Fênix da Noite Estrelada
38 A-Anna?!
Notas iniciais
Espada deve ser a arma mais comum no Olimpo e Inferno, porque todo mundo tem, até mesmo deuses renegados.
Não podia negar. Aquela desgraçada era boa no manuseio da arma. Estava frente a frente com a deusa, ele a tinha feito prender a espada em uma pilastra qualquer, em contrapartida, ela o fez largar sua faca de caça em algum lugar. Ambos armados apenas com sua cosmo-energia se encaravam com ódio assassino. Ao aquariano só foi permitido assistir a luta enquanto as correntes derretiam pelo calor gerado por Fênix sem nem mesmo machucá-lo.
¬ Hyoga. — chamou. — Assim que essas correntes derreterem de vez, eu quero você fora daqui.
¬ Também sou um Cavaleiro, Ikki. — retrucou.
O mais velho lhe dirigiu o olhar mais irritado e preocupado que podia possuir. Um pedido mudo de desculpas acompanhado de um tom ousado de ordem impregnava seu olhar.
¬ Será que ao menos uma vez na vida você pode me ouvir e fazer o que eu falo?!
¬ Está olhando para onde, Phoenix?
O leonino só teve tempo de desviar da própria faca de caça. Endireitou a postura a tempo de ver a deusa tentar pegar a espada de volta. Não ia ser fácil assim. Tanto que ele se apressou em pular e pisar no punhal da arma, depositando seu peso ali. A arma explodiu a pedra de forma violenta para sair de sua prisão e quase acertou o rosto da dona, que desviou por pouco.
A deusa não deixaria barato. Ainda em pleno ar, agarrou a arma e atacou o moreno, este defendeu com a manopla da armadura. O impacto fora mais forte que o imaginado e o cavaleiro fora arremessado para uma pequena fresta que existia entre uma pilastra e a parede, a manopla tinha trincado. Olhou para cima quando se estabilizou, vendo a deusa em pé no alto da pilastra. Com um urro de esforço, ele empurrou a pilastra até que ela se partisse e caísse.
A deusa permaneceu em pé no mesmo lugar, com a arma pousada no ombro, enquanto a pilastra iniciava sua queda sem afetá-la. Livre de seu enclausuramento, o leonino avançou, tentou acertá-la com o punho em chamas, mas ela contra-atacou de forma que os dois fossem atirados para lados opostos.
Afrodite apoiou-se na arma e o chamou em tom de provocação com um gesto silencioso. Aquilo fez os dentes de seu adversário rangerem tamanho era o ódio que sentia. Pediu? Agora vai levar.
Não pensou muito quando atacou, tanto que foi repelido com facilidade e quando se deu conta, a deusa estava o atacando sem chance de escapatória, ela quebraria sua armadura e o empalaria com um sorriso de vitória estampado no belo rosto. Ergueu o braço por instinto e quando a ponta da arma finalmente chocou-se com a armadura um forte brilho os cegou. O tempo pareceu correr mais devagar por meros instantes.
Quando a deusa olhou melhor, sua expressão era de surpresa, a armadura não só brilhava pelo cosmo que emanava como também resistira ao feroz ataque, as rachaduras estavam até mesmo se fechando, como se nunca tivessem existido.
¬ Apesar de não gostar nem um pouco disso. — a voz do leonino estava um tanto falha pelo esforço. — O cosmo e sangue de Atena, Hades e Poseidon me protegem e aumentam meu poder. Tem certeza que deseja apostar tudo em uma luta?
A deusa não teve tempo de formar uma resposta. O leonino tinha pego a lamina da espada sem medo algum e usou-a para arremessar a deusa para longe. Caio em pé por sorte, mas assim que se virou, só sentiu uma lamina cortar seu rosto. Olhando para parede viu a faca de caça e sentiu seu sangue divino, Ichor, escorrer. Voltou a encarar o leonino com fúria, ele sorria ladino e imitou seu gesto de provocação.
A deusa avançou com tudo, mas como dito anteriormente, ela pediu e agora receberia.
O leonino tinha sido lançado para longe e só parou depois de derrapar por mais de 15 metros, mas não se abalou. A deusa avançou sobre ele e acabou sendo surpreendida da pior maneira possível. Ele a deteve e a arremessou de novo ao agarrar a lamina, no entanto a deusa não perdeu a compostura. Ela caio e arrastou alguns bancos consigo antes de parar, acabou ficando sentada como se estivesse ali desde cedo. Cruzou as pernas, apoiou-se na espada e sorriu.
¬ Então deseja brincar? — questionou. — Tudo bem. Ensinarei a criança com quem falo como se brincar de Matar.
O leonino deu-lhe as costas e soltou um pequeno riso.
A deusa praticamente voou ao seu encontro com a espada em punho, ele fazia o mesmo com uma viga de ferro. Faíscas surgiram com o impacto, mas nenhum dos dois se feriu. A viga caio partida ao meio. Afrodite pousou em segurança e se virou para ver o leonino sentado em um banco perigosamente empilhado sobre outros móveis, ele parecia bem despreocupado para alguém sentado em um banco que pendia de um lado para o outro.
¬ Vai me ensinar a brincar de Matar? — riu-se. — Onegai... Eu conheci um desgraçado que fez um trabalho em muito melhor que o seu em me mostrar o que era ódio. Matar foi algo que aprendi sozinho. — ele a encarou com um ar de superioridade. — Não preciso de uma deusa de araque para me ensinar a fazer meu trabalho direito.
A deusa apertou o punho da arma.
¬ Como é?
¬ É surda!? — volveu risonho. — Eu vou acabar com sua raça!
O leonino avançou com o punho em chamas, sempre o seu ataque mais forte, sempre o Hōyoku Ten Shō. Afrodite apenas colocou a espada entre eles. O punho se chocou com a espada, gerando uma reação violenta que foi contida e que agora gerava uma grande tensão. A disputa foi ganha pouco depois pelo punho do leonino, que acabou por arremessar a deusa.
Afrodite tentou se endireitar durante o “voou”, mas avistou o cavaleiro se aproximando mais rápido que o jamais imaginado. Este a agarrou pela perna, puxou de encontro a si, segurou seu pulso e com a mão livre enterrou sua cabeça no chão. Logo estava ajoelhado, segurando os cabelos da deusa com força e desferindo socos sem parar. O punho em chamas aumentava os estragos e afundava a deusa cada vez mais no piso, que erguia uma quantidade considerável de poeira. Somente quando sentiu os ossos da mão se quebrando tamanha a força que fazia para bater na deusa, é que o moreno a agarrou pelo pescoço e arremessou na direção contraria.
A deusa mal tinha se chocado com a parede que agora assistia sua própria espada vir em sua direção e atravessar-lhe o corpo com violência, prendendo-a na parede em que batera, a deusa se contorceu um pouco, mas logo silenciou-se. Pensando ter ganho, o leonino virou-se com um sorriso para o aquariano e começou a andar em sua direção. Mal dera três passos que tombara primeiro de joelhos e depois por completo.
¬ IKKI!! — as correntes ainda o prendiam, faltava pouco para se libertar. — IKKI!! — o outro havia caído, não respondia e agora uma pequena poça de sangue se formava, aumentando em muito seu desespero.
¬ Mars pode ter morrido, mas cumpriu seu dever até o último instante.
O loiro olhou na direção da deusa que saíra da parede e agora arrancava a espada do corpo, fazendo Ichor jorrar em jatos e manchar suas roupas. Ela se recuperou rápido do ferimento, que cicatrizou quase que imediatamente. Aquele não era o poder de um deus. Já vira deuses sucumbirem rapidamente com ataques iguais. Aquele era o poder de um titã.
¬ Decidiu dar as caras? — sua voz era repleta de ódio.
A deusa olhou-lhe com repulsa e igual ódio.
¬ Eu já cuido de você. Mas primeiro tenho que acabar com essa ave orgulhosa. — a deusa caminhava lentamente até o moreno. — O golpe Ibis de Mars parece um ataque tão tolo que apenas causa um pequenino buraco no corpo, mas se ele soubesse a quantidade de sangue e cosmo que perderia pelo simples buraco, não teria sido tolo de ignorar e vir me enfrentar. — a deusa virou o corpo com o pé. — Mas já é tarde demais, não acha?
A deusa empunhava sua espada acima da cabeça com um sorriso vitorioso. Desceu a arma com toda sua força sobre o leonino. O aquariano não quis ficar ali vendo, queria gritar e correr até ele, mas sua voz morreu e só lhe restou desviar o olhar embaçado por lágrimas.
Um barulho estranho ressoou. Era como vidro se quebrando.
A espada da deusa se partiu em milhares de pedaços quando estava prestes a arrancar a cabeça de Fênix. A deusa entrou em choque. O que estava acontecendo?! Como sua espada se quebrou?! Olhou para todos os lados e então viu uma corrente serpenteando pelo chão de forma ameaçadora.
¬ Você tem andando muito abusada e pouco atenta, Afrodite.
Os olhos se voltaram para porta destruída. O Cavaleiro de Andrômeda caminhava lentamente para dentro do aposento. Mas ele estava diferente, continuava fazendo uso de sua armadura, só que seus cabelos agora eram quase negros e os olhos eram um tom fosco de azul. Ele parou e sorriu. Aquela não era a maneira tradicional dele sorrir, era diferente, muito diferente. Por meros segundos pode-se ver uma segunda figura sobreposta à do pequeno virginiano.
¬ Hades?! — o aquariano quase engasgou com tal visão.
¬ Sentiu saudade? — perguntou com um sorriso.
¬ Desgraçado! — urrou a deusa.
A deusa avançou sobre o outro e este a impediu com facilidade a segurando pelo pescoço. Aquilo não era de se espantar. Hades era um dos Três Grandes, seu poder era em muito superior ao da deusa, que tinha sido rebaixada, consequentemente, ela era absurdamente mais fraca que ele.
¬ Afrodite. Diga-me uma coisa. — ele ignorava os atos desesperados da deusa em se soltar. — Você se lembra de Oráculo?
¬ Quem não se lembra daquela maldita? — a deusa cuspia enquanto tentava se soltar. — Quando ela e seus descendentes sumiram foi o dia mais feliz da minha vida. Só sobrando as Pitias, que foram destruídas séculos mais tarde. Foram dias gloriosos na minha opinião. — mesmo não estando na melhor das situações, a deusa sorria. — Porque?
¬ Porque quem nos trouxe aqui foi ela. — a deusa ficou muda.
¬ Impossível! Sua linhagem desapareceu quando meus homens destruíram Delphos! — bradou irritada tentando afrouxar o aperto em seu pescoço. — Ela desapareceu na história e nunca mais voltará!
A deusa parecia tão convicta de seu pensamento que acabou tirando risos do Imperador do Inferno encarnado no Cavaleiro de Andrômeda. As correntes que prendiam o aquariano por fim derreteram e ele se viu livre. Mesmo machucado, ele conseguiu chegar ao leonino e o sustentava como podia. Ele estava mais pálido que o normal e mal se notava sua respiração.
¬ Não. — o deus respondeu risonho. — Oráculo será quem lhe mandara para o Tártaro, mas vamos esperar ela chegar. — deu de ombros. — Na verdade, nem eu estou aqui, somente a parte de mim que vive no Cavaleiro de Andrômeda vai te segurar pelo tempo necessário.
Se aquilo era só uma parte de seu poder expressado através do cavaleiro, Afrodite se tinha como sortuda por não estar cara a cara com o deus.
¬ Maldito...
A deusa olhava de soslaio para os dois cavaleiros ali presentes, queria que eles sofressem, só com o olhar era capaz de exercer sessões de tortura como as que infligira ao aquariano mais cedo, no entanto, a presença do Imperador do Inferno a incapacitava de fazer qualquer coisa. Porque aquele maldito deus tinha que aparecer justo agora?!
¬ E não pense que lhe deixarei matar os Cavaleiros de Cisne e Fênix. — declarou.
O aquariano estava desesperado com o estado do moreno, estava prestando os primeiros socorros como podia, chegando a conter a perda de sangue e fechar o ferimento, mas queria que aquilo acabasse logo para que pudesse cuidar dele direito. Não estava muito contente pelo melhor amigo estar ali também, ainda mais com Hades se manifestando através dele novamente, porém, ele não estava em posição e nem condições para iniciar uma briga, então foi o mais educado possível quando decidiu se pronunciar.
¬ Como você consegue tomar controle de Shun?
O deus voltou-se para ele e aumentou mais a pressão sobre o pescoço da deusa que insistia em tentar se libertar. Qualquer deslize com aquela mulher podia ser uma declaração de morte para os três.
¬ Não é porque a Guerra Santa acabou que eu não possa possuir seu amiguinho. — respondeu. — Como eu disse, ainda existe uma parte de mim nele, além de uma forte ligação, mas só posso tomar controle dele em raras situações, tal como agora. — ele voltou a encarar a deusa, era perigoso tirar os olhos daquela mulher. — Porque acha que Atena quase fez dele seu braço direito? Ela o usa para se comunicar comigo. — ele aumentou um pouco mais a pressão no pescoço da deusa que agora lutava por um pouco de ar. — Agora, minha cara Afrodite, apesar de querer fazer isso pessoalmente...
Ele parou por meros instantes.
¬ ...Terei que deixar sua sentença para outra pessoa.
Eram três vozes. O aquariano se virou mais do que imediatamente para a entrada do lugar e sentiu o coração falhar uma batida com o que via.
¬ A-Anna?!
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