Fênix da Noite Estrelada

27 O Amor É Uma Florzinha Roxa...


Notas iniciais
Escrevam o que eu tô dizendo. Aquarianos bravos são incontroláveis e assustadores, reze, mas reze muito se você tiver perto de um nesse estado e reza mais ainda se você for o alvo desse ódio. Mas o Ikki já sabe lidar com isso então ele nem esquenta kkk Tenham uma boa leitura :)

Hyoga passou minutos junto a porta, encarando Ikki como quem planeja uma sessão de tortura muito longa, enquanto o mesmo apenas tentava processar a nova informação.

O moreno começou a rir como um louco depois de ter entendido todas as palavras usadas pelo aquariano naquela única frase, o loiro por outro lado queria saber onde ele via graça, deu de ombros e foi para o cubículo que devia ser um banheiro, deixando o leonino para trás.

Ele foi seguido até o pequeno espaço, mas bateu com a porta no nariz de seu perseguidor, ouvindo um resmungo abafado e um palavrão do outro lado da porta.

¬ Vai me ignorar agora? — indagou a voz abafada e levianamente irritada do leonino. — Fique sabendo que não dou 10 minutos para sua resistência acabar. — falou convencido.

Hyoga não respondeu, apenas ligou o chuveiro – não era uma boa ideia gastar água por uma coisa fútil, mas aquilo era uma exceção desesperadora – e deixou-se escorregar até o chão em meio a lágrimas. Ele soluçava e chorava, lágrimas de ódio e alegria escorriam por sua face. Ódio por ele ter mentido. Alegria por ele ter voltado. Era uma mistura horrível de sentimentos, que o deixavam desesperado, e desespero nunca foi algo que gostasse de demonstrar.

Alheio ao que acontecia no banheiro e bravo pela falta de resposta, Ikki foi até o sofá-cama e pegou um dos livros. Era um livro de poesias, o folheou rapidamente, conseguindo ver alguns poemas, todos românticos e de diversas origens, era uma pequena coleção de poemas.

Um sorriso maroto delineou seus lábios ao ver que a primeira folha do livro estava em branco, a ideia chegou a lhe fazer rir.

¬ Ai, patinho... Tão inocente... — comentou. — Até parece que não sabe o que acontecia quando deixava suas coisas espalhadas.

O aquariano passou um longo tempo debaixo d'água, apenas chorando, porém achou melhor engolir o choro, porque o moreno era louco o bastante para derrubar aquela porta – que não era lá essa maravilha – se achasse que ele estava demorando demais ou se pensasse que tinha acontecido alguma coisa. Decidiu tomar um banho mesmo, assim poderia livrar-se do cansaço e lavar o rosto marcado de lágrimas. Demorou-se um pouco mais no chuveiro, enrolou-se em uma toalha, fez a água da roupa molhada congelar, “secando” as vestes e saio do banheiro.

Quando saio esperava encontrar Ikki batendo pé ou sorrindo para si, como costumava ser, mas só sentiu um cheiro estranho de queimado. Seus olhos pousaram num livro sobre a mesa, de onde saia fumaça.

O amor do aquariano por livros era tão grande, que sua guarda tornou-se baixa instantaneamente, ele só queria saber se o livro ainda tinha salvação e dependendo do estrago, o leonino teria que achar outro lugar para dormir, do contrario passaria o resto de sua existência em um sarcófago de gelo. Largou tudo o que segurava e correu para socorrer o pobre e inocente livro. O abriu e começou a folhear as páginas loucamente, a procura de alguma queimadura que justificasse o cheiro, folheou, folheou e folheou, mas nada achou e o cheiro perdurou.

Quando ele estava pensando que foi apenas um delírio de sua mente e decidiu fechar o exemplar, sentiu a capa do mesmo muito quente, parecia que tinha ficado junto ao fogo. Virou o livro de frente em desespero, a capa estava intacta, mas assim que abriu... A primeira pagina do livro tinha letras queimadas.

¬ Filho da puta! — foi tudo o que pode dizer.

Livros como aquele já eram difíceis de se obter, em meio ao uma guerra então, nem se comenta. De inicio não deu muita importância ao que estava escrito, só se preocupou em resfriar as páginas para que o livro não entrasse em combustão espontânea, se isso acontecesse, o que entraria em combustão seria o humor dele e um aquariano bravo não é nada legal de se ver. Somente quando concluiu que o livro estava a “salvo”, é que se deu ao luxo de ler o que estava escrito.

Sempre penso em você,

Mesmo estando longe.

Sem te ver, eu sinto sua falta aqui.

Ah, e o calor da sua mão

Me aquece de alma e coração

Te juro que não vou partir!

E o sorriso em seu rosto quando olho em seus olhos

Me faz querer estar sempre perto de você!

Quero ser tudo pra você; te proteger...

Fique aqui e meu sentimento mais puro é seu.

Duas almas se encontram como se fosse o destino

Uma vez na vida, pode acreditar...

Olho pro céu e as estrelas estão a brilhar,

Nos avisando que essa chuva, ela já vai passar.

Vamos nos amar enfim; Direi:

“Você é tudo pra mim...”

O aquariano odiava Ikki Amamiya. Como aquele idiota arrogante egoísta mimado conseguia fazer o coração do russo o trair daquela forma somente com palavras? O leonino só o fazia sofrer e quase o levou a morte nesses 3 anos em que ficou afastado, devia odiá-lo acima de tudo, só que seu coração era um verdadeiro vira casaca, ele batia com força em seu peito. Dava para sentir a pressão do sangue mais forte pelo pulsar frenético do coração.

¬ Cretino... — aquilo valia tanto para o coração quanto para o leonino.

Hyoga sentiu-se ser abraçado por trás e sentiu um beijo em seu ombro, aquilo lhe trouxe uma sensação muito boa e nostálgica, porém, ele se recusava a ceder tão fácil assim, afinal, ainda tinha seu orgulho e sentimentos contraditórios para mantê-lo em um estado de nervos a flor da pele. Desvencilhou-se do moreno sem delicadeza alguma e se trancou no quarto, onde poderia se trocar em “paz”.

¬ Até quando vai me tratar assim? — indagou a voz abafada pela porta. — Porra, Alexei! Pare de se comportar como uma criança e me responda! — continuou sem obter resposta. — Acha que foi o único que ficou mal nessa história?

O tom usado pelo leonino fez o pior lado do loiro querer vir à tona.

¬ Como é? — rosnou. — Você parece muito bem para quem passou 3 anos fingindo estar morto!

¬ Saiba então que eu conheço a sensação de se encontrar na beira do abismo! — a voz do leonino apresentava irritação. — E não há cura! No dia 22 de novembro, nos primeiros 10 minutos da manhã, a quase 3 anos, eu cheguei a beira de um colapso e coloquei tudo a perder no dia em que senti seu cosmo sumir, você sumir e tentei te ver, mas não consegui. Entrei em desespero por horas, dias, semanas! Acha que eu não sei como você se sentiu esse tempo todo?

Já vestido, o aquariano abriu a porta com certa violência. Se era briga que Ikki queria, então era uma briga que ele teria.

¬ Eu estou lhe dizendo que nunca é assim tão fácil! Aceite isso de alguém que já esteve onde você esteve, só que mais embaixo. — dos dois, o aquariano foi o único que ficou, de fato, sozinho no mundo. — Caído no chão! Sem ter certeza se pode aguentar mais! Acha que é fácil ficar tentando se levantar toda hora? Eu perdi minha mãe! Perdi meu amigo e irmão! Perdi meu Mestre e pai! Pensei ter perdido meus amigos! Eu já perdi tudo e por clemencia de Atena, alguma parte consegui recuperar! Acha mesmo que ao perder mais alguém, perder você, eu ia conseguir me levantar?! — estava irado com o leonino.

¬ Então, só tentasse mais uma vez! — ditou o mais velho. — Eu sempre estive aqui! Nunca te abandonei! Nunca deixei que sentisse estar sozinho! Acha que foi fácil te deixar?

Eles gritavam um com o outro, os gritos já estavam chamando a atenção, tinha soldados se amontoando na porta do alojamento, fazendo da briga um pequeno show. Só que Ikki e Hyoga não tinham passado anos e anos treinando para serem feitos de trouxa por meros humanos, eles podiam sentir a presença crescente dos soldados.

¬ PERDERAM ALGUMA COISA!? — a voz irritada do leonino reboou pelo corredor inteiro e além.

Os soldados não eram burros, conheciam a fama de Fênix e a última coisa que queriam era comprar uma briga com o leonino. Ao ouvirem o tom de puro ódio na voz do Cavaleiro, saíram correndo como loucos, chegando ao ponto de se atropelarem para fugir da ira de Ikki.

Com o soldados bem longe, a briga, mais contida, fora retomando.

¬ E você tem ideia do quanto fiquei assustado? — começou o aquariano. — Mesmo com Milo, Camus, Isaak, Shun e Anna do meu lado, eu me sentia vulnerável! Me sentia fraco! — ele jogou-se no sofá-cama com as mãos na cabeça, bagunçando os cabelos. — Eu não conseguia acreditar, eu não conseguia crer que não podia mais te tocar, não poderia mais falar com você! Nem quando eu fechava os olhos me sentia bem ou seguro! — ele parecia a beira de um ataque e mesmo assim continuava a se distanciar do mais velho. — Porque você não entende que mentir pra mim, que fingir uma coisa dessas, mesmo que para acabar com essa guerra, me machucou mais do que qualquer outra coisa?

Ele só podia estar de brincadeira! Ikki não gostava de mentir, nunca gostou, seus pais lhe ensinaram a ser um homem honesto, que não contava mentiras, mentir, para ele, era o mesmo que desonrar a memoria de seus pais. Ele não gostava de mentir, mentir para um inimigo fazia parte do oficio, mas mentir para quem amava era um suplício.

Quando Saori quis propor aquela plano, a vontade do leonino foi de arrancar a cabeça dela e entregar em uma bandeja de ouro para o primeiro deus que aparecesse. Vontade não lhe faltava, poder para tal também não faltava, porém não devia, então ficou quietinho. Aceitou fazer aquela loucura e esperava que não tivesse efeitos colaterais, mas agora não tinha tanta certeza. Mas que porra!! Se o aquariano nunca mais olhasse pra ele, a primeira coisa que ele faria seria ir atrás de Saori com uma ideia muito tentadora de explicar como se esquarteja uma pessoa com cortes limpos e cauterizados.

Ele respirou fundo, tentando se acalmar, e se aproximou com cuidado do loiro, não queria ser congelado, essa definitivamente era a última coisa que queria. Isso e ser abandonado pelo aquariano, só de pensar sentia os olhos queimarem. Sentou-se ao lado de Hyoga e fez carinho em sua nuca, sentiu o aquariano se arrepiar com contato e depois relaxar. Bom, talvez ainda houvesse esperança.

¬ Onegai, deixe-me tirá-lo dessa escuridão e levá-lo para a luz. — pediu com carinho. — Eu nunca o quis ver chorar, mas entenda que eu queria ajudar, queria mantê-los seguros. — tentar acabar com a guerra já era um começo. — Eu tenho fé em você, eu tinha fé de que você iria passar por outra noite e resistir. Pare de pensar sobre isso, só esta ferindo a si mesmo e a mim. — suplicou. — Deixe-me amá-lo...

Hyoga o afastou. Como ele podia? Como ele conseguia? Foram 3 anos chorando e tendo que secar lágrimas, esperando uma ferida fechar, tendo que parecer forte, tendo que ser forte pelos filhos, todo esse tempo tentando superar a “perda” e o desgraçado estava todo esse tempo vivo! Devia odiá-lo, devia querê-lo longe, devia repudiá-lo, mas não conseguia, não podia, seu coração era o derradeiro juiz, enquanto ele queria aceitá-lo de volta, sua mente insistia em dizer que o que ele fez foi errado – o coração também, porém ele tinha a capacidade de perdoar com mais facilidade.

¬ EU TE ODEIO!! — gritou.

Aquela frase era mais para si mesmo do que para o leonino surpreso, era uma tentativa inútil de sua mente convencer o coração. Seu queixo foi puxado com delicadeza na direção do leonino.

¬ Iie. — ele secava as lágrimas que escorriam pelo rosto no menor. — Você não me odeia, nunca me odiou. — ele estalou um beijo em sua testa. — Eu sei que esse é o caminho mais fácil, mas não há necessidade de apagar as lembranças. Nós ainda somos novos, o melhor ainda está por vir. — se afastou apenas para fitar os olhos azuis do menor. — Então, onegai, só tente mais uma vez.

Hyoga desviou o olhar e cobriu o rosto, queria chorar, pois finalmente seu coração venceu, queria chorar de felicidade e saudade. Por mais que gritasse que o odiasse, a verdade sempre seria que o amava. Lembrou-se que certa vez conversou com Shura sobre o que era o Amor – o capricorniano tinha um lado filosófico muito negativo – e o espanhol respondeu sem pestanejar: O amor é uma florzinha roxa que nasce no coração dos trouxas. Muito filosófico.

Sentiu suas mãos serem afastada com delicadeza e sentiu o rosto ser puxado com a mesma delicadeza.

¬ Todo mundo já alcançou o fundo do poço. Todo mundo já foi esquecido. — volveu o leonino. — Quando já estava cansado de estar sozinho e quando já tinha sido abandonado, eu fiquei de mãos vazias, só tinha as boas lembranças. Do Shun, da Anna, suas, do pessoal. — ele secou as últimas lágrimas. — Então, se você mal estava suportando com tantas pessoas ao seu lado, como acha que eu fiquei? — indagou. — Nada bem, posso garantir. Mas eu tentei mais uma vez. — respondeu. — Então, só tente mais uma vez. — suplicou. — Você nunca mais estará sozinho.

Pegou uma das mãos do menor e a pousou no próprio peito, de forma que as batidas de seu coração pudessem ser sentidas.

¬ Está sentindo? — questionou. — Se a chama que une as nossas almas dentro do seu peito queimar, será que um sentimento maior que as palavras irá então ressoar? — como uma batida do coração. — Tanto faz o que você escolher ou que caminho o destino nos reservou sei que nós vamos para o mesmo lugar, vamos correr sob o mesmo luar. — ele sempre estaria ali. — Mesmo que a luz no fim do túnel vá nos guiar para outro lugar, talvez um pesadelo, eu não me importo, eu nunca vou te deixar.

No dia em que conversou sobre o Amor com o capricorniano ele não tinha uma resposta para a afirmação. Mas agora, bem, se o amor era uma florzinha roxa que nasce na coração os trouxa, ele o trouxa mais feliz do mundo. Pela primeira vez em muito tempo, o aquariano sorriu com a alma e o coração.

¬ O que você diria ao me reencontrar? — indagou. — Porque eu passei o tempo contando os minutos até a ferida fechar.

O moreno apenas correspondeu ao sorriso e se aproximou ainda mais.

¬ Koishiteru.

Ao respondê-lo, quebrou a distância que se fazia entre ambos, tocando os lábios finos do menor com os seus, iniciando um beijo ameno e casto, sentindo-o corresponder e aprofundar o ato aos poucos.

Notas finais
E agora? tam dan dannnn... Vocês decidem, eu escrevo kkk Espero que tenham gostado :) Bjs. L :3