Futuristiku
1 WELCOME TO THE NEW AGE
Notas iniciais
— Hey, heeey, acorda. Acorda, garoto, eu preciso te contar uma coisa. — Parei de sacudi-lo assim que ele começou a resmungar e se mexer.
— E você não podia esperar até amanhã de manhã?
— Mas já é amanhã, só não é manhã, ainda. É sério, desperta de vez, preciso mostrar uma coisa.
Aiden colocou seus óculos e me fitou.
— Okay, não vamos surtar, tem…
— Você já tá surtada. — Comentou ele, me interrompendo.
— Cala a boca, deixa eu falar. Tem um troço no meu quintal, uma mini-nave, um óvni, sei lá o que é. Eu tava sem sono porque, vamos combinar, com dá pra dormir com essa coisa louca acontecendo? Eu tava no sótão de boa ouvindo música, comendo bobagens e espiando o céu pelo telescópio, até que veio uma claridade da porra, parecia um meteoro caindo, aí eu falei “caralho, que legal, eu vou ver isso” e fiquei de olho e… — Aiden me olhava como se eu fosse louca —, é sério, depois que eu terminar de contar, vamos lá. Então, continuando, de repente O TROÇO CAIU NO MEU QUINTAL! E não fez nenhum barulho, o chão nem sequer tremeu, tá lá…
— Coral, se você estiver me trollando mais um vez, ou se você tá confundindo seus sonhos com a realidade de novo, eu juro que vou trocar a fechadura da minha casa pra você nunca mais aparecer aqui assim e me acordar.
Meu deus, como eu odeio que duvidem de mim!
— Aiden, eu tô falando sério! O negócio tá lá ainda, vamos lá logo antes que suma ou sei lá.
— Coral… — Aiden começou mas logo me levantei, fazendo ele calar a boca e comecei a sair da sua casa.
— Tá, cara, não quer acreditar, continua aí seu sono de beleza que eu me viro lá. Mas, lembre-se de que se eu morrer ou for abduzida, a culpa vai ser sua porque o último que me viu, foi você. — Terminei a frase já na porta e quase gritando. Elvis estava me esperando como um bom cão de guarda — Vem, garotão, vamos voltar pra casa.
Não dava pra acreditar que ele não acreditou em mim, se não estivéssemos passando por nada disso, daria pra desconfiar, afinal, como que seria possível algo assim? Mas não, agora tudo é possível.
Virei a rua e logo cheguei em casa, andei até o quintal porém Elvis não me acompanhou, isso me deixou com medo, mas continuei andando, e lá estava o sei lá o que era aquilo, andei até o objeto redondo, pequeno o suficiente pra um ser humano entrar ali confortavelmente. Me abaixei e estiquei a mão pra tocá-lo.
— Se eu fosse você, eu não faria isso. — Uma voz desconhecida soou do nada, me fazendo congelar na posição que estava. — Está superaquecido e você sabe, queimaria.
Virei a cabeça pra trás, pra olhar de onde vinha a voz e uma pessoa tava parada a pouquíssimos metros de mim, por favor, que seja só uma pessoa normal. O que eu faço, Deus? Vou correr, isso, entrar em casa e me trancar lá dentro. Beleza, sei o que fazer, só não sei como farei isso.
Me virei e levantei devagar sem tirar os olhos da pessoa, estava escuro demais pra conseguir enxergar e identificar quem era, mas tinha certeza que eu não a conhecia.
— Sei que… — ela começou a falar e corri, comecei a correr o mais rápido que pude. — Espera aí!
Antes de entrar em casa, avistei Aiden na frente da caixa do correio, mudei o caminho e fui até ele correndo mas sem parar ao alcançá-lo, apenas falei sem fôlego:
— Corre. — E corri pra sua casa com Elvis correndo atrás de mim.
....
Logo tava eu, Elvis — porque eu não ia deixá-lo sozinho lá fora depois do que aconteceu — e Aiden seguros na sua casa, com todas as janelas, portas fechadas, fingindo que não existíamos. Aiden finalmente acreditou em mim, mas não pelas minhas palavras, por ter visto a minha cara enquanto eu estava correndo. Depois que estávamos lá seguros, eu contei tudo que aconteceu no quintal e Aiden depois de muito pensar, falou:
— Beleza, deixa eu ver se entendi. Você voltou lá, observou a… a suposta nave vindo do céu, e quando foi tocar, uma pessoa apareceu do nada e falou contigo pra não tocar porque o troço tava superaquecido e poderia te queimar? Vocês se olharam por um tempo e quando ela abriu a boca de novo, você correu?
— Sim, e ela não tava lá quando eu cheguei, eu não a vi.
— Ela realmente não tava ou você que não prestou atenção? Porque, vamos combinar, você é bem lerdinha. — Fiquei encarando ele enquanto imaginava ele sendo decapitado vivo. — Ok, desculpa, sem piadinhas. Você precisa ter certeza se realmente não a viu ou se ela não tava mesmo lá, porque há uma grande diferença em ela estar lá e ter aparecido totalmente do nada.
Repassei milhares de vezes a lembrança na minha cabeça, e eu não conseguia lembrar se reparei nela lá ou não.
— Argh, que merda, eu não lembro, eu não prestei atenção em nada ao meu redor, tava focada naquele trambolho no meu quintal.
Aiden tava alisando a testa, conhecia ele o suficiente pra saber que tava querendo me estapear por ser tão avoada da cabeça.
— Tudo bem, vamos ficar aqui por uns dias. Aquele negócio poderia ser um lixo espacial, e ela alguma ladra, então se ela for uma ladra, vai roubar o que quiser roubar e vai embora, pronto. Ou não vai roubar nada porque não vai conseguir entrar dentro de casa, então vai embora de todo jeito, vamos passar o fim de semana aqui de boa e depois voltamos lá, resolvemos o que tiver que resolver, chamamo alguém da NASA pra retirar o troço do seu quintal e vida que segue.
Parecia um bom plano, me deixaria um pouco mais tranquila e aliviada se a “ladra” não conhecesse o suporto lixo espacial, o negócio era dela, com certeza, ela mesma me alertou pra tomar cuidado ao tocar. Soltei um resmungo e falei:
— Tudo bem, vamos fazer isso. — Mas não tava tudo bem, minha cabeça tava a mil, eu não iria deixar isso quieto.
Não falamos mais nada sobre isso depois, simplesmente ficamos um em cada canto e dormimos, Aiden dormiu, eu fiquei deitada com Elvis enquanto lembrava de tudo que aconteceu na ultima hora.
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