Férias, Macarena e Queijos
3 Ele de novo
Notas iniciais
Jéssica
Caminho emburrada até o ponto de ônibus. Maldita família essa minha. Sustentável e com amor pelo meio ambiente... Humpf. Suspiro e começo a digitar uma mensagem muito mal criada para Nikole, que me deixou a mercê de um transporte publico. Nossos pais são amigos, então quase automaticamente, viramos amigas também. A diferença é que os pais dela não são lunáticos e deixam-na andar de carro por aí, numa boa. E olha que ela ainda nem tirou a carteira! Porque justo hoje ela tinha que almoçar no colégio e não me dar carona, Pai?! Queria não ter esquecido o dinheiro do almoço. Acabaria economizando mais comer alguma coisa na escola do que pagar duas entradas de ônibus, na ida e volta... Escuto pneus se aproximando pela rua. Reviro os olhos e ponho meus fones de ouvido. A maioria dos riquinhos de Christi High tem seus próprios carros do ano para chegarem até o colégio. Olho de esguelha para o carro que está passando no asfalto e meu coração para de bater por um minuto. Uma Ferrari vermelha desliza em alta velocidade, passando bem próximo do acostamento. Entretanto, ainda consigo ter um vislumbre de quem está no carro. Samara Fonseca, Jonas DiPaulo e... Ele. Daniel Fernandes. Ele que pediu um tempo mês passado. Ele que disse que não dava mais para continuarmos com aquilo. Como se nosso namoro fosse algum tipo de comida azeda que não conseguia mais descer pela sua garganta. Como se tudo por que tivéssemos passado até agora, tivesse sido nada mais que uma diversão barata e facilmente dispensável. Caramba… Deve ter sido muito boa a sensação. Jogar tudo que aparentemente era importante até noite passada, para o alto. Ele diz que sente muito, vai passar… Mas eu sei que é mentira. Primeiro porque ele mente muito mal. Segundo porque nesse exato momento, o vi se inclinando para beijar Amanda Lopes. A garota mais e indescritivelmente fácil de toda a cidade. Encaro rapidamente o chão. Não quero ser vista. Não por eles. Não agora que meus olhos começaram a lacrimejar. Droga... Não quero chegar nessas condições em casa. Corro de volta na direção do colégio. Seu Juca, o porteiro, me cumprimenta, mas passo correndo. Não quero ir para biblioteca. Guilherme vai estar lá e com certeza vai me dar uma bronca e tanto por eu estar chorando por aquele idiota outra vez. Caminho apressadamente em direção à quadra. Não vai haver ninguém lá uma hora dessas. Desmorono perto da arquibancada. Coloco minha cabeça entre minhas pernas e tento respirar. Não tenho crises de asma há pelo menos cinco anos. Não pode voltar agora. Não por uma besteira como essa. Desperto com a voz do Guilherme. Não tinha reparado que ele estava ali. Não falo nada e tento enxugar as lagrimas depressa. Escuto passos se aproximando.
– Jess?
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