Fênix da Noite Estrelada

35 Entre Deuses e Mortais - Final


Notas iniciais
Gente calma! Eu sei que tá grande, mas pensa assim: É o último monstro! Boa Leitura :)

Eu sei que a vida é assim, às vezes cruel, e nem tudo sai como a gente escolheu. E as coisas não são fáceis de entender, sou criança ainda, mas não é por isso que deixo de ver. Porque é tão difícil ganhar e tão fácil perder? Porque o mundo sempre tira o que nos faz bem? O que nos deixa feliz? Eu juro que não sei o porquê. Mas se tudo vou perder, eu quero que isso acabe também.

Então... Se nos pudermos juntar nossas forças para vencer... Podemos ganhar! Podemos acabar com a dor! Podemos acabar com a guerra! Mas tenho que usar de toda minha força para vencê-los, para convencê-los. Eu quero ganhar! E farei o que for preciso para vencer! Eu vou lutar pelo amanhã que vale a pena estar, pelas vidas que valem a pena salvar e não vou parar, eu vou encontrar o que há de melhor neles, vou encontrar o que há de melhor em mim, em nós e vou dar um jeito de vencermos! Vou vencer! Vou proteger! Vou lutar!

Eles não vão desistir, eu não vou desistir, não vamos desistir. Prometemos que sempre estaríamos aqui, dando forças um ao outro, apoiando um ao outro, e para não ficarmos sós iremos lutar. Lutar por nossos ideais. Lutar pelo amanhã. Lutar pelo que é nosso. Lutar até cair de joelhos. Lutar para proteger. Lutar! Lutar! Lutar! NÓS VAMOS LUTAR!!

Grupo Enides – Moscou, Rússia, 03:34

Sua cabeça latejava de dor, sentia-se mais do que desconfortável e a vista estava um tanto turva, tombou a cabeça e pode ver alguém ao seu lado. Demorou um pouco até focalizar melhor, era Seiya. O sagitariano estava de costas, onde podia-se ver uma queimadura enorme cobrindo-lhe o tronco, o ferimento ainda borbulhava e sangrava, além de expelir um liquido amarelo e mal cheiroso. Ele estava sem metade da armadura e tinha um liquido negro escorrendo por ele. Aquela visão deixava um gosto ruim na boca, então virou o rosto para o outro lado, vendo mais alguns soldados em estado semelhante, será que estava em algum tipo de enfermaria? Mas como isso era possível? Até então estava em batalha.

¬ Finalmente a Bela Adormecida acordou! — a exclamação era animada e um tanto sarcástica.

Ele voltou-se para o “teto” e encontrou um par de olhos tempestuosos, reconheceu imediatamente o dono das íris acinzentadas. Ele se sentou em um salto, mas logo se arrependeu, uma dor maldita o atingiu por todo o corpo. Foi impossível não gemer de dor e tombar lentamente para o lado. O moreno estava olhando para o céu, vendo-o ser cortado por caças e depois voltou a olhá-lo.

¬ Você tá bem estragado. Recomendo evitar movimentos bruscos e espere que o sangue dos deuses faça o devido efeito em você e em sua armadura. — comentou. — Sorte sua que chegamos a tempo, as coisas não estavam nada bonitas.

¬ Para de enrolar e me diga o que está acontecendo, Aiacos de Garuda! — ele rosnou enquanto endireitava a postura.

O juiz sorriu e estendeu-lhe a mão. O ato o fez recuar, aquela cena estava muito mais do que estranha aos olhos dele, não faz nem 10 anos que aquele homem era o inimigo e agora estava se comportando como se fossem amigos de longa data, sem contar que até pouco tempo atrás ele estava no meio de uma batalha, então onde diabos estava na companhia daquele homem?

O moreno suspirou cansado, segurou-o pelo pulso firmemente e o levou quase que na marra até uma janela, de onde, horas e horas tentando explicar algo foram resumidas com uma única visão. Podia-se ver Espectros, Marinas e Cavaleiros lutando lado a lado contra os Terroristas e servos de Afrodite.

Via os caças voando baixo pelas ruas e atirando por toda sua extensão, sendo seguidos de perto pelos que atacavam em terra. Estavam limpando caminho até a Catedral de São Basílio. Se antes o sangue banhava o calçamento da cidade, ele agora se misturava ao calçamento já vermelho. O caça pilotado por Saga era o que mais causava estragos, não errava um único tiro e parecia que nenhuma bala era desperdiçada. Podia jurar que estava vendo Kanon e Radamanthys de Wyvern lutando e protegendo um ao outro enquanto tentavam chegar à São Basílio, logo atrás do caça de Saga, que seguia impiedoso pelas ruas e avenidas.

Outra coisa que o assustou foram as armaduras, escamas e sapuris. Estavam muito diferentes do original. A Armadura de Gêmeos, por exemplo, parecia ter sido cortada ao meio e unida a uma sapuris, o lado esquerdo da armadura era negro e o direito dourado.

“... espere que o sangue dos deuses faça o devido efeito em você e em sua armadura”.

Sua visão correu mais do que imediatamente para o próprio corpo, sua armadura estava diferente, não sabia dizer se era para melhor ou pior, mas ela estava diferente. Então começou a unir os pontinhos e a recordar-se de alguns poucos episódios. Coisas que lhe falavam desde menino, coisas que ouviu por ai.

“Agradeça a Abusada”.

“Vamos usar tudo? Então também podemos chamar os Reis”.

“Na mitologia grega existem três grandes deuses, conhecidos como Três Reis ou Três Grandes. Zeus, Poseidon e Hades. Geralmente, quando inimigos, o mundo sofria em suas guerras, mas quando unidos em alguma causa, não existe mortal, deus, semideus, titã ou monstro capaz de colocar-se entre eles”.

“Uma armadura, quando banhada pelo sangue de um deus, adquire um poder ainda maior ao que possuía anteriormente”.

“O dia em que os deuses, ao menos a maioria deles, deixarem seu orgulho de lado e se unirem, o mundo certamente será um lugar pelo qual vale a pena fazer guerra”.

Ele riu-se do bendito destino maldito. Quando voltasse, deixaria aquela menina de castigo pelo resto da vida, mas não antes de abraçá-la e apertá-la até os olhos saírem. Ela era uma menina única e valia as Doze Armaduras de Ouro juntas.

¬ Pela sua cara. — comentou o Espectro enquanto observava outro soldado, o colocaram para fiscalizar os soldados feridos e estava odiando aquela função, ele nasceu para lutar e não para servir de babá. — Você já compreendeu tudo não é mesmo, Cisne? — confirmou sem desviar o olhar da cena. — Ótimo! Aproveita e leva aquele cara ali. Eu não vou ter paciência para aguentar ele não. Já me basta ficar “responsável” pelos feridos, ter que salvá-lo daquele atentado suicida ao estilo Kamikaze e ainda aturá-lo é abuso!

O aquariano girou nos calcanhares e se deparou com o sagitariano, este parecia um tanto quanto incomodado com a nova “roupa”, não parava de mexer os ombros e balançar a perna direita. Mas o que mais o espantava o aquariano eram o sumiço das queimaduras. Tinha uma na bochecha de Seiya que estava cicatrizando muito rápido, a culpa era daquele liquido negro que circundava o ferimento e reconstruia a pele queimada ao seu estado natural. Era uma visão perturbadora e que nem parecia incomodar o sagitariano.

¬ Isso aqui é apertado. — comentou.

¬ Seiya...

¬ Não fala nada! — ele gesticulou um “Pare” irritado. — Meu cérebro nunca foi grande coisa, disso eu sei, mas se você me contar alguma coisa que só o faça piorar, eu juro que te mato! — o sagitariano foi até a janela e observou o cenário lá fora com uma atenção fora do normal. — Ok. Nada do que você diga será capaz de piorar meu estado. Isso já foi o bastante. — afirmou ao apontar para fora. — Onegai, agora, alguém pode me explicar?

¬ Hun. — a mão de Aiacos segurando uma romã surgiu entre os dois, apontando para fora, de onde ele tirou aquela fruta ninguém sabia. — É só bater nos mesmos caras com que você vem batendo nos últimos 4 anos. — deu outra mordida e voltou a falar de boca cheia. — Acho que você ainda não percebeu, mas os Espectros e Marinas estão lhes ajudando. Só procure não acertá-los, sim? De resto, só posso dizer que uma menina, a quem a Lady Pandora fica chamando de Abusada, nos convenceu a lutar. — viram-no colocar a língua pra fora, pouco caso talvez. — Agora andem logo! O sangue dos deuses já ajudou vocês. Já estão novinhos em folha. — ditou já os empurrando para fora. — Quanto menos pessoas aqui, mais cedo eu vou pra briga!

Agora estavam do lado de fora de seja lá qual for o lugar onde estavam. Os dois se olharam com a mesma careta. Ainda tinha muito o que se conversar e se explicar. Ainda tinham um longo caminho para andar. Como? Onde? Porque? Quando? Quem? Não, quem não, ambos sabiam que tinha dedo da pequena libriana naquela história, mas eles queriam muito saber o resto. No momento não era possível, porém, assim que a encontrassem ela teria muito o que explicar!

Seiya então se curvou de uma maneira debochada, como se dissesse “você primeiro”, Hyoga esboçou um sorriso com o gesto do amigo, só mesmo o sagitariano para conseguir brincar em situações como aquela, e partiram para batalha que os aguardava.

Saga os guiava pelas ruas e abria o caminho, Kanon e Radamathys estavam um pouco mais a frente terminando o serviço e sendo seguidos de perto pelos soldados. Os Bronze estavam vindo logo atrás e em breve os alcançariam. Perceberam todas as mudanças de suas armaduras, não somente na aparência como na força também, de repente, ficou fácil passar pelos supersoldados e voltar a avançar sem parar.

Hyoga não sabia dizer o porque, mas quanto mais próximo ficava de São Basílio, mais ódio e medo sentia em seu coração. Não sabia dizer o porque, mas queria ver aquela deusa tombar por suas mãos.

Grupo Éris – Verkoiansk, Rússia, 03:51

Sua armadura tinha mudado quando Kiki estourou um frasquinho de vidro contra ela, mas nem deu atenção a "transformação", a atual situação detinha toda sua atenção e ódio.

¬ EU EXIJO EXPLICAÇÕES, MOCINHA!! — era impossível dizer se ele estava com raiva ou furioso. — AGORA!! — furioso.

¬ Mais respeito, Fênix! — exigiu enquanto lutava com um Flecha. — Não é só com sua filha que esta falando!

Hades. Anna. Não sabia dizer quem. Conseguiu fugir de um golpe do Flecha dando a volta nele e se colocando logo atrás do mesmo, transpassou o corpo e armadura deste com a espada e ainda alavancou a arma para cima, deixando um talho de 20cm no corpo antes do mesmo cair inerte. O corpo do adversário anterior mal tinha tombado por completo, que a cabeça de outro já estava rolando pelo campo de batalha.

¬ CALA A BOCA!! — uma coisa dessas intimidaria homens e preocuparia Cavaleiros, mas nunca conseguiria deter um pai. — EU TÔ FALANDO COM A MINHA FILHA, NÃO COM VOCÊ!!

Em meio a confusão inicial, o moreno havia conseguido uma faca e agora fazia uso dela para lutar. A todo momento podia-se ver a faca indo de uma mão para a outra do leonino, podia-se vê-la sendo solta quando uma mão era presa e sendo pega pela outra para dar o último golpe num inimigo, ou sendo atirada e se cravando no peito ou testa de outro antes de ser retomada para prosseguir com a luta. Vez ou outra o leonino fazia uso de seu cosmo, mas como estava meio debilitado, o melhor a fazer era evitar usá-lo.

¬ OTOU-SAN!!

Se virou a tempo de captar alguma coisa voando em sua direção. Automaticamente ele se abaixou e ouviu um grunhido, quando olhou para trás viu um dos inimigos com um pedaço de ferragem fincado na testa e o sangue deste escorrendo pelo rosto. Ele tombou com um baque e logo foi esquecido e pisoteado por muitos outros inimigos. Ikki olhou na direção contraria e viu Anna. Não a mistura de Hades e Anna, mas sim a sua pequena Anna. O mesmo cabelo, os mesmo olhos, a mesma pele, o mesmo tudo – com exceção do corpo de mulher e sapuris que vestia, é claro. Porém, logo a menina voltou a se tornar aquela mistura estranha e direcionou sua atenção para batalha.

O mais velho não ficou para trás, lutava ferozmente, sem dó, sem clemencia. Não se sentia mal em matar aqueles homens, conseguia ver que eles não eram mais humanos. Os deuses haviam abandonado suas almas há muito tempo.

¬ Naze? — questionou em um pequeno intervalo.

¬ Porque eu morreria de desgosto se não ajudasse. — a resposta veio pela voz da libriana e somente na voz dela. — Eu chamei Hades e Poseidon para ajudar na guerra, Otou-san. — ela lutava sem parar com os inimigos que vinham em ondas para cima dela. — Fiz isso por todos. Fiz isso por nós. — ela falava de forma serena, nem parecia estar em meio a uma luta em que era um sacrifício se manter de pé. — Eu renovei um pacto milenar e vou pagá-lo, mas eu lhe imploro Otou-san, não me julgue por fazer o que acredito ser certo ou o que eu faço para protegê-los.

Ikki se calou. Sabia do que a menina era capaz, mas não tinha ideia de que ela era capaz de fazer uma coisa dessas. Seu maior problema não era com a “ajuda” e sim com o fato de que era sua filha que estava colocando a vida, se não a alma, em risco para acabar com a guerra. E ainda tinha os pequenos que estavam em algum lugar sozinhos.

¬ Oto!!

Ikki virou-se imediatamente na direção da voz que jurava ser a de Miguel. A mesma figura enorme que tinha visto antes, aquela que estava derrubando soldados ao longe e que parecia um monstro mitológico, estava a sua frente. Se fosse descrevê-la com uma ou duas palavras ele diria King Kong. Era exatamente isso que aquele ser era, o King Kong, só que com três caras em uma única cabeça, dentes e garras do tamanho de um homem adulto e o bicho em si era do tamanho de um prédio. O King Kong de verdade era um bichinho de pelúcia comparado.

Tinha dois tufinhos de cabelo no alto do pescoço do bicho, um tufo loiro e um tufo negro, e o melhor de tudo era que não precisa ser gênio para saber de quem se tratava. A raiva o invadiu por completo.

¬ SARAH?! MIGUEL?! — os pequenos sorriram e acenaram para o pai japonês enquanto que o monstro continuava a bater e esmagar os inimigos que chegavam perto. — MAS O QUE....?!

¬ Goku cuida de Mi e Sa. — respondeu a pequena escorpiana.

Goku?! Então aquele bicho era o mesmo macaquinho que não desgrudava de Anna e Shun?! Ikki não teve muito tempo para se permitir ficar confuso, logo teve que voltar a lutar, mas ainda conseguiu vê-los se afastarem e voltarem a mergulhar naquele mar de sangue. Sua reação quanto a isso foi nenhuma, no entanto, ele tinha a necessidade de culpar alguém.

¬ KIKI!!

¬ COM TODO O RESPEITO!! — o ariano estava relativamente longe e consideravelmente mais encrencado, era justo estar bravo. — QUANDO FOI QUE VOCÊ SE TORNOU HISTÉRICO?! NÃO DAVA PRA DEIXAR OS DOIS LÁ!! E EU PROMETI PROTEGÊ-LOS E É O QUE ESTOU FAZENDO!!

Nisso ele não podia discordar. Quando se tornou histérico? Ah, sim. Quando descobriu que era pai de TRÊS!!

O leonino não era alguém fácil, mas também não era impossível. A vida para ele era simples e não havia necessidade de se ostentar bens materiais. Para ele, uma mochila nas costas e algumas moedas no bolso era a vida perfeita, desde que aquilo que ele mais amava estivesse em um lugar seguro e muito bem protegido. Quando mais moço, o moreno largava o irmão pra viajar com a consciência limpa, afinal, se algo desse errado, os demais Bronze estavam ali para ajudá-lo, sem contar que o virginiano já não era um bebê. Mas agora ele tinha filhos e estava contando com o ariano para protegê-los em Jamiel, um dos lugares mais inacessíveis do mundo, se não o mais inacessível, e agora lá estavam eles, no meio do campo de batalha, justamente o lugar que os queria ver longe.

A sua “histeria” se devia pura e simplesmente ao fato de que temia não conseguir proteger aquilo que mais lhe valia.

¬ ANNA!!!

Mais do que imediatamente o leonino se colocou entre a filha – o corpo dela pelo menos, já que era impossível saber quem estava lutando de verdade, a menina ou o Senhor do Inferno – e um inimigo que tentou atacá-la pelas costas em um momento de distração. O resultado disso foi um machucado bem feio na área do abdômen, ao ver o machucado ele apenas olhou torto para o inimigo antes de matá-lo.

¬ NU!! — a voz de Anna se fez maior em meio ao caos.

Ao virar-se, Ikki pode ver que haviam cercado Kiki e que ele não estava mais conseguindo se defender como devia. Ele estava de joelhos, tentando se defender e defender Dohko que ainda estava inconsciente, porém um inimigo conseguiu atingi-lo e agora ele estava aturdido no chão. O inimigo ergueu os braços no intuito de esmagar a cabeça do jovem.

Anna corria em sua direção com a espada em punho, ela estava fora do domínio de Hades por aquele curto período de tempo, conseguindo decepar os braços de um inimigo e atravessar metade do tronco de outro. O moreno correu para ajudá-la, mas a menina estava tão distraída em proteger os dois que haviam tombado que nem percebeu o inimigo que chegara por trás.

¬ ANNA!!! — ariano e leonino gritaram em uníssono.

Tarde demais. O soldado atravessou o corpo da menina com o braço e esta golfou um pouco de sangue antes de girar a espada e atravessar o peito do inimigo com ela. Com a mão do inimigo fora de seu corpo e com mais alguns outros inimigos que foram derrotados no chão ao redor, a menina soltou a espada e acabou tombando para frente, direto para os braços do ariano que conseguiu se erguer com alguma dor na cabeça.

¬ Nu... — tentou desvencilhar-se dos braços do mais velho e pegar a espada novamente. — Eu estou bem, Kiki. — tentou convencer. — Otou-san. Vá em frente! Arg... — segurou o ferimento com força e voltou a ter a espada em mãos, ela queria continuar a lutar, se afastou e endireitou a postura. — Acaba com ela.

¬ Iie! — Ikki segurou o braço dela com força. — Você é minha filha e eu não vou deixar você!

Sentiu a menina se desvencilhar de forma violenta e com mais força que o normal. Hades havia voltado e o encarava com os olhos de sua filha, ele parecia estar com um pouco de ódio.

¬ Vá, Fênix! — ele colocou a mão sobre o ferimento e este se fechou — Você pode até não confiar em mim, mas eu jamais deixarei sua filha na mão novamente. — foi até de junto de Dohko e o jogou para cima, só deu tempo de ver ele ser levado por algo negro.

Devia ser um espectro menor que o pegou, este o levou para um avião. O avião era um Super Hércules muito bem armado que havia se aproximado do solo junto a alguns caças e agora atirava em tudo o que se mexia. Aquele com certeza era o Super Hércules pilotado por Shion. Assim que o libriano entrou pela porta traseira do avião, um pontinho violeta pulou do avião, criou uma cratera ao atingir o chão e em questão de instantes estava em batalha. Mu tinha se juntado à eles em terra.

Outro inimigo tentou atacá-los e o leonino parou com a brincadeira antes mesmo de começar.

¬ Eu cuidarei dela como cuidava de Dastan. — quem?! — Agora vá! Só você e Cisne podem confrontar a vadia da Afrodite! — Ikki não moveu um único músculo, a não ser aqueles que estava usando para lutar. — Vá! Se você não for agora, tudo o que você amou e ama vai ser destruído, Fênix! Agora, vá!

O leonino não soube dizer bem o porque, mas aquelas palavras calaram em seu coração e ele sentiu-se obrigado a partir. Olhou uma última vez para trás e pela primeira vez em sua vida rezou, rezou pelo bem dos que amava, e se colocou a correr o mais depressa que podia para Moscou. Ele já estava de saco cheio e jurou a si mesmo que faria Afrodite pagar de qualquer maneira. Nem que tivesse que dar a própria vida para isso.

Grupo Galena – U.S.S. Messenger, Mar de Kara, 04:03

O libriano ainda tossia muita água e o aquariano ao seu lado, que tinha acabado de acordar, não estava muito diferente do mais velho, a única diferença estava no fato de que ele encarava melhor aquelas presenças.

¬ Com todo respeito. — tossiu mais um pouco. — O que estão fazendo aqui, Sorento?

¬ Estamos aqui para ajudar. — o cenário de caos não combinava em nada com a calma usada naquelas palavras. — Marianas e Espectros estão lutando pelo fim da guerra. E estamos aqui para acabar com ela de qualquer jeito. Então levante-se, vista sua escama e venha lutar.

Só teve tempo de vê-lo soprar algumas notas em sua flauta, sair andando sobre a água enquanto um navio ali perto afundava e outro explodia em milhares de pedaços, os corpos caiam como pedras da água e os pedaços das embarcações se tornavam verdadeiras laminas em queda livre. Aquela visão o fez lembrar-se do quão perigoso podia ser um Marina.

¬ Isaak. — chamou o senhor do mares. — Você sempre foi fiel, e eu, Poseidon, o restituo de seu posto como Marina de Kraken. Mas eu, Julian, o chamo para lutar ao meu lado como um amigo.

O grego estendeu a mão com um pequeno sorriso envergonhado, como em uma oferta de paz depois de ter feito uma grande besteira, e com um sorriso confiante o finlandês agarrou a mão do mais velho.

¬ Sou imensamente grato à Atena. — declarou. — Mas o mar me acolheu e me criou. Por mais que eu ame meu Mestre como a um pai, por mais que eu ame meu amigo como a um irmão e por mais que eu ame a minha família, o mar é o meu lar.

Ao longe, pode-se ver algo voando sobre a água, vez ou outra batendo nela e criando um rastro. Aquilo emitia um brilho forte, voava velozmente na direção deles e destruía tudo o que bloqueava seu caminho ao passar. Aquilo envolveu o corpo do aquariano, pedaço por pedaço, em questão de instantes ele estava vestindo a Escama de Kraken inteirinha, remexeu um pouco os ombros, como se estivesse se readaptando e esboçou um mínimo sorriso.

¬ Me sinto em casa. — comentou.

Isaak saio correndo em disparada e mergulhou sem olhar para trás, pouquíssimo tempo depois podia-se ver um navio sendo jogado para cima pela força das ondas e sendo engolido por elas, enquanto isso o finlandês emergia na direção de outra embarcação com intenções ainda piores do que quando abateu a primeira nau, usando a força das águas como se fizesse parte dele, como se tivesse nascido com ele. Ele parecia tão natural naquele ambiente, que por um instante o libriano realmente acreditou que o mar era uma extensão do mais novo.

Shiryu ouviu um baque surdo e quando deu-se conta de tudo o que acontecia, sua armadura o envolvia e o próprio Senhor dos Mares reencarnado estendia-lhe a mão para se erguer. Ele aceitou a ajuda com um pouco de receio, afinal, ainda lembrava de cada golpe que deixou cicatriz. Olhou para baixo e quase não reconheceu sua armadura.

¬ Mas o que?! — foi mais forte do que ele.

O libriano começou a se olhar espantado. A armadura estava tão diferente. Sua pele mal ficava a mostra, as peças da armadura eram maiores e aparentavam ser mais fortes do que antes e a maior parte da armadura se ligava ao corpo dele como uma roupa. Mas a aparência era o que assustava de verdade, estava totalmente diferente. Como isso aconteceu?!

¬ Cortesia nossa. — respondeu o deus. — O nosso sangue alterou um pouco o visual da armadura e o poder dela, tudo para que vocês pudessem lutar como iguais com esses pobres homens que se tornaram verdadeiros fantoches nas mãos de Afrodite.

Sangue?! Como na guerra contra Hades?! Quando eles tiveram suas armaduras banhadas com o sangue de Atena?!

¬ Porque vieram? — apesar do caos ao redor, seu tom era calmo.

¬ Além de estarem manchando o meu reino de sangue. — respondeu um tanto mal humorado. — Uma criança pura veio nos pedir ajuda, ela soube ler-nos e soube nos convencer. Ela me fez lembrar pelo que eu lutava. — explicou. — E eu lutarei pelo meu ideal.

Ele então deu as costas ao libriano e se embrenhou na batalha junto aos seus fiéis generais. Shiryu olhou ao seu redor. O mar estava tingido de vermelho, corpos afundavam devagar em suas águas e naus se despedaçavam ao emborcarem. Era o puro Caos, mas ele conseguiu ver a ordem, ele conseguiu ver a esperança.

Não odeie o mar, pois ele te olha como o céu. O mar lhe dá certezas. O mar espelha o céu. O mar tira e recebe, devolve e dá. O mar é valente e sabe pagar aqueles que o fizeram pecar. O mar lhe faz pagar os pecados. O mar lhe recompensa os bons atos. O mar lhe dá a certeza de que sempre há esperança.

¬ SHIRYU!! — olhou imediatamente para o lado, vendo o aquariano correr sobre a água como um menino correndo sobre a grama. — VAMOS LOGO!! O MAR NÃO VAI TE COMER!!

Ele sorriu em resposta. O mar estava castigando aqueles que o fizeram pecar.

O libriano saio correndo e com algum esforço conseguiu se manter sobre a água, lutando ao lado de Isaak, ele não sentiu mais ódio do mar.

Grupo Gaya – Fronteira Russa, Ucrânia, 04:18

Ele não se sentia bem ao matar, na verdade, sentia-se mais do que desconfortável, dava para dizer que estava com nojo de tal ato. Ele nunca se achou no direito de tirar uma vida e, por mais que agora isso fosse necessário, continuava a se achar fora do direito.

Houve um curto momento de sua vida, um momento que preferia esquecer acima de tudo, em que matou sem pensar duas vezes, em que fez coisas que nunca se imaginou fazendo e que não mediu esforços para fazer o que queria, mas isso ficou no passado, só que o seu atual presente o fazia reviver tudo aquilo.

Ele lutava, não abria brecha para ninguém e nem nada, cumpria sua função e matava os inimigos antes mesmo de poder sentir culpa por seus atos. Quem o visse, poderia dizer que ele estava dançando ao atacar, uma dança graciosa e mortal, porém, o sangue que respingava parecia macular sua armadura sagrada, parecia torná-la menos digna de tal nomenclatura.

O prateado via isso, mas também via que ele estava passando por um pouco de dificuldade. Sem titubear duas vezes, ele arrancou um frasco da cordinha que levava no pescoço, destampou-o, voou o mais alto que podia e jogou todo o conteúdo no campo e batalho, que caio como uma chuva negra. O virginiano mais novo nem se quer notou tal ato e também não notou quando sua armadura começou a mudar, apenas continuou lutando.

Vez ou outra ele olhava para os lados, procurando pelo virginiano mais velho, que já tinha acordado e já estava de volta a ação, com um pouco de preocupação, voltando a lutar logo em seguida.

Tinha acabado de empalar um inimigo com suas correntes quando o prateado voltou a pousar e se colocou a lutar ao lado dele. Costas com costas, eles não deixavam um único inimigo passar.

¬ Com todo respeito que eu possa expressar. — começou o mais velho. — Eu sei que você tomou a escolha de lutar, mas se sente desconfortável com isso. Então, eu vou te explicar nossa atual situação. — solidariedade não era muito comum de sua pessoa, no entretanto, tinha vezes que ela era necessária. — Afrodite andou fazendo coisas que não devia com esses homens. — explanou. — Já viu o filme O Exorcista? — o menor confirmou. — Lembra de como era o demônio no corpo daquela menina? — outra confirmação. — Então, é quase a mesma coisa que Afrodite fez. É como se colocasse um demônio dentro de cada um deles, mas isso é apenas o cosmo dela correndo pelas veias. E para piorar, é praticamente irreversível. — por uns instantes, Shun travou no lugar, mas logo foi trazido de volta a realidade ao ver uma cabeça rolando. — Já vi esse tipo de coisa em outros tempos e naquela época só tinha uma maneira da pessoa voltar ao normal. — Minos não parecia nem incomodado em matar, para ele era tão natural quanto escovar os dentes. — Sangrando até morrer. — o pequeno virginiano o olhou de soslaio verdadeiramente perturbado, ele estava dizendo que o único jeito de inverter aquilo era com um banho de sangue?! — O cosmo sairia com boa parte do sangue, caso a pessoa sobrevivesse, o que restou de cosmo em seu organismo seria combatido exatamente como um antígeno e a pessoa se cura. No entanto, é muito baixa a taxa de sobrevivência. — ele tinha acabado de rasgar um homem ao meio com as mãos nuas ao virar-se para o menor, como se esse gesto fosse ajudar em alguma coisa. — Por isso o banho de sangue.

A conclusão soou estranhamente natural e assustadora, porém, após essa pequena explicação, o cérebro de Shun estava trabalhando a mil, procurando uma solução melhor do que um massacre e até foi capaz de encontrá-lo, só que não era uma certeza, era apenas uma teoria. Em dado momento da batalha, Shaka juntou-se a eles, sua armadura também havia mudado, mas nem ele e nem Shun deram atenção.

¬ Pandora falou de uma tal de “Abusada”. — pronunciou-se o virginiano mais velho. — Quem é ela?

¬ Anna. — a resposta de Minos foi um tanto indiferente. — Anna é o nome da criança que nos convenceu a lutar. — ele olhou para Shaka com um sorriso jocoso. — Pensei que soube-se de tudo, Virgem.

¬ Não estou em um de meus melhores dias. — revidou mal educado.

¬ Como?! — o menor imaginou ter escutado errado com o caos que se fazia.

¬ Sua sobrinha soube conversar e convencer os nossos mestres a lutar. — é, ele não tinha escutado errado. — Ela quer a vitória desta guerra, agora o que ela deve dar em troca não fiquei sabendo. — se o objetivo era deixar Shun desesperado, estava obtendo sucesso. — Ela tem medo. Qualquer um pode ver, porém, sua coragem e determinação também é visível.

Minos jamais confessaria, podiam torturá-lo que ele permaneceria de boca fechada, mas foi justamente a coragem e determinação de Anna que o fez ter vontade de segui-la. Ainda se lembrava com clareza sem igual da pergunta feita por ela e por seu senhor depois de fundidos: “Vocês me seguiram uma última vez?”. O prateado foi o primeiro a se ajoelhar com todo o respeito que possuía. Ali não estava somente o seu senhor, estava uma menina que possuía qualidades raras e um caráter admirável, valia muito a pena seguir alguém assim.

¬ É em momentos como esse que eu me espanto ao ver o que os mortais são capazes de fazer por quem amam. — Pandora pronunciou-se, acabara de chegar ali e já tinha matado três inimigos. — Até mesmo “vender a alma pro diabo”, como vocês costumam dizer. — comentou com um pequeno riso.

¬ Ela quer o fim dessa guerra. E nós também. — confessou o prateado. — Mas para isso, precisaremos de todos. Então... — Minos mandou um olhar significativo para Shun. — Você vai lutar ou vai chorar pelos que morreram de adiantado?

Shun não gostava de lutar, muito menos de matar. Mas não gostava quando o chamavam de covarde.

Em um piscar de olhos, parte das correntes envolveram o mais velho e ondulavam de um lado para o outro, como se tirasse sarro de Minos e aproveitasse para escolher por onde começaria a despedaçá-lo.

¬ Não me subestime, Minos. — seu tom era semelhante a um rosnado.

O juiz apenas sorriu. Mestre Hades tem bom gosto. Havia escolhido um guerreiro de verdade para ser seu receptáculo. As vezes é bom seguir alguém assim. Shun o soltou pouco depois e voltou a batalha, seguindo sempre em frente no campo de batalha e sem olhar para trás ou se arrepender.

Catedral de São Basílio, QG Vênus Maxima, Rússia, 04:21

Afrodite não acreditava no que via, sua respiração era inconstante e seu desespero era quase palpável.

¬ REÚNA AS TROPAS, MARS!! — virou-se ensandecida na direção de seu mais fiel servo. — ELES NÃO PODEM ENTRAR!! VÁ!! VÁ!!

O Flecha não questionou sua senhora, se surpreendeu com o comportamento, mas não a questionou, apenas seguiu as ordens dadas. Saio correndo dos aposentos para cumprir sua função.

¬ Eles não podem entrar... — a deusa rosnava para si mesma. — Eles não podem entrar.... Eu não voltarei ao Tártaro... Eu não serei castigada... Eu não vou me submeter... Eu não vou me humilhar... EU NÃO PERDEREI MEU DIREITO!!

Notas finais
Gente, eles estão com as armaduras do novo filme OK? E finalmente acabei esse pedaço =D Espero que tenham gostado :) Bjs. L :3