Notas iniciais
Eu tinha escrito esse cap uma vez, estava perfeito, mas ai, eu fiz uma besteira e perdi tudo... Nunca na minha vida eu tive uma vontade tão grande de arrancar a pele de minha face. Sério, eu quase atirei o computador na parede, mas como eu sou uma pessoa muito paciente, respirei fundo e reescrevi tudo. Espero que a segunda versão os agrade. Ah! Aviso: Talvez o próximo cap demore um pouco para sair, porque eu vou ter um compromisso e não sei se vou conseguir postar a tempo, mas juro me esforçar ;) Boa Leitura :)

Teseu. Já viu. Perseu. O único que seu deu bem. Odisseu. A voz da razão. Aquiles. Morreu infeliz, mas com glória. Ájax. Triste. Helena de Troia. Careca de saber. Jasão. Um dos mais azarados. Hércules. Odiado e amado por todo mundo. Ícaro. Muito triste. Andrômeda. Gostava, mas não. Europa. Legal. Órion. Se ferrou legal esse aqui. Aquário. Tadinho, virou escravo. Dédalo. Sua vida deu um novo significado para palavra desgraça. Medusa. Mais uma podre coitada. Titanomaquia. Muita desgraça junta. Gigantomaquia. Mais desgraça ainda. Olimpianos. Egocentrismo tinha limite.

Oráculo. Essa é nova...

Antes dos homens. Antes dos deuses. Antes dos gigantes. Antes dos titãs. Antes de Gaya e Urano. Antes de tudo, existiam duas grandes serpentes, ninguém sabe se alguém as criou ao certo ou se apenas existiam desde o começo, só sabiam que estavam ali.

As serpentes eram irmãs e criaram tudo o que é conhecido pelos homens, deram origem ao mundo como é conhecido. Elas representavam o equilíbrio perfeito, sendo uma o Caos e a outra a Ordem. Criaram o mundo, mas nunca se envolveram diretamente com ele, preferindo deixá-lo a cargo dos que vieram mais tarde. Somente quando o mundo que criaram entrou no equilíbrio desejado, elas decidiram habitá-lo e, então, desceram à Terra.

Uma foi para o Egito, onde, alguns dizem, acabou morrendo e desaparecendo para sempre, ou se transformou na temível Apófis, ninguém sabe ao certo. A outra foi para Grécia, onde prosperou e ficou conhecida como Píton.

A serpente Píton não se rebaixava a ninguém, era um dos seres mais poderosos do universo, mas sempre reconheceu o poder dos demais e por isso respeitava os deuses. Mas nunca, em momento algum, abaixou a cabeça para eles, pois poderia muito bem destrui-los e começar do zero se assim achasse melhor.

Desde que descera à Terra, a serpente passou a viver em um belo vale, do qual daria sua existência para proteger, no entanto, os humanos adentraram o vale e o ocuparam da noite para o dia. Ficou temerosa, pois sabia que os homens destruiriam seu lar se quisessem, no entanto, ela lhes deu o beneficio da dúvida e permitiu que ficassem desde que não a incomodassem. Ela só não esperava que os humanos dedicariam aquele lugar à um deus.

A partir do momento em que Apolo tomou poder daquele vale, as coisas mudaram drasticamente e tudo o que Píton amava passou a ser destruído pelos homens em nome do deus. Como resultado, ela ficou ensandecida e, em uma única noite, destruiu todos os humanos que habitavam o vale.

Ao saber o que acontecera, Apolo, com seu orgulho profundamente ferido, desafiou a serpente para uma luta justa, da qual, aquele que saísse perdedor deveria servir ao outro pelo resto da eternidade em reconhecimento a força de seu oponente e a derrota sofrida.

Matar o inimigo que lhe incomodava, seria mais fácil, porém, o deus possuía segundas intenções.

Píton possuía um dom muito interessante ao deus, ou melhor, à todos os deuses. Ela tinha o poder de ver tudo. Sabia passado, presente e futuro de tudo, não importava o que ou quem, sabia tudo, só não sabia sobre si mesma, essa era a única falha de seu dom. Não podia ver a própria história. Portanto, não tinha como ela saber se sairia vitoriosa ou não da luta, não podia nem mesmo prever os movimentos de Apolo pela situação estar ligada com seu próprio futuro. Temia o que aconteceria dali para frente e, principalmente, que finalidade teria seu dom.

A muito custo, Apolo derrotou Píton, cortando-a ao meio e destruindo seu corpo físico, algo que era impossível até então, pois nenhum outro ser, divino ou mortal, foi capaz de lascar uma escama sua, o que dirá cortá-la ao meio.

Píton cumpriu com seu acordo e assumiu um corpo humano para poder recuperar-se de sua luta contra o deus. Em sua pele fora gravado o Disco Solar, depois de tal acontecimento, muitos outros deuses a subjugaram e também a marcaram, desde então ela tem servido aos deuses. Nunca perdeu o respeito e nem a oportunidade de provocá-los ou corrigi-los, mesmo sendo perigoso, sua principal função era manter a paz entre os Olimpianos a qualquer custo.

Píton agora era uma mortal e serva dos deuses, um bem muito precioso que devia ser protegido a qualquer custo. Apolo então mandou construírem uma cidade sobre o antigo covil da serpente, para que assim os humanos pudessem protegerem-na e servi-la. Dai nasceu a cidade de Delphos e seu Oráculo, ou aquele que tudo pode ver.

Também existiram dois seres, quase esquecidos pela história, que compartilharam dos dons de Oráculo. Estes eram seus filhos, Aurum e Argertum, possuidores de cabelos e olhos feitos de metais preciosos, dai seus nomes. Eram filhos de sua primeira forma mortal e de Apolo, este obrigou-a a ter as crianças, para que assim tivesse uma descendência e nunca desaparecesse com a morte. Ela odiava o fato de ter tido filhos de um deus, mas nunca odiou as crianças. Dizem que dedicou mais amor às crianças do que à qualquer outro ser. A principal função das crianças era ajudar a mãe nos rituais mais difíceis, para que ela não ficasse debilitada demais e nem sumisse para sempre, também eram seus principais guarda costas e servos.

Outra história diz que as crianças na verdade eram de um filho de Zeus, cuja marca do pai divino residia em sua nuca e na dos irmãos que o ajudavam, era um soldado responsável pela proteção de Oráculo. Dizem que eles se encantaram e desse encanto nasceu as crianças. Apolo, louco de ódio por terem tocado no que lhe pertencia, matou o soldado e declarou que Oráculo só teria descendentes novamente com a permissão dos deuses e se estes fossem filhos de seres com sangue divino. Ela então passou a ser uma criatura pura para não desencadear o ódio dos deuses caso outro mortal a tocasse, algo que nunca aconteceria, pois o soldado ainda habitava seu coração. Tal história é aceita por muitos como a explicação mais viável do porque Oráculo ser uma entidade virgem.

Oráculo nunca morreu, só trocava de corpo, tal como uma cobra troca de pele. Sua alma permanece divina e milenar, apesar de passar a ter uma alma cada vez mais humana, o que explica seu crescente amor pela humanidade. O curioso, é que Oráculo só encarnava naqueles que possuem seu sangue, os descendentes dos descendentes de seus filhos, ou seja, a alma continuava pertencendo a mesma linhagem por séculos e séculos. Oráculo jamais passou pela morada de Hades.

Oráculo também possuiu sacerdotisas, conhecidas como Pítias. Elas tinham por obrigação transmitir as visões de Oráculo para os mortais, pois ela não saia de seu covil e quando saia, coisas boas estavam por vir ou grandes desgraças varreriam aquela terra. A função delas, nada mais era, do que servirem de porta vozes, Oráculo sempre as orientou e até mesmo quando desapareceu, elas continuaram com sua obrigação até desaparecerem também.

Desapareceu, muitos creem que morreu, mas ninguém nunca duvidou de sua fidelidade. O ser mais poderoso do mundo serviu os deuses por respeito a sua força, mas aprendeu a amar aquilo que eles, a principio, queriam proteger. Sempre viu tudo, sabia que um dia a humanidade a faria sofrer, mas nunca deixou de amá-la.

Protegeu o que amava e não o que mandavam. Agora, só nos resta esperar que a Flor de Delphos volte a desabrochar.

¬ Todo mundo cama!

Ergueu o olhar do livro de lendas, vendo o avô francês encarar o desenrolar da cena em que um homem adulto perdia para duas crianças em uma lutinha. Soltou um pequeno riso da situação sem deixar o livro ou descer da mesa em que estava sentada.

¬ O que está fazendo? — questionou o mais velho.

¬ Brincando com meus netos. — respondeu o óbvio. — Algum problema?

¬ Oui. — volveu. — Eles já deviam estar na cama a duas horas.

Olharam para o relógio do alojamento juntos e viram que, de fato, já havia passado da hora de dormir.

Em pouco tempo, todos estavam deitados e prontos para dormir. Os irmãos dormiam cada um de um lado seu, segurando-a como se fosse sumir a qualquer minuto, e ela apenas encarava o teto pensativa.

Geralmente demorava para dormir por conta de pesadelos, mas dessa vez a demora se encontrava em sua mente que trabalhava a mil por hora.

Riu. Não. Era apenas coincidência, afinal, segundo o livro, ela morreu e não voltaria tão cedo. Imaginou o absurdo. Riu.

Pesadelos não lhe assombraram esta noite, mas sonhou com o mito que lerá como se este fosse sua vida passada.

Engraçado como lendas nos fazem acreditar nelas.

Notas finais
E acabou por hoje, o próximo cap volta a normalidade :) Eu acho... Espero que tenham gostado ^.^ Bjs. L :3