousaram sobre si. Ela sorriu de canto.

—Não olhes assim para mim. Eu sou uma Hyuuga, lembras? Nos chamam de clã do Taijutsu elegante por um motivo...e não é por golpes destrutivos... não tenho um jutsu poderoso o suficiente para abrir um buraco nesse muro...

Sasuke apenas suspirou, antes de dar alguns passos em direção à aquele muro. Ele fechou os olhos por um instante, quando os abriu, eles estavam vermelhos como sangue, e com um padrão característico do Mangekyo Sharingan.

Susano.

Concentrando chakra no seu olho direito, ele mudou de forma, enquanto um esqueleto roxo gigantesco o envolvia. Hinata arregalou os olhos ao ver aquilo.

Sasuke trincou os dentes, enquanto sentia a sua cabeça rodar e os seus olhos doerem. Aqueles olhos consumiam muito chakra, além de o deixarem estranhamente exausto, física e mentalmente. Mas ele não reclamou, continuou se concentrando, até finalmente, conseguir materializar a parte superior completa do seu humanoide, e ele tinha uma besta entre as mãos.

O seu olho esquerdo sangrou, enquanto ele concentrava chamas negras na flecha no meio da besta. E, com um comando silencioso, ele soltou. A flecha provocou um barulho enorme quando se afundou naquela grossa parede, abrindo um buraco, e logo as chamas negras começaram a consumir aquela parede.

Sasuke caiu de joelhos, enquanto tossia compulsivamente. Hinata o ajudou a se levantar.

—Ei, garoto Uchiha...Tá tudo bem?

Ele assentiu, enquanto novamente, usava o seu olho esquerdo para extinguir as chamas naquele enorme buraco. E, sendo amparado por Hinata caminharam silenciosamente por aquele buraco enorme.

Logo que pisaram no enorme e congelado jardim daquele castelo, eles sentiram um arrepio atravessar as suas espinhas. Dentro era ainda mais frio do que lá fora. Eles arregalaram os olhos ao ver as paredes daquele enorme buraco pelo qual eles haviam entrado se fechando, como se estivessem se regenerando. E em poucos minutos, tinha se fechado completamente.

Hinata colocou Sasuke apoiado na parede, enquanto ele tentava normalizar a sua respiração. Depois de alguns longos segundos, ele se levantou novamente. Um silêncio sepulcral pairava sobre eles dois, enquanto caminhavam pelo enorme jardim congelado que havia no terreno diante daquele enorme castelo.

Hinata, com os seus orbes perolados averiguando cuidadosamente a área ao redor, logo suspirou:

—O que aconteceu com o Akamaru? –Ela sentiu o corpo de Sasuke travar, mas mesmo assim continuou- Eu só percebi isso agora. Eu não vi ele. E Kiba estava olhando de forma assustadora para você...

O rosto de Sasuke estava assustadoramente tenso. Hinata achou que ele seria evasivo, mas, apesar daquela expressão, ele realmente se pronunciou.

—Eu o matei. –A sua boca mal abria quando ele falava. Hinata arregalou os olhos- Nós estávamos feridos e sem mantimentos. E ele me pediu para matá-lo. Então, eu quebrei o seu pequeno pescoço, acendi uma fogueira, e deixei as chamas engolirem o seu frágil corpo. E logo depois, nos alimentei.

Hinata sentiu a sua cabeça rodar, e uma ânsia incrível de vômito, mas ela se segurou.

—Céus...Sei nem o que falar...- Ao ver a expressão clássica de culpa no rosto de Sasuke, ela suspirou profundamente- céus...deve ter sido difícil para o Kiba...e para você...

Sasuke apenas deu de ombros, ainda com aquela expressão. Eles voltaram as suas atenções para o hall daquele castelo. Os enormes portões estavam abertos, e mostravam um longo e lustroso corredor de mármore que se estendia até aonde as suas vistas alcançassem. Eles se entreolharam, era possível sentir a massiva energia que era emitida no coração daquele castelo.

Antes que os seus pés tocassem aquele local, Hinata e Sasuke sentiram os seus pelos se eriçarem. Eles sabiam o que aquilo significava. Lentamente, eles viraram os seus rostos para trás, tendo o vislumbre de um buraco surgindo no solo daquele jardim coberto de neve, enquanto um grande pedaço de rocha, brotava do solo, e eles arregalaram os olhos quando viram aquelas quatro figuras emergindo do solo.

Hinata sentiu os seus olhos escurecerem ao reconhecer o garoto ruivo e inexpressivo com o uniforme da Vila da Areia. Era Sabaku no Gaara. Os outros três, que trajavam respetivamente uniformes da Névoa, Nuvem e Pedra, no entanto, eram desconhecidos para os seus olhos.

Aquela pressão que ela sentia...como se de repente levar ar para os seus pulmões fosse difícil...uma coisa era óbvia, tão óbvia quanto o fato de os céus serem azuis e de a neve ser branca: Eles eram completos monstros. E eles estavam com problemas.

XxX

Norte. Cem Metros para a Morte.

Eles estavam escondidos por entre aqueles pedregulhos rochosos haviam mais de meia hora, e ela já estava entediada. Sakura sentiu uma estranha sensação se apossando do seu interior.

Tudo bem que ela estava machucada, e tudo bem que...as palavras de Hinata haviam a feito lacrimejar, como se tivesse cinco anos, mas ela não deixava de ser uma orgulhosa Kunoichi. Ela queria ser útil. Ela queria se sentir útil.

Então, apesar das advertências dos seus companheiros, ela se levantou, e se esgueirou por entre aquele amontoado de rochas cobertas de neve, até estar agachada na mais alta delas. E, sentindo aquele metálico cheiro de sangue invadindo as suas narinas, ela revirou a mochila nas suas costas, até achar aquela luneta infravermelha. Ela acoplou no seu olho direito.

Imediatamente, a sua visão aumentou exponencialmente. Ela conseguia ver aquele grupo de gennins se fatiando diante dos portões do castelo, mas aquilo era desinteressante para os seus olhos. Descendo os seus olhos, até bem abaixo da encosta daquela montanha, ela sentiu o seu sangue gelar e a sua boca ficar seca pelo que viu.

Ela teve um sobressalto quando sentiu uma mão pousando no seu ombro. Sakura relaxou a sua expressão ao ver que era Ino. Ela continuava com aquela sua expressão...quebrada e indecifrável, e os seus olhos verdes ainda estavam opacos, mas Sakura conseguia ver um pequeno ponto de luz nos seus olhos verde-água. Era algo bem singelo, mas era melhor do que o completo nada que ela aparentava nos últimos dias.

Sakura suspirou.

—O que você está fazendo aqui?

—Nada. –Foi tudo o que Ino sussurrou, antes de esticar os seus dedos e entrelaçar com os da única mão de Sakura- Estava com...medo.

Sakura franziu o cenho. Medo? E então, ela se lembrou que havia deixado Ino sozinha com Shino, Kiba e Shikamaru. Ela suspirou. Como ela pode se esquecer que Ino não conseguia ficar sozinha com garotos?! Mesmo que esse fossem seus amigos de infância, aparentemente. Ela estava tão quebrada....Parecia uma garotinha de quatro anos, assustada com monstros embaixo da cama...

Sakura forjou um pequeno sorriso.

—Me desculpe, porquinha. Não vai se repetir. -Ino apenas assentiu, ainda com aquela expressão. Sakura desmanchou o seu sorriso- E, respondendo a sua pergunta...acho que é melhor mostrar para você... -Ela desacoplou aquela luneta do seu olho, e entregou para Ino. – Olhe lá para baixo...

Sakura sentiu os músculos de Ino ficarem tensos, enquanto lágrimas se acumulavam nos seus olhos. Ela retirou a luneta rapidamente, enquanto tremia.

—É ele...-Ela estava chorando como uma criancinha de cinco anos- É ele Sakura...

Sakura a abraçou. Apertando o seu corpo contra o dela.

—Eu sei Ino...eu sei...

No meio da nevasca, há mais de oitocentos metros encosta abaixo, estava Kankuro, acompanhado de Temari e uma outra garota. Eles estavam lutando contra um trio da Vila da Cachoeira.

—Por que...-Ela continuava chorando, como se de repente se lembrasse da sensação de ser rasgada por dentro; da sensação de ser uma delicada flor, cujas pétalas haviam sido arrancadas. Uma por uma. — Por que...por que ele simplesmente não desaparece?!

Sakura passeou os seus dedos pelos fios loiros de Ino, cobertos de neve.

—Eu posso matá-lo...nós podemos matá-lo... –Ino levantou os seus olhos chorosos, ao ouvir Sakura falar aquilo- Só se você quiser, é claro...você quer?

Ino continuava chorando como uma criancinha, mas assentiu lentamente. Sakura sorriu, enquanto se afastava daquele abraço e retirava o seu arco das costas.

O que diferia um ser humano de um animal? Sua inteligência superior? Sua criatividade? Sua capacidade de nunca desistir, não importa as adversidades?

Bem, se alguém perguntasse isso para Sakura, há alguns anos atrás, ela provavelmente diria, sem pestanejar, que era a sua inteligência superior. Mas agora...nem tanto.

Depois de participar, e sobreviver por treze dias naquele inferno que era aquele exame, ela finalmente havia percebido qual era a verdadeira natureza dos seres humanos.

Se havia algo que, de facto, tornava os seres humanos superiores aos outros animais, era a sua incrível capacidade de serem cruéis. De odiarem. De guardarem rancor. No fundo, eram aqueles sentimentos que os impeliam a se mover.

Seres humanos são incrivelmente vingativos. Quando machucados, eles fazem os possíveis para devolver essa dor, em dobro, nem que isso leve a vida inteira. E, se tratando de Shinobis, isso se tornava uma espécie de verdade universal.

Todo o shinobi, convivia com a morte diariamente. Eles sempre estavam preparados para morrer, ou para matar. Por isso, mesmo quando estavam velhinhos e aposentados, eles nunca baixavam a guarda. Eles podiam estar em uma praia, relaxando suavemente em uma cadeira, tomando bebidas enquanto o sol banhava as suas peles, e ainda assim os seus sentidos estariam em extrema alerta.

Por que todos eles sabiam que, algum dia, alguém viria, e cobraria a sua dívida com a deusa da morte...pessoas que eles haviam traído, matado...ou estuprado...

A morte era como uma velha amiga.

Então, quando Sakura, escondida no meio da neve branca, captou aqueles gennins de Suna, lutando no meio da neve fria, ela sentiu aquele lado instintivo, meio primordial do ser humano, ser despertado.

Ela queria matá-los. Tanto que a sua única mão chegou a tremer. Principalmente, quando ela viu Ino tremendo ao avistar o rosto desfigurado de Sabaku no Kankuro.

Pelas lágrimas que passaram à deslizar pelo seu rosto, era óbvio que ela estava revivendo aquele terrível momento. O momento que a fazia acordar todas as noites, gritando assustada como uma criança.

Então, Sakura não sentiu absolutamente nada além de um enorme vazio, enquanto que, em um silêncio assustador, retirou o arco das suas costas, acoplou aquela sua luneta no olho direito, e encaixou uma flecha no meio do arco. Ela sabia que, com apenas o braço direito, ela não conseguiria disparar aquela flecha.

—Vamos fazer isso...nós duas...

Ino assentiu, enquanto se agachava ao lado da rosada. Sakura, com o arco firmemente preso à sua mão direita, apenas sorriu, enquanto via Ino puxar a corda com a flecha para trás.

—Escute bem...deixe a mira comigo. Só solte a corda quando eu disser...eu só tenho essa flecha, então, é melhor não falharmos.

Ino assentiu, em silêncio, enquanto as lágrimas frias ainda deslizavam pelo seu rosto.

Sakura apertou os seus olhos, enxergando em meio a neve, enquanto Kankuro, depois de matar aquele trio de gennins, conversava despreocupadamente com aquelas duas outras garotas.

Como se ele não fosse um completo filho da puta. Um filho da puta estuprador.

Ela sentiu a brisa gélida que acariciava o seu rosto. Sakura ajeitou a mira do arco.

—Ino...puxe mais um pouco a corda...-Ela sentiu ela puxando lentamente- Ok, pare. Agora, respire fundo, quando você for soltar o ar, solte a flecha também, suavemente.

A loira assentiu. Inalando o ar de forma profunda, e quando o soltou, vendo a sua respiração tomando a forma de uma fumaça branca, os seus dedos relaxaram à volta da flecha.

Com uma suavidade assustadora, elas viram aquela flecha deslizar suavemente pelo ar. Sakura sentiu um sorriso rasgar o seu rosto, aquilo ia...acertar.

E então, os seus olhos se arregalaram quando ela viu a neve branca ficar manchada de sangue. Mais sangue do que Sakura alguma vez havia visto na sua vida.

XxX

Norte. Novecentos Metros para a Morte.

Temari soltou um profundo suspiro, enquanto via o corpo daquele gennin da Cachoeira cair à seus pés, completamente fatiado por um dos seus jutsus de Fuuton. Ela sentiu os seus olhos escurecerem, mas ela achou que fosse pelo frio intenso que fazia.

—Você foi muito bem, imouto...

Virando o rosto, ela viu Kankuro e Maki emergirem por entre a nevasca branca. O uniforme de Kankuro estava completamente ensopado de sangue, e ele trazia uma kunai ensanguentada na sua mão direita.

Temari apenas assentiu, completamente tensa. Ela arregalou os olhos, quando Maki pegou a sua mão direita, onde tinha um pequeno corte.

—Você se feriu...

Quando ela olhou para si, os seus olhos castanhos a encaravam em repreensão. Ela sorriu de canto, meio nervosa.

—Eu sei. Mas vou ficar bem. Nem está doendo...

—Mesmo assim...-Maki remexeu na sua bolsa, até achar algumas bandagens, ela envolveu a mão direita de Temari. Sorriu no final- Você está como nova.

Foi impossível Temari não retribuir o sorriso.

—Obrigada...

—De nada...

Kankuro, que até então estava ocupado vasculhando nos bolsos daqueles três cadáveres deitados na neve, apenas olhava para Temari de forma inquisidora. Ele logo suspirou.

—Maki-chan...-Ele levantou ligeiramente a manga direita do seu uniforme, tinha uma filete de sangue na sua pele- Na verdade...eu me feri também...

Temari apenas segurou o riso, quando viu Maki revirando os olhos, antes de começar a caminhar em meio a neve, em direção à Kankuro, que apenas sorria daquele jeito esquisito. Quando ela estava na metade do caminho, no entanto, Temari viu Kankuro franzindo o cenho de forma estranha, ao mesmo tempo que ele ficava tenso, como se estivesse prestes a enfrentar um inimigo.

E então aquilo aconteceu. Eles ouviram um silvo agudo preencher o ar. Maki correu até Kankuro, se colocando diante do seu corpo, com uma expressão horrorizada.

O cheiro de sangue invadiu as suas narinas. Temari nunca havia visto tanto sangue.

Ela, de repente ficou surda. Seus ouvidos mal conseguiam captar aquilo que era dito por Kankuro, com um sorriso estranho no rosto.

Seus olhos estavam abertos, em choque, e só conseguiam enxergar a cena diante dos seus olhos.

O sangue diante dos seus olhos.

Maki estava completamente estirada, com uma flecha enterrada no pescoço; os seus fios longos e castanhos estavam espalhados na neve branca e fria, o vermelho do seu sangue pintava aquela neve imaculada, como se fosse uma pintura macabra.

Temari sentiu seus joelhos se afundarem na neve, com todo o cuidado do mundo, ela enfiou os seus dedos nos fios de cabelos castanhos e ensopados de sangue, e ergueu a sua cabeça.

Não conseguia falar nada. Sua boca estava completamente seca.

Os olhos amêndoas de Maki estavam abertos, enxergando o céu, e ela ainda mantinha aquele maldito sorriso nos lábios bem desenhados.

Morta. Ela estava morta.

Ela despertou para a realidade quando sentiu uma mão apertando o seu ombro. Só naquele momento ela sentiu o frio das lágrimas no seu rosto.

Ela reconheceu aquele rosto deformado.

—Ei, você está me ouvindo, imouto? Temos que ir. Agora.

Temari finalmente conseguiu formar umas poucas palavras. Sua voz saía engasgada, como um cachorro sufocando.

—Ela está morta...ela está morta...

Kankuro deu de ombros.

—Eu sei. E daí?

Temari arregalou os olhos, em choque. Como ele podia dizer aquilo depois de ela se sacrificar por ele?!

—Ela deu a vida por você...

E então, ela viu Kankuro esboçar um sorriso ainda maior.

—Não deu não. –Ele levantou a sua mão, mostrando uns finos fios de chakra que saíam dos seus dedos para o corpo de Maki – Eu movi o corpo dela. Você tinha que ver a sua expressão de surpresa. Ela mal sabia o que acontecia...

Temari sentiu a sua respiração falhar. Seu coração batia tão rápido que parecia que iria sair do seu peito. Com toda delicadeza do mundo, ela pousou a cabeça dela na neve, e se colocou em pé, ficando face à face com Kankuro.

A sua expressão era...Sinceramente, Kankuro nunca havia a visto tão...vazia.

—Deixa ver se eu entendi...você fez isso com ela?

—Bom...se com isso você está se referindo a colocá-la diante de uma flecha mortal, para me salvar...-Ele ainda continuava com aquele sorriso- Então sim. Eu fiz isso...Por que a pergunta? -Mas depois a sua feição se iluminou- Ah, sim...agora que me lembro, vocês duas viviam grudadas uma na outra...demasiado grudadas, para falar a verdade...pareciam até...

Os ombros dela baixaram, enquanto um longo suspiro saía dos seus lábios.

—Entendo...- Ela sorriu de canto, logo depois. Um arquear dos lábios, sem qualquer sentimento. — Eu....entendo...

Kankuro desfez a sua expressão, juntando as sobrancelhas em confusão. Ele sentiu, de repente, uma tremenda vontade de esfregar as suas mãos ao longo do corpo. Mas não o fez, apesar do frio tremendo que sentia, devido a brisa gélida que açoitava as suas costas por estarem na borda da encosta daquela montanha, com um desfiladeiro os encarando com um mar de rochas afiadas, centenas de metros abaixo.

—Você...entende?

Temari assentiu, sorrindo de forma estranha logo depois.

—Uhum, eu entendo. Você... sabia que ela nunca havia matado ninguém? –Temari não esperou uma resposta- Ela simplesmente era... gentil demais. Ela iria desistir do campo de batalha. Digo...depois desse exame...ela entraria para a divisão de selamento, e passaria os restantes dos seus dias, usando a sua incrível inteligência para ficar estudando selamentos, na divisão de inteligência da vila. –O seu sorriso aumentou- Então, ela ia franzir o cenho de uma forma engraçada sempre que ficasse com dúvida durante uma pesquisa, e ia virar noites inteiras pesquisando e decifrando selos, apenas para, no dia seguinte, ficar com um incrível mau-humor, mas aí...era só ela tomar um chá de camomila, seu favorito, que ela ficaria serena como uma gatinha...sim, ela iria...-mas depois o seu sorriso morreu- agora não vai mais, por que ela está morta. Por que você a matou. Por isso, eu finalmente entendo...

Os olhos de Kankuro ficaram repentinamente frios.

— Por que você está me dizendo isso...?

Temari aumentou o seu sorriso, antes de se aproximar de Kankuro, e o surpreender com um abraço. Ela envolveu os seus braços ao redor do seu corpo.

—Estou te contando isso...por que eu finalmente entendo o que você me disse naquele dia, antes de você estuprar aquela garota de Konoha...Me lembre mesmo...O que é que nós fazemos com aqueles que machucam alguém que amamos?

Meio timidamente, Kankuro retribuiu o abraço, aspirando o cheiro de baunilha que era emanado nos fios loiros da sua irmãzinha. Aquele cheiro o levava de volta para a infância, quando Temari ficava horas chorando por causa da sua falecida mãe. Ele sempre a consolava daquele jeito.

—Bom...nós os quebramos, querida irmãzinha. Nós os quebramos...

Ainda colada ao corpo de Kankuro, Temari inspirou o ar, profundamente, como se aproveitasse o calor reconfortante do seu irmão mais velho naquela noite gélida.

Os seres humanos sempre se apegavam às memórias que tinham das pessoas por que, ao contrário da realidade, as memórias não mudavam.

Kankuro havia mudado, desde o momento que Uzumaki Naruto havia acertado aquela joelhada nele. O irmão gentil que sempre a abraçava enquanto ela ficava chorando, não existia mais. No seu lugar, havia...alguém danificado. Quebrado. Impossível de concertar.

Kankuro estava se afogando, e cedo ou tarde, ele puxaria todo mundo com ele. E Temari finalmente havia percebido aquilo.

Temari se afastou daquele abraço, e sorriu para ele, com os olhos verdes estranhamente marejados.

—Sim, nós os quebramos, Aniki...me desculpe...

Foi tudo o que Temari disse, antes de, gentilmente colocar a sua mão no peito de Kankuro, e empurrá-lo para o mar de rochas, centenas de metros abaixo.

Os olhos de Kankuro estavam abertos, em choque, enquanto o seu corpo caía para o enorme abismo negro que havia nas suas costas.

Ele conseguiu ver os lábios de Temari se movendo, sussurrando um ‟te amo, anikiˮ, enquanto inúmeras lágrimas escorriam pelo seu rosto.

Kankuro esboçou um sorriso. Ele também amava a sua irmãzinha. Foi seu último pensamento, antes de inúmeras estacas de gelo atravessarem o seu corpo.

Ele estava morto.

Temari passou o dorso da sua mão no rosto, tentando enxugar o fluxo de lágrimas.

Ela havia o salvado. Sim, ela havia o salvado dele mesmo.

Ela repetia aquilo para si, como uma espécie de mantra, naquela noite fria e cruel.

XxX

Sul. Sete Quilômetros para a Morte.

Os olhos azuis-escuros de Naruto se dilataram, enquanto ele encarava firmemente aqueles seis shinobis diante dos seus olhos. A sua expressão era afiada, como de uma raposa, e os dedos da sua mão direita estavam ao redor do cabo da Muramasa, firmemente presa na sua cintura.

—Haku...-Foi tudo o que escapou dos seus lábios, em uma voz completamente inexpressiva — que agradável surpresa...

—Pois é... — Os ombros do garoto do clã Yuki estavam relaxados, e um sorriso estranho pintava os seus lábios. – Eu gostaria de dizer o mesmo, mas infelizmente...

Os seus olhos se desviaram levemente para os outros cinco shinobis ao lado de Haku. Naruto reconheceu o garoto de cabelos brancos e dentes serrilhados como Suigetsu, e o outro, com olhos assustados e tímidos escondidos sob um par de óculos, era Choujuro. Havia um garoto loiro e franzino, também da Névoa, que Naruto não conhecia. Os outros dois gennins, eram loiros e tinham grossos músculos escondidos sob o uniforme branco da Vila da Nuvem. Pelas feições extremamente semelhantes, eram gémeos, provavelmente.

Naruto viu Haku suspirar, enquanto Suigetsu e Choujuro davam um passo em frente, ao mesmo tempo que sacavam suas katanas. Não eram as espadas lendárias da névoa, obviamente –afinal, eles não podiam trazer armas para o exame- mas, mesmo assim, eram duas katanas...belas e afiadas.

Naruto conteve um suspiro de irritação. Toda aquela situação era, no mínimo, frustrante. Logo depois dele se livrar daqueles vagantes que estavam o perseguindo, Naruto passou as seguintes horas simplesmente correndo em meio a neve, tentando alcançar os seus companheiros.

Porém, quando ele estava à meros quilômetros deles, Naruto ficou bastante surpreso ao ser surpreendido por uma emboscada, e o pior era que, Haku, aparentemente estava no comando. Tendo, inclusive, se aliado com a Nuvem. Algo que, sinceramente, não fazia o menor sentido. Tinha algo de errado. E aquele brilho estranho nos olhos escuros de Haku só confirmavam aquilo.

—Haku-chan...-Suigetsu falou, com aquele costumeiro sorriso irritante no rosto- Acho que, seis contra um, é um exagero...eu e o Chojuro conseguimos dar conta desse cara...

Haku apenas assentiu, com uma expressão indecifrável. O outro garoto da Névoa, e os dois gennins da Nuvem continuaram o encarando com aquelas expressões indiferentes.

—Entendo...- Naruto, muito lentamente, deslizou a Muramasa para fora da sua bainha, enquanto os seus olhos escureciam ainda mais- Podem vir...

Enquanto aquela neve branca os cobria, eles continuaram se encarando fixamente, com os músculos tensos e os olhos afiados, prontos a se moverem ao menor sinal de ataque.

Os olhos de Naruto observaram enquanto um singelo e simples floco de neve branca, caía lentamente do céu, sendo arrastado pela brisa gélida e invernal. E, quando aquele floco beijou o chão esbranquiçado, Suigetsu atacou.

Em um piscar de olhos, ele estava à centímetros de si, sorrindo de forma estranha.

Dando um leve salto para trás, Naruto evitou que àquela lâmina prateada se afundasse no seu abdómen. Os seus pés se arrepiaram logo que tocaram na neve.

Atrás.

Concentrando chakra nas solas, Naruto saltou sobre a cabeça de Choujuro, que tentava apunhalá-lo pelas costas.

Naruto balançou o seu braço, movendo a sua lâmina para as costas desprotegidas do gennin da Névoa, mas ele logo desistiu, sentindo os seus pelos se eriçarem. Naruto deu uma sequência de saltos para trás, evitando as balas de água que eram disparadas pelos dedos de Suigetsu.

Naruto suspirou. Tal como ele imaginava, eles eram fortes, e tinham um bom trabalho de equipe. Ele estalou o seu pescoço, enquanto os encarava afiadamente, há alguns metros de si.

Ele já havia se aquecido o suficiente. Imediatamente, a sua aura mudou. Se, antes ele passava à sensação de um riacho calmo, com a água deslizando suavemente por entre as rochas, ele agora parecia um grande e assustador oceano, com ondas enormes e gélidas capazes de engolir uma ilha inteira.

Naruto viu eles suarem entre a nevasca, e, em um piscar de olhos, ele estava atrás deles.

Suigetsu arregalou os olhos, mas antes que os seus dedos à volta do cabo da sua katana sequer se movessem, Naruto enterrou o seu pé, violentamente, nas suas costas, o enviando como um projétil, há umas dezenas de metro na neve.

Choujuro girou sobre o próprio calcanhar, enquanto movia a sua lâmina. Naruto via aquela katana se aproximando, como se fosse em câmera lenta. Ele colocou o fio da Muramasa contra a katana que tentava perfurá-lo.

Os seus pés afundaram na neve, enquanto empurravam às lâminas um contra o outro, como se medissem forças. Os seus olhos estavam fixos um no outro. Azuis contra negros.

Naruto tinha que admitir que Choujuro tinha um olhar determinado, mas...diferente dos seus olhos, ele não possuía aquele brilho insano, quase louco.

Ele afastou a Muramasa, apenas para movê-la novamente, e Choujuro defendeu de novo. E de novo. E de novo.

Fagulhas incandescentes acendiam por entre a nevasca à cada embater de espadas, à uma velocidade assustadora. A cada golpe trocado, Choujuro sentia os músculos dos seus braços ficarem cada vez mais doloridos e cansados, enquanto a lâmina da sua espada ficava cada vez mais quebrada, mas...Naruto continuava olhando daquele jeito para ele. Olhos fixos e insanos. Era assustador...

Choujuro observou, pelo canto dos olhos, Suigetsu correndo velozmente em sua direção, com a katana balançando ao lado do corpo. Ele estava vindo pelo ponto cego de Naruto. Pelas costas. Ele não conseguiria ver aquele ataque...

Mas ele viu.

Surpreendendo Choujuro, Naruto fez uma finta com a sua katana, fingindo que ia cortá-lo no abdómen, mas no último instante, com um movimento rápido das mãos, ele virou a espada, acertando a ponta do cabo no abdómen de Choujuro.

Ele gemeu de dor, e naqueles breves segundos de choque, Naruto afundou a Muramasa na neve, realizando selos em uma velocidade assustadora.

Suigetsu estava à meros centímetros das suas costas, e mesmo que o visse realizando aqueles selos, não conseguiria parar de mover o seu corpo.

Quando terminou, Naruto estendeu cada uma das mãos em direção à Choujuro e Suigetsu.

Raiton – Kanden. (Elemento Relâmpago – Eletrocussão).

Os seus braços ficaram crepitando de eletricidade, e em um piscar de olhos, dois feixes tinham acertado Choujuro e Suigetsu, eles sentiram os seus corpos crepitarem, enquanto a eletricidade era conduzida pelos seus músculos.

Eles sentiram os seus joelhos se afundarem na neve.

Choujuro arregalou os olhos quando viu Naruto diante de si. Os joelhos flexionados, e a mão no cabo daquela lâmina negra e amaldiçoada, e os seus olhos...ele nunca havia visto olhos tão frios.

—Morra...

Ele viu Naruto movendo aquela lâmina com uma lentidão torturante em direção ao seu pescoço. Pelo canto do olho, ele via aqueles dois gennins da Nuvem se movendo sorrateiramente para as costas do loiro, enquanto executavam selos de um jutsu, mas ele sabia que, não importava o quão rápido aqueles dois fossem, eles nunca chegariam à tempo de impedir que aquela lâmina se afundasse no seu pescoço.

Mas aquilo aconteceu. Haku surgiu nas costas do loiro, com uma Zambatou feita inteiramente de gelo.

—Já chega disso...

E então, com o balançar daquela enorme lâmina de gelo nos seus dedos, a neve branca foi manchada com sangue. Muito sangue.

Notas finais
Vou ser sincero, esse capítulo fluiu como água pelos meus dedos. Sei que nem todos gostam de capítulos enormes, me desculpem. Eu reduzi bastante coisas. Estava com 16 mil kkk. Mas mesmo assim eu queria abordar muitas outras coisas... Acho que não vou conseguir terminar esse exame em um só capítulo kkk. Tem tanta luta que eu estou ficando maluco. O que vocês acham? Um único capítulo com 15-20 mil palavras, ou divido em dois de 6-7 mil?? Falando desse capítulo, acho que é o que mais apareceram personagens. Uns 20 kkk. A minha cabeça rachou, tentando lembrar a personalidade de cada um deles kkk. Espero que tenha ficado bom! Qualquer erro, me dêem um toque! Comentem galera, comentem. E... Caros fantasmas, podem sair do armário! Não há preconceituosos aqui. Não acreditem no que a minha ex diz, eu não mordo não... Não Muito... Se cuidem garotinhos e garotinhas! O Pureton ama vocês!