Futuristiku
2 I AM Titanium
Notas iniciais
Por mais difícil que tenha sido, consegui passar dois dias longe de casa. Aiden é meu melhor amigo e sempre um tá na casa do outro, então não foi tão difícil ficar na sua casa. Por mais que eu estivesse louca pra saber como tava a minha casa, eu me aguentei, até hoje
Aiden foi encontrar a namorada dele que chegou de viagem, então era só eu e Elvis, eu tava de boa na minha quando meu cérebro fez um clique, e segundos depois, eu tava seguindo meu caminho até em casa.
Eu abri a porta devagar e Elvis foi o primeiro a entrar, entrou correndo e deitou na cama dele com seus brinquedos. Todo resto da casa parecia exatamente do jeito que eu me lembrava. Fechei a porta, tranquei e andei pela casa pra vasculhar se tudo tava lá.

Sentei no sofá com uma garrafa de cerveja depois de ver se tava tudo exatamente do jeito que eu havia deixado, e tava, nada tinha mudado, meu telescópio tava no sótão, meus livros nas prateleiras, comida na geladeira, e melhor — mas não menos importante —, o objeto não identificado tinha sumido do meu quintal, que alivio. Liguei a TV pra assistir alguma série e Elvis subiu no sofá com um papel na boca.
— Que isso, doidão? Cospe isso fora — abri sua boca à força pra tirar dele e peguei.
Não me lembrava desse papel, desamassei e era um bilhete.
Oi?
Sou Astrid, você me viu lá fora, depois de quase queimar a mão no transportador, e sim, ele era meu, veio do espaço, que é da onde eu vim. Imagino que para você e todos os humanos da Terra, isso seja algo assustador, até porque você pareceu bem assustada, mas queria e quero declarar aqui que vim em paz, nada mais que isso. Espero que algum dia, muito em breve, nossas raças consigam viver amigavelmente.
Oh, queria me desculpar pelo modo como apareci, tive um pequeno problema ao aterrissar, espero não ter causado tanto incomodo. Eu limpei toda a área caso venha a ter algum problema.
Sinto muito pelo mau jeito,
Astrid.
Uau, então, eu tava certa! Aiden vai ter que me aturar falando que eu sabia que tava certa e que ela não era nenhuma ladra, e a nave, óvni, transporte, sei lá não era nenhum lixo espacial. Limpou toda área? Limpou pra quê? Ninguém nem morreu. Bem, ela deve ter voltado pro seu planeta, sistema, o que for e tudo vai voltar a ser como antes, foda, vida que segue. Amassei o papel de novo e continuei bebendo a cerveja enquanto assistia TV.
Depois de algumas horas, alguém bateu na porta. Tsc, deve ser Aiden, ele já não tem a merda da chave? Pra que não abre logo? Andei até a porta e destranquei para abrir.
— Da próxima vez, eu não vou levantar só pra você entr… — não pude terminar a frase pois um homem do tamanho de um armário entrou na minha casa sem eu nem permitir. — Ow, ow, volta! Eu não te convidei pra entrar, e nem te convidaria porque não…
— Nós registamos atividade alienígena vindo daqui, precisamos investigar. — falou o cara gigante enquanto invadia a minha casa com mais 3 homens tão gigantes quanto ele.
Elvis tava a ponto de atacar todos eles de tanto que latia feito louco para o grupo.
— Calmaí, que atividade alienígena? Não tem porra nenhuma aqui, você não apresentaram ordem nenhuma pra entrar aqui. Fora ou eu chamo a polícia.
Os caras riram com desdém e um deles falou:
— Nós somos a polícia, garotinha.
— Que porra de polícia invade a casa das pessoas sem uma ordem judicial pra isso?
— Escuta aqui, garotinha, nós registramos atividade extraterrestre vindo daqui desta casa, estamos fazendo nosso trabalho, se você insistir em continuar nos atrapalhando, teremos que interditar a casa e te levar daqui para ser interrogada, o que você prefere?
Fodeu muito fodido. Que merda, mantenha a calma, a calma é a chave de tudo.
— Não tem o que procurar aqui, é isso que tô tentando dizer, vocês vão perder o tempo de vocês, mas se quiserem isso, vão em frente. Só que não vou arrumar a bagunça que vocês farão, então deixem tudo como tá, e se tirarem do lugar e não arrumarem — tranco a porta e prendo a chave na coleira do Elvis —, você não saem daqui.
— Não vamos tocar em nada. — Disse um dos gigantes que não era tão grande como os outros.
— Que ótimo! Então façam logo o que tem pra fazer e sumam daqui porque vocês dão medo.
Eles nem esperaram eu terminar e cada um foi pra cada cômodo com dois aparelhos nas mãos que bipavam sem parar. Elvis permaneceu ao meu lado em alerta, sentei no puf junto dele e peguei meu celular pra mandar uma mensagem pra Aiden.
Tem uns caras muito estranhos aqui em casa, eles estão falando que registraram atividade alienígena aqui
Aqui em casa??? Na minha casa?
Eles respondeu quase no mesmo minuto, uai, por que ele não tá ocupado demais com a namorada?
Por que respondeu tão rápido? E estão na minha, eu vim pra cá, tava muito chato a sua casa, queria a minha.
Depois te explico, já estou indo pr’aí, não surta.
Por que eu surtaria? Estou calmíssima.
Tá, corre.
— Senhorita? — Um dos caras tava entrando na minha sala, Elvis começou a rosnar pra ele.
— Coraline Devine — por mais que eu odiasse meu nome, teria que dizer meu nome certo pra eles.
Depois de anotar num papel, eles continuou:
— Nós não encontramos nada aqui, sinto muito pelo inconveniente, não irá se repetir novamente.
Levantei depois de pegar a chave na coleira de Elvis e abri a porta.
— Eu avisei, espero que não apareçam mais.
Os três homens saíram pela porta quando avistei Aiden virando a esquina. Sai de casa logo atrás deles e andei até a calçada pra encontrar Aiden.
— Que monstros, eles acharam algo?
— Não, bora entrar, tenho que mostrar um negócio.
— Não é nenhum objeto não identificado de novo, não, né? — Ele perguntou.
— Cala a boca, eles podem ouvir, imbecil. Vem.

Aiden tava branco depois que terminei de contar o que eu achava desde a noite que tudo aconteceu, do bilhete até eles polícias estranhos.
— Nunca mais divida de mim!
Se tem algo escroto, é quando você conta pra alguém sobre alguma coisa que você sente, sabe, viu, conta algo que tá passando contigo e ela não acredita, ou fala que acredita só pra você parar de falar maluquice.
— Eu não duvidei totalmente de você, eu só…
— Tá, Aiden, cala a boca, passou, essa Astrid sumiu, evaporou, voou pra longe e vamos viver o mais normal possível. Agora conta, por que tá de volta tão cedo?
Aiden bufou antes de começar a falar, mas quando abriu a boca, alguém bateu na porta.
— Meu Deus, a minha casa virou um point, só pode. — Fui até ela já preparando um discurso na minha cabeça caso seja aqueles caras de novo.
Mas não era eles, era uma garota.
— Oi?
— Olá, acho que deveríamos ser apresentadas de uma forma mais considerável, sou Astrid. — meus olhos estariam rolando pelo meu rosto abaixo se eu pudesse esbugalhá-los mais ainda.
— Puta merda.
Fale com o autor