Férias, Macarena e Queijos
2 Lágrimas pela quadra
Notas iniciais
Guilherme
O céu estava claro. É meu primeiro pensamento quando acordo de manhã. E, não importava se ia chover ou não. Meu dia seria perfeito. Me levanto da cama com um sorriso. Ontem à noite foi surreal! Só eu e a Patrícia Amaral. No cinema... Ah, claro, e a Jess. Escovo os dentes e tomo uma ducha rápida. Hoje será o primeiro dia de aula pós-férias. Mas, não importa! Estou no primeiro ano do ensino médio e namoro à garota mais gata da escola! E pensar que até mês passado eu temia findar ter que me casar com a Jéssica, caso nenhum dos dois arranjasse ninguém ao chegar à casa dos trinta. Então, só uma coisa me afasta do sonho de uma vida perfeita: As duas garotas mais importantes na minha vida não se gostam.
Depois de tomar banho e terminar de me arrumar, saio de casa e começo a caminhar até o colégio.
– Como, diabos, convencerei duas meninas, que se odeiam desde o momento em que trocaram olhares pela primeira vez, a serem amigas? Principalmente se uma delas é melhor amiga da atual do ex-namorado da outra? – Falei baixinho enquanto caminhava pela avenida. Depois de mais ou menos 10 minutos, chego ao portão do colégio. Christi High é um local imenso! Pegava de uma esquina a outra, completamente branco e azul, possuía dois andares. Digamos que é o suficiente para aterrorizar centenas de alunos com a possibilidade de ficarem preso ali à noite.
Entro e vou até a minha sala. Ela é ampla. Possui dois quadros, sempre preenchido com anotações. Há várias cadeiras, distribuídas em seis fileiras a frente dos quadros. E para minha surpresa quem encontro sentada, no meu lugar, folheando uma revista? Ela mesma, a menina mais linda do mundo, Patrícia.
– Oi môzinho, estava te esperando. – Fala enquanto vem em minha direção. Ao chegar perto de mim lança os seus braços ao redor do meu pescoço, enquanto seguro sua cintura, e me dá um longo beijo. Escuto alguém pigarrear ao meu lado e interrompo a demonstração de afeto.
– Desculpe interromper a livre troca de saliva, mas preciso conversar com o Guilherme. – Jess nos encara e Patrícia revira os olhos.
– Acho que já vou indo então, Gui. Até o intervalo! – Nos despedimos com um selinho rápido, para a Jéssica não dar mais um ataque de recalque.
–Sério. Se essa periguete estudasse na mesma turma que a nossa... Juro que a mataria logo na primeira aula!
–Ah, me poupe Jess! Isso aí é falta de amor! Você sabe que ela não é nada disso e... Ela parece realmente gostar de mim.
– Falta de amor?! – fala com a voz esganiçada e, em seguida, dá um grunhido. – Desisto! Só um estúpido como você pra gostar de uma garota daquelas! E, ah! Temos um assunto muito importante a discutir! – a garota dá um largo sorriso enquanto larga a mochila na cadeira a minha frente.
–Ãm... E qual seria?
–A nossa viagem, seu tonto! – dá um dos seus socos que, por sorte, ainda não quebraram meu ombro e retoma.
– Guilherme, o cara que fechou nosso contrato, disse que todas as parcelas parecem já estar quitadas e vai nos enviar toda a programação, desde a saída de avião. Tudo bem organizado. E... Adivinha?! Nike disse que também vai! Pedi para ela falar com o pessoal da agencia para colocarem ela na mesma excursão que a nossa.
Ah, sim. Quase esqueci que faltavam apenas um mês para a grande viagem. Eu e Jess andamos planejando um super tour pelo mundo de uns anos para cá. Mas, como ainda somos adolescentes, menores de idade, sem permissão para cuidar do próprio nariz... Nos contentamos com uma viagem para Disney, com pacote adicional para Miami e Nova York. Vamos passar vinte dias fazendo compras, andando em montanhas russas e andando de limusine! E, agora, recebo a noticia de que Nikole, a garota mais foda e zueira da nossa sala, vai também! Esse dia só está ficando melhor...
– Já está tão perto! Faltam somente algumas semanas... E saiba que, enquanto estivermos lá, não quero ouvir uma palavra sobre seu romance com aquela... – encaro Jess com um olhar severo. – com aquele ser.
– Ok, ok. – Essa foi a deixa para nosso professor de matemática entrar em sala e pedir para todo mundo ir sentando. Coloco minha bolsa no chão e me assento na cadeira.
***
O dia passou voando. Mal consigo acreditar quando o sinal bate e todos os alunos correm para fora de sala. Tivemos seis aulas ao total. Seis aulas chatas e monótonas, como sempre.
– Ei, eu estou indo almoçar em casa hoje, ok? Me espera na biblioteca! – Jéssica já estava na porta da sala quando se lembrou de avisar. Há meses estamos tentando economizar dinheiro para gastar na viagem. Isso inclui dividir almoços e lanches no geral. Quando ela tem dinheiro, compra. Quando tenho, compro eu. E dividimos mesmo assim, sem cobranças. Creio ser o mais próximo do socialismo que já se existiu na historia da humanidade.
–Tudo bem. – Respondo, me encaminhando para fora de sala também. Claro que estava tudo bem para mim. Assim sobrava mais tempo para eu passar com Patrícia antes das aulas da tarde. A acompanho até o portão e volto para a biblioteca. Subo os degraus até lá, enquanto tento pensar no que dar para Patrícia. Seu aniversário já é próxima semana! Abro a porta da biblioteca e o cheiro de anos e anos de conhecimento me invade. Ali era o melhor local onde eu poderia passar o tempo. Havia computadores, e do lado esquerdo, um corredor que levava a um acervo imenso! Além das mesas dispostas ao longo de uma larga sala aonde os alunos poderiam se reunir para estudar, ou até mesmo conversar.
Sentei em uma das cadeiras e comecei a jogar no celular enquanto esperava que alguém me fizesse uma surpresa. Depois de vinte minutos, exatamente cronometrados, entendi que a Patrícia não deveria ter ficado no colégio para almoçar, ou até mesmo não deveria ter vindo assistir as aulas.
Vendo que não aproveitaria nada ali, me levanto, deixando minha mochila, e decido ir andar pelos corredores. Após descer as escadas e percorrer o pátio, cheguei à quadra. Resolvi testar meus arremessos. Deixei de praticar basquete ano passado... Peguei uma bola e comecei a quica-la contra o chão. Corri até a cesta e já ia tentar uma bandeja quando ouvi algo. Paro abruptamente.
–Tem alguém ai? – Falei, mais para o vento do que para alguém em especifico. Não ouvi nada em resposta a não ser um soluçar atrás de uma das arquibancadas.
Andei até lá com a bola na mão e então parei. Era a Jess. Ela está sentada na arquibancada, com os olhos marejados, de pernas cruzadas... Corri até ela para saber o que havia acontecido, mas, o que mais me deixava enfurecido era que eu sabia o que era. Ou melhor, quem era.
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