Gênesis
50 Chuunin Chiken - MORTE - Monumentum.
Notas iniciais
‟Aquele forte e enjoativo cheiro metálico explodiu no seu nariz, embrulhando o seu estômago. Era cheiro de sangue. Era cheiro de Morte.
O branco da neve sempre o atraiu, mas naquele instante ela estava vermelha, mais vermelha do que ele já havia visto na sua vida.ˮ
~XxX~
Norte. Vinte Metros para a Morte. Duas horas para a meia-noite.
Quando Hinata viu às costas de Naruto e daquele trio da Névoa adentrando aquele gélido castelo, ela suspirou profundamente, sentindo os seus músculos, tensos por dias sem baixar a guarda, ficarem relaxados. Tão relaxados, como se o seu corpo estivesse afundando em uma banheira de água morna. Porém, eles logo voltaram a estar tensos.
Ela não podia se distrair.
Veias pulsaram ao redor dos seus olhos, enquanto ela concentrava chakra nas suas mãos. Imediatamente, duas cabeças de leoas, feitas inteiramente de seu chakra, se materializaram. Uma feita de chamas douradas, e a outra crepitava de raios. Hinata olhou de soslaio para o seu companheiro.
Sasuke, envolto por um estranho e gigantesco humanoide roxo, encarava friamente Kei, há dezenas de metros na neve. Hinata se colocou na postura de Taijutsu do clã Hyuuga.
—Preparado?
Diante da pergunta de Hinata, Sasuke apenas assentiu lentamente, enquanto o seu humanoide encaixava uma nova flecha na corda da besta.
Concentrando chakra nas suas pernas, Hinata estava prestes a se mover, quando ouviu a voz de Sasuke.
—Espere. –Hinata olhou para ele de forma inquisidora, Sasuke soltou um suspiro- Eu tenho um plano.
Ele fechou os olhos por um instante, desfazendo o seu humanoide. Quando ele voltou a abri-los, sangue escorria do seu olho esquerdo.
Amaterasu.
Em um piscar de olhos, chamas negras se acenderam na neve, formando um círculo ao redor da área em que eles três estavam. Kei, envolto por um manto de chakra e raios, apertou os olhos de forma tensa.
Sasuke levou às suas mãos aos seus olhos. Ele sentia os seus olhos doendo como se tivessem jogado ácido neles.
Hinata olhou para ele, preocupada. Não era preciso ser um génio para entender que, apesar de poderosos, aqueles olhos possuíam terríveis efeitos colaterais.
—Você...
—Eu estou bem, Hinata. –Sasuke inspirou o ar profundamente, enquanto focava os seus olhos, agora com três simples tomoes, a enxergarem por entre a nevasca. – Por mais rápido que ele seja, se reduzirmos à nossa área de alcance, os seus movimentos ficarão restringidos. Dessa forma, será mais fácil acertá-lo.
Hinata, analisando o pequeno círculo de chamas negras, no qual eles três estavam presos, completou:
—Mas o inverso também é verdade.
Sasuke apenas suspirou, assentindo, enquanto sacava duas kunais do seu coldre, e as revestia de raios crepitando.
Hinata, ainda na posição costumeira do clã Hyuuga, trocou olhares com Sasuke, e em um piscar de olhos, os dois cobriram aquela distância.
XxX
Morte. Uma hora para a Meia-Noite.
Ele arregalou os olhos quando viu a pele descascada de Akai começando a se regenerar. Suor escorria pela pele de Choujuro, e as suas mãos chegavam a tremer, mas ele não largou a katana. Ele continuou ali. Parado atrás de Akai, com a sua katana atravessando às suas costas.
Suigetsu, no entanto, parecia estar com dificuldades em prender o braço de Akai. Antes que Choujuro o perguntasse se ele estava bem, seus olhos se arregalaram ao ver Akai realizando selos de mão, com a sua mão livre.
Suigetsu gritou de dor, quando a espada de Akai, dentro do seu corpo, ficou crepitando de raios. Ele caiu no chão, com os olhos completamente brancos, e o corpo sendo eletrocutado.
Choujuro sabia que tinha que agir.
Em um piscar de olhos, Choujuro puxou a sua katana, e girou sobre o seu calcanhar, acertando um violento chute no crânio de Akai. O corpo dele atravessou aquele extenso corredor, ricocheteando no piso de mármore. Ele parou, quando o seu corpo atingiu um daqueles pilares cilíndricos.
Ele se colocou de forma protetora diante do corpo de Suigetsu, empunhando firmemente a sua katana.
—T-tá tudo bem, cara?!
Suigetsu tentou abrir a boca, mas nenhum som saía. Seu corpo inteiro estava dormente e dolorido. Ele só conseguiu acenar positivamente.
Choujuro soltou um suspiro de alívio. Mas ele logo ficou tenso, quando viu Akai estalando o corpo de uma forma mecânica, enquanto se erguia lentamente. Choujuro cerrou a mandíbula. Suigetsu precisava de tempo para se recuperar. Ele ia proteger o seu amigo. Com um incomum brilho determinado nos olhos negros como carvão, Choujuro concentrou chakra nas suas solas, e saltou em direção a Akai.
Fagulhas acenderam quando as duas katanas se cruzaram.
Choujuro recuou minimamente a sua katana, apenas para movê-la novamente, tentando cortar o seu abdômen; em um movimento rápido, Akai defendeu o golpe. E mais outro. E mais outro. E mais outro.
Choujuro, enquanto olhava fixamente para aqueles olhos completamente negros de Akai, movia a sua lâmina em uma velocidade assustadora. Ele cortou, e foi cortado. A sua lâmina arranhava suavemente a pele pálida de Akai, abrindo cortes que se regeneravam instantaneamente, mas o mesmo não podia ser dito de si.
Incontáveis filetes escarlates adornavam a sua pele alva, dos quais saíam pequenas gotas de sangue, e ardiam, como se tivessem jogado ácido nelas. Mas nenhum gemido de dor escapou de seus lábios.
Saltando repentinamente para trás, Akai realizou rápidos selos de mão, exalando uma gigantesca esfera de chamas.
Katon – Goukakyuu no Jutsu.
Sentindo a sua pele aquecendo, enquanto aquela esfera se aproximava, Choujuro estava prestes a realizar selos de mãos, quando uma parede de água se ergueu diante de si.
Uma densa nuvem de vapor preencheu aquele largo corredor.
Choujuro sorriu de canto, quando ouviu o som de passos ao seu lado. Era Suigetsu.
A nuvem de vapor nublava os seus olhos, mas aquilo não era problema para eles. Sendo membros da Nova Geração dos Sete espadachins, eles sabiam se mover na névoa como ninguém.
Suigetsu olhou para Choujuro de soslaio. Ele não precisou dizer nada, Choujuro entendeu o seu olhar, e fez um selo de mão.
Ninpou Suiton – Kirigakure no Jutsu.
Inflando o peito, Choujuro exalou uma densa névoa branca pela boca, que se juntou ao vapor que existia no ar, nublando ainda mais aquele lugar.
A névoa, branca e densa, era tão espessa que era impossível ver um palmo à frente do próprio nariz. Eles silenciaram os seus passos e as suas respirações, e em um piscar de olhos, desapareceram na névoa.
Choujuro, tão silencioso quanto a névoa que os cobria, surgiu atrás de Akai. Movendo a sua lâmina, ele separou a sua cabeça do restante do corpo. Ele arregalou os olhos ao ver o corpo dele se desmanchando em um monte de pedras. Aquilo era...um clone de Pedras.
Raiton, Katon e agora Doton...quantos elementos aquele garoto tinha?!
Seus pelos se eriçaram, enquanto ele sentia a terra tremendo, mas era tarde demais. Por mais rápido que os seus reflexos fossem, ele não conseguiu evitar que uma das estacas de pedra que brotaram do solo, perfurasse a sua perna.
Um gemido de dor escapou dos seus lábios, enquanto o seu corpo caía pesadamente no chão. Seus olhos se arregalaram ao ouvir sons de passos se aproximando de si.
Akai, com uma katana nas mãos, estava ao seu lado. Ele levantou a katana sobre a cabeça, e enquanto a movia para baixo, prestes a atravessar a carne de Choujuro, um jato de água o acertou, o empurrando à dezenas de metros.
Choujuro conteve um gemido de dor, enquanto o seu corpo era erguido por um clone de água do Suigetsu.
—Sinceramente, Choujuro-teme...-Falou o original, parado de forma defensiva diante de si- você parece péssimo...
Choujuro apenas deu uma risada sem graça, enquanto o clone o colocava sentado, com às costas apoiadas em um dos pilares.
—Fique aí parado, fracote. Enquanto o grande Suigetsu derrota esse cadáver de merda.
Suigetsu retirou um estojo da sua bolsa, e jogou para o seu clone.
—Tem bandagens nesse estojo. Estanque essa hemorragia, antes que você morra. Não que eu me importe, é claro, mas a Akane parece gostar de você. E eu odeio aturar aquela louca quando está brava...
Choujuro queria retrucar, mas uma ponta de dor na sua perna o fez morder os dentes. Aquilo estava...péssimo...ele tinha um enorme buraco na sua coxa, de onde jorravam litro de sangue sem parar. Ele estava pálido como um fantasma.
Quando ele ergueu os olhos, Suigetsu tinha desaparecido entre a névoa. E eram audíveis sons de Katanas se cruzando.
***
As suas narinas arderam pelo ar repentinamente gélido. Seus olhos, azuis como o mar em uma noite de inverno, estavam fixos naquele velho homem diante de si. Seu peito subia e descia de forma abrupta, enquanto Naruto tentava acalmar a sua respiração.
A área ao seu redor estava completamente congelada. Grandes pedaços de gelo estavam espalhados por aquela sala, e uma névoa, tão fria ao ponto de gelar os ossos os abraçava.
Naruto olhou de soslaio para o seu lado, onde Haku, com uma Zambatou feita inteiramente de gelo, encarava fixamente Yuki Byakuren.
Eles se entreolharam rapidamente. Não eram precisas palavras.
Naruto tencionou os seus dedos ao redor da Muramasa. A lâmina negra crepitava de raios negros e afiados.
Em um piscar de olhos, eles saltaram.
Para olhos comuns, eles eram nada mais do que dois rápidos feixes de luz se movendo. Um era negro, como as águas dos riachos do Yomi, e o outro era azul escuro, como um céu sem estrelas.
Haku surgiu agachado diante de Byakuren, com a sua gigantesca lâmina roçando no piso congelado, enquanto ele a movia, em uma velocidade absurda, em direção ao peito do Shodaime.
Um tinido agudo encheu aquela sala, quando a foice negra do Mizukage se chocou contra a lâmina de Haku.
Os olhos de Naruto se dilataram quando ele percebeu aquela abertura.
Em um piscar de olhos, Naruto surgiu nas costas daquele velho homem, com os dedos tensionados no cabo da Muramasa.
Antes que os seus músculos sequer processassem a ideia de que ele estava prestes a fatiar Byakuren, ele saltou por puro instinto, evitando ser empalado por inúmeras estacas de gelo afiadas.
Ainda em pleno ar, Naruto girou o próprio corpo, enquanto caía sobre a cabeça de Byakuren.
Itto-ryuu- Ichi no Katachi — Hangetsu. (Primeira forma – Meia-lua).
Balançando a sua katana, uma lâmina elétrica em forma de meia-lua separou o corpo de Byakuren ao meio. O sorriso que estava a caminho da sua garganta morreu, quando ele viu o corpo dele se tornar dois grandes pedaços de gelo.
Um clone.
Naruto ainda estava no ar, quando seus olhos se arregalaram, ao sentir uma presença atrás de si.
Olhando para cima, Naruto viu Byakuren realizando rápidos selos. Ele estendeu o próprio braço, e uma longa coluna de gelo, com a cabeça de um dragão na ponta, se esticou do seu braço.
Enquanto o seu corpo era empurrado para baixo, Naruto colocou o fio da sua lâmina no meio da boca animalesca daquele dragão de gelo. Ele conteve um gemido de dor, quando às suas costas se chocaram violentamente contra o piso gélido. Naruto conseguia sentir aquele bafo gélido o abraçando.
Em um rápido movimento, Haku balançou aquela gigantesca espada, e fatiou aquele dragão ao meio. Ele se desmanchou em um monte de fragmentos de gelo. Naruto aceitou a mão estendida de Haku para se levantar. Bem há tempo de ouvir as sandálias de Byakuren tocando no chão, enquanto ele os encarava com aqueles olhos negros e vazios.
—Muito bem, minhas queridas crianças. Aquece-me o coração ver tais incríveis olhos determinados, em vossas faces. Vós sois dignos do título de Shinobi.
Naruto apertou os olhos, enquanto Haku apenas sorriu levemente, parecendo constrangido.
—Err...Obrigado. Acho...-Naruto estalou lentamente o pescoço, enquanto suspirava longamente. – Isso...doeu. Acho que seria cortês retribuir...
Naruto estava prestes a dar um passo, quando a mão estendida de Haku o parou. O loiro olhou para ele de forma inquisidora. Haku suspirou:
—Não adianta atacar cegamente. Esse velho é um demônio. Ele é mais rápido, ágil e forte que nós. Eu tenho um plano...
Naruto suavizou a sua expressão, quando Haku terminou de lhe explicar os mínimos detalhes.
Os olhos negros de Byakuren não esboçaram qualquer reação ao ver aquele rapaz loiro correndo em sua direção. Ele apenas firmou o seu aperto ao redor da foice negra em suas mãos. A mesma foice que, há mais de cem anos atrás, na época dos Estados Combatentes, o rendeu o apelido de ´´Yuki Shinigami´´. Uma clara referência às suas habilidades insanas em Hyouton e ao manejo de foices.
Naruto, tão rápido quanto um raio, realizou quatro movimentos: Primeiro, tentou cortar o seu abdômen. Defendido. Aproveitando o embalo do movimento, movimentou a sua katana para o seu pescoço. Defendido. Realizou um outro movimento, tentando atingir o seu tórax. Defendido. No último movimento, ele tentou acertar a coxa de Byakuren. Defendido. O Shodaime em um rápido movimento, o surpreendeu, virando o fio da foice, e arrancando a Katana dos seus braços.
Rapidamente, ele atravessou a foice no seu estômago. Naruto cuspiu sangue, mas um estranho sorriso adornava os seus lábios, enquanto os seus dedos se envolviam no cabo da foice. Byakuren tentou puxar a foice, mas mesmo ferido, os dedos de Naruto apertavam a foice com uma força descomunal.
—Agora!
Ele gritou. O Shodaime teve que largar a foice, e dar um salto enorme para trás, evitando ser fatiado ao meio pela zambatou de Haku.
Uma das pedras de gelo ao seu lado explodiu em uma nuvem de fumaça, revelando ser um clone de Naruto, com uma esfera azulada na mão.
Rasengan.
Mas Byakuren não era o Mizukage mais forte à toa. Mesmo com o corpo debilitado pela idade avançada, ele desviou daquele jutsu, que apenas o pegou de raspão, arrancando um pedaço da sua roupa no abdômen. Ele pegou o braço estendido do clone, e tão logo os seus dedos envolveram o seu pulso, gelo se espalhou pelo seu corpo, até ele se tornar uma estátua de gelo. Com um chute, o clone se partiu em milhares de pedaços de gelo.
Naruto arrancou a foice do seu peito. Haku colocou uma mão em seu ombro. Imediatamente, Naruto se desmanchou em um monte de pedras de gelo.
Um clone.
O original surgiu ao lado de Haku.
—Devo dizer que esse foi um plano ousado. Fazer um clone de gelo, e usar o henge para se transformar em mim...
—Eu sei. Mas ele está lutando conosco há longos minutos. Um monstro como ele já deve ter percebido os nossos padrões de ataques e estilos de kenjutsu. Mas com essa tática...
—Conseguimos surpreendê-lo...
Haku suspirou, enquanto apanhava a foice negra no chão, e concentrava chakra Hyouton nela. Ela ficou completamente congelada, até se partir em milhares de fragmentos de gelo.
—Sim...apesar de termos conseguido desarmá-lo, eu ainda assim queria conseguir feri-lo. Que droga...
Naruto abafou uma risada, enquanto se colocava novamente em posição. Seus olhos se apertaram ao ver Byakuren, agora desarmado, realizando selos de mão.
Ele viu Haku, ao seu lado, ficar com uma expressão dura como pedra.
—Esses selos...não pode ser...
Antes que Naruto sequer perguntasse, ele viu o Shodaime juntando as mãos, e imediatamente uma densa névoa, gélida e branca, se espalhou pela sala. Antes que ela os atingisse, Haku colocou as mãos no chão, erguendo uma densa cúpula de gelo ao seu redor.
Mesmo dentro daquela cúpula, Naruto sentiu um frio intenso o abraçando, como se estivesse mergulhando completamente nu, em um lago congelado no meio de uma noite de inverno. Ele via a sua respiração como uma grossa fumaça branca. Ele encarou Haku, que ainda continuava com aquela expressão tensa.
—Que justsu foi esse?
—Shi no Ibuki (Sopro da Morte). Isso é...nitrogénio líquido. Você seria congelado instantaneamente. –Naruto arregalou os olhos, Haku continuou- Essa névoa...é exatamente igual à que está acompanhando os cadáveres vagantes. –Ele suspirou- Tudo isso...os mortos, a névoa... Tudo é obra dele, na verdade.
—Como assim?
—Isso é um Kinjutsu do clã Yuki, na verdade. Hateshinai fuyu (Inverno Interminável). Só um experiente usuário de Hyouton pode usar esse jutsu. E mesmo assim, poucos o fazem. Afinal, suga a própria energia vital do usuário. Uma densa névoa gélida, capaz de dar o fôlego à cadáveres, e a tirar o fôlego de vivos. Um perfeito paradoxo...
—Então...
Haku assentiu.
—Sim, se nós o matarmos, tudo vai desaparecer. A névoa e os cadáveres.
Naruto finalmente viu cada alínea daquela charada se encaixando na sua cabeça, como peças de um puzzle: Aquele que carrega a coroa da Morte, ao eterno vazio, deve retornar. Para que os defuntos com fôlego possam, enfim, descansar. Todavia, cuidado: O Inverno interminável está vindo. E ele traz o bafo gélido da Morte consigo.
—Entendi. Eles usaram Edo-Tensei nele, e ele fez o resto do trabalho. –Naruto conteve uma risada- Esses examinadores são insanos...
—Pois é. Esse justsu...Edo Tensei...você sabe como pará-lo?
—Claro. –Naruto suspirou- Existem duas formas. A primeira: Forçar o invocador a realizar os selos para a anulação do jutsu, e isso, obviamente é impossível para nós. A segunda: Imobilizar o invocado, e selar a sua alma. Normalmente por um fuuinjutsu...
—E você...entende de fuuinjutsu?
—Bom...eu sou bastante ruim com Fuuinjutsu. O básico que sei, foi devido ao Hiraishin. Não tenho paciência para esse estilo de luta. Prefiro uma katana. Rápido e simples.-Haku se controlou para não revirar os olhos- Porém... Eu sei um jutsu...
—Isso é ótimo...
Naruto acenou positivamente.
—É sim, mas preciso de tempo. E dessa cúpula de gelo, é claro. Não quero que o mundo shinobi inteiro me veja usando...isso. É minha...´´arma secreta´´. Sei que você entende...afinal, você não está usando a sua Bijuu pelo mesmo motivo...
Os olhos de Haku se alargaram.
—Você...sabia?
—Claro. Afinal, eu também sou. Um jinchuuriki.
Haku soltou um suspiro.
—Eu tinha minhas suspeitas. E você tem razão. Nem todo mundo sabe que o Sanbi está selado em mim. Seria idiotice eu usar o seu poder em um exame transmitido em todo o continente...o mesmo vale para você, não?
—Claro. Se eu usar a raposa...digamos que teremos muitos problemas. Mas...o mais fundamental é: eu não preciso dela.
—Essa sua arma secreta...quanto tempo?
—Cinco minutos. Preciso de cinco minutos...
Haku assentiu, enquanto fazia uma espécie de buraco na cúpula, ele deu uma última olhada para o loiro, o vendo sentar com as pernas cruzadas, e os olhos fechados.
—Cinco Minutos. Não mais que isso...
Logo que Haku saiu, Naruto ouviu o som daquela cúpula de gelo se fechando novamente. Ele inspirou, muito lentamente, o ar, sentindo os seus pulmões se enchendo daquele ar gélido. E logo depois, expirou novamente o ar, sentindo os seus músculos se relaxarem. Ele ficou fazendo isso vezes sem conta, até sentir aquela sensação o envolvendo.
De repente, ele se viu completamente nu, em uma banheira com água gélida. A cada respiração, ele sentia braços negros o puxando cada vez mais fundo. E mais fundo. E mais fundo.
Quanto mais afundasse, mais consciente ele se tornava dos arredores. Ele conseguia ouvir perfeitamente o coração de Haku batendo freneticamente, enquanto ele balançava a sua katana, tentando cortar Byakuren.
Conseguia sentir cada molécula de água sendo cristalizada, enquanto Haku formava uma cúpula de espelhos de gelo, e ficava arremessando agulhas atrás de agulhas.
Conseguia sentir os músculos de Byakuren se retesando, enquanto ele desviava calmamente de todas elas. Conseguia ouvir o som dos espelhos rachando, pela pressão gigantesca do chakra de Byakuren.
Enquanto os seus músculos se enchiam daquela sensação gélida, ele conseguia ouvir o gemido de dor de Haku, enquanto ele era atingido por um dragão de gelo.
Ele conseguia sentir tudo.
Quando os olhos de Naruto finalmente se abriram, a cúpula de gelo à sua volta ruía, e Byakuren, depois de realizar selos de mão, fazia brotar inúmeras estacas de gelo, que o atravessaram completamente.
Haku, caído no chão com a mão no abdômen, tentando congelar o ferimento provocado pelos dentes afiados daquele dragão, apenas arregalou os olhos, quando viu Naruto sendo empalado por inúmeras estacas de gelo.
—Naruto!
Aquela era uma visão assustadora. Quatro gigantescas e afiadas estacas de gelo, atravessavam o corpo de Naruto.
Haku estava atônito. Mas ele ficou ainda mais, pelo que aconteceu depois.
Em uma explosão de chakra, Naruto quebrou as estacas que o perfuravam. Haku arregalou os olhos. Uma estranha fumaça branca saía das enormes feridas no seu corpo, enquanto estas se fechavam.
Naruto estalou o seu pescoço, e em um piscar de olhos, estava nas costas de Byakuren. Ele fez selos em uma velocidade absurda:
Senpou Hyouton – Sanshashinkei Ryuu. (Arte Sábia do Elemento Gelo — Dragões trigémeos).
Um som semelhante à um castelo de vidro ruindo encheu aquela sala, enquanto a nevoa à sua volta se cristalizava em três enormes dragões esguios e serpenteantes, de gelo.
Byakuren deu um enorme salto para trás, enquanto realizava selos, mas era tarde demais.
Os três dragões saltaram sobre ele, o abocanhando.
Haku ainda estava em choque, quando Naruto surgiu ao seu lado. Eles se encararam.
E só naquele instante, Haku reparou em algo: além das marcas azuis-escuras, ao redor dos seus olhos, os olhos de Naruto, outrora azuis-escuros, estavam...em um tom verde-claro, tão cristalinos quanto água.
Na verdade, olhando para aqueles orbes por muito tempo, era impossível não se imaginar em uma praia paradisíaca, com águas calmas e verdes-cristalinas molhando a sua pele, enquanto a areia branca e morna no fundo, beijava os seus pés.
Haku finalmente conseguiu achar o lugar mágico, onde ficava a sua voz:
—Isso é...
Naruto sorriu de canto, e naquele instante Haku pode ver o quanto os caninos dele estavam...afiados.
—Senjutsu...
XxX
Norte. Vinte Metros para a Morte. Uma hora para a Meia-Noite.
Akane sentiu o seu sangue ficar gélido, como os flocos brancos que caíam do céu, enquanto a sua boca ficava seca e com gosto de fuligem. Aquela cena, diante dos seus olhos arregalados, não podia ser verdade.
Foi só um momento. Um pequeno momento, rápido demais para sequer ser chamado de hesitação. Um simples momento em que Yuriko, tentando cortar o abdômen de Kurotsuchi, não percebeu a areia acumulada sob os seus pés.
Akane bem tentou gritar e avisá-lo, mas era tarde demais.
A areia de Gaara se envolveu ao redor do seu corpo. E com um simples gesto do gennin de Suna, um simples aperto de mão, sangue choveu sobre a neve branca.
XxX
Nordeste. Três Quilômetros para a Morte. Quarenta e Cinco minutos para a meia-noite.
Os seus pés se moviam de forma rápida, enquanto Neji desviava dos punhos dourados daquela menina da vila da Pedra. Seus músculos estavam tensos, e os seus olhos, estreitados. Ele sabia que, se ela o atingisse, ele estaria morto. Simples assim. Enquanto desviava de mais um punho que tentava acertá-lo no rosto, um arrepio percorreu a sua espinha.
Atrás.
O chão atrás de si se abriu, enquanto o companheiro daquela garota, emergia do solo. Ele tinha duas kunais em mãos, e as movia rapidamente, em direção às suas costas.
Neji concentrou chakra nos seus poros, enquanto girava de forma rápida.
Hakkeshou Kaiten.
A enorme redoma de chakra enviou a garota do Bakuton há umas dezenas de metro na neve, enquanto o seu companheiro, enorme e largo como uma montanha, firmando os seus pés no solo, foi arrastado por meros centímetros.
Em um piscar de olhos, Neji surge agachado diante daquele garoto.
Hakke Hyaku Nijuuhachi Shou.
Duas palmas.
Quatro palmas.
Oito palmas.
Dezesseis palmas.
Trinta e duas palmas.
Sessenta e Quatro palmas.
Cento e Vinte e oito palmas.
Seus dedos se moviam de forma rápida e precisa, enquanto atingiam cada um dos tenketsus de Kurojin, os fechando. Quando Neji atingiu o último ponto, bem no coração, suor escorria pelo seu rosto, enquanto aquele corpo enorme caía no chão, com sangue escorrendo pela boca, e olhos completamente brancos e arregalados.
Um som alto, semelhante à uma explosão reverberou pela arena.
Ele estava morto.
Neji se virou rapidamente, quando ouviu passos atrás de si. A sua expressão se suavizou quando viu aquele rosto bonito e feminino surgindo. Era Tenten, e como sempre, ela estava sorrindo de forma estranha para si.
—Nossa...você pegou pesado com o pobre coitado.
Neji sentiu os seus ombros relaxarem. Ele a analisou.
—Para quem lutou recentemente, você não parece nem um pouco cansada.
Tenten aumentou o seu sorriso, enquanto coçava a sua nuca, parecendo constrangida.
—Sobre isso...
—Entendo... –Foi tudo o que Neji sussurrou, depois de ouvi-la contando que a garota da Névoa era aliada deles- E onde ela está?
—Bom...nós nos separamos. Ela é uma Kunoichi sensor. Ela foi...atrás da garota que está com o Lee, se não me engano. E eu pedi para ela me dizer onde você estava...
Neji estalou a língua.
—Francamente Tenten...por que você não foi com ela? Aquela menina que o Lee está enfrentando...ela parece ser problemática.
—Você estava lutando contra duas pessoas. Eu estava... preocupada com você...
Os olhos dela, por um instante se acenderam de um sentimento estranho. Neji se sentiu estranho olhando para aqueles olhos castanhos. Ele apenas assentiu. Era o melhor que podia fazer no momento.
Tenten aumentou o seu sorriso, quase como se conseguisse entender o que ele estava pensando. Mas podia ser só impressão sua.
Seus olhos perolados, no entanto se arregalaram, ao ver a parte superior de Touka emergindo do solo coberto de neve, bem atrás de Tenten.
Os olhos dela brilhavam de uma forma estranha, quase insana, quando ela envolveu os dedos da sua mão direita ao redor da perna de Tenten.
Os pés de Neji começaram a se mover, ao ver a expressão assustada no rosto de Tenten. Mas, por mais rápido que ele corresse, ele sabia que não chegaria à tempo.
Uma kunai deslizou entre os dedos de Neji, se afundando naquele pescoço marcado por cicatrizes de queimaduras.
Touka era uma Kunoichi. Seus olhos haviam encarado vezes sem conta os olhos frios da Morte. Então, mesmo que estivesse morrendo, mesmo que estivesse se engasgando com seu próprio sangue, ela não parou de tentar matá-la.
Com um sorriso manchado de sangue no seu rosto batizado pelo fogo, ela apenas sussurrou, enquanto a sua mão brilhava de forma dourada:
—Bum.
Os olhos de Neji se alargaram ao ver toneladas de neve se levantando no ar.
—Tenten!
***
Suiton – Suijinheki.
Inflando o peito, Risa cuspiu uma grande quantidade de água. Quando ela se chocou contra uma daquelas esferas de calor de Matsuri, provocou uma densa nuvem de vapor, que se mesclou à nevasca infernal.
Mesmo em meio a névoa, mesmo com as suas peles cobertas de suor, mesmo com os filetes de sangue escorrendo na pele, e os músculos densos e doloridos por estarem trocando golpes há horas, elas não pararam. Não pararam de tentar se machucar.
Desviando de uma das esferas de calor que procurava incinerá-la, Risa, surpreendendo Matsuri, desapareceu em um shunshin, surgindo nas suas costas. Ela estava prestes a acertar um soco com a sua mão crepitando de raios, quando parou, depois de ouvir uma explosão de canhão nos arredores.
Alguém...alguém tinha sido morto.
Matsuri a vendo repentinamente paralisada, estava prestes a acertá-la com um chute flamejante, mas se afastou com um salto.
Risa apertou os olhos, ao ver Kabuto surgindo ao seu lado, completamente coberto de sangue.
—Você...
—Sim...-Kabuto ajeitou os óculos no seu rosto, enquanto se colocava ao lado de Risa- Eu matei ele.
Matsuri, quando percebeu que Denki estava morto, não esboçou nenhuma reação. Apenas continuou olhando para eles com aquela expressão vazia.
A boca de Risa se abriu, prestes a dizer algo, quando uma outra explosão, seguida por um grito, a tirou dos seus pensamentos.
Eles se entreolharam.
Aquela voz...Neji. Algo tinha acontecido. Ele não era o tipo de pessoa que gritava.
Os dois ficaram com uma expressão tensa.
—Risa...
—Eu sei -A mandíbula dela estava cerrada em uma linha dura, enquanto ela sacava uma kunai e a revestia com chakra Raiton- Algo aconteceu. Pode ir, Kabuto. Eu ainda não terminei.
Ele suspirou, sentindo os seus ombros estranhamente tensos, ao ver a outra garota caminhando lentamente, com esferas de chamas a orbitando.
—Você...vai ficar bem? –Risa assentiu. Kabuto suspirou novamente. Antes de se virar e desaparecer entre a neve, ele deu uma última olhada no rosto da sua única companheira- Não morra.
—Não vou...
Risa sussurrou ao vento, antes de saltar em direção à Matsuri.
Os olhos de Kabuto estavam abertos, em choque, tentando processar a cena diante dos seus olhos. Neji, no meio da neve, abraçado ao corpo de Tenten, enquanto ela chorava insanamente. Seus olhos percorreram o corpo dela, e ele sentiu seu estômago se embrulhando ao ver o tanto de sangue espalhado na neve.
Tenten estava sem a perna direita.
Ele se agachou diante deles. Aquilo estava péssimo. E o choro insano dela só tornava tudo pior.
Neji apenas tremia, com os olhos abertos em choque, sem saber o que fazer. Kabuto inspirou o ar profundamente, tentando se recompor, enquanto analisava aquele grotesco ferimento. Sinceramente...aquilo não tinha bom aspecto. Sangue vertia sem parar, e retalhos de músculos e ossos balançavam com a brisa invernal.
Ele puxou o seu estojo na mochila nas suas costas, e quando o abriu, tentou se lembrar do que devia fazer.
—Você consegue curá-la, Kabuto?
Kabuto levou um bom tempo para entender a pergunta, o choro agudo de Tenten nublava os seus pensamentos. Se ele conseguia curá-la?! Ela precisava de uma cirurgia de verdade, ou aquele ferimento, devido a hipóxia, podia gangrenar e...ele estava divagando.
—Não se preocupe. –Mentiu- Farei o meu melhor.
Ele sabia que a maior preocupação, era a hemorragia. Kabuto envolveu algumas compressas, ao redor do que havia restado da perna direita de Tenten, para ocluir os vasos sanguíneos, e diminuir o sangramento intenso.
—Neji...-O garoto do clã Hyuuga demorou uns longos segundos para perceber que Kabuto o havia chamado. Os seus olhos perolados estavam...estranhamente...nublados- Onde está? O restante da perna dela?
Neji apertou os lábios, enquanto apontava para trás de Kabuto. A neve tinha evaporado completamente, e o chão estava completamente negro. Tinha um cadáver, de uma garota da Pedra, e ela, estranhamente, tinha um sorriso no rosto.
—Não sobrou nada. –os olhos perolados de Neji estavam opacos, enquanto ele falava, como se estivesse revivendo tudo novamente- Eu...consegui puxá-la, antes que a explosão a pegasse por completo...mas a perna direita dela foi...
—Eu entendi...
Quando terminou de comprimir o ferimento, ele olhou o mais seriamente que podia para Tenten, que apenas chorava nos braços de Neji.
—Oiça, Tenten...eu vou...tentar cauterizar esse ferimento.
—Vai...doer muito?
Diante do silêncio de Kabuto, ela ficou ainda mais tensa, enquanto lágrimas escorriam dos seus olhos, sem parar. Ela relaxou quando sentiu os dedos de Neji se entrelaçarem à sua mão.
Quando a mão de Kabuto, coberta por uma camada de chakra alaranjado, cobriu aquele ferimento, os gritos de Tenten encheram aquele lugar, até que ela finalmente não aguentou, e desmaiou.
—Ela vai ficar bem?
Kabuto limpou o seu suor no final, e olhou o mais sério possível para Neji.
—Não. Ela perdeu muito sangue, sem falar que eu apenas....improvisei. Ela precisa de uma cirurgia de verdade. Urgentemente.
—Quanto tempo...?
—Meia-hora. Uma hora no máximo.
Neji assentiu, enquanto os seus dedos se moviam, e com uma delicadeza assustadora, afastavam uns fios de cabelos que tinha grudado na testa dela. Kabuto estreitou os olhos.
Mas então, ele ficou repentinamente tenso, ao ouvir uns sons estranhos entre a nevasca.
—Neji...
—Eu sei...-foi tudo o que ele disse, ainda parecendo focado em deslizar os seus dedos pelas maças do rosto de Tenten- Eles...chegaram...
***
Lee se sentia afundando em um lago congelado. Estava terrivelmente frio, e a ferida no seu abdômen apenas piorava aquilo. Seu corpo inteiro tremia, enquanto ele sangrava sem parar. Ele levantou os dedos que estavam no seu abdômen, eles estavam ensopados de sangue.
Então...era assim que ele morreria? Congelando até à morte?
O som de tinidos metálicos o tirou de devaneios. Ele ergueu, minimamente, a sua cabeça, vendo aquela estranha garota da Névoa, Furiko, dançando com El entre a nevasca. Ele tentou se levantar, mas desistiu pela dor intensa.
Aquilo era...frustrante.
Ele, Rock Lee, sendo protegido. Era como se...todo o seu suor, lágrimas e sangue derramado, tivessem sido em vão, a partir do momento que ele encarou aqueles olhos dourados.
Aqueles malditos olhos dourados.
Se Furiko não tivesse aparecido quando El estava prestes a dar o golpe final...Aquilo era frustrante. O que o seu Sensei diria?
Ele...não conseguia se lembrar. Era difícil pensar, quando a única coisa que ele queria fazer...era fechar os seus olhos...e não abrir novamente.
Para sempre.
Furiko arfava pesadamente. Seus fios longos e loiros grudavam na sua testa pelo suor, mesmo com o frio intenso que fazia. Seus músculos estavam pesados como pedra e extremamente doloridos. Parar para respirar, era difícil, quando ela já tinha que se esforçar bastante para não ser morta. Ela sabia que, se hesitasse por um segundo sequer, as adagas negras nas mãos de El, se afundariam na sua carne, e a deixariam se esvaindo em sangue.
Se mover à mesma velocidade que aquela garota exigia tudo de si. E mesmo assim...mesmo assim...Ela continuava a encarando com aqueles olhos durados e intensos.
Furiko desviou ligeiramente o seu olhar, vendo aquele garoto da Folha se esvaindo em sangue. Ela cerrou a mandíbula, tinha que ser rápida.
O que o seu irmão, Yuriko diria, se a visse fraquejando daquela forma?! Eles eram orgulhosos espadachins. Não podia fraquejar. A única coisa que ela e o seu irmão sabiam fazer, desde pequenos, era lutar. Tendo crescido como órfãos de guerra, nas ruas frias de Kiri, mesmo antes de aprenderem a falar, eles aprenderam a lutar. A se defender. Não havia um único dia em que eles dois não haviam lutado para viver.
Naquele momento, foi impossível não se lembrar de Himiko. A sua irmã mais nova. Será que ela estava bem?! Ela tinha apenas dez anos, é claro, e mal sabia pentear o próprio cabelo...mas Yuriko e Furiko haviam prometido para ela. Haviam prometido que venceriam aquele torneio, e o dinheiro que a Mizukage daria para eles, eles finalmente comprariam uma casa.
Uma casa de verdade. Não o barraco onde eles três viviam enfurnados.
´´Onee-san...como é uma casa de verdade?´´
Se lembrando daquilo, ela quase conseguia imaginar os olhos brilhantes e inocentes de Himiko a encarando, enquanto ela perguntava aquilo. Um sorriso involuntário cruzaria os lábios de Furiko, antes de responder:
´´Vejamos...tem quatro paredes. Paredes de verdade, não essas de madeira apodrecida...tem quartos. Muitos quartos. O suficiente até para as suas bonecas...´´
´´Eu não tenho bonecas...´´
´´Uma casa de verdade vem com bonecas. Muitas bonecas.´´
´´Verdade?!´´
Furiko assentiu, ao ver o entusiasmo nos seus olhos azuis.
´´Uhum...Verdade. E sabe o que mais? Você não vai precisar chorar encolhida no meio do escuro, todas as noites, por precisar vender o seu corpo, para colocar comida na mesa...´´
´´Como aqueles homens com hálito de saquê, que às vezes vêm aqui, Onee-san?´´
Furiko assentiu, com os olhos marejados. Os dedos pequenos e gentis da sua irmãzinha passearam pelo seu rosto, enxugando as suas lágrimas. Furiko esboçou um curto sorriso, agradecida, antes de continuar, com a voz embargada pelo choro preso na garganta:
´´ E, o mais importante, uma casa de verdade tem amor. Então...nós três estaremos juntos. Para sempre.´´
´´Promete?!´´
´´Prometo.´´
Foi impossível seus olhos não marejarem com aquela recordação. Ela ia vencer. Ela ia sobreviver. Pela sua irmãzinha. Para que ela não precisasse vender o seu corpo, igual ela fazia, antes da Mizukage apresentar aquela proposta para eles.
Furiko apertou os dedos ao redor da sua katana, antes de avançar novamente contra El. Revestindo o fio da sua katana com uma camada de chakra fuuton, Furiko tentou cortar o abdômen de El.
Em um piscar de olhos, El simplesmente desapareceu diante dos seus olhos, e logo depois, Furiko sentiu uma sensação gélida no seu pescoço.
Jinton – Mueishou (Liberação da Velocidade — Voo sem sombras).
El, parada atrás de si, havia enfiado as duas adagas negras no seu pescoço. O corpo de Furiko afundou na neve fria, mergulhada em uma poça vermelha, enquanto engasgava com o próprio sangue.
El se agachou ao seu lado.
—Você pagou o preço pela sua traição.
Enquanto fazia sons engasgados, tentando tragar uma lufada de ar, uma lufada de vida, lágrimas gélidas escorriam pelo seu rosto. Um último pensamento passou na cabeça de Furiko, antes de os seus olhos se fecharem, e ela ser abraçada pela eterna escuridão.
´´Gomen...Himiko. Eu...não vou puder ver aquela casa.´´
E então ela deu um longo suspiro. Seu último suspiro.
El juntou às suas mãos, em uma pequena prece, antes de arrancar as duas adagas do pescoço dela. Quando ela se ergueu, seus pés se afundaram na neve, enquanto ela caminhava em direção ao corpo moribundo daquele gennin da Folha.
Ela tinha que admitir algo: Não havia sido fácil feri-lo. Mas, apesar da sua força e velocidade assustadora, ele era estranhamente...gentil. O tipo de Shinobi que vivia falando em coisas como honra e em proteger seus amigos. Não havia intenção assassina nos seus golpes.
E aquilo foi a sua ruína.
El parou de caminhar, quando se viu diante do corpo dele. Ele estava pálido como um fantasma, e a neve ao redor estava manchada de vermelho. O seu peito subia e descia lentamente. Ele estava sofrendo, e ela ia aliviar o seu sofrimento.
Quando ela sacou suas adagas, seus pelos se eriçaram. Ela se afastou com um salto, enquanto uma chuva de shurikens acertava a neve, bem no local onde ela estava antes.
Os seus olhos dourados observavam afiadamente os dois...três shinobis da Folha que haviam aparecido.
Kabuto se debruçou ao lado do corpo de Lee, enquanto Neji, depois de colocar uma inconsciente Tenten no chão, sacou uma kunai e se colocou de maneira protetora. El arqueou uma sobrancelha.
A mão de Kabuto emitiu um brilho esverdeado, enquanto ele tentava curar aquele ferimento. Mas ele sabia...ele realmente sabia...
Os olhos de Lee se abriram minimamente, ele tentou mover os lábios, mas nenhum som saía.
—Não se esforce. Você....perdeu muito sangue...
Os olhos de El se dilataram, quando ela sentiu aquela garota aparecendo ao seu lado. Matsuri. E ela continuava a encarando de forma vazia.
—Onde estão os outros?
—Mortos. –A voz de Matsuri não esboçava qualquer emoção- Estão todos mortos.
—Entendo...
Foi tudo o que El sussurrou, enquanto via uma outra garota da Folha, de cabelo azul, surgindo entre a nevasca.
—Você não matou ela?
—Fomos interrompidas. -Os lábios dela mal abriam quando ela falava- Eles...estão aqui.
El franziu o cenho, até sentir aquele cheiro mesclado à brisa invernal. Cadáveres em decomposição.
—Entendo...
Quando os olhos de Risa viram o estado de Lee e Tenten, seus olhos se arregalaram.
—Que...merda aconteceu com eles?!
Kabuto não esboçou qualquer reação, apenas continuou concentrando chakra na sua mão. Risa respirou fundo, tentando se acalmar.
—De qualquer forma...temos que ir, Kabuto...Neji...
Neji cerrou a mandíbula, enquanto Kabuto apenas ficou alguns segundos em silêncio.
—Eu estou tentando o salvar...
—Você não me ouviu?! Não há tempo! Eles.... –A sua voz morreu, ao ver estranhos vultos negros correndo entre a nevasca-... Estão aqui.
—Que merda!
Foi tudo o que Kabuto disse, antes de parar de emitir aquela luz esverdeada. Ele colocou Lee nas costas, enquanto Neji fazia o mesmo com Tenten.
Risa olhou à sua volta. Aquelas duas garotas tinham desaparecido entre a nevasca, provavelmente tinham corrido para o castelo. Seus sentidos se afiaram quando ela sentiu alguma coisa vindo por trás. Com um selo de mão, um afiado jato de água fatiou um vagante que tentava acertá-la pelas costas. Ela viu, no horizonte, aquela estranha névoa congelante se aproximando. Ela ficou tensa.
—Vamos!
Eles trocaram olhares tensos. Não foi preciso dizerem mais nenhuma palavra para eles começarem a se mover.
Risa arfava pesadamente, seu peito subia e descia bruscamente, enquanto ela tentava levar aquele ar gélido para os seus pulmões. Ela estava à beira de ter um ataque de pânico, ela sabia, mas o que ela podia fazer...quando sentia aqueles bafos gélidos nas suas costas?
Ela não conseguia ver, ou ouvir nada naquela nevasca. A neve branca e intensa girava diante dos seus olhos, produzindo um som assustador, parecido com um assobio da deusa da morte.
Ela quase podia imaginar aquelas coisas irrompendo à qualquer momento, e a engolirem.
De onde viriam?
De cima? De baixo? Da esquerda? Da direita?
A dúvida a engolia como um poço negro.
Seus olhos conseguiam ver, centenas de metros, encosta acima, aquele gigantesco castelo. Faltava pouco.
Ela sentiu um arrepio atravessar a sua espinha, quando ela ouviu um estranho uivo ao luar. Tinham...lobos naquela arena? Não, não podia ser.
Seu sangue gelou, quando ela viu, irrompendo lentamente em meio a neve, um gigantesco lobo branco, assim como dezenas daqueles cadáveres.
Os dentes arregaçados em sorrisos animalescos, os olhos enormes e azuis, e o cheiro de morte, trazido pela brisa gélida que açoitava as suas peles apodrecidas...eles estavam cercados.
Eles juntaram às costas uns aos outros, e sacaram kunais de seus coldres. E, depois de cinco minutos, todos eles estavam arfando de cansaço, enquanto os cadáveres que eles haviam fatiado, se erguiam de novo. E de novo. E de novo.
Sua mandíbula se tencionou. Risa sabia que, tirando ela, Kabuto e Neji estavam com movimentos restringidos, por estarem carregando Lee e Tenten nas costas. Ela era a única que conseguia se mover...ou seja...ela finalmente percebeu o que teria que fazer...
Sua boca se abriu, e quando ela estava prestes a propor que a abandonassem, enquanto eles corriam para o castelo, ela ouviu a voz de Lee.
—Me...ponha no chão.
Kabuto arregalou os olhos.
—O...quê? Você está ferido!
—Eu sei. –A voz dele saía como um sussurro- Me ponha no chão, Kabuto-kun. Por favor.
Depois de trocar olhares com Neji e Risa, Kabuto suspirou. Ele apoiou Lee em um de seus ombros. Ele estava péssimo. Seu uniforme estava ensopado de sangue, e ele estava pálido como um fantasma.
—O que você quer fazer...?
Diante da pergunta de Neji, Lee respirou profundamente, antes de se desvencilhar do ombro de Kabuto. Ele cambaleou um pouco, mas logo conseguiu ficar de pé. Kabuto havia fechado um pouco o ferimento, então não doía muito, mas ele sabia que, ao mínimo movimento, ele sangraria sem parar.
—Saiam daqui. Eu vou...segurá-los.
Os olhos deles se arregalaram.
—Você...enlouqueceu, é isso?
Lee olhou para Neji, irritado.
—Não há tempo para isso! Faltam menos de quinze minutos para esse exame terminar. E o castelo está bem adiante. Se vocês ficarem aqui...vamos morrer, todos nós...então...eu estou dizendo para vocês continuarem. Eu sei que vocês conseguem vencer...
Neji olhou nos arredores, vendo Kabuto e Risa lutando contra aquelas criaturas, enquanto eles dois conversavam. Os seus olhos perolados se acenderam.
—Você já se olhou?! Se você ficar... você vai morrer, Lee.
Lee esboçou um curto sorriso, um sorriso manchado de sangue, enquanto colocava a sua mão no ombro de Neji.
—Eu vou morrer de qualquer jeito, Neji. Eu sei que o Kabuto não queria me dizer, mas eu vi os olhos dele. E eu sei o que está acontecendo com o meu corpo. Ela perfurou profundamente em mim. Enquanto falamos, eu estou sangrando por dentro...eu sinto as minhas entranhas...se afogando no meu próprio sangue... –Os olhos de Neji estavam abertos, em choque- Então...me deixe salvar vocês. Pelo menos...uma vez...
Os punhos de Neji se cerraram, ele ainda parecia em choque.
—Você...prometeu. Você disse que ia lutar contra o seu destino...você disse que não ia morrer como um fracassado...
—E quem disse que...quem morre pelos seus amigos é um fracassado? Esse é meu ato final de liberdade. –Ele continuava sorrindo, apesar de estar ainda mais pálido- Igual seu pai. Como...um pássaro que passou a vida engaiolado, sendo finalmente liberto...
Lágrimas se acumularam nos seus olhos, enquanto eles corriam pela neve, deixando Rock Lee para trás.
Lee, com um sorriso manchado de sangue, cruzou os braços diante do rosto, e uma estranha aura verde o cobriu por completo, enquanto a sua pele ficava vermelha.
O lobo enorme corria atrás deles. Eles quase conseguiam sentir o bafo gélido dele nas suas costas, quando Lee saltou sobre ele, voando sobre as costas do enorme lobo, antes de acertar um potente chute nele, o afundando na neve.
´´Como um pássaro engaiolado...sendo finalmente liberto...´´
Vendo o quão belo era o voo de Rock Lee, enquanto ele estraçalhava, um por um, aqueles cadáveres e o lobo da Neve, Neji finalmente entendeu o que ele queria dizer. O que seu pai, queria dizer.
Quando toda a área ao seu redor estava destruída, e todos os cadáveres despedaçados, Lee permitiu que o seu corpo exausto, finalmente descansasse, e aquela névoa fria e congelante o abraçasse, como uma mãe faria com seu filho, enquanto os seus olhos, lentamente, perdiam o brilho.
A mandíbula de Neji se cerrou. Rock Lee estava...morto. Seu amigo. Aquilo trouxe um gosto horrível na sua boca...
Ele ainda estava com aquele gosto ruim na boca, quando finalmente se viu diante dos portões daquele castelo. Seus olhos se arregalaram.
—Não, não, não. –Kabuto levou às mãos a cabeça, os portões estavam fechados- Que merda!
—O que...aconteceu aqui?
Diante da pergunta de Risa, eles analisaram os arredores. Inúmeros cadáveres de gennis estavam despedaçados no chão, e um silêncio sepulcral cobria o local.
Os pés de Neji bateram em um cadáver, quando ele olhou para baixo, ele reconheceu aquele rosto, aqueles fios castanhos e aqueles olhos sem-vida que o encaravam. Não podia ser...
Ele estava morto.
Quando Risa notou o choque de Neji, ela se aproximou do cadáver e seus olhos também se arregalaram. Eles não haviam o visto ao longo do exame...e agora simplesmente encontraram o cadáver dele?!
Risa socou os portões, enquanto lágrimas se acumulavam nos seus olhos.
—Até quando...até quando...nós vamos continuar morrendo?
Mas algo ainda pior aconteceu. Enquanto eles estavam parados, diante daqueles portões, dezenas de vagantes foram surgindo entre a nevasca, assim como aquela névoa estranha e gélida.
—Entendo...-Um sorriso estranho cruzou os lábios de Risa- Nós...vamos morrer, não?
Estranhamente, ninguém discordou dela. Eles ficaram simplesmente parados, encarando aqueles cadáveres, enquanto eles começavam a correr em suas direções. Mas então....quando eles já conseguiam sentir aqueles bafos gélidos os envolvendo, fogos de artifícios explodiram, no céu, enquanto os cadáveres se desmanchavam em milhares de fragmentos de gelo, e flutuavam para o céu negrume.
XxX
Norte. Cem Metros para a Morte. Meia-hora para a Meia-Noite.
Quando eles, enfim, conseguiram fechar os pesados portões metálicos daquele castelo, Sakura sentiu o seu corpo deslizando pelo gélido metal, enquanto lágrimas solitárias deslizavam pelo seu rosto.
Como...como coisas ruins continuavam acontecendo com eles?! Morto. Ele estava morto.
Em um minuto, eles estavam escondidos entre as rochas que haviam naquela encosta, e no outro...um exército daqueles vagantes surgiam diante deles, assim como uma névoa congelante, os forçando a correrem entre a nevasca, tentando se abrigar no castelo.
Ela voltou para a realidade, quando sentiu o abraço repentino de Ino, e o cheiro de madressilva adentrando às suas narinas. Um bolo se prendeu na sua garganta.
Ela levantou os seus olhos, vendo Shikamaru e Shino a encarando. O garoto de óculos escuros parecia indiferente, como sempre, mas Sakura sabia que ele estava sofrendo, mas do que qualquer um deles.
Além deles, haviam apenas um punhado de gennins que conseguiram entrar, que sinceramente, ela não queria encarar. Mas estranhamente, eles estavam em silêncio, como se respeitassem o seu luto....
—Não foi sua culpa, Sakura. -A voz de Ino, pela primeira vez, parecia ligeiramente com a velha Ino. A Ino que vivia a defendendo, na infância- Não foi.
Sakura tremia como uma criança. Era sua culpa sim. Ela sabia. Ela havia fraquejado, e agora ele estava morto. Kiba estava morto.
Quando eles, enfim, chegaram diante do castelo, dezenas de gennins estavam sendo despedaçados pelos vagantes. Eles correram, correram até não poder mais. E então...aquilo aconteceu...
Foi apenas um momento, um simples momento, em que os seus músculos, doloridos por aquele longo exame, falharam, e Sakura tropeçou. Um daqueles vagantes saltou sobre si, com os dentes arregaçados, mas estranhamente, a dor não veio.
Não veio porque, Kiba havia se colocado diante de si. Os dentes daquele cadáver se afundaram profundamente no seu pescoço, o deixando se engasgando com o próprio sangue, enquanto Sakura era arrastada por Ino e Shikamaru.
Enquanto chorava feito uma criança naquele gigantesco jardim congelado, abraçada com o corpo de Ino, fogos de artifício acenderam nos céus.
Era sua culpa sim.
XxX
Morte. Meia-hora para a Meia-Noite.
Aquele rapaz da Vila da Folha era insano.
Enquanto Suigetsu movia a sua katana, Akai balançava a sua lâmina suave e rapidamente, como se estivesse manejando um mero graveto e não uma lâmina de aço puro.
Fagulhas incandescentes acendiam entre a névoa, cada vez que as suas espadas se cruzavam. Suigetsu estava atónito, com uma pergunta rondando a sua mente: Como diabos...alguém tão forte morreu?
Dando um salto para trás, Suigetsu realizou rápidos selos de mão, exalando um jato de água, que ricocheteou inutilmente, na parede de terra erguida por Akai.
Logo que os seus pés tocaram o chão, seus pelos se arrepiaram ao ouvir passos atrás de si. Virando o rosto, seus olhos se arregalaram ao ver um clone atrás de si, fazendo rápidos selos.
Doton – Tsubusu.
Duas gigantescas colunas de pedra brotaram do solo, e Suigetsu estava no meio dela. Seus olhos se abriram em choque, quando ele percebeu que ia ser esmagado.
As duas colunas se moviam em uma lentidão torturante diante dos seus olhos, mas ele sabia que não conseguiria fugir à tempo.
Ele viu o rosto tenso de Choujuro surgindo diante dos seus olhos. Os lábios deles se moviam rapidamente, sussurrando algo, mas Suigetsu não conseguia compreender, e no final, Choujuro sorriu, um daqueles sorrisos tímidos que ele sempre dava, e Suigetsu odiava.
Ele sentiu um toque suave no seu peito, enquanto o seu corpo era empurrado para trás. E então Suigetsu entendeu, tarde demais, o que ele queria dizer, antes de sorrir daquela forma.
´´Proteja a Mei-sama e a Akane-sama, Suigetsu-teme´´.
Um grito escapou dos seus lábios, quando ele viu aquelas duas colunas se fecharem, e esmagarem o seu amigo.
—Choujuro!
***
Haku tentou se mover, mas logo conteve um gemido agudo de dor. Seu uniforme, na região do abdômen, onde aquele dragão de gelo havia cravado os seus dentes, estava ensopado de um líquido quente e vermelho. Era sangue.
Ele havia usado Hyouton para congelar a ferida, e estancar a hemorragia, mas ainda assim...era difícil se mover, e aquilo era humilhante. Ele havia prometido que iria vencer aquele exame...então por que o seu corpo não o obedecia?!
Os seus olhos, estavam fixos naquela cena insana diante dos seus olhos. Ele estava tão concentrado, que mal se atrevia a piscar. Aquela sala havia se tornado uma sala gélida e cruel. O piso estava completamente congelado, o ar estava nublado por uma névoa branca e gélida, e inúmeros pedaços gigantescos de gelo estavam espalhados pelo local.
Porém, o mais assustador eram as duas figuras que se moviam pelo local, trocando golpes em uma velocidade assustadora. Um dos feixes era azul-escuro, e deixava um rastro elétrico enquanto se movia, e o outro era negro, e deixava uma névoa branca por onde passava. Eram Naruto e o Shodaime Mizukage, respetivamente. O velho Kage havia materializado uma foice de gelo, e a cruzava contra a katana negra nas mãos de Naruto.
Eles se moviam em uma velocidade absurda, e a cada momento que as suas armas se chocavam, violentas ondas de choque se espalhavam pela sala, fragmentando profundamente o gelo, e os seus resquícios se espalhavam com a névoa branca, machucando as narinas de Haku com um ar frio.
Haku fincou a Zambatou no gelo, e tentou se levantar, suas pernas tremeram, e ele caiu novamente no chão. Ele socou o chão de gelo, o trincando. Aquilo era humilhante!
Depois de ter perdido para Naruto, ele treinou até à exasutão. Inclusive, ele aceitou a proposta da Mizukage, e deixou ela selar o Sanbi dentro de si...e mesmo assim...mesmo assim...lá estava Naruto. Se movendo à mesma velocidade que um Kage, com aquelas marcas azuis-escuras ao redor dos olhos... Senjutsu.
Haku suspirou, se lembrando da expressão que Naruto fez, quando ele lhe perguntou sobre aquelas marcas. Pelo pouco que Haku sabia, podiam se contar nos dedos de uma mão, o número de Shinobis que eram capazes de utilizar Senjutsu. E a única certeza que ele tinha, era que aquilo aumentava absurdamente as habilidades físicas e mentais dos usuários...
Naruto tinha os dentes cerrados em uma expressão indecifrável, enquanto a sua katana se chocava com aquela foice de gelo. A cada troca de golpes, ele sentia os músculos dos seus braços reclamarem de dor, ao absorverem o impacto. Mesmo com o modo sennin, sua pele estava repleta de filetes de feridas, que se fechavam em uma velocidade absurda, se não fosse a regeneração, ele teria sido morto um monte de vezes.
Aquele homem era insano, mesmo com a idade bastante avançada. Naruto sentia um arrepio sempre que imaginava o enfrentar no seu auge. Deveria ser assustador. Mesmo com as suas habilidades físicas aprimoradas pelo modo sennin, estava sendo difícil acompanhar a velocidade dele.
Dando um passo para o lado, Naruto evitou que aquela foice o rasgasse ao meio, ele surgiu nas costas de Byakuren. Seu ataque perdeu o elemento surpresa a partir do momento que os seus dedos apertaram o cabo da Muramasa. Naruto deu um salto para trás, evitando ser empalado por inúmeras estacas de gelo.
Ele mal teve tempo de respirar profundamente, Byakuren estava balançando aquela foice, tentando o cortar, e Naruto apenas defendia. Naruto sentia os seus músculos se rompendo e se regenerando sob a sua pele, em uma velocidade absurda, pelo fato de ele estar forçando o seu corpo à se mover na velocidade daquele mosntro.
Naruto conteve um gemido de dor, quando sentiu aquelas marcas vermelhas aparecerem sobre a sua pele. Era o seu corpo reagindo à imensa quantidade de vapor de água presente no ambiente, que ele tinha absorvido para entrar no modo sennin. Ao contrário de Tobirama, seu corpo não conseguia ficar mais do que meia-hora daquela forma, antes que o seu corpo entrasse em hipertermia. Ele estava, literalmente, cozinhando de dentro para fora. Naruto sabia que tinha que terminar aquilo.
Seus olhos, em um tom cristalino como água, se apertaram no exato instante em que ele viu Byakuren materializando um gigantesco dragão de gelo. Ele abriu a sua boca afiada, e saltou sobre si.
Naruto estendeu a mão diante do corpo, e quanto mais o dragão se aproximava de si, mas ele ia se derretendo, até ele simplesmente cair à seus pés, formando uma simples poça de água.
Naruto conteve um sorriso. Aquele modo sennin...era resultante da absorção de partículas de água presentes no ambiente. Era aquele modo que rendeu à Tobirama o título de maior usuário Suiton da história. Além de Naruto poder criar água do nada, naquele modo, suas habilidades em manipulação da água beiravam o divino. Gelo era nada mais do que moléculas de água cristalizadas. Ele podia manipular água em todas as suas formas: Líquida, sólida...gasosa...Ou seja...
Seus dedos se moveram à uma velocidade assustadora.
Senpou Futton – Kirigakure no jutsu. (Arte Sábia do Elemento Vapor – Jutsu da Névoa oculta)
Inflando o peito, Naruto exalou uma névoa ácida pela boca, que ia simplesmente corroendo tudo pelo caminho. Como previsível, Byakuren começou a dar uma sequência de saltos para trás, tentando evitar ser corroído por aquela névoa.
Naruto sorriu, se lembrando do momento em que o seu clone havia acertado um rasengan de raspão no abdômen de Byakuren, e colocado uma marca do Hiraishin.
Em um piscar de olhos, Naruto estava diante do Shodaime Mizukage, e os seus olhos, tão calmos e cristalinos quanto um riacho límpido, viram o exato momento, o exato instante, em que o invencível Yuki Byakuren, deixou uma abertura.
Em um simples e rápido movimento, Naruto balançou a muramasa, sentindo ela penetrando camadas de carne, músculos, tendões e ossos, e arrancando a cabeça de Byakuren, enquanto uma gigantesca armadura de gelo, com as paredes internas recheada de afiadas estacas de gelo, brotava do chão, e empalava o restante do corpo de Byakuren.
Senpou Hyouton – Koori no Otome. (Arte Sábia do Elemento Gelo — Donzela de gelo).
Quando Byakuren estava completamente fechado naquela estrutura, correntes de gelo se materializaram ao redor daquela armadura, o selando efetivamente.
Com uma calma digna de um rei, Naruto se agachou e recolheu a coroa na cabeça decapitada de Byakuren, enquanto a cabeça evaporava em fragmentos de gelo. Com o seu corpo cambaleando pelas dores musculares, ele caminhou até o gigantesco trono de gelo naquela sala. Tão suave quanto um nobre, ele se sentou lentamente, enquanto colocava a coroa negra e metálica nos seus fios loiros.
Haku arregalou os olhos, vendo Naruto inclinando a cabeça e apoiando o queixo no dorso da sua mão direita, enquanto fogos explodiam nos céus. Ele sentiu um arrepio atravessando a sua espinha. Mesmo com aquela postura desleixada, ele fazia tudo com tanta naturalidade, que era difícil se controlar para não se ajoelhar diante dele. Era como se...ele estivesse destinado à ser Rei...
Olhando para o brilho estranho, quase sombrio nos olhos...dourados?! de Naruto... Subitamente, assim como aquela vez na ponte das Ondas, a imagem de Naruto mudou. Seus cabelos longos e dourados brilhavam como ouro, e caíam como uma cascata ao redor do rosto incrivelmente pálido e bonito. Tão bonito, que era impossível dizer se ele era um homem...ou uma mulher. Ou seria os dois?! Seus olhos dourados, o encaravam de uma forma profunda, tão profunda quanto à luz do sol, que testemunhara esse mundo desde os primórdios... E o cheiro...aquele maldito cheiro que encheu aquela sala...
Haku nunca havia sentido antes. Era uma mistura de cheiro de grama molhada pela chuva e de...orvalho se acumulando nas folhas das árvores...ou seria mel?! Bom...ele não sabia exatamente o que era. Só que...era algo difícil de colocar em palavras...
E então, seus olhos piscaram, e aquela visão desapareceu dos seus olhos. Aquele que estava sentando no trono de gelo, e o encarava fixamente, era o Naruto de sempre. Mas...o que o fazia ter certeza que aquilo não fora um sonho, ou uma alucinação, era o cheiro. O cheiro que estava impregnado nas suas narinas, como um perfume barato...
´´Esse garoto...definitivamente...ele não pode ser humano...Sinceramente...O que você é, Naruto?´´
XxX
Norte. Vinte Metros para a Morte. Meia-hora para a Meia-Noite.
A sua pele alva como a neve, brilhava de suor, e os seus olhos, vermelhos como uma lua pintada de sangue, enxergavam tudo com uma lentidão torturante e assustadora.
Kei era rápido. Assustadoramente rápido, e aquela armadura de chakra e raios aumentava os seus reflexos à um nível absurdo. Porém, apesar da sua velocidade, devido às chamas negras que os confinavam naquele pequeno círculo, os seus movimentos, apesar de insanos, eram limitados.
Tão limitados que, os olhos de Sasuke, e o corpo anormalmente esguio e ágil de Hinata, estavam conseguindo o acompanhar. Sasuke conseguia ver os seus movimentos.
Incontáveis filetes de sangue escorriam pela sua pele negra, mas ele continuava com aquele sorriso nos lábios. E Sasuke faria questão de arrancá-lo.
Seus olhos enxergaram o exato instante em que Kei, demasiado focado em desviar dos golpes velozes e precisos de Hinata, foi surpreendido por uma repentina explosão de velocidade de Hinata. A mão dela direita, coberta de chamas, passou de raspão na pele do seu abdômen. Foi só um instante. Mas Sasuke viu a expressão surpresa no seu rosto, e o exato segundo em que Kei baixou a guarda.
Em um shunshin, Sasuke surgiu nas suas costas, com a mão envolta por raios afiados.
Chidori.
Os olhos de Sasuke se arregalaram quando ele percebeu que os raios do chidori, não conseguiam penetrar aquela armadura de raios. Em puro instinto, Sasuke saltou para trás, mas não foi rápido o suficiente para evitar que os braços de Kei envolvessem o seu corpo.
Sasuke sentiu o seu mundo girar, enquanto era levantado no ar, e logo depois, quando Kei começou a movê-lo para baixo, Sasuke entendeu. Entendeu que, se tocasse no chão, ele morreria.
Raiga Bomu.
Crateras apareceram no solo, quando o corpo de Sasuke, revestido com as costelas do Susano, afundaram no chão. Os olhos de Sasuke estavam arregalados. Ele tinha sobrevivido, é claro, mas as costelas do Susano estavam quase quebradas.
Kei ergueu o braço, com chakra se concentrando na ponta dos dedos, antes que ele o perfurasse, no entanto, se afastou em um salto, evitando a bola de fogo exalada por Hinata.
Desfazendo o Susano, Sasuke se ergueu lentamente, ficando parado ao lado de Hinata. Ele a analisou. Sua pele alva estava coberta por uma camada de fuligem e cinzas, e seu peito subia e descia de forma profunda. Ela parecia...exausta. Se mover à aquela velocidade absurda devia sobrecarregar os seus músculos.
—Nós temos que terminar isso logo –Ele ouviu Hinata dizer- Meu chakra está...
—Eu sei. O meu também.
Ele desviou o olhar para Kei. Ele os encarava afiadamente com aqueles olhos cinzas e profundos. E então, ele se moveu.
Hinata realizou rápidos selos de mão, exalando uma gigantesca esfera de fogo. Como esperado, Kei desviou da esfera em chamas, girando o seu corpo para o lado, onde Sasuke, com duas kunais revestidas de chakra katon, o esperava.
Sasuke, com ajuda do Sharingan, se movia de forma rápida e precisa, enquanto Kei simplesmente torcia o seu corpo de forma tão rápida, que parecia ser inconsciente. Em um piscar de olhos, ele desapareceu, surgindo das costas de Sasuke, com o punho erguido.
Quando nada mais do que centímetros separavam o seu punho da nuca de Sasuke, Kei teve que se afastar, para evitar ser incinerado por um jato de fogo, exalado por Hinata.
E novamente eles se encaravam. Eles estavam nesse rodízio há horas. Quando Hinata atacava, Sasuke cobria às suas costas, e quando Sasuke atacava, Hinata fazia o mesmo. Eles sabiam que, se Kei acertasse um único golpe neles, eles morreriam. Simples assim.
Mas aquilo estava os deixando exaustos, física e mentalmente. Aquilo tinha que terminar.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!—Hinata...-Ela acenou, indicando que estava ouvindo- Quantos jutsus Katon você consegue usar?
Ele não pensou muito.
—Só me resta chakra para dois, no máximo.
—Faça três. Eu tenho um plano...
Kei, parado há alguns metros, apenas apertou os olhos quando os viu conversando sobre alguma coisa. Ele olhou para o alto. Faltavam menos de quinze minutos para aquele exame terminar. Ele já havia prolongado demais. Tinha que matá-los logo, e entrar no castelo. Ele realmente não queria ouvir o seu pai gritando com ele...Seus dedos começaram a se mover de forma rápida.
Raiton – Kuro Pansa.
Suas mãos ficaram crepitando de raios negros, e em um piscar de olhos, uma pantera feita inteiramente de raios negros, se lançou em direção à dupla de Konoha.
Hinata girou o próprio corpo, expelindo uma redoma de chakra azulado. Mas, enquanto girava, ela cerrou a sua mandíbula...aquele jutsu...ela sentia o seu chakra cedendo. Em um momento, a esfera de chakra ruiu, e os resquícios daquele raio negro se afundaram no chão, abrindo uma profunda cratera no chão de neve.
Ela cerrou a sua mandíbula, enquanto arfava pesadamente. Não tinha tempo para ficar encarando a neve, quando Kei disparava em sua direção.
Hakke Kuuhekishou. (Palma da parede de Vácuo).
Ela ergueu os dois braços, duas esferas de vácuo se acumularam, até explodirem em dois jatos de pressão de ar. Porém, ela estava com tão pouco chakra, que o máximo que ela conseguiu, foi empurrar o corpo de Kei alguns metros na neve.
Ela realizou rápidos selos, cuspindo uma esfera de chamas. Kei desviou. E depois mais outra, e mais outra. No final, Kei havia desviado das suas três esferas de fogo, e ela estava de joelhos na neve, arfando pesadamente, enquanto Sasuke estava diante de si, de forma protetora.
Kei sorria abertamente.
—Francamente...esperava mais da herdeira do clã Hyuuga...
Os olhos de Hinata se acenderam de fúria. Ela tentou se levantar, mas seus músculos estavam moles como gelatina.
—Você foi bem –Ela ouviu Sasuke dizer- Agora...é a minha vez...
Sasuke fechou os olhos por um instante, e quando os abriu, a metade superior de um humanoide estava revestindo eles. Sasuke sentiu os seus olhos doerem, mas ele cerrou a mandíbula. Faltava pouco...só mais um minuto...ele só tinha que aguentar mais um minuto...
Suas mãos começaram a se mover, enquanto ele fazia selos de um jutsu. Quando ele terminou, sua mão crepitava de raios. Sasuke apontou a sua mão para o alto, e uma fina camada de raio, saía do seu chidori para os céus, se conectando com as nuvens.
Os olhos de Kei se apertaram, tentando entender o que ele estava fazendo...até que ele ouviu aquele som. O som de nuvens carregadas antes de uma pesada tempestade. Ele olhou para o céu, e seus olhos se arregalaram. Tinha parado de nevar, e as nuvens sobre eles, estavam incrivelmente negras e crepitavam de raios.
Então ele entendeu. Aquilo era...um jutsu...
—O que você está fazendo?!
Os lábios de Sasuke se esticaram em um sorriso.
—O que você acha? Eu vou fazer um raio acertar esse lugar...
— Aqueles jutsus de fogo que eu desviei...ela não estava mirando em mim, mas sim no céu. Vocês...queriam condensar as nuvens com jutsus katon...-Seus olhos se apertaram- Não seja estúpido...olhe à nossa volta! Estamos presos nesse círculo de chamas, não tem para onde fugir. Vocês também serão acertados por...-e então os olhos de Kei se arregalaram, ao perceber que tanto Sasuke, quanto Hinata, estavam envoltos por um humanoide- Entendo...
Enquanto via os olhos cinzas de Kei se arregalando, os olhos de Sasuke brilharam de uma forma estranha, quase louca:
—Correto. Adeus. Ten no Sabaku (Punição dos Céus).
Em um piscar de olhos, um enorme de brilhante relâmpago, deslizou por entre as nuvens dos céus, até acertar aquele círculo de chamas negras. Sasuke trincou os dentes, sentindo o seu Susano tremendo, enquanto toneladas de neve branca evaporavam para o ar.
Quando tudo finalmente parou de tremer, Sasuke rodou os seus olhos pelo local, o chão estava completamente negro, e não havia sequer sinal do cadáver de Kei. Ele fora desintegrado à um nível molecular.
Sasuke sentiu o seu humanoide se desfazendo em milhares de fragmentos, enquanto os seus joelhos tocavam o chão e os seus olhos ardiam intensamente.
Hinata o segurou, antes que ele tocasse no chão. Ele ergueu os seus olhos, vendo que ainda estavam confinados dentro daquele círculo de chamas, ele se desvencilhou de Hinata, e se colocou em pé, ativando os seus olhos e desfazendo as chamas negras que os envolviam.
Hinata se ergueu. Ela parecia tão exausta quanto ele, mas mesmo assim estava sorrindo:
—Nós...conseguimos, garoto Uchiha...
Foi impossível Sasuke não esboçar um sorriso de canto.
—Pois é, garota Hyuuga...
Ela ainda estava sorrindo, com covinhas aparecendo nos cantos da boca, daquela forma que ela fazia na infância, quando depois de horas brincando, a mãe dela aparecia. Era possível ver o amor que ela tinha pela mãe, só pelo seu sorriso. Sasuke não imaginava que ela seria capaz de sorrir daquela forma, não mais. Mesmo que o brilho nos seus olhos fosse...diferente.
Sasuke fez uma nota mental: Não seria de todo mal, resgatar aquela amizade. Sua mãe quereria aquilo, não?!
Mas os olhos de Sasuke estranharam, quando viram a expressão de Hinata se desmanchar para uma de horror, e ela começar a correr em sua direção.
Estranho...por que...por que...ela estava olhando para ele de forma tão assustada?!
Sasuke se assustou, quando sentiu a mão de Hinata o empurrando para o chão. Ele sentiu a sua cabeça doendo, pelo impacto. Confuso, Sasuke ergueu os seus olhos, e o que ele viu, o deixou com os olhos abertos, em choque, mas nenhum som saía dos seus lábios.
Kei, envolto por um manto de raios negros, tinha atravessado a sua mão no abdômen de Hinata, com fogos de artifício explodindo nos céus, enquanto ela ainda sorria daquela forma.
Aquele forte e enjoativo cheiro metálico explodiu no seu nariz, embrulhando o seu estômago. Era cheiro de sangue. Era cheiro de Morte.
O branco da neve sempre o atraiu, mas naquele instante ela estava vermelha, mais vermelha do que ele já havia visto na sua vida.
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