Gênesis
49 Chuunin Chiken - MORTE - Ignis.
Notas iniciais
(Uma faca no meu coração, não poderia me atrasar
Poder é poder, minhas chamas nunca se apagam
Eu ascendo das minhas cicatrizes, nada me fere agora
Poder é poder
Agora veja-me incendiar tudo. Agora veja-me incendiar tudo)
~X~
Power Is Power — SZA, The Weeknd & Travis Scott.
XxXxXxX
Sul. Dois Quilômetros para a Morte. Quatro horas para a meia-noite.
Sangue, muito sangue explodiu diante dos seus olhos, manchando a neve branca.
Os corpos desmembrados daqueles dois gennins da Nuvem, estavam espalhados pela neve, mortos. Mortos pela Zambatou de gelo nas mãos de Haku.
Os olhos de Naruto se estreitaram, quando o rapaz do clã Yuki se virou em sua direção.
O seu uniforme azul-marinho, estava completamente vermelho, e os seus olhos, negros e opacos, estavam fixos em si.
Naruto, que estava à centímetros de decapitar Choujuro, afastou a lâmina da pele da sua garganta, e lentamente, embainhou a katana negra, enquanto um suspiro profundo escapava dos seus lábios.
—Isso foi...inesperado -Foi tudo o que escapou dos seus lábios, enquanto ele encarava Haku – Você pode me explicar, o que diabos está acontecendo?
Choujuro soltou um profundo suspiro de alívio, enquanto Suigetsu e o outro rapaz da Névoa surgiam diante dos seus olhos.
—Estou surpreso — O rapaz de dentes serrilhados apenas sorria, enquanto espalmava a sua mão no seu uniforme, se livrando da neve. – Você é...mais forte do que eu imaginei.
Naruto apenas acenou lentamente a cabeça, antes de olhar novamente para Haku, que continuava com aquela expressão indecifrável. Haku entendeu a pergunta nos olhos azuis de Naruto.
—É uma longa história....
—Resuma.
—A Névoa está com a Folha.
XxX
Norte. Vinte Metros para a Morte. Quatro horas para a meia-noite.
Akane sempre estava com sono, e aquela brisa gélida só piorava aquilo. Seus olhos, dourados como faróis, observavam lentamente a neve branca caindo dos céus.
Ela era como a neve: Bela, fria e trazia consigo uma morte lenta para todas as coisas.
Seus olhos, vazios como de um peixe morto, vaguearam por aquele gigantesco jardim congelado. Ela, assim como Gaara, Kurotushi e Kei, estavam encarando aqueles dois gennins da Folha.
Os lábios de Kei se moviam, como de costume –provavelmente com uma de suas costumeiras piadas sem graça- e Akane, como sempre, não prestava atenção em nada do que ele dizia. Ela só queria dormir.
Por que a sua irmã havia insistido em inscrevê-la naquele exame?
‟Vai ser ótimo para você. Você vai conhecer gente legal da sua idade. Quem sabe você se apaixone por um gatinho?!ˮ Mei disse, com aquele sorriso enorme de sempre. E, como sempre, Akane não conseguia dizer não para a sua irmã.
Ela piscou os cílios, de repente um pouco desperta, quando viu aquela garota de olhos perolados fazendo alguns selos de mão. Akane cerrou a mandíbula.
Onde estava o idiota do Haku? Se ele demorasse muito, ela seria obrigada a agir antes do tempo.
Katon – Dai Haisekishou. (Grande campo de cinzas flamejantes).
Ela interrompeu os seus pensamentos, quando viu a menina do clã Hyuuga realizando selos, e logo em seguida exalar uma gigantesca nuvem de cinzas, que cobriram completamente aquele jardim congelado pela neve.
Akane colocou os braços diante do rosto, sentindo a sua pele formigar pelo calor intenso.
A menina Hyuuga e o seu companheiro, saltaram para trás, enquanto ela trincava os dentes. Imediatamente uma fagulha atravessou as cinzas, acendendo as centelhas.
Antes que Akane sequer se incomodasse em realizar algum jutsu, ela viu Gaara e Kurotsuchi levantarem uma cúpula de pedras e areia ao redor deles, os protegendo da explosão.
As cinzas ainda cobriam o local, se misturando com a neve, quando a gigantesca cúpula de pedras e areia se desmanchou.
Akane viu os rostos tensionados daqueles dois, quando o som de palmas atravessou aquele jardim.
Ela cerrou a mandíbula, enquanto começava a caminhar na neve. Kei, caminhando, lentamente ao seu lado, estava batendo palmas de maneira teatral. Ela odiava aquele garoto, e a sua voz era pior ainda.
—Esplêndido, esplêndido. Mas...
Os pelos de Akane se eriçaram, e uma corrente elétrica atravessou cada fibra do seu corpo, quando ela viu os músculos de Kei ficaram tensos, como uma águia se preparando antes de cravar as garras afiadas em uma presa. E em um piscar de olhos, Kei apareceu atrás da menina Hyuuga, com uma kunai em mãos.
Por um motivo estranho, a menina de olhos perolados pareceu levar alguns milésimos para perceber que tinha alguém atrás de si, e os olhos dela logo se alargaram em choque.
O companheiro dela via aquela kunai se aproximando lentamente das costas dela. Um grito silencioso pareceu se perder na garganta dele.
Akane sabia que o Uchiha não chegaria à tempo.
Imediatamente, suas mãos foram para o cabo da sua katana. Ela precisava agir.
Antes que aquela kunai se afundasse na carne da Hyuuga, e a deixasse se esvaindo em sangue, Kira Kei deu um salto para trás, desviando de uma lâmina que iria cortá-lo ao meio.
Em um piscar de olhos, ele estava novamente ao lado de Gaara e Kurotsuchi. O rapaz da Nuvem olhou de forma afiada para Akane, que havia salvado Hinata.
—Akane-chan...-A sua voz não passava de um sussurro, mas deixava um rastro no ar, como eletricidade- O que isso significa?
—Não é óbvio, Kei?
—Entendo...-Um sorriso estranho ocupou os lábios de Kei, enquanto seus olhos incrivelmente cinzas escureciam, como nuvens carregadas antes de uma tempestade — Ouça, depois disso, não tem mais volta. Sem perdão. Eu irei matar você.
Akane apenas deu de ombros, como se não se importasse.
Hinata franziu o cenho para aquela menina da Névoa, simplesmente parada ao seu lado, com uma expressão entediada.
—Etto...por que você me salvou?
Ela olhou para Hinata como se ela fosse louca.
—Não me diga que o Hokage não falou para vocês? –Ela não esperou uma resposta- Bom, tanto faz. Vocês não se perguntaram, sequer, o porquê de nenhum gennin da Névoa ter atacado vocês?
Sasuke, que havia se aproximado com passos cautelosos, juntou as sobrancelhas de forma pensativa. Realmente, ao longo daqueles catorze dias, eles mal haviam sido atacados por gennins da Névoa. O que só podia significar uma coisa...
—Entendo. Obrigada. -Foi tudo o que Hinata sussurrou, ainda olhando para ela de forma estranha- Apesar de que, eu realmente não precisava de ajuda...
Akane olhou para a menina Hyuuga de forma confusa, até ver ela girando uma kunai entre os dedos. Então ela entendeu. Juntando as sobrancelhas de forma concentrada, Akane se virou para o rapaz de olhos ônix que a encarava de forma intensa.
—Então, qual é o seu objetivo? –Ele olhou para ela de forma inquisidora- Nós podemos ser...aliados. Mas eu não acho que vocês simplesmente vão ficar assistindo, enquanto a Folha leva a glória...
—Obviamente. Essa aliança é só para reduzir as probabilidades de outras vilas vencerem. Não se enganem. –Os seus orbes dourados acenderam por entre a neve branca- Quando todos eles estiverem queimando, no chão...me pergunto se alguns de vocês ainda estarão em pé...
Os olhos ônix daquele garoto a fitaram intensamente, como duas poças negras. Era um pouco assustador. Mas Akane apenas segurou uma risada, enquanto desviava os seus olhos para o trio diante dos seus olhos.
Ela adorava coisas assustadoras.
XxX
Norte. Cem Metros para a Morte. Quatro Horas para a Meia-noite.
Quando Sakura viu aquela flecha deslizando suavemente pelo ar, um enorme sorriso atravessou os seus lábios. Ela sabia que aquilo ia acertar.
Porém, os seus olhos se arregalaram quando ela viu aquela outra garota se colocando diante de Kankuro. A flecha penetrou à sua carne, se afundando profundamente no seu pescoço.
Ela estalou a língua. Aquele filho da puta era incrivelmente sortudo.
—Nós...acertamos?
Ela desviou os seus olhos para Ino, que olhava para ela de forma apreensiva. Sakura era a única que estava com uma luneta nos olhos, então a loira não conseguia ver aquela cena deprimente. Uma garota qualquer. Morta no meio da neve.
Sakura balançou a cabeça negativamente, e quando explicou aquela cena para Ino, ela a sentiu travando completamente, com os olhos verdes abertos em completo choque.
—Eu...eu matei alguém inocente...
—Ninguém. –Sakura sussurrou, enquanto guardava o seu arco de volta nas suas costas, e encarava aquela Ino perplexa- Absolutamente ninguém que está nessa merda de arena, é inocente. Vamos descer.
Ela deu a sua única mão para uma perplexa Ino, e enquanto a arrastava de volta para o local onde os seus companheiros estavam, Sakura travou completamente, quando deu uma última olhada para o caos diante do portal principal daquele castelo.
Ela voltou à realidade quando sentiu os dedos de Ino quase esmagarem a sua mão pela pressão.
—O que aconteceu?
Sakura tentou abrir a boca, mas nenhum som saía. Como...como ela poderia colocar aquele banho de sangue desenfreado em forma de palavras?
XxX
Sul. Dois quilômetros para a Morte. Três Horas para a Meia-noite.
Haku detestava a neve. Podia ser meio contraditório, tendo em conta que ele era um usuário de Hyouton, mas aqueles flocos brancos e gélidos, caindo do céu, o deixavam entorpecido, exatamente como naquele dia.
O dia em que o seu pai, gargalhando insanamente, enterrou uma lança no estômago da sua mãe, manchando aquele tapete branco no meio da sala com um vermelho-vivo, enquanto a neve branca caía lá fora. E Haku apenas ficou observando, estático. Imóvel. Entorpecido.
Ele soltou um pequeno suspiro, enquanto flashes daquele dia piscavam na sua mente. Ele não podia pensar naquilo, não naquele momento. Tinha que se manter focado na sua missão.
Ele tinha que vencer aquele exame. Por Kiri. Pela Mizukage, por si e sobretudo, porque ele havia prometido para ela. Natsu... ele se perguntava o que ela andava fazendo naquele momento...
Será que ela estava assistindo? Provavelmente sim. Ele quase conseguia imaginá-la encolhida no sofá, tremendo de frio sob aquela manta azul, enquanto os seus olhos âmbares encaravam fixamente aquela velha TV que tinham naquele minúsculo apartamento, ao mesmo tempo que ela, provavelmente, ficaria mordendo os seus lábios de preocupação...ela ficava linda quando estava preocupada...
—Você está com saudades dela, não? — Haku quase teve um sobressalto, mas não parou de correr, assim como fazia há horas. Ele virou, minimamente o seu olhar, vendo Naruto, que corria ao seu lado, olhando-o fixamente com aqueles olhos escuros e frios. O Uzumaki continuou — Eu também estou com saudades da minha...
Haku franziu o cenho, parecendo chocado. Naruto...tinha uma namorada?!
—Sério?
Naruto assentiu lentamente, ainda com aquela expressão indecifrável no rosto. Haku soltou um suspiro, aquilo era realmente surpreendente.
—Pois é...eu sinto falta dela. Da Natsu. –Haku falou- Como...como a sua namorada se chama?
Naruto franziu o cenho.
—Natsu? Namorada? Do que você está falando?
—Ahm, do que você está falando? Nós estamos falando de garotas, não?
Naruto juntou as sobrancelhas de forma confusa, antes de apontar para a enorme zambatou de gelo, nas costas de Haku.
—Eu estava falando da sua espada. A Kubikiriboucho... Você fez uma cópia dela de gelo. Eu perguntei se você sentia falta dela, assim como eu estou sentindo falta da Raijin no ken...
Haku apenas suspirou, enquanto um pequeno rubor acendia na sua pele pálida.
— Ah...desculpe. Achei que você também...gostasse de alguém, Uzumaki.
—Não.
Haku estreitou os seus olhos, quando viu os olhos azuis dele escureceram ainda mais, enquanto a sua mandíbula ficava estranhamente tensa.
Mas Haku logo desviou os seus olhos para trás, vendo Suigetsu, Choujuro e Yuriko correndo velozmente na retaguarda, enquanto ele e Naruto estavam alguns metros à frente.
—Vamos reduzir um pouco a velocidade, Uzumaki. Eles não estão conseguindo acompanhar...
Naruto apenas assentiu, inexpressivo como uma tela em branco. Haku sabia que ele queria perguntar algo para ele.
—O que foi?
Naruto suspirou:
—Você ainda não me explicou o motivo dessa aliança...
—Eu já te disse. É para eliminarmos a concorrência, quando só as nossas vilas restarem, o acordo chega ao fim.
—Não é isso. Por que a Folha se aliaria a vocês? Isso é muito estranho. Eles têm a mim. Por que precisariam de vocês?
Haku abriu a boca, prestes a falar, mas ele logo desistiu. Aquele exame estava sendo filmado, e transmitido em todo o continente Shinobi. Haviam certas coisas que não podiam ser ditas, e a verdadeira razão daquela união, era uma dessas coisas...ainda mais, tendo em conta aquilo que estava prestes a acontecer, quando aquele exame terminasse...
Então, ele apenas deu um de seus costumeiros sorrisos fracos.
—Quem sabe...quem sabe...
Naruto olhou para ele, parecendo irritado, mas não comentou mais nada. Ele reduziu a sua velocidade, até aqueles três finalmente os alcançarem.
—Ainda falta muito? -Suigetsu logo perguntou, parecendo irritado- Eu detesto o frio.
—Não. Em cinco minutos, nós chegaremos. –Naruto olhou para ele de forma inquisidora- Está tudo bem com o seu corpo? Espero que eu não tenha batido muito forte.
Era para ele ficar irritado, mas Suigetsu apenas sorriu, exibindo os seus dentes serrilhados, como de um tubarão.
Quando eles acharam Naruto, Haku queria simplesmente matar os gennins da Nuvem, e conversar com Naruto, mas Suigetsu e Choujuro viviam insistindo que queriam ver o quão forte Naruto era, então, Haku os deixou lutarem contra ele. E obviamente, aquilo havia ido longe demais. Choujuro quase chorou de alegria quando Haku o salvou, ou nesse momento ele estaria...
—Nem está doendo. Na próxima, eu vou vencer.
Naruto apenas sorriu de uma forma estranha, antes de se virar para o rapaz que corria silenciosamente ao seu lado.
—Etto...e quem seria você?
O rapaz não falou nada, apenas continuou correndo em silêncio.
—Ah, é o Yuriko, mas eu o chamo de cabeça de limão –Suigetsu falou, ignorando o olhar assassino do garoto loiro e quieto – Ele não fala muito, a não ser que você fale da irmã dele. Ela tem uma bunda...céus...
—Lave essa sua boca suja antes de falar da Furiko, seu pedaço de merda.
Suigetsu apenas aumentou o seu sorriso, antes de voltar a tecer alguns comentários sobre Furiko, e Yuriko apenas o ofendia novamente, enquanto Choujuro tentava acalmá-los.
Naruto olhou para Haku de forma inquisidora, e Haku apenas suspirou, como se aquilo fosse extremamente comum.
Ele tinha companheiros...estranhos.
Alguns minutos depois, tal como Naruto havia previsto, eles finalmente avistaram a gigantesca construção de gelo na encosta daquela montanha. Naruto segurou um sorriso, quando sentiu os chakras de Sakura, Ino, Shikamaru, Kiba e Shino nos arredores; mas o sorriso morreu, quando ele finalmente sentiu o que acontecia no interior do castelo. Hinata, Sasuke e Akane, cercados por aqueles três chakras familiares... Ele apertou o passo.
Por mais que ele quisesse ver os seus outros companheiros, Naruto sabia que a situação dentro do castelo era prioridade. Ele, Haku, Suigetsu, Choujuro e Yuriko, se moviam rápida e cautelosamente por entre a nevasca branca.
Mas Naruto sentiu o seu sangue ficar espesso como gelo, quando os seus olhos afiados viram o banho de sangue diante daqueles pesados portões. A grande maioria dos gennins haviam parado de fatiar uns aos outros, e pareciam bastante ocupados enfrentando dois outros gennins, simplesmente parados diante dos portões...Naruto arregalou os olhos. Não podia ser. ..
Aquele gennin da Pedra, que dançava lindamente ao redor daqueles gennins, os cortando rapidamente...era...Satsu. E aquilo era impossível. Naruto havia o fatiado ao meio, com a Muramasa.
Há menos que fosse...um daqueles vagantes. Não, não era. Ele aparentava estar meio consciente, os seus movimentos eram calculados, e os seus olhos, ao invés de estarem azuis, eram...completamente negros...aquilo era...
Edo Tensei, sem dúvida alguma.
Naruto era discípulo de Tobirama. Ele conhecia aquele Kinjutsu melhor do que ninguém.
Naruto voltou à realidade quando sentiu os dedos de Haku no seu ombro, ele parecia mais pálido do que ele.
—Eu matei ele. –Haku sussurrou, enquanto apontava para o garoto da Vila da Fechadura, que estava dilacerando gennins junto de Satsu- Eu me lembro disso, por que esse monstro quase me matou. Eu tenho certeza que matei ele. Então...como ele está vivo?!
Aquele gennin da Fechadura estava retalhando corpos em uma velocidade assustadora, Naruto conseguia entender o porquê de Haku ter tido dificuldades contra ele, ele sabia manejar uma katana com maestria.
Haku arregalou os olhos quando uma outra menina, também com o uniforme da Fechadura, começou a cruzar a sua katana contra a dele. Ela era...rápida e ágil, e pelo trilho de lágrimas que ela tinha escorrendo pelos olhos, provavelmente o conhecia...
Haku se sentiu mal. Mas se ele não o tivesse assassinado, ele provavelmente o teria matado, sem dúvidas alguma.
Naruto afiou os olhos. Então, além daqueles cadáveres vagantes, eles agora estavam revivendo gennins poderosos com o Edo-Tensei?! Apesar de que, aparentemente, eles pareciam estar protegendo o castelo. Como se fossem...os generais daquele que carrega a coroa da Morte.
Naruto cerrou a sua mandíbula. Eles não podiam perder tempo.
—Não se preocupe com isso, Haku. Apenas...vamos continuar.
Haku assentiu, antes de eles continuarem se esgueirando entre a nevasca. Quando eles chegaram no muro Este, eles arregalaram os olhos.
—Como vamos penetrar essa fortaleza?!
Diante da pergunta de Suigetsu, Naruto apenas fechou os olhos. Ele sentia claramente, o chakra de Hinata e Sasuke no seu interior, assim como aquele chakra gigantesco e gélido...Era ele, sem dúvidas.
Naruto sacou uma Kunai do seu coldre, e com maestria, a arremessou sobre os gigantescos, muros daquela fortaleza.
—Toquem em mim...-eles olharam para Naruto como se ele fosse louco- Só...toquem logo.
Haku suspirou, antes de colocar a mão no seu ombro. Suigetsu, Choujuro e Yuriko fizeram o mesmo depois. E, como se fosse um truque de mágica, Naruto desapareceu em um flash de luz.
Hiraishin no Jutsu.
Quando eles, enfim, respiraram o ar gélido do enorme jardim daquele castelo, Naruto arregalou os olhos pela visão que teve.
XxX
Norte. Vinte Metros para a Morte. Três horas para a meia-noite.
—Doton- Doryuundan no jutsu.
Quando aquele enorme, e serpenteante dragão de terra saltou em sua direção, com a boca arregaçada em um sorriso afiado, Hinata girou o próprio corpo, enquanto expelia chakra pelos seus poros.
—Hakkeshou Kaiten.
O enorme dragão de terra foi triturado, quando embateu naquela redoma de chakra azulado. Hinata viu Kurotsuchi realizando outros rápidos selos de mão.
Ela não podia deixá-la terminar.
Em um piscar de olhos, Hinata estava agachada diante da garota da Vila da Pedra, com a palma da mão à centímetros de acertá-la no peito. Kurotsuchi parou de executar os selos e deu um pequeno salto para trás, mas ela arregalou os olhos quando sentiu Hinata atrás de si.
Hakke Kuushou. (Palma de Ar).
A esfera de vácuo concentrada na mão de Hinata, explodiu, acertando um poderoso jato de pressão nas costas de Kurotsuchi. O corpo dela atravessou aquele extenso jardim como uma bala, quicando repetidas vezes no chão de neve. Hinata sentia a sua mão ligeiramente dolorida. Ela teve a impressão de acertar uma parede de concreto, ao invés de um corpo de carne e osso.
Ela passeou os olhos por aquele enorme jardim congelado. Ela via, ao longe, Akane desviando graciosa e velozmente das ondas de areia de Gaara, enquanto a mão dela pendia no cabo da sua katana, como se perguntasse se devia ou não desembainhá-la.
Sasuke, no entanto, continuava exalando jutsus de fogo, um atrás do outro, enquanto Kei apenas desviava.
Hinata inspirou o ar profundamente, sentindo os seus músculos -doloridos pelos golpes que Kurotsuchi havia acertado nos últimos minutos-, relaxando como gelatina. Mas eles logo voltaram a estar tensos, quando ela sentiu o chão de neve vibrando.
Ela saltou para trás, enquanto estacas de pedra emergiam do solo.
Hinata dava uma sequência de saltos para trás, mas as estacas continuavam a seguindo. Os seus olhos byakugan, viam Kurotsuchi caminhando calmamente em sua direção, executando selos atrás de selos, enquanto a sua pele descascava, como se fosse feita de terra. Então Hinata entendeu a sensação que teve, quando a acertou. Kurotsuchi havia revestido o próprio corpo com cal.
Quando Hinata saltou novamente para trás, ela arregalou os olhos quando sentiu os seus pés grudando na terra. Ela olhou para baixo. Havia uma substância cinza e consistente prendendo os seus pés, e cada segundo que passasse, endurecia cada vez mais. Aquilo era...cal.
Quanto mais ela tentava mover as pernas, mais dura a substância ficava. Ela via, como se fosse em câmera-lenta, Kurotsuchi correndo em sua direção.
Hinata sabia que Doton era fraco contra Raiton, ela concentrou chakra Raiton nas suas pernas, e a substância começou a rachar. Quando ela, finalmente, se viu livre, era tarde demais.
Hinata sentiu uma dor dilacerante no seu toráx, quando o punho de Kurotscuchi, revestido por uma camada de pedra, acertou as suas costelas esquerdas. Definitivamente, algumas quebraram. Ela ficou sem ar por alguns segundos, e Kurotsuchi aproveitou para acertar o seu abdómen com uma força descomunal.
Ela conteve um gemido de dor, enquanto o seu corpo era arremessado à alguns metros na neve.
O seu abdómen estava dolorido, e as suas costelas estavam quebradas. Respirar doía, como se estivesse inalando agulhas ao invés daquele ar gélido, mas ela sabia que tinha que levantar, ou seria morta.
Ela se levantou, cambaleando lentamente, enquanto os seus olhos estreitados viam o vulto de Kurotsuchi se movendo em sua direção. Ela tentou se colocar na postura de combate do clã Hyuuga, mas ela gemeu de dor. O seu ombro estava deslocado, provavelmente devido à queda.
Hinata usou a sua mão livre para executar rápidos selos.
Katon – Haisekishou.
Ela exalou cinzas flamejantes pela boca, e como esperado, Kurotsuchi levantou uma cúpula de terra à sua volta. Hinata aproveitou aqueles preciosos segundos, enquanto a fumaça não se dissipava, para concentrar uma fina camada de chakra esverdeado na sua mão esquerda. Ela suspirou de alívio, quando colocou a mão sobre o abdómen, diminuindo a dor intensa que sentia. Ela fez o mesmo no seu ombro deslocado, e nas suas costelas.
A dor não havia desaparecido, mas havia diminuído o suficiente para não incomodá-la em combate.
Quando as cinzas finalmente se esvaíram, ela viu aquela cúpula se desfazendo, e Kurotsuchi emergindo. Hinata olhou profundamente nos olhos escuros dela, e viu um singelo brilho neles, como se ela a respeitasse profundamente.
Hinata finalmente se colocou em posição de combate do clã Hyuuga, e quando ela viu os músculos de Kurotsuchi se tencionando, ela soube que ela ia atacar.
Todavia, antes que ela fizesse isso, Hinata sentiu os seus pelos se eriçando, enquanto o seu byakugan enxergava aquela onda de areia que tentava esmagá-la por trás. Ela desviou, jogando o seu corpo à direita, sentindo ele rolando na neve.
Hinata aceitou a mão estendida de Akane para se levantar.
—Tudo bem?
Hinata apenas assentiu, enquanto enxergava aquele garoto ruivo flutuar em uma nuvem de areia, ao lado de Kurotsuchi.
Hinata desviou os seus olhos para a área daquele vasto jardim, onde Akane e Gaara estiveram, até poucos minutos atrás. Ela arregalou os olhos. O jardim estava completamente devastado, e haviam inúmeras crateras na neve, de onde jorravam litros de...lava?!
Hinata se colocou ao lado de Akane, enquanto elas encaravam aqueles dois.
—Você devia sair daqui. –Akane falou, com aquela sua costumeira expressão entediada. Hinata olhou para ela confusa- Nós não nos conhecemos, não realmente. O nosso trabalho em equipe é uma merda. Seria complicado lutarmos juntas. Eu consigo dar conta deles dois. Além do mais...-ela apontou para o lado oposto do jardim, onde Sasuke lutava contra Kei – O seu companheiro está com problemas...
—Ele vai ficar bem. –Foi tudo o que Hinata sussurrou- O mesmo não pode ser dito de você...
Os olhos dourados de Akane brilharam de um sentimento estranho.
—Eu sou forte. Muito forte. E, pelo que eu vi, você e aquele garoto também são fortes. Mas...aquele desgraçado, é simplesmente fora do normal. O Uchiha está aguentando, no momento, mas Kei vai acabar matando ele, confie em mim.
Hinata olhou novamente para Sasuke, tentando, sem sucesso, acertar uma série de jutsus de fogo. O rosto dele estava tenso e sua pele, pálida. Hinata sentiu os seus músculos ficarem tensos.
Ela desviou o seu olhar, fitando Kurotsuchi profundamente...como queria tirar aquela expressão afiada e presunçosa do rosto dela...
—Tudo bem. Eu vou.
Akane apenas assentiu. Quando Hinata começou a correr em direção ao lado oposto daquele jardim, ela viu Gaara, tirando areia da gigantesca mochila aberta, que ele tinha nas suas costas, e movê-la em sua direção.
Antes que Hinata sequer desviasse, ela viu Akane fazendo selos, e levantando uma gigantesca parede de terra, que cobriu completamente aquele jardim, o dividindo em duas diferentes partes. A Hyuuga conteve um sorriso, ela ficaria bem.
Akane encarou afiadamente aqueles dois diante dos seus olhos. Gaara olhava para ela de forma assassina, enquanto Kurotsuchi apenas suspirava.
—Eu vou matar você, garota. –A voz de Gaara era incrivelmente baixa, mas eles se encaravam tão silenciosamente, que era audível como um grito. — Vou sim.
Akane nada disse, apenas formou um selo de mão, enquanto a sua outra mão tinha os dedos à volta do cabo da sua katana, ainda indecisa se a desembainhava ou não.
Kirigakure no jutsu.
Ela exalou uma névoa densa e branca da sua boca, que se mesclou com a neve gélida, caindo dos céus, tornando impossível ver um palmo à frente do próprio rosto.
Ela sentiu o cabo da sua katana aquecendo, enquanto ela, silenciosamente, a desembainhava. Ela sabia o que era aquilo. O fio daquela katana queria sangue, e Akane faria questão de cumprir aquele desejo.
***
Sasuke estava atónito.
Desde que Sasuke havia atraído Kei até aquele lado do jardim, ele exalou chamas atrás de chamas, lançou kunais atrás de kunais, mas Kei simplesmente não se abalava. Ele desviava daqueles jutsus mortais com uma suavidade anormal.
Os reflexos dele eram insanos. O seu corpo reagia tão rápido, que parecia que ele estava prevendo os ataques, ao invés de simplesmente desviar deles. Era como se, ele sequer precisasse pensar para desviar de um ataque, seus músculos se retesavam e se moviam automaticamente.
À aquele nível, Sasuke sabia, era como se todos os pensamentos desnecessários desaparecessem da sua mente, e ele simplesmente ficasse focado naquele exato instante. Naquele exato combate.
Os olhos dele, cinzas como nuvens anunciando uma tempestade, simplesmente ficavam encarando Sasuke, enquanto um sorriso divertido pintava os seus lábios. Ele estava brincando com ele. Era como se Sasuke fosse uma criança de dois anos, tentando lutar contra um adulto.
Risível. Ilógico. Patético.
Depois de exalar mais uma bola de fogo, e vê-lo simplesmente desviando, Sasuke suspirou profundamente. Ele tinha que se acalmar. Ele era um Shinobi. Não podia voltar a ser aquele garoto irritadiço e arrogante. Tinha que se acalmar.
Ele inspirou, lentamente o ar, sentindo os seus batimentos ficarem mais lentos. Quando ele abriu os olhos, os seus olhos ônix estavam opacos e focados. Sem raiva. Sem ódio. Sem impaciência.
—É só isso que você sabe fazer? –A voz dele tinha um traço entediado, que deixava Sasuke irritado – Sinceramente, não acredito que o Daiki foi derrotado por um garotinho como você. Você é patético.
Ele provavelmente estava esperando que Sasuke corresse em sua direção, com aquela provocação, mas o Uchiha apenas continuou o encarando, sem qualquer emoção visível nos olhos ônix.
Kei afiou os olhos, como se entendesse o significado por detrás daquele olhar. Kei suspirou, era hora de terminar aquela brincadeira.
Quando Sasuke o viu surgindo diante dos seus olhos, ele finalmente percebeu que os seus olhos haviam se acostumado à velocidade insana de Kei. Reagindo em instantes, ele colocou o antebraço diante do rosto, desviando o punho de Kei.
Mas a sua boca se encheu do sabor metálico de sangue, pela cabeçada inesperada na sua mandíbula. Ele se controlou para não gritar de dor.
Sasuke deu um salto para trás, arremessando duas shurikens. Como esperado, Kei desviou das duas com uma facilidade extrema. Sasuke lançou mais outra, e mais outra, e mais outra. Elas se cravaram em diferentes pontos da neve.
Quando Kei tentou dar um passo, um filete de sangue escorreu da sua pele negra como café. Sasuke moveu ligeiramente a mão, e linhas finas e metálicas brilharam no meio da neve. Eram fios de aço, conectados nas shurikens espalhadas pela neve. Kira Kei estava preso, se ele desse um passo sequer, seria fatiado. Não importava o quão rápido ele fosse, ele não conseguiria escapar. Sasuke sorriu de canto.
—Parece que...estou com problemas.
Não havia nada na sua voz que indicasse que ele estava preocupado, mas Sasuke sabia que provavelmente ele estava blefando.
Ele colocaria um fim naquilo. Com rápidos selos de mão, Sasuke inflou o peito.
Katon – Ryuka no jutsu.
As chamas atravessaram os fios em uma velocidade assustadora, até envolverem o corpo de Kei completamente. Ele gritava de dor, enquanto era consumido pelas chamas. Os olhos de Sasuke doeram, quando ele ativou o Mangekyo Sharingan.
Amaterasu.
Enquanto sangue escorria do seu olho esquerdo, chamas negras se juntaram às douradas, o queimando com mais intensidade.
Desativando os seus olhos, ele sentiu os seus joelhos tremerem e afundarem na neve fria.
A sua respiração estava pesada, e os seus olhos doíam como se tivessem jogado ácido neles. Definitivamente, aqueles olhos eram perigosos.
Kakashi o havia avisado, no momento em que ele havia despertado aqueles olhos, que se ele exagerasse, os seus olhos perderiam a luz. Para sempre.
Ele sentiu um arrepio na espinha, quando ouviu passos na neve atrás de si. Virando rapidamente, ele arregalou os olhos ao ver Kei o encarando, com um sorriso estranho no rosto.
Aquilo...era impossível. Kei pareceu ler os seus pensamentos.
—Não, você não enlouqueceu. Era apenas um clone de Raiton. Chamas negras inextinguíveis, hein? Estou surpreso. -Sasuke olhou para ele chocado- Você acha que eu enfrentaria alguém sem saber as suas habilidades? Apesar de eu saber que você é um Uchiha, eu estava desconfiando que você tinha uma carta na manga para ter conseguido matar o Daiki. Eu sou meticuloso ao extremo. Sempre uso um clone no início. Adeus, garotinho.
Suas mãos começaram a crepitar de eletricidade, enquanto ele executava selos rapidamente. Sasuke tentou se levantar, mas os seus joelhos tremiam como se fossem feitos de gelatina, e os seus olhos doíam demais para ele ativar o Susano.
Raiton – Rairyuu.
Um enorme e serpenteante dragão feito de raios azulados saiu dos raios que envolviam as suas mãos. O som, era simplesmente ensurdecedor e poderoso. Ele deu o que parecia ser um rugido, antes de saltar em direção ao Uchiha.
Quando o dragão estava prestes a eletrocutá-lo, ele arregalou os olhos ao ver aquela redoma de chakra girar diante de si, o salvando.
Hakkeshou Kaiten.
Era...Hinata. Kei apertou os olhos, em evidente interesse.
—Francamente, garoto Uchiha...-Hinata falou, ainda olhando fixamente para o oponente diante dos seus olhos — não sabia que você gostava tanto assim do chão...
Ele suspirou longamente, enquanto se erguia com dificuldades.
—Acho que...aprendi com você, garota Hyuuga. — Foi impossível Hinata não rir, enquanto continuava encarando Kei, separados por alguns metros de neve. – Mas...por que você está aqui? A Akane...
—Ela vai ficar bem...-Hinata falou, enquanto se colocava na posição de combate do clã Hyuuga- por agora, temos alguém bastante complicado de se lidar...
Sasuke apenas sacou uma kunai do seu coldre, enquanto se colocava ao lado de Hinata. Ela estreitou os olhos, quando finalmente reparou nos olhos de Sasuke:
—Você não está utilizando o sharingan.
—Você não está utilizando o byakugan.
Eles pareceram suspirar ao mesmo tempo, enquanto trocavam olhares, como se entendessem o que cada um estava pensando.
Olhando para o brilho singelo nos olhos de Hinata, Sasuke imediatamente se lembrou de quando tinham quatro anos, e passavam horas brincando. Os olhos de Hinata sempre brilhavam daquela forma, antes de ela aprontar. Ela estava pensando em algum plano, provavelmente.
Kei franziu as sobrancelhas quando os viu tencionarem os músculos, e se colocarem em posição de combate.
Katon – Dai Haisekishou.
Seus pelos se arrepiaram quando ele viu a garota Hyuuga exalando uma densa e gigantesca nuvem de cinzas vulcânicas, nublando completamente a sua visão. Eles eram espertos, Kei tinha que admitir. Ambos possuíam doujutsus, então eles conseguiriam se mover entre aquela fumaça.
Mas Kei era um exímio sensor. Apesar de eles terem reduzido as suas assinaturas de chakra, Kei ainda consegui senti-los. Os seus ouvidos captaram o silvo provocado por shurikens, enquanto cortavam o ar. Com movimentos rápidos e ágeis, Kei desviou da enxurrada de shurikens arremessadas por Sasuke.
Os seus olhos se esbugalharam, quando uma das Shurikens que passou rente ao seu rosto, explodiu em uma nuvem de fumaça, revelando ser Hinata, com a mão envolta pela cabeça de um leão de chamas.
Mesmo com seus reflexos anormais, foi impossível Kei desviar do punho flamejante de Hinata. Ele deu um salto para trás, consciente da queimadura na pele do seu ombro.
Os seus sentidos apitaram. Atrás.
Dando um passo para o lado, Kei evitou a Kunai envolta por raios que visava o apunhalar pelas costas, mas um filete de sangue escapou da pele do seu abdómen.
Sasuke ainda continuava no ímpeto do seu movimento, então, mesmo que os seus olhos vermelhos como sangue enxergassem tudo com uma lentidão assustadora, não conseguiu desviar do chute que acertou o seu rosto.
O seu corpo rolou pela neve branca e fria.
Kei começou a executar rápidos selos, mas teve que interromper quando viu a garota Hyuuga diante de si. Os olhos perolados e opacos, o encarando com uma calma assustadora, enquanto ela tentava fechar os seus tenketsus com uma sequência de golpes.
Ele apenas torcia o seu corpo de forma estranha e flexível, enquanto desviava daqueles golpes rápidos e precisos.
Os olhos de Hinata percorriam o seu corpo, analisando cada expressão, cada fibra muscular, cada batimento, procurando enxergar qualquer momento de hesitação, por menor que fosse. E, depois de alguns segundos, Hinata viu ele fazendo uma pequena expressão de dor, quando tentou mover o braço direito para defender um golpe. Hinata percebeu que era o ombro ligeiramente queimado que ela havia acertado minutos atrás.
Ela acelerou os seus movimentos, tentando acertar aquele lugar, e quando ela viu o sorriso de canto que ele esboçou, ela percebeu que havia caído em uma armadilha, mas era tarde demais.
Hinata abafou um gemido de dor, quando o punho dele colidiu com as suas costelas esquerdas, onde Kurotsuchi havia acertado mais cedo. Era quase como se...ele soubesse que ela estava com dores naquele lugar. O segundo ataque, no entanto, atingiu a sua mandíbula. O gosto de sangue explodiu dentro da sua boca. Hinata sentiu o seu mundo girar.
Antes que Kei a acertasse novamente, uma sensação de calor o fez se afastar. Evitando a gigantesca esfera de chamas exalada por Sasuke, de incinerá-lo.
Katon – Goukakyuu no jutsu.
Sasuke a segurou, antes que ela caísse.
—Ei, tá tudo bem, Hinata?
Ela cuspiu sangue no chão, massageando a sua mandíbula dolorida enquanto assentia lentamente, e se colocava em posição de combate. O Uchiha não parecia muito melhor, a sua roupa estava coberta de neve, e o seu olho esquerdo estava ligeiramente fechado. Aquilo seria...complicado.
O som de uma gargalhada os tirou de pensamentos. Kira Kei, ria como nunca.
—Francamente...Interessantes. Vocês dois são interessantes. –Ele massageou os seus fios negros, antes de sorrir de um jeito estranho- Querem saber? Vamos tornar as coisas ainda mais interessantes.
Ele estalou os dedos da sua mão direita, um por um, quando terminou, ele aumentou o seu sorriso.
Raiton Yoroi. (Armadura de Raios).
Um manto de chakra e de raios envolveu completamente o seu corpo, tornando as suas feições muito mais assustadoras. Sasuke e Hinata arregalaram os olhos.
Em um piscar de olhos, Kei havia dissipado a distância entre eles. Ele ergueu o punho, prestes a acertar um soco em Hinata, que provavelmente a desacordaria.
O seu Byakugan observou calmamente cada um dos movimentos de Kei, mas a velocidade era simplesmente de outro mundo.
Quando o punho dele estava quase a acertando, os pelos de Kei se eriçaram, antes de ele se afastar com um enorme salto.
Hinata não entendeu o motivo, até sentir aquele cheiro misturado com a brisa gélida, adentrando as suas narinas. Canela e Limão. Naruto.
Ela virou o corpo, o vendo surgindo calmamente entre a nevasca, sendo acompanhado por três gennins. E pelos uniformes azuis-marinhos que usavam, só podiam ser da Névoa.
Hinata apertou os olhos quando Naruto parou diante de si. Eles se encararam pelo que pareceram ser longos segundos. Olhos fixos e dilatados. Azuis contra perolados. E, no fnal, ela viu a sombra de um sorriso nos lábios de Naruto. Porém, podia ser só impressão sua.
—Você voltou.
Foi tudo que escapou dos lábios de Hinata, se lembrando da promessa idiota que haviam feito antes de Naruto ficar para trás, enfrentando aqueles cadáveres vagantes.
Naruto apenas assentiu lentamente.
—Eu sempre volto. –Seus olhos brilharam por um instante, antes de escurecerem de uma forma estranha, quando ele notou a mancha roxa na mandíbula de Hinata, mas estranhamente, ele não falou nada. Ele desviou o seu olhar para o moreno que o encarava de forma estranha. Sasuke – Então você está viva, princesa Uchiha...que pena...
Um lampejo de emoções passou pelas feições de Sasuke, mas ele apenas acenou positivamente, antes de focar os seus olhos em Haku, e nos seus dois companheiros.
—Esses são...
—Como vai, Sasuke-san? –Haku estendeu a sua mão para Sasuke, ele o encarou por longos segundos. Segundos o suficiente para Haku saber que ele não retribuiria o seu cumprimento. Ele suspirou, enquanto passava os seus olhos negros pelo local, ele ficou tenso quando percebeu Kei, os encarando fixamente há algumas dezenas de metros — Vocês parecem estar com problemas...
—Mais ou menos. –Foi tudo o que Sasuke sussurrou. Ele ainda o encarava de forma estranha, até Haku se lembrar que ele quase havia assassinado o Uchiha na ponte do País das Ondas — A vossa...companheira. Ela está...
—Fique calmo –Suigetsu prontamente falou, sorrindo de forma estranha como sempre – O Yuriko foi ajudá-la. Apesar de que, aquela louca nunca precisa realmente de ajuda...
Choujuro ajeitou os seus óculos, enquanto tremia feito uma criança.
—S-suigetsu, re-respeite a Oujou-sama.
Suigetsu apenas o olhou irritado, mas não falou nada.
—Então...-Hinata suspirou, o seu olhar passeava entre Naruto e aquele trio da Névoa de forma intensa- Como vai ser?
Eles se entreolharam rapidamente. Naruto estreitou os olhos.
—Bom, eu adoraria esfregar a cara dele no chão. Mas, eu tenho que admitir algo...esse cara é forte. Pelo menos tanto quanto eu. Não seria nada fácil matá-lo...mas nós temos uma preocupação maior. –Ele suspirou, e apontou para a entrada daquele castelo, há dezenas de metros de onde eles estavam. — Faltam menos de três horas para esse exame terminar, e nós temos alguém para matar, então...
—Vocês podem ir. –Sasuke o cortou- Eu cuido dele.
—Deixe de ser idiota. –Hinata retrucou, com os olhos brilhando de forma estranha- Nós faremos isso. Eu e você, garoto Uchiha.
Sasuke queria retrucar, mas vendo os olhos dela, ele ficou confuso. Eles brilhavam de uma forma estranha, o mesmo brilho que Sasuke sempre via, quando se encarava no espelho. Ódio. Ela odiava Kei, embora ele não entendesse o porquê.
Mas Naruto sabia. Provavelmente, era...
—Hinata, isso é pela Sakura?
Diante da pergunta de Naruto, Hinata apenas cerrou a mandíbula.
—Em parte. –Ela ficou alguns segundos em silêncio, antes de parecer suspirar e olhar fixamente para Naruto — Tenha cuidado.
Naruto assentiu. Ele tentou abrir a boca, prestes a dizer algo, mas logo suspirou, desistindo. Não eram precisas palavras, ele sabia que Hinata entendeu perfeitamente o que ele queria dizer com os olhos, mas não tinha coragem. Ele se virou para Haku, que apenas o encarava de forma estranha.
—Vamos.
Com uma calma impressionante, Naruto começou a caminhar lentamente pela neve branca, sendo acompanhado pelo trio da Névoa. Ele não deu mais do que dois passos, antes de sentir a mão de Sasuke apertar o seu braço com uma força anormal.
Naruto franziu o cenho ao ver o quanto os solhos negros de Sasuke acendiam.
—O que você queria dizer? –Sasuke percebeu que a sua voz estava estranhamente alta, ele suspirou, antes de continuar- Sobre isso ser pela Sakura?
A expressão de Naruto relaxou. Ele apontou para Kei, que apenas os encarava com um sorriso estranho.
—O braço da Sakura...Ele estava lá.
Os dedos de Sasuke, lentamente soltaram o seu braço, e como se fosse possível, os olhos dele escureceram ainda mais. Foi impossível Naruto não franzir o cenho. Ele não sabia que Sasuke era capaz de fazer aquele tipo de olhar.
—Entendo.
Foi tudo o que Sasuke disse, antes de caminhar até Hinata. Ela arqueou ligeiramente as sobrancelhas ao ver a expressão dura no rosto de Sasuke, mas não comentou nada.
A entrada do castelo estava há umas dezenas de metros atrás de Kei. Mas eles simplesmente continuaram caminhando, como se não estivessem vendo o olhar estranho no rosto do rapaz envolto por raios.
Quando eles estavam passando bem ao lado de Kei, os olhos afiados de Naruto notaram o exato instante em que o corpo dele desapareceu em um flash de velocidade, surgindo bem do seu lado, com o punho erguido, prestes a acertá-lo.
Ele era realmente rápido. Tão rápido quanto Naruto. Então, Naruto entendeu o porquê de ter quase morrido contra ele, naquela vez.
Mas agora era diferente.
A mão de Naruto, estava repousando confortavelmente no cabo da Muramasa, enquanto aquele punho se aproximava em uma velocidade assustadora, mas os seus olhos registravam tudo com uma lentidão torturante.
Antes que Naruto sequer sacasse a sua katana, Kei se afastou com um salto, evitando uma gigantesca flecha roxa de acertá-lo. Automaticamente, Naruto olhou para trás, vendo Sasuke envolto pela parte superior de um humanoide roxo. Os olhos dele estavam...diferentes. Além de estarem com um padrão diferente, provocavam uma pressão que faziam os seus pelos se eriçarem.
Só naquele instante Naruto percebeu uma coisa. Desde quando...desde quando olhar para Sasuke o fazia se sentir em alerta? Ele estava mais forte. Muito mais forte.
Kei apenas olhou para Sasuke e Hinata de forma afiada.
—Preste atenção. –Foi tudo o que Hinata sussurrou, se colocando na postura de combate do clã Hyuuga, enquanto veias pulsavam ao redor dos seus olhos, e dois leões, um em chamas, e outro coberto de raios, surgiam nas suas mãos — Ou você vai acabar morrendo...
Naruto segurou um sorriso, antes de continuar a caminhar na neve. Eles...ficariam bem.
***
Logo que as suas sandálias tocaram aquele gélido chão de mármore, Naruto sentiu os seus pelos se arrepiando sob o seu uniforme. A cada passo dado, ele sentia aquela estranha sensação de estar caminhando dentro de um gélido oceano, lutando contra a pressão.
O corredor de mármore polido, era largo e se estendia até onde os seus olhos alcançassem. Haviam um grande número de pilares cilíndricos que pareciam sustentar o teto, recheado de lustres, que estranhamente emitiam uma luz fraca e azulada.
Naruto ajeitou o cachecol azulado no seu pescoço. Estava cada vez mais frio, e a sua respiração saía como uma grossa fumaça branca.
—Então você mentiu para mim...
Naruto apertou os olhos, vendo Haku o encarando de uma forma estranha e intensa. Naruto olhou para ele de forma franzida.
—Você mentiu para mim. — Haku continuou.- Eu vi o seu olhar, Naruto. Você mentiu para mim, e isso, eu não suporto.
Naruto finalmente entendeu o que Haku estava dizendo. Aquilo trouxe um gosto estranho na sua boca. Ele ficou em silêncio pelo restante do caminho.
—Isso é interessante...
Naruto e Haku, que estavam na retaguarda, finalmente olharam para Suigetsu, que havia falado. Ele e Choujuro, estavam caminhando à frente, e por um motivo estranho, eles dois tinham parado. Haku logo perguntou.
—O que aconteceu?
—Olhem em frente...
Quando Naruto e Haku assim o fizeram, eles arregalaram os olhos. Naruto sentiu o seu sangue ficar espesso como gelo, e a sua boca ficar seca.
Não podia ser...
Eles finalmente tinham chegado no final daquele longo corredor. Diante de si, estavam duas enormes e pesadas portas metálicas que guardavam a sala do trono, onde aquele que carregava a coroa da Morte estava.
Todavia, não era isso que o deixou em estado de choque, mas sim a figura parada diante da porta, como se a estivessem protegendo.
Os cabelos loiros, lisos e longos, preso em um rabo de cavalo. As írises verdes no meio de globos completamente negros, acendendo por entre o rosto pálido e simétrico, e o uniforme verde-escuro, idêntico ao que Naruto usava.
Ele era...Yamanaka Akai. Em carne e osso. Bem diante dos seus olhos.
Naruto sentiu as suas mãos tremerem. Ele se lembrou do rosto dele, pálido e sem vida, jogado no chão pavimentado, os olhos verdes e opacos enxergando o nada, e o choro...o choro insano de Risa.
Era sua culpa.
Ele saiu do seu transe quando sentiu a mão de Haku pousando no seu ombro. Haku não falou nada. Não tinha realmente nada para falar.
Naruto apenas respirou fundo, procurando acalmar os seus batimentos. Mas foi impossível impedir um sorriso triste de cruzar os seus lábios.
Naruto ouviu o som de lâminas deslizando por bainhas. Suigetsu e Choujuro haviam sacado suas katanas.
—Escutem...não podemos perder tempo. –Suigetsu falou- Eu e o Choujuro vamos tirá-lo daquela porta...e quando isso acontecer, vocês dois...
Naruto e Haku apenas assentiram. Choujuro e Suigetsu trocaram olhares cúmplices, antes de desaparecerem em um flash de velocidade.
O som de metal se chocando contra metal ecoou por aquele logo corredor.
Akai, com uma expressão vazia e mecânica, havia sacado a katana que tinha nas suas costas, e chocado contra a katana de Suigetsu.
O Hozuki bombeou água para os seus braços, os fazendo aumentarem de tamanho e força, mas mesmo assim, Akai não se moveu um milímetro sequer.
Em um Shunshin, Choujuro surgiu atrás de Akai. Ele moveu a sua mão, tentando cortar as costas de Akai. Choujuro arregalou os olhos quando viu aqueles olhos completamente negros seguirem atentamente seus movimentos.
Quando a katana de Choujuro estava quase se afundando nas suas costas, Akai desapareceu em um flash de velocidade, surgindo nas costas de Choujuro. Ele fincou a sua katana no chão de mármore, e executou rápidos selos.
Yamanaka Hijutsu – Kyouki no Nami. (Jutsu Secreto Yamanaka – Onda de Loucura).
Juntando as mãos, uma onda sonora atravessou aquele corredor. Automaticamente todos eles caíram de joelhos, levando as suas mãos à cabeça, enquanto milhares de vozes insanas ficavam sussurrando sem parar nos seus ouvidos.
Eles...estavam enlouquecendo.
Akai arrancou a katana que estava no chão, e a atravessou no peito de Suigetsu.
Suigetsu sorriu de canto, sentindo o seu peito se desmanchando em água. Ainda lutando contra aquelas vozes, ele agarrou a mão direita de Akai, que segurava a katana.
Ele tentava puxar o seu braço, mas Suigetsu apenas aumentava o seu aperto.
Choujuro, cambaleando, se colocou atrás de Akai, e enfiou a sua katana nas suas costas. Rachaduras apareceram na pele de Akai. Eles sabiam que aquilo não o mataria, mas levariam alguns segundos para ele recobrar os movimentos.
—Vão! –Suigetsu gritou em plenos pulmões- Nós vamos segurá-lo.
Naruto, ainda sentindo o seu mundo girando, se levantou lentamente, cambaleando como se estivesse bêbado.
Ele estendeu a mão para Haku, o ajudando a se erguer. Ele atravessou aquele corredor, com o braço de Haku ao redor do seu ombro.
Quando estavam diante dos pesados portões da sala do trono, eles olharam para trás, vendo aqueles dois os encarando seriamente. Eles trocaram olhares tensos.
—Não morram...
Foi tudo o que Naruto disse, antes de colocar as suas mãos nas gigantescas portas, e empurrá-las. Um som agudo ecoou pelo local, quando as portas se moveram sobre as dobradiças.
Logo que colocaram os pés na sala do trono, Haku se desvencilhou de Naruto, parecendo estar melhor.
Eles ouviram as pesadas portas se fechando atrás de si. Não havia volta.
Eles tentaram dar um passo, mas os seus pés travaram completamente, enquanto um frio de gelar os ossos atravessava os seus corpos.
Estava absurdamente frio naquela sala, como se todo o calor dos seus corpos tivesse simplesmente desaparecido, e só restasse aquela sensação gélida.
Eles se entreolharam nervosamente, antes de suspirarem, e continuarem caminhando.
Caminhar era difícil, respirar era difícil. A cada passo que dessem, eles tinham que ignorar milhares de instintos, que simplesmente gritavam para eles darem meia volta, e abandonarem aquela sala, ou iriam morrer.
Mas eles ignoraram. Quando enfim, se viram há dezenas de metros do trono, eles arregalaram os olhos.
Um trono gigantesco, feito inteiramente de gelo, e a Morte estava sentada nele, carregando uma coroa negra.
Olhos, negros, frios e sem vida os encaravam.
—Bem-vindos, minhas crianças...
Naruto nunca pensou que uma voz seria capaz de deixá-lo arrepiado, ao ponto dos seus joelhos tremerem. Era gélida, profunda e poderosa, como se estivesse vindo do fundo do oceano, e olhar para aqueles olhos negros, era como encarar os olhos do próprio abismo da insanidade.
—Não pode ser... -Naruto olhou para Haku, ao seu lado. Ele tinha os olhos abertos em puro choque enquanto falava. – Byakuren-sama...
Naruto arregalou os olhos, olhando para o velho sentado naquele trono.
—Byakuren? Não me diga que ele é...
Haku assentiu, ainda de olhos vidrados.
—Hai...Yuki Byakuren. Ele foi o Shodaime Mizukage. O Shinobi mais forte da história de Kiri. E também...é o meu Tataravó...
Naruto sentiu o seu sangue gelar. Ele não conseguia acreditar que haviam usado o Edo Tensei naquele homem. Ele sabia, só de olhar, que aquele homem era infinitamente forte.
Aquilo seria...
XxX
Nordeste. Três Quilômetros para a Morte. Três horas para a meia-noite.
O cheiro de sangue, fumaça e fuligem enchia completamente o ar, como um perfume ruim e barato. A neve branca e gélida, caindo dos céus, continuava açoitando a sua pele, deixando os seus músculos dormentes.
Os seus olhos perolados se estreitaram, tentando enxergar aqueles dois vultos que corriam ao seu redor, ocultos pela intensa nevasca.
Neji respirou profundamente, procurando acalmar os seus batimentos. Porém, era mais fácil falar, do que fazer.
Onde estavam os seus companheiros?!
O ataque daqueles seis gennins fora metódico e com uma precisão quase clínica. Em um piscar de olhos, eles os haviam separados entre aquela nevasca.
Lee estava algures com aquela menina de olhos dourados, Kabuto e Risa haviam sido atacados por aqueles dois gennins da Areia, Tenten havia trocado golpes com a garota da Névoa, e então, restava apenas ele, cercado pela dupla da Vila da Pedra.
Seus pensamentos foram interrompidos, quando ele sentiu a terra abaixo de si tremendo. Em um salto, Neji desviou das afiadas estacas de pedra que haviam emergido do solo manchado de neve.
Logo que os seus pés tocaram na neve, ele viu aquela garota, com a metade do corpo queimada, Touka, surgindo diante de si, com o punho brilhando de forma dourada.
Ele desviou, dando um passo para trás. O chão coberto de neve explodiu, com toneladas de neve evaporando para os céus, quando o punho daquela garota colidiu com a neve.
Neji afiou os olhos. Aquilo era...uma Kekkei genkai. Bakuton, provavelmente. Ele tinha que tomar cuidado.
Neji sentiu os seus pelos se arrepiarem, quando aquela garota saltou novamente em sua direção. Os seus olhos observavam cada um dos movimentos dela com uma calma quase cirúrgica.
Primeiro, um soco almejando o seu rosto, Neji desviou com o dorso das mãos. Segundo, ela se abaixou, e girou o pé na neve, tentando uma rasteira, Neji saltou sobre as pernas dela, e em pleno ar, acumulou chakra na palma da sua mão, formando uma esfera de vácuo, e quando a pressão foi liberada, em forma de um jato de pressão de ar, uma cúpula de pedra se ergueu ao redor do corpo daquela garota, a salvando de ser esmagada.
Neji se afastou, com uma sequência de saltos para trás, enquanto inúmeras estacas de pedra o seguiam, emergindo do chão de neve.
Quando as estacas pararam de brotar, ele viu a cúpula de pedra sendo desfeita, e Touka agachada, ao lado do corpo enorme do seu companheiro.
Neji conteve um suspiro. Individualmente, eles não eram grande coisa. Apesar da sua Kekkei Genkai de Bakuton, aquela garota era meio...desajeitada, como se tivesse despertado recentemente. O outro garoto, era enorme e lento, então dependia exclusivamente dos seus jutsus poderosos de doton. Mas...o trabalho deles de equipe, era o que estava tornando aquilo muito chato. Eles sabiam exatamente como cobrir as fraquezas um do outro.
Ele cerrou a sua mandíbula. Não podia perder tempo. Ele tinha que terminar aquilo o mais rápido possível.
***
Risa trincou os dentes, completamente irritada. Ultimamente, desde aquilo, desde que ela viu o seu melhor amigo se esvaindo em sangue, naquele chão pavimentado, tudo a deixava assim. Irritada. Era como se, de repente, o mundo deixasse de ter cores, e ela visse tudo à preto e branco.
E, aquela cena diante dos seus olhos, era incrivelmente sem cor.
Aquela menina da Vila da Areia, estava a encarando inexpressivamente, tão vazia quanto uma tela em branco, apenas esperando um movimento seu.
Risa conseguia ouvir os tinidos metálicos se sobrepondo ao som da brisa invernal. Era Kabuto, trocando golpes com o companheiro daquela garota, algures na nevasca.
Elas ficaram assim, por mais alguns segundos, antes de os seus olhos negros finalmente verem aquela garota se movendo lentamente em sua direção. E, enquanto caminhava, três esferas de puro calor se materializaram ao redor do seu corpo; a neve gélida, quando em contato com aquelas esferas, evaporava em névoa. Era bonito até, vê-la caminhando em sua direção, coberta por uma fina névoa dourada.
Como se fosse uma deusa da Morte, feita de névoa e chamas.
E, então, ela sacou a sua foice, pronta para coletar a sua alma.
***
Tenten relaxou os seus músculos, quando sentiu os seus dedos se envolverem ao redor da sua ninja-to, firmemente presa nas suas costas. A curta lâmina prateada pareceu brilhar, refletindo o branco da neve. Aquilo pareceu lhe dar a coragem necessária para erguer os seus olhos castanhos, e encarar a sua adversária.
Tenten era uma usuária de ferramentas ninjas, e, quando ela soube que, naquele exame, ela não podia levar qualquer tipo de arma –e isso incluía os seus pergaminhos de invocação- ela se sentiu, de repente, como se estivesse nua, no meio da rua, em uma noite de inverno. E aquela sensação à acompanhou enquanto ela e os seus companheiros atravessavam aquele fétido labirinto.
Todavia, quando ela achou aquela Ninja-to, pendurada ao lado do cadáver do shinobi que eles haviam assassinado no labirinto, imediatamente, ela sentiu aquela sensação, semelhante à uma corrente elétrica atravessando o seu corpo, quando os seus dedos se fecharam ao redor daquela ferramenta; e de repente, ela se sentiu vestindo uma poderosa armadura. Ela podia se gabar de ser uma exímia artesã. Kunais, Shurikens, Foices, Machados, espadas...não importava a arma, desde que ela fosse bela, Tenten a usaria como ninguém.
A menina da Vila da Névoa apenas franziu as sobrancelhas em sua direção, enquanto continuava com a própria katana ainda embainhada, firmemente presa na sua cintura.
Tenten franziu o cenho. O que ela estava esperando?
E, a resposta veio logo a seguir, deixando Tenten de olhos arregalados. Aquilo era...inesperado...
***
A sua pele estava suada, apesar da neve e do frio intenso que fazia, fazendo os seus cabelos negros grudarem na testa.
Rock Lee estava atónito, encarando aquela menina diante dos seus olhos.
Ao longo da sua vida, ele havia ouvido incontáveis vezes que fracassados, sempre seriam fracassados, não importava o quanto se esforçassem.
Tendo nascido com um nível de chakra particularmente baixo, ele era incapaz de usar Ninjutsu, e para um Shinobi, aquilo era como ouvir que, de repente, em um mundo em que humanos precisavam de oxigénio para viver, ele não podia respirar.
Na infância, ele sempre se sentia como se fosse um peixe fora de água. As palavras de deboche...os olhares de pena...os cochichos...tudo aquilo era demasiado para qualquer criança, mas não para Rock Lee. Ele era a epítome da perseverança.
E, graças ao seu mentor, ele achou uma saída daquele beco escuro onde estava preso. Se ele não podia usar Genjutsu ou Ninjutsu, ele se tornaria um grande Shinobi, apenas com o seu Taijutsu. Então, ele havia treinado o seu corpo até à exaustão. Sua velocidade, agilidade, reflexos e força física, eram motivos de orgulho para si. Ele sabia que não havia nenhum gennin na Vila que poderia superá-lo em nenhum daqueles quesitos.
Mas então...por que é que, enquanto aquela menina da Vila da Nuvem, Nii El, caminhava lentamente em sua direção, ele sentia novamente aquela sensação, a sensação daquelas correntes invisíveis envolvendo o seu coração? Como se, de repente, ele tivesse oito anos novamente?
O andar dela era vagaroso, os seus pés, ao tocarem a neve branca, não emitiam qualquer som ou ruído, os seus quadris se moviam de forma suave, quase hipnotizante, e os seus olhos dourados, acendiam por entre aquele rosto anguloso e bonito, como faróis.
Os músculos de Lee ficaram tensos. Olhar para ela, era como olhar para uma katana. Uma bela, hipnotizante e afiada Katana negra, que cortava qualquer um que fosse atraído por seus detalhes dourados.
Ela estava perto. Perigosamente perto, tão perto que ele conseguiu sentir aquele aroma doce e cítrico emanado da sua pele café, adentrando as suas narinas; e Lee ainda se sentia afogando naqueles olhos. Então, ele fez a única coisa que podia fazer, ele moveu os seus dedos, e tocou o fio daquela bela katana; e ela o cortou, tão profundamente, até ele se esvair em sangue no meio da neve.
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