Fênix da Noite Estrelada

5 Lei da Selva e da Guerra


Notas iniciais
Boa leitura :)

Hyoga sempre soube que Ikki podia estar lutando do lado deles agora, mas ele nunca deixou de ter um pouco de maldade em tudo o que fazia. Fênix fez de sua vida um verdadeiro inferno em 16 meses, ou seja, 1 ano e 4 meses. Só tinha o leonino como companhia, o único homem capaz de tirar-lhe a sanidade, conclusão, aqueles 16 meses foram um verdadeiro teste de fé. E outra, além das péssimas condições em que eram abandonados, Hyoga sempre se machucava, quando não por acidente, era por culpa de Ikki, que afirmava que aqueles ferimentos eram muito bons principalmente na hora de testar sua resistência. Hyoga mal entendia porque ainda não tinha mandado Fênix para aquele lugar.

Ele achava que não tinha como piorar, porém, maldita seja a lei de Murphy. TUDO PODIA PIORAR!!

Ele sobreviveu ao mar aberto, aos vulcões do Havaí, a cidades abandonadas em toda Europa, a desertos implacáveis por todo o globo, mas não tinha nem como esperar o que lhe aguardava na selva vietnamita. Não era algo tão traumatizante, mas foi algo que lhe deu uma boa ideia do que era a realidade.

Tudo aconteceu como o normal do tempo em que passaram juntos. Foram abandonados em qualquer lugar, Ikki dava uma explicação básica e depois Hyoga tinha de se virar com o que sabia. Já não era mais algo tão anormal, tinha se acostumado, o duro mesmo era ter de conviver com o leonino, eles pareciam um casal brigado de tão estranho que a situação, muitas vezes, se tornava.

Hyoga geralmente era acordado aos berros, e por essa razão desconfiou quando acordou por si mesmo. Não estava na esteira que construiu nas arvores para dormir, não sabia nem onde estava, olhou envolta e viu coisas um tanto desconfortáveis. Tinha animais entorno dele, mas eles estavam presos, maltratados e/ou machucados, era algo triste de se ver. Nenhum daqueles animais era natural da região, talvez tenham sido contrabandeados para lá.

Ele se sentia fraco, pois já não comia a dois dias, não tinha achado animal ou planta alguma que pudesse comer, e ainda por cima estava doente, muito doente, suspeitava de tifo, mas estaria sendo muito dramático, podia ser apenas uma gripe forte.

¬ Ah, já acordou. — a voz parecia decepcionada. — Que pena. Queria ser eu a te acordar. — a cabeça de Hyoga doía com a voz de Ikki.

¬ Onde estou? — perguntou com a voz fraca.

¬ Lembra do trunfo? — ele o tinha ignorado. — Chegou a hora de usá-lo.

¬ Ikki... — Hyoga o chamou baixinho, Shun lhe contara algumas histórias e não sabia o que esperar.

Ikki se dignou a olhá-lo naquele momento e sentiu seu coração de “pedra” apertar. Hyoga estava pálido, suava e tossia algumas vezes, estava muito mal e ele sabia, mas fingia não ver, tinha medo de expressar sua verdadeira preocupação e Hyoga acabar se afastando ainda mais por pura e simples desconfiança, tão natural do menor. Por isso, ao olhá-lo, sua expressão era formada por olhos de velada preocupação e um sorriso irônico.

¬ Ikki... — chamou mais uma vez depois de tossir muito. — O que vai fazer?

¬ Logo, logo você descobre. — respondeu voltando sua atenção para os animais. — Descanse mais um pouco. — ditou.

Hyoga fez o que lhe foi mandado meio a contragosto, descansou ainda preocupado com o que lhe aguardava. Ouviu muitas histórias sobre o que os demais passaram na mão de Fênix, e ainda se achava sortudo, pois nem tudo o que tinha passado ao lado do moreno foi tão mal quanto o que os outros diziam. Uma das histórias dizia que Seiya foi usado como isca viva para atrair um tigre na Índia, um tigre que seria o jantar de todos, mas que quase fez de Seiya seu jantar, segundo os boatos, Ikki pareceu decepcionado pelo sagitariano ter sobrevivido. Hyoga se considerava sortudo pelo leonino não tê-lo feito algo assim, coisa que na verdade não tinha nem como, afinal, o aquariano perceberia suas intenções e certamente daria um jeito de se safar. Hyoga não sabia, mas Ikki admirava a capacidade que ele tinha de, após um choque inicial, se adaptar o quanto antes a situação e aprender com extrema facilidade, mas o leonino odiava a mania de Hyoga achar que podia fazer tudo.

¬ Acorde, Cisne!

Hyoga acordou meio aturdido, mas logo começou a compreender o ambiente ao seu redor. Um dragão-de-komodo, que nem naquele lugar devia estar, devia estar mais ao sul, estava dentro de uma gaiola a sua esquerda. Ele não parecia nem um pouco contente, tinha alguns machucados em suas costas e estava mau alimentado. Também tinha alguns macacos, Macacos de Taiwan, para ser mais especifico, que deviam estar bem a leste, tinha cinco deles a 5 metros da gaiola e um a 2 metros, todos muito machucados. O que Ikki pretendia? E porque aqueles animais estavam ali?

Hyoga se levantou com um pouco de dificuldade, mas se manteve firme, era orgulhoso demais para demonstrar fraqueza, mesmo que estivesse se sentindo horrível.

¬ O que foi?! — indagou seco e tossiu.

¬ A Fase 1 começa agora. — respondeu o leonino sem muito interesse, enquanto subia em uma arvore. — É uma escolha muito simples. — ironizou. — Tem seis macacos e um dragão-de-komodo. Eu queria usar humanos, presos condenados, mas ChAtena não deixou, disse que era antiético e inumano. — comentou como quem não queria nada e ainda deu de ombros. — Mas enfim. Você tem um minuto para decidir se vai salvar aqueles cinco carinhas ali ou vai tentar salvar todos do nosso companheiro faminto aqui. — sorria ao apontar para o komodo. — E então? O que vai ser?

Ikki cortou uma cordinha, que foi seguida pelo olhar de Hyoga. Um sistema inteiro de roldanas se revelou para o aquariano em menos de um segundo e logo sua mente estava trabalhando a mil. O que fazer? O que fazer? O que fazer?

O dragão-de-komodo estava obviamente faminto e o cheiro dos ferimentos nos macacos certamente o estava deixando louco, quando solto, o komodo abocanharia o que estivesse mais próximo, e isso incluía o próprio Hyoga. O que fazer? Pegar os cinco que estavam mais longe, ou pegar os cinco mais o sexto e correr o risco de levar uma mordida venenosa do réptil faminto? O que fazer? O que fazer? Como podia fazer uma escolha dessas?

Eram apenas animais, diriam os leigos. Não. Não eram apenas animais, eram vidas. Vidas iguais a de qualquer pessoa ou animal. Vidas inocentes estavam em jogo naquela brincadeira de mal gosto do leonino. O que fazer? O que fazer? O que fazer? O que fazer?

Hyoga fechou os olhos com força por conta da ardência que sentia, o coração lhe pesou, porém, ele recolheu os cinco macacos, ajeitando-os como podia e subindo, também, como podia, na arvore em que Ikki estava. Ele mal tinha começado a recolher os cinco, que a gaiola abriu e o “grito” desesperado do restante invadiu-lhe os ouvidos juntamente com o gosto de fel na boca. Ikki ainda o obrigou a assistir o macaco restante ser trucidado pelo dragão-de-komodo.

¬ A necessidade de muitos, supera a necessidade de poucos. — falou o leonino. — Você teria que escolher de qualquer jeito. As vezes o certo é abandonar e outras vezes é ajudar, mas dependendo da situação, não há escolha. Um guerreiro é muito mais útil que um civil, se você se ferisse seriamente em uma guerra, sua utilidade como guerreiro se tornaria nula. — Ikki olhou com atenção para as partes mutiladas o pobre animal. — Poderia ser você ali. Suas intenções poderiam ser boas, mas numa guerra, boas intenções são a última coisa que passaram por sua cabeça.

Ao final de tudo, o komodo fora morto por Ikki, que quando inquirido, respondeu:

¬ Ele morreria de qualquer jeito, está ferido e longe de seu habitat, e ainda temos que comer, não?

Hyoga não falou nada, tentou protestar quando Ikki sumiu com os pobres animais que conseguiu salvar, mas não teve forças para isso. Mais tarde, Hyoga tentava se manter aquecido e imóvel, se bem que isso era impossível de tanto que ele tremia, estava muito mal, nem percebeu a aproximação de Fênix. Ikki chegou, quase que de fininho por traz de Hyoga, retirando uma seringa de trás das costas e injetando no pescoço do mesmo, que reagiu tentando lhe socar com uma das mãos no pescoço.

¬ O que foi isso seu desgraçado?! — rosnou o aquariano sem perder a cara de serio

¬ Calma, Cisne. — riu-se o mais velho. — São só antibióticos. Sua cara não tá muito boa para o normal.

¬ Você é louco? Nem sabe o que eu tenho! — não deixava de ter razão.

¬ O antibiótico é, praticamente, a cura para todos os seus males. — respondeu indiferente. — Se você continuar mal, eu te levo pro hospital. — que hospital?! o mais próximo fica a quase 13km.

Hyoga não conseguiu mais argumentar, fingiu ter perdido interesse no assunto, o que estava longe de ser verdade. Seus argumentos acabaram com a ideia de que o leonino pudesse ficar preocupado o bastante com sua saúde ao ponto de levá-lo a um hospital, o que se tratando de Ikki Amamiya era uma senhora surpresa. Hyoga acabou adormecendo pouco depois.

Foi acordado da mesma maneira na manhã seguinte. Dessa vez tinha um único Macaco de Taiwan ao seu lado, ele estava muito ferido, tinha um corte no torço que estava bem feio, e tinha muitas queimaduras, sinal de que podia ser Ikki o responsável por seus machucados.

¬ Hoje a coisa é mais simples. — Ikki estava sentado em um galho de arvore. — Você terá de tomar outra escolha. A sua coleguinha está prenha. — ele apontava para o macaco ao lado do loiro. — Mas está morrendo e o filhote também, é aqui que você entrar. Você terá que salvar um deles. O filhote deve estar sofrendo com a falta de oxigênio agora, e a mãe está sangrando muito. E então, Cisne, o que vai fazer? Mas lembre-se de que nenhum dos dois tem muito tempo.

Um conflito interno foi inevitável para Hyoga, mas sua decisão foi mais rápida do que a anterior. Ele salvou o filhote, que logo fora tomado por Ikki e ele teve que se apoiar em algum lugar, pois estava perdendo os sentidos e tossia muito, aparentemente o antibiótico não surtiu efeito algum. Se manteve forte até voltar para o acampamento improvisado, onde desfaleceu sobre sua própria esteira. Moral da história naquele dia, mais valia uma vida na mão, do que duas perdidas.

O dia seguinte foi a mesma coisa. Mas como dito anteriormente: MALDITA SEJA A LEI DE MURPHY!!!

Dessa vez Hyoga estava com os pulsos acorrentados atrás das costas, estava largado no chão e dentro de uma gaiola!! Fênix era louco por um acaso?! Tinha animais também, um tigre, um dragão-de-komodo, um lobo e vários macacos, todos em gaiolas como ele. E ainda tinha um buraco logo adiante.

¬ Ohayo! — será possível que aquele louco tá em cima de uma arvore de novo?! — Dormiu bem? — ele deve gostar de ficar acima dos outros. — Pela cara que está fazendo, acho que não, mas isso não importa no momento. — riu. — Bem... Como pode perceber, você esta muito bem preso e para se soltar, vai ter que matar. — quê?! — Um dos seus coleguinhas aqui esta com a chave da sua liberdade no estômago. Você vai ter que matar cada um deles para descobrir com quem está.

¬ Como é? — sua expressão podia ser cansada, mas sua voz era de pura descrença.

¬ Os macacos estão com o vírus da raiva, tanto que estão se matando. — Hyoga olhou para os animais e percebeu que de fato eles estavam se matando. — O restante deles não são alimentados a dois dias.

¬ Você é louco! — declarou o aquariano. — E um ser odioso!

Ikki sentiu o peito pesar com aquelas palavras, mas os olhos de Cisne, mesmo tristes e cansados, não demonstravam aquele sentimento horroroso, portanto não era exatamente a verdade, o que podia ser uma certa esperança.

¬ Prefiro o termo visionário. — brincou. — Mas deixemos isso para outra hora. Você tem que se soltar primeiro. — sorriu. — A lei da selva é a lei da guerra, patinho.

Ikki atirou bolas de fogo contra a gaiola dele e a do tigre. As portas estavam o tempo inteiro abertas, resultado, os dois caíram no buraco. Hyoga aproveitou a queda para dar um jeito de deixar as mãos na frente do peito e conseguiu, mas em compensação, caio de costas, o que doeu muito. O tigre teve mais sorte, caio de pé e não perdeu tempo, avançou nele.

Não teve tempo de pensar, agiu quase que involuntariamente. Usou as pernas como escudo e catapulta para o felino, que foi arremessado para trás e empalado por uma raiz que saia da terra, muita sorte a do aquariano, pois ele nem sabia o que tinha acontecido após levantar com certo desespero e pressa.

¬ Nada mau. — declarou o leonino acima de si. — Mas quero ver como vai se sair com os macacos.

O que antes eram nove, agora eram três macacos, os demais tinha sido mortos por seus companheiros, que agora estavam atacando Hyoga sem piedade, e este, por sua vez, fazia de tudo para desviar de seus dentes.

Hyoga teve que esmagar a cabeça de um contra a parede do buraco, quando este subiu nele, outro foi surrado até sangue jorrar, o último foi jogado, bateu com força contra a parede e caio sem vida. Essa parte foi relativamente rápida, o difícil mesmo, foi quando Ikki soltou o komodo e o lobo ao mesmo tempo.

O aquariano conseguia enganar os animais e fazê-los se atrapalharem um com o outro, o que resultou em uma briga entre os dois, briga que foi ganha pelo dragão-de-komodo após quebrar o pescoço do lobo. O komodo foi mais difícil, o animal acabou subindo em cima dele, babando em seu rosto enquanto tentava arrancar um pedaço. Hyoga acabou se aproveitando dessa tentativas, fez com que o dragão mordesse as correntes que o prendiam, deixando-o atordoado tempo o suficiente para Hyoga prender a cabeça do animal entre as pernas, segurar-lhe o focinho e boca, de forma que não conseguia se mexer. O aquariano então começou a cortar o fornecimento de ar do animal, que em desespero, causou-lhe ferimentos profundos na parte de trás das pernas.

Com todos os animais mortos, Hyoga percebeu que a chave estava o tempo todo com o tigre, chegando a ficar pendurada na ponta da raiz, como se escarnecesse o loiro. Após se ver livre de suas amarras, tossindo loucamente e com pulsos feridos, o aquariano deixou-se tombar por terra.

¬ HYOGA!! — foi a última coisa que ouviu antes de mergulhar na escuridão.

Quando acordou novamente, não sabia quanto tempo tinha se passado e nem se importava como isso, sentia-se culpado pelo que fez, ainda se sentia mal e estava com fome. Não mexia um único músculo, só mantinha os olhos levianamente abertos, mal dava para ver o mar azul e gélido que eram. Estava sozinho, mas quando sentiu a aproximação de um cosmo familiar e mais inquieto do que geralmente era, não pode se conter.

¬ Ikki... — chamou baixinho.

¬ Hyoga!! — o leonino quase voou em cima dele, se sentou ao seu lado e verificou sua temperatura. — Graças aos deuses!! — ele parecia profundamente aliviado. — Você tem ideia de como fiquei preocupado ao te ver perder a consciência?! E quando tiveram que furar seu pulmão?! E quando você ficou com febre?!

¬ Hã...?! — de todo que o moreno falava, Hyoga entendia coisa nenhuma.

¬ Ainda bem que Milo soube te ajudar, pelo jeito ficar visitando vocês na Sibéria e ficar doente logo depois serviram de alguma coisa para ele, mas também só foi isso. — ele parecia não ter percebido a confusão do mais novo. — Merda!! — bateu na própria teste três vezes, uma espécie de auto repreensão. — Se eu soubesse que estava com pneumonia teria parado tudo e te levado para o hospital. Essa desgraça mata! — isso explica a tosse e os antibióticos não terem funcionado. — Se você se machucasse de verdade não sei se conseguiria me perdoar, afinal sua vida está em minhas mãos.

Aquelas palavras trouxeram Hyoga de volta a realidade. Ikki estava disposto a ajudá-lo? Ou melhor, Ikki queria ajudá-lo e se sentia culpado por seu estado? E o trunfo, Ikki estava preocupado com ele?

¬ Hey! — chamou. — Pare com isso. É estranho vindo de você. — o que não deixava de ser verdade.

¬ Nani? — indagou o leonino.

¬ Se preocupar com alguém além do Shun e da Saori... — não, espera. — Eu acho...

¬ Eu me preocupo com todos! — declarou abertamente. — Só não deixo transparecer. — completou um pouco encabulado.

¬ Você tem coração...?! — Hyoga não resistiu a brincadeira, o que lhe rendeu uma cara feia e uma risada. — Obrigado. — expressou após para de rir. — Por se preocupar.

Ikki balançou a cabeça como se dissesse que não foi nada.

Mais tarde, enquanto desfrutava de um bom jantar em meses – a carne do tigre – Ikki estendeu-lhe o telefone militar, que foi pego mais do que rápido e atendido.

¬ Shun?

¬ Hyogaaa!! — ouviu a voz feliz e manhosa do outro lado. — Obrigada pelo macaquinho!! — hã?!

¬ Macaquinho...?

¬ Hai. — afirmou alegre. — Ele é tão fofo! O Milo disse que o Nii-san pediu que eu cuidasse dele enquanto você treina.

Foi então que Hyoga se lembrou do filhote de Macaco de Taiwan que ele ajudou e que fora levado por Ikki, ele pensou que o leonino tinha feito do bichinho seu jantar. Quer dizer que Ikki mandou o bichinho para Shun? Ele deixou que o bichinho vivesse por causa dele? Não... Ai já é demais. Pelo menos para Hyoga, isso já era um absurdo se tratando de Ikki, pois ele não conhecia o lado carinhoso do temível Cavaleiro de Fênix tão bem quanto gostaria.

¬ Eu não sabia se você tinha colocado nome nele, então eu tomei a liberdade de chamá-lo de Goku. — Shun ainda tava falando do macaco? E que raio de nome era aquele? — Na verdade o nome foi ideia do Seiya. — isso explica tudo.

¬ De nada, Shun. — falou só para não deixar o outro falando sozinho.

¬ Ah! — o tom mudou. — Já estava até me esquecendo. — o tom era sério, quase ameaçador, coisa rara se tratando de Shun. — Alexei! — ih, fedeu. — Que história é essa de pneumonia?

¬ Ah... — e agora? — Sabe como é né?!

¬ Iie. — ele engoliu seco. — Não sei como é, então me explique.

¬ Eh... — desculpa esfarrapada a caminho. — O Ikki quer falar com você!

Nada melhor para se livrar da ira de Shun, do que passar a bomba para seu irmão, o único homem na face da Terra que chegava a incentivar aquele lado de Shun Amamiya. Livre do telefone, Hyoga terminou de comer o mais rápido que podia e voltou a deitar, tentando dormir, talvez o telefone não voltasse assim. Já Ikki, mal encostou o telefone na orelha que já estava sendo bombardeado.

¬ Mas, Shun... — tentava argumentar em vão. — Mas... Mas... Shun... — a situação estava feia. — Ah... Eh... Hã?!... Você tá louco!... — Hyoga estava quietinho, apenas ouvindo. — Mas... Ahh... — desistiu. -Tá... Tá bom... Boku mo Aishiteru... Hai... Ja ne...

Desligou o telefone com um suspiro cansado. Shun não parava de pressioná-lo desde que ele assumira, ou melhor, descobrira, a mais de 1 ano, estar apaixonado por Hyoga e para piorar o patinho estava precisando dele. As caras e bocas que ele fazia eram a parte mais divertida e, as vezes, atraente da convivência, principalmente quando o aquariano corava. Hyoga estava enfraquecido demais para se virar sozinho, por isso Ikki o ajudava, e por mais incrível que fosse, Ikki estava feliz com aquilo, Hyoga precisava dele, de certa forma.

Olhou para o aquariano, que julgou estar dormindo, e se aproximou perigosamente do rosto dele, como vinha fazendo já à algum tempo durante o sono do loiro.

¬ Durma bem, Hyoga. — e estalou um beijo em sua testa.

Enquanto Ikki se arrumava para dormir, o rosto de Hyoga queimava e a esperança, juntamente com a alegria, transbordavam em seu peito, logo se viu obrigado a dar as costas para Ikki, pois sua cara de bobo junto com a vermelhidão de seu rosto, acabariam por denunciá-lo.

Moral do dia: Escolhas difíceis sempre devem ser tomadas, na pior hora é você ou os outros.

Notas finais
Eu queria usar humanos, mas me encheram o saco para colocar animais, então acabou que ficou assim :P Então, defensores dos animais, POR FAVOR NÃO ME MATEM!! TT^TT Eu espero que tenham gostado ;) Bjs. L :3